[Review] O Rastro


Por Beatriz Bertolli


É necessário dar inicio ao texto que vai falar sobre o filme “O Rastro” registrando a total surpresa e superação que o filme é para os amantes do terror que vem acompanhando a jornada brasileira nesse gênero há algum tempo.

Colocado esse fato, podemos seguir falando sobre a obra que tem estréia marcada para o dia 18 de Maio de 2017, produzido pela Lupa Filmes, com distribuição da Imagem Filmes e direção de J.C Feyer. No elenco estão atores aclamados pelo público: Leandra Leal como Leila, Cláudia Abreu como Dra. Olívia e Jonas Bloch como Dr. Heitor, todos em um trabalho impecável, como de costume, mas o destaque vai para Rafael Cardoso, como Dr. João, que presenteia o publico com uma atuação do gênero terror surpreendente.

Na história, Dr.João é casado com Leila e está à frente de uma mega operação no ramo da saúde pública. Com muitas responsabilidades e muitas vidas nas mãos, o médico João tenta fazer o seu melhor por todas as pessoas, mas as coisas começam a sair dos eixos quando uma das pacientes que deveria ser transferida de um hospital a outro some no meio da confusão. João se sente culpado pelo erro e determina a si mesmo que precisa fazer de tudo para encontrá-la.

Para os aficionados do horror, o cinema brasileiro nunca foi um terreno muito bem explorado, a lista de filmes não é muito longa e também não existem trabalhos que se destaquem por sua excelência, mas com certeza O Rastro entra nessa lista para somar e subir o nível do terror brasileiro.

Os roteiristas André Pereira e Beatriz Manela revelam que começaram a pensar no filme a oito anos, junto com a produtora Lupa e o diretor J.C, no inicio a Ideia era completamente diferente do produto final que estão entregando agora. Foi um trabalho intenso, de anos de estudo e dedicação com bases solidas em filmes clássicos, como O Iluminado e Os Outros.



De fato, a fotografia de Gustavo Hadba e a direção de arte de Daniel Flaksman contribuíram para essa “busca do terror perfeito”, os ângulos complexos e os ambientes, que ao passar do tempo ficavam cada vez mais sem vida, conversaram tão bem com entre si e com o público, que fica fácil conseguir ser levado pela onda de desespero que o filme propõe. Mas como tudo que está no inicio,

O Rastro ainda não é um exemplo de filme do gênero, o roteiro pode levar o público a algumas deduções que não são as certas, e algumas pontas soltas que acontecem durante as sequências até são amarradas, mas a maioria fica um pouco “frouxa” e tendem a levar a confusão.

O terror tropical que o filme propõe pode incomodar no começo, afinal é diferente de tudo que já foi visto, o costume nos filmes de horror é um personagem sentir frio e estar sempre em silêncio, mas com o decorrer da obra é possível se deixar envolver pelo clima “abrasileirado” do terror.



 Uma grande aposta nacional, o Rastro será lançado nos Estados Unidos e colocado para negociações com outros países. Ainda peca em algumas questões, normais para filmes com orçamentos pequenos, mas surpreende de forma primorosa levando-se em consideração o histórico de produção do gênero no país. Cheio de reviravoltas, de surpresas, de boas atuações e efeitos sonoros,


Esse filme chega às telonas para causar impacto, mostrar o terror vivido pelos brasileiros a cada dia e consegue alcançar o objetivo de dar um passo largo na direção do que pode vir a ser uma nova tradição cinematográfica brasileira.


Nota: 4.7/5

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