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Festival Varilux 2022 | Tudo que você precisa saber sobre essa edição

 

Por Victoria Hope

Mais um ano chegou e com ele, a mais nova edição do Festival Varilux de Cinema Francês, um dos maiores spotlights da indústria cinematográfica francesa no Brasil.  O cinema francês com suas histórias ricas, relevantes e inspiradoras volta à cena com a chegada nas salas dos cinemas da 13ª edição do festival. 

Único evento audiovisual realizado nacionalmente e simultâneo em municípios de quase todos os estados brasileiros, o festival ocorre entre 21 de junho e 6 de julho e brinda o público com 17 obras inéditas e recentes da filmografia francesa e dois filmes como homenagem: a um clássico e em comemoração aos 400 anos do dramaturgo francês Molière. Confira a programação no site: https://variluxcinefrances.com/

 Na seleção dos inéditos desta edição com temáticas variadas e gêneros como comédia, drama, suspense e romance estão produções de diretores aclamados internacionalmente e já conhecidos do público brasileiro como François Ozon (Peter Von Kant), Cédric Klapisch (O Próximo Passo), Asghar Farhadi (Um Herói) e Louis Garrel (Um Pequeno Grande Plano). Integram a programação obras premiadas como O Acontecimento, de Audrey Diwan, vencedora do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza em 2021; Um Herói, de Asghar Farhadi, vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes de 2021; Contratempos, de Eric Gravel, vencedor dos prêmios de Melhor Diretor e Melhor Atriz (Laure Calamy) no Festival de Veneza; O Destino de Haffmann, de Fred Cavayé, vencedor nas categorias Melhor Atriz e Melhor Filme (Prêmio do Público) no Festival du Film de Sarlat 2021 e Peter Von Kant, de François Ozon, indicado ao Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim em 2022.

Contratempo / Foto: Festival Varilux

Os fãs irão rever na telona estrelas e astros consagrados como Fanny Ardant (Os Jovens Amantes), Isabelle Adjani (Peter Von Kant), Virginie Efira (Esperando Bojangles, O Segredo de Madeleine Collins), Emmanuelle Bercot (Peter Von Kant), Daniel Auteuil (O Destino de Haffmann), Gilles Lellouche (Golias, Kompromat e O Destino de Haffmann), Denis Ménochet (Peter Von Kant), Pierre Niney (Golias) e Romain Duris (Esperando Bojangles, As Aventuras de Molière). Nomes aclamados como Laetitia Casta (Um Pequeno Grande Plano), Cécile de France (Os Jovens Amantes), Laure Calamy (Contratempos) e Melvil Poupaud (Os Jovens Amantes) também marcam presença.

"Estamos sempre atentos para trazer para o festival obras de qualidade e com diversidade de temas. Sabemos que o público quer rever seus atores e diretores preferidos, mas também conhecer as novas revelações – comenta Christian Boudier, codiretor e cocurador do festival.

Atentos às mudanças no mercado audiovisual mundial e particularmente no francês, os diretores do Festival Varilux resolveram inovar este ano. A edição 22 terá, pela primeira vez, uma mostra de sete séries francesas inéditas. A curadoria criteriosa já conhecida para os longas-metragens participantes se estendeu ao formato seriado e produções recentes foram selecionadas para serem exibidas em São Paulo e no Rio de Janeiro. As cidades recebem ainda uma masterclass e um encontro profissional durante o festival. E, em data a ser divulgada posteriormente, as séries serão disponibilizadas para todo o Brasil gratuitamente no streaming.

O Próximo Passo / Foto: Festival Varilux

"O mundo está mudando e o mundo das imagens junto com ele. A pandemia acentuou a tendência de “consumir” produções no sofá, sob demanda. Nós, que amamos tanto o cinema, vamos sempre incentivar que a experiência de assistir aos filmes seja nas salas de cinema, neste lugar mágico. Mas sabemos que existem ótimas produções sendo feitas e assistidas em outras telas. E não podíamos deixar de trazer para o público brasileiro, que sempre prestigiou o festival, um pouco das séries francesas que estão sendo produzidas" – ressalta Emmanuelle Boudier, codiretora e cocuradora do festival.

O Festival Varilux de Cinema Francês é realizado pela produtora Bonfilm e tem como patrocinadores principais a Essilor/Varilux e a Pernod Ricard/Lillet, além do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura. 

Outros parceiros importantes são as unidades das Alianças Francesas em todo Brasil, a Embaixada da França no Brasil, as empresas Club Med, Air France e Ingresso.com, além das distribuidoras dos filmes Bonfilm, California Filmes, Elite Filmes, Mares Filmes, Synapse e Zeta Filmes e os exibidores de cinema independente/de arte e as grandes redes de cinema comercial. Entre os parceiros de mídia estão AdoroCinema, Arte1, Canal Curta!, Filme B e Papo de Cinema.

Festival Varilux de Cinema Francês apresenta “Slalom” ao público brasileiro

 

Por Victoria Hope

Por muitos anos, tem se discutido sobre casos de assédio físico e moral no universo esportivo e o novo filme de estreia de Favier toca justamente nessa ferida, com uma mensagem mais do que necessária para trazer 'luz' aos casos. 

O drama “Slalom”, de Charlène Favier, é destaque na programação da edição 2020 do Festival Varilux de Cinema Francês, que acontece até 3 de dezembro nos cinemas de todo o país. Dirigido por Charlène Favier, o filme acompanha a história de Lyz (papel de Noée Abita), que aos 15 anos integra a equipe de esqui de um clube de elite da França, conhecido por preparar futuros atletas profissionais. Ela treina como uma estrela profissional, mas após acumular conquistas fica abalada com a pressão e o domínio exercido por Fred, seu rigoroso treinador (Jérémie Renier).

Por conta do intensivo treinamento, Lyz e Fred estão juntos o tempo todo. Ele é um dos poucos adultos presentes em sua rotina, uma vez que a jovem tem um pai ausente e um relacionamento conturbado com a mãe. Sob o ponto de vista da atleta, submetida a um intenso e contínuo estresse físico e psicológico, o público ganha uma história íntima e com muitas nuances, tratada com franqueza e rigor. Assista o trailer: https://youtu.be/tc2VAOxunlg

Slalom / Vitrine Filmes

Filme de estreia da diretora Charlène Favier, a produção é também inspirada na experiência pessoal da diretora que, durante a juventude, praticou esportes de alto nível e foi vítima de abuso. Com a produção, ela leva às telas, com delicadeza e sensibilidade, um tema relevante dentro do ambiente esportivo e da sociedade atual.

Finalizado em 2020, o drama integrou a seleção da última edição do Festival de Cannes. Foi escrito em 2014, antes do #MeToo – movimento iniciado via twitter pela atriz Alyssa Milano em 2017, quando publicou um pedido para que todas as pessoas que já tivessem sofrido assédio sexual usassem a hashtag – e de outros escândalos dentro do mundo do esporte. Favier entrevistou jovens atletas e seus pais para construção do longa-metragem. A distribuição é da Vitrine Filmes.

Coletiva | Benoît Delepíne fala sobre longa 'Apagar o Histórico' no Festival Varilux de Cinema Francês

 

Por Victoria Hope

E vamos para mais um sucesso do cinema francês, vencedor do Urso de Prata na última edição do Festival de Berlin, 'Apagar o Histórico', do diretor Benoît Delépine. O compõe a lista de títulos que marcam o Festival Varilux de Cinema Francês desse ano. 

Na trama, em um loteamento no interior da França, três vizinhos se descobrem vítimas das novas tecnologias e redes sociais. Marie é alvo de chantagem devido a um vídeo de conteúdo sexual; Bertrand vê a filha ser objeto de bullying na escola e Christine, motorista de carros de aluguel, se mostra inconformada ao constatar que as notas dadas por seus clientes se recusam a melhorar. Juntos, decidem declarar guerra aos gigantes da internet. Uma batalha perdida de antemão.

Durante a coletiva que aconteceu nessa terça (25), o diretor  e comediante Benoît Delépine falou sobre distanciamento social, a influência das redes sociais e sobre a produção do longa premiado.

Benoît Delepíne durante a coletiva virtual

Benoît: (Nessa pandemia) Com as pessoas confinadas em casa, a gente pode imaginar o que teria acontecido, ou se a gente fosse condenado a assistir a televisão. Talvez teria sido mais complexo. Isso ajudou muita gente a segurar a onde e vai de encontro com nosso filme.

Entrevistadora: Isso é a mesma coisa para você?

Benoît:  Eu acredito que a Netflix nunca se deu tão bem, assim como a Amazon também. Acho que isso (isolamento), aumentou a bolsa para eles, mas isso nos colocou numa situação de solidão ainda mais exacerbada, e talvez após sairmos desse período, talvez vamos querer ficar mais juntos que antes, eu espero.

Entrevistadora: O filme corresponde à um desabafo pessoal ou um desabafo e crítica sobre o mundo?

Benoît: É um pouco das duas coisas. Nós gostamos de fazer filme contemporâneos, nós temos um olhar sobre a sociedade. Nosso 10º filme e toda vez a gente tenta falar o que acontece, mais focando a classe média, mais no campo da França, mas são muitas vezes, contextos que podem ser universalizados. 

Benoît: Nós falamos há algum tempo em um filme, sobre as áreas comerciais e dessa vez, a gente queria falar sobre as redes sociais e falar desses heróis que moram nesses conjuntos habitacionais. Por isso a gente tinha essa vontade de observar essa sociedade, mas ao mesmo tempo, é uma vingança pessoal (risos). A gente teve tanta dificuldade com essas redes sociais. 

Benoît: A gente queria desabafar nossas dificuldades e rir um pouco, além de se vingar um pouco dos americanos (risos).

Entrevistadora: Agora que você falou de irritar dos americanos, gostei muito (risos). Tem um momento que não sabemos se foi improvisação com a Blanche ou se foi filmado. Foi feita de que forma essa cena?

Cena de "Apagar o Histórico" / Bonfilm


Benoît: Vou te falar o truque. A gente sabia que não poderia filmar nos Estados Unidos, mesmo porque chegando lá, a gente teria que encarar processos, então não tínhamos essa possibilidade. Então como 'covardes", nós pedimos para o nosso assistente fazer o trajeto da nossa heroína, Blanche. Ele fez uma confusão lá, foi expulso, mas ele filmou com o celular. Então a gente teve que reconstituir o que ele fez, misturando imagens da Blanche. 

Entrevistadora: Nossa, parabéns, porque eu realmente acreditei (risos).

Benoît: Eu espero que sejamos selecionados, tem um festival em São Francisco em abril, espero que possamos ir e vamos mostrar pra eles. Será muito engraçado.

Entrevistadora: Qual foi a principal dificuldade que vocês tiveram em fazer esse filme?

Benoît: Na verdade aconteceu tudo muito bem. A sorte estava com a gente, tanto com os atores quanto com a filmagem em si, a filmagem na ilha Maurice, foi muito bom. A gente teve algumas dificuldades depois em representar alguns personagens, por conta dos advogados deles. Nossos heróis tem máscaras e a gente usou máscara, como os Anonymous, que pra nós os representavam, um símbolo de uma certa anarquia, só que essa máscara vem de um quadrinho e o autor Frank Miller estava de acordo para a gente usar, só que os estúdios Universal, tiveram um filme, que usava a mesma simbologia, aí a gente teve que tirar imagem por imagem dessas cenas do filme, o que nos custou muito dinheiro.

Entrevistadora: Como você acredita que a gente possa ter um uso mais positivo das redes? Tendo em vista que elas possuem métricas que aumentam o vício digital, o afastamento, e muitas vezes, o ódio? Como estimular a coletividade e união por meio das mesmas ferramentas?

Benoît: Na verdade, teria que pegar só as partes boas dessa ferramenta. Ela é uma ferramenta tão extraordinária, é tanta cultura à sua disposição, em um pequeno retângulo. Eu sou sobretudo, roteirista, eu escrevo também para um programa de televisão, mas é incrível poder ter informações imediatas no segundo que você precisa, sobre um elemento específico. 

Benoît: Antes eu teria que ter ido à uma biblioteca. É claro que nesse aspecto, isso é uma forma de progresso incrível, é genial, agora, tem o lado de ser 'gótico' demais, muito focado em si mesmo, para de dar sua opinião em tudo e julgar as coisas, isso é uma espécie de 'dita' liberdade, mas que muitas vezes são inteligências artificiais, né? Que nos classificam, que nos mostram produtos que temos interesses. Isso nos torna previsíveis, então, sejamos imprevisíveis!

Festival Varilux 2020 | Coletiva de DNA com Maïwenn

 


Por Victoria Hope

Uma jornada de luto e redescobertas embala a trama de DNA, filme da diretora Maïwenn que está em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês desse ano.  Na trama, Neige, divorciada e mãe de três crianças, visita regularmente Emir, seu avô argelino, vivendo agora num asilo para idosos. 

Ela adora e admira aquele que exerce o papel de sustentáculo da família, o homem que a criou e que sobretudo a protegeu da atmosfera tóxica que marcava o relacionamento com os pais. As relações entre os muitos integrantes da família são complicadas e a morte do avô acabará por desencadear uma tempestade familiar e uma profunda crise de identidade em Neige. 

DNA é um dos filmes que compõe a lista do Festival Varilux desse ano, que conta com um clássico e 17 longas-metragens inéditos e recentes (2019/2020) da cinematografia francesa, com exibições de 19 de novembro a 3 de dezembro. 

Nessa terça, tivemos a oportunidade de bater um papo com Maïwenn para falar sobre o filme e sobre as expectativas da diretora sobre esse festival internacional.


Entrevistadora: Você se sente em casa na Argélia ou na França?

Maïwenn: Tenho a impressão de me sentir mais em casa lá (na Argélia), do que na própria França, enquanto na França, me sinto uma estrangeira. Faz sentido?

Entrevistadora: Muitos diretores filmam em locais mais distantes e depois nunca mais retornam para o país de filmagem. Foi assim com você? 

Maïwenn: Na verdade eu nunca parei de visitar a Argélia. Só parei mesmo nos anos 90, quando estavam naquele período 'das trevas', com a guerra, mas após esse período, sempre que pude, voltei. 

Entrevistadora: Você acredita que durante esse filme, acabou conhecendo um lado da Argélia que não conhecia antes?

Maïwenn: Sinceramente, não. É um pouco da visão romantizada que o filme passa, parece que estou descobrindo o lugar, mas a realidade é bem diferente. 

Entrevistadora: O que acha das fórmulas utilizadas no cinema ao longo dos anos?

Maïwenn: Na verdade não existe uma receita, acredito que cada fórmula tem seu lado bom e seu lado ruim. As fórmulas as vezes funcionam, dependendo do ponto de vista a ser passado. 

Entrevistadora: Você pretende atuar em outros projetos com outros diretores?

Maïwenn: Acho que fica um sentimento de que se eu atuo apenas nos meus filmes, é porque não existem outras oportunidades, mas não é assim. Eu acho que gosto de ter a minha liberdade de mostrar o meu ponto de vista nas minhas histórias e atuar nas minhas produções é uma forma de mostrar isso. 


Sessão gratuita e debate online do filme Mais Que Especiais, nessa segunda


 Por Victoria Hope

E vamos de comédia pra essa segunda feira, porque rir é um dos melhores remédios, não é mesmo? A edição 2020 do Festival Varilux de Cinema Francês promove sessão online do longa-metragem “Mais Que Especiais”, nesta segunda-feira, dia 23, às 17h30m. A exibição legendada da comédia de Eric Toledano e Olivier Nakache – diretores dos sucessos “Os Intocáveis” e “Samba” - será gratuita e seguida de bate-papo virtual, às 20h, com as pesquisadoras e educadoras Cristiane Muñoz e Cláudia Bolshaw, que atuam com pessoas com autismo.

Para participar da exibição online do longa – que, estrelado por Vincent Cassel, conquistou sete indicações ao Prêmio César 2020 -, os interessados devem fazer a inscrição via link: https://bit.ly/FVCF2020MQE , que também estará disponível no site do festival, dentro da aba “eventos”:  http://variluxcinefrances.com/2020/eventos/ As inscrições são limitadas a 300 pessoas e, haverá lista de espera em caso de maior demanda. A distribuição é da Califórnia Filmes.

Após a sessão online, o bate-papo será transmitido pelo YouTube e pelo Facebook do Festival Varilux, às 20h, nos links: https://www.youtube.com/user/variluxcinefrances e https://pt-br.facebook.com/variluxcinefrances  A atividade será gratuita e aberta, sem necessidade de inscrições. O público poderá enviar comentários e perguntas pelo chat. O trailer de “Mais que Especiais” pode ser conhecido aqui: https://youtu.be/wSxcKerUJi4


Sinopse: Há​ 20 anos Bruno e Malik vivem num mundo à parte, aquele habitado pelas crianças e adolescentes autistas. Trabalhando cada um em uma instituição diferente, eles se dedicam à formação de jovens vindos de bairros problemáticos para tentar lidar com esses casos considerados “supercomplexos”. Uma aliança pouco usual para personalidades fora do comum.

“Um grande filme sobre a rejeição do imobilismo, sobre a abertura para a diferença e sobre a tolerância. Um apelo para que passemos a ouvir uns aos outros. Um belo e autêntico canto de esperança.” Anne-Claire Cieutat, Bande à part

“Uma crônica humanista comovente, que aborda a questão do autismo sem resvalar para o melodrama, com essa mistura de humor e emoção que parece ser a marca dessa dupla de diretores.” - Barbara Théate, Le Journal du Dimanche


Sobre os participantes

Cristiane Muñoz é atriz, palhaça, professora, pesquisadora e neurodivergente, doutoranda na UNIRIO, com trabalho que envolve as Artes e o Autismo. Ela é mestre e bacharel em Artes Cênicas pela mesma universidade e pós-graduada em Educação pela UCAM.

Cláudia Bolshaw é professora e Supervisora do Departamento de Artes e Design da PUC- Rio. Doutora em Design Linha de Pesquisa Design: Comunicação, Cultura e Artes, com ênfase em Animação. Prêmio UNESCO 2006 - Coordenadora da Pesquisa Animadores do Brasil - Memória imaterial da cultura brasileira.  Coordenadora do Curso Arte, Educação e Inclusão com Orientação Universitária - AEIOU - CCe - PUC - Rio. Coordenadora do Núcleo de Artes Digitais e Animação - N.A.D.A. PUC- RIO.

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Serviço

Data: 23/11/2020, segunda-feira - Sessão online: "Mais que especiais"

Horário: 17h30m

Vagas LIMITADAS - Após a inscrição, o participante receberá por e-mail (no dia da exibição) um link para assistir ao filme. Link para inscrição: https://bit.ly/FVCF2020MQE

Debate: 20h - será transmitido pelo Facebook e YouTube do Festival Varilux e não precisa de inscrições

Dia da Consciência Negra: Festival Varilux de Cinema Francês promove sessão de filme e debate virtual


Por Victoria Hope

Para fechar a programação especial com foco no Mês da Consciência Negra, a edição 2020 do Festival Varilux de Cinema Francês irá promover uma sessão online do filme “Sou Francês e Preto”, de Jean-Pascal Zadi e John Wax, distribuído pela Bonfilm, no próximo dia 20 de novembro (sexta-feira), às 18h. 

A exibição é gratuita e seguida de bate-papo, às 19h30m, mediado pelo cineasta e crítico de cinema Clementino Jr., com a participação do cineasta Joel Zito Araújo; da pesquisadora e coordenadora do FICNE (Fórum Itinerante de Cinema Negro) Janaína Oliveira e do ator, diretor e roteirista Alberto Pereira Jr.

Já o debate - realizado em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, que em virtude do momento de pandemia, ocorrerá de forma remota - será transmitido simultaneamente no Facebook: https://pt-br.facebook.com/variluxcinefrances  e no YouTube do Varilux: https://www.youtube.com/user/variluxcinefrances

Sou Francês e Preto / Bonfilm

Para participar da exibição online da comédia – que levou mais de 800 mil espectadores às salas de cinema na França -, os interessados devem fazer a inscrição pelo link: 

https://www.eventbrite.com.br/e/sessao-sou-frances-e-preto-festival-varilux-de-cinema-frances-2020-tickets-129484133529 O link de inscrição também estará disponível no site do festival, dentro da aba “eventos”: http://variluxcinefrances.com/2020/eventos/

O bate-papo será transmitido pelo YouTube e Facebook do Festival Varilux, às 19h30m, de forma gratuita e aberta, sem necessidade de inscrições. O público poderá participar e enviar perguntas pelo chat ao vivo. Legendada, a exibição do filme será liberada para os primeiros 300 inscritos e os contemplados receberão, no próprio dia 20/11, um link com senha para o vimeo. O trailer de “Sou Francês e Preto” pode ser conhecido aqui: https://youtu.be/YU5Thw4cvVg

Sinopse do filme: JP, um ator mal-sucedido de 40 anos, decide organizar o primeiro grande protesto pela causa negra na França, mas seus encontros, muitas vezes burlescos, com personalidades influentes da comunidade e o apoio entusiasta de Fary, o fazem hesitar entre o desejo de estar à frente dos palcos e seu engajamento enquanto militante.

Sobre o diretor Jean-Pascal Zadi

Jean-Pascal Zadi começa sua carreira pelo rap, como integrante do grupo La  Cellule, mas já se coloca também atrás da câmera, dirigindo clipes e documentários. O primeiro deles, “Des Halls aux bacs” (2004) acompanha o percurso dos rappers independentes, mais tarde conhecidos como Sefyu e Youssoupha. No mesmo ano, se associa a seu amigo de infância Geoffroy Dongala, para fundar a empresa Gombo Productions. 

Graças a ela, Zadi lança em 2008 seu primeiro longa de ficção, “Cramé”, com um orçamento de apenas 5 mil euros. Dois anos mais tarde é a vez de “African Gangster”, estrelado pelo rapper Alpha 5.20, que vende 10 mil exemplares em formato de vídeo. Em 2011, Jean-Pascal Zadi segue sua trajetória de diretor com “Sans pudeur ni morale”. 

Depois do documentário “African Dream”, a respeito do Magic System, chama atenção para o seu trabalho graças ao Canal +, no qual aparece no segmento Le Before du Grand Journal. Em 2020, obtém grande sucesso junto a um público amplo com “Sou Francês e preto”, codirigido com John Wax. 

Autor de filmes vistos até então apenas no circuito alternativo, com esta comédia ele alcança não só grandes plateias nas salas de cinema, como também vê sua obra repercutir numa atmosfera mobilizada pelo noticiário e pelo movimento Black Lives Matter.

Sobre os participantes do debate:

Clementino Júnior é cineasta, educador audiovisual, doutorando em educação pelo GEASur/UNIRIO, mestre em educação e fundador do CAN - Cineclube Atlântico Negro.

Joel Zito Araújo é diretor, roteirista, produtor, conhecido por tematizar o negro na sociedade brasileira. Sua obra inclui o livro e filme A Negação do Brasil, ganhador do É Tudo Verdade em 2001, o longa ficcional As Filhas do Vento (2005), ganhador do Festival de Tiradentes e de 8 Kikitos no Festival de Gramado, os docs Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado (2009),  RAÇA (2013) e MEU AMIGO FELA (2019), com vários prêmios internacionais. Atualmente está montando o seu novo longa ficcional O Pai da Rita.

Janaína Oliveira é pesquisadora e curadora, doutora em História, professora no IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro), e Fulbright Scholar no Centro de Estudos Africanos na Universidade de Howard, em Washington D.C. nos EUA.  Desde 2009, desenvolve pesquisa sobre as cinemastografias negras e africanas, atuando também com curadora, consultora, júri e painelista em diversos festivais e mostra de cinema no Brasil e no exterior. Em 2019 realizou a mostra “Soul in the eye: Zózimo Bulbul's legacy and the Contemporary Black Brazilian Cinema” no IFFR - International Film Festival Rotterdam. Foi também consultora de filmes da África e da diáspora negra para o Festival Internacional de Locarno (2019-2020). Atualmente é curadora do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul (RJ), do FINCAR (Festival Internacional de Realizadoras / PE) e da Baobácine Mostra de Filmes Africanos de Recife. Faz parte da APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro). É idealizadora e coordenadora do FICINE, Fórum Itinerante de Cinema Negro (www.ficine.org) e é a programadora do Flaherty Film Seminar (Nova York) para 2021.

Alberto Pereira Jr. é artista social, ator e atua há seis anos no mercado audiovisual como diretor, roteirista e gerente criativo, com passagens pelas produtoras Academia de Filmes, Conspiração Filmes, FremantleMedia Brasil e Elocompany. Como jornalista, atuou seis anos no Grupo Folha de S.Paulo. Atualmente, apresenta, roteiriza e dirige o programa “Trace Trends”, revista eletrônica sobre cultura afrourbana e empoderamento, no ar na RedeTV e no canal a cabo Trace Brazuca. Paulistano da zona leste da cidade, é fundador do bloco de carnaval Domingo Ela Não Vai.

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Serviço

Festival Varilux de Cinema Francês | 2020

Data: 20/11/2020, sexta-feira - Sessão online: "Sou Francês e Preto"

Horário: 18h

Vagas LIMITADAS - Após a inscrição, o participante receberá por e-mail (no dia da exibição) um link com a senha para assistir ao filme. Link para inscrição: https://www.eventbrite.com.br/e/sessao-sou-frances-e-preto-festival-varilux-de-cinema-frances-2020-tickets-129484133529

Debate: 19h30m - será transmitido pelo Facebook e YouTube do Festival Varilux e não precisa de inscrições

Festival Varilux 2020 | Coletiva com diretores Fanny Liatard e Jérémie Trouilh de 'Gagarine'


 Por Victoria Hope

E seguindo a programação do Festival Varilux de cinema francês, nessa quinta (13), participamos de uma coletiva com os diretores de "Gagarine", um dos queridinhos no Festival de Cannes 2020. 

Foi após terem cursado juntos a Faculdade de Ciências Políticas que Fanny Lyatard e Jérémy Trouilh se reencontraram poucos anos depois, unidos pela determinação comum de escrever e dirigir filmes de ficção. Selecionados para o concurso de roteiros HLM sur cour(t), eles filmam em 2014 Gagarine, seu primeiro curta-metragem, apresentado nos eventos Message to Man, Flickerfest e Sundance Channel.

Em seguida realizam La République des enchanteurs (selecionado em Palm Springs e Clermont-Ferrand) e Chien bleu (indicado para um César e Prêmio da Imprensa Internacional no My French Fim Festival) ao lado de moradores de bairros populares. Seu primeiro longa-metragem, Gagarine, desenvolvido a partir do primeiro curta da dupla, obteve a chancela Cannes 2020.

Gagarine / Vitrine Filmes

No filme, Fanny Liatard e Jérémy Trouilh exploram diversos olhares sobre um acontecimento da vida real: a explosão da Cité Gagarine, prédio construído pelo Partido Comunista francês no subúrbio de Paris, em homenagem ao astronauta soviético Yuri Gagarin. 

Símbolo de orgulho em sua criação, o conjunto habitacional acompanhou a o crescimento das periferias, transformando-se em habitação de imigrantes negros, de origem árabe e do leste Europeu, mas sofreu com o descaso das autoridades até ser abandonado e destruído. 

Confira a entrevista:


Entrevistadora: O que tem a dizer sobre o cinema com viés de crítica social?

Fanny Liatard: O cinema de crítica social se faz muito presente e necessário nesses tempos, principalmente em meio à situações que passamos atualmente.

Jérémie Trouilh: Infelizmente, nossos governantes nunca foram um exemplo, mas sim, o cinema é inspirado pela sociedade e filmes dos anos 60 já abordavam esse tipo de coisa, eles já tinham uma visão sobre desigualdade.

Entrevistadora: Como surgiu esse projeto de Gagarine?

Fanny Liatard: Na França, nós estudávamos cinema juntos e a universidade lançou um concurso para lançamento de curtas. Foi a partir desse momento que nos inspiramos para criar 'Gagarine'. Queríamos ouvir novas histórias e 'fazer filmes', nos ajuda sempre a questionar.

Jérémie Trouilh: Gagarine foi um símbolo da revolução e ele foi destruído, então a mensagem mais importante é sobre a convivência e a necessidade de utopias para que as pessoas aprendam a conviver juntas. Tem essa abordagem mais democrática.

Jérémie Trouilh: Gagarine estava localizado em uma área com grandes espaços verdes, era um conjunto habitacional que guardava o sonho de muitos jovens e nesses tempos (em que estamos), acredito que precisamos sonhar, afinal, estamos fechados  (assim como os personagens do filme) e enclausurados (nessa pandemia) e isso nos faz questionar várias coisas.

Jérémie Trouilh: É importante ter imaginação, fé no coletivo e lutar pelo coletivo. Nosso protagonista Yuri, por exemplo, se protege do mundo se enclausurando dentro desse conjunto, criando seu próprio mundo. Perceba que enquanto estamos nesse isolamento, podemos observar mais o ambiente ao nosso redor. Isso até nos faz lembrar dos vizinhos que temos, mas não damos atenção.

Entrevistadora: O que acham desse iniciativa de Festival de Cinema do Brasil?

Fanny Liatard: É maravilhoso. É tão importante o cinema continuar acontecendo, principalmente nesse momento. Nós adoraríamos estar aí com vocês (No Brasil), para ver o filme, mas quem sabe ais para frente.

Jérémie Trouilh: É isso. Queremos olhar para o futuro e ultrapassar fronteiras. Acreditamos que esse festival é um ato de resistência pela arte e pelo cinema. 

Festival Varilux 2020 | Conversamos com Olivier Nakache e Erik Toledano sobre 'Mais Que Especiais'

Por Victoria Hope

Nessa terça, o circuito do Festival Varilux de Cinema Francês teve sua abertura com uma coletiva incrível do filme "Mais que Especiais", com os diretores Olivier Nakache e Erik Toledano. O longa, que conta com Vincent Cassel, Reda Kateb, além de um elenco composto por autistas da vida real. 

Com uma mensagem de empatia e bom humor, "Mais Que Especiais", conta sobre a vida real e a rotina de professores que atuam em instituições francesas especializadas em crianças e adolescentes autistas, mostrando as dores e alegrias de quem vive e convive dentro do espectro.

A todo tempo, na trama, acompanhamos a dualidade e amizade entre dois opostos, um professor judeu e outro mulçumano. Oliver Nakache mencionou durante a coletiva, que o filme aborda sempre esses dois lados e a importância de viver em harmonia, respeitando as diferenças.

Confira a entrevista:

Olivier Nakache: Estamos felizes em lançar esse filme aqui, na verdade, nós nunca deveríamos estar nessa situação que estamos no mundo (Pandemia), mas temos que cuidar sempre do coletivo, vamos juntos cuidar dos mais vulneráveis e daqueles que precisam. Essa união, de pensar no coletivo se, nos toca. Nesse filme abordamos muito sobre a fé, pois temos um personagem judeu e outro mulçumano e em nenhum momento sua fé é questionada.

Olivier Nakache: Não houve debate, eles trabalhavam juntos em harmonia. Veja, o que fazemos aqui não é algo para ser educativo, mas nós sempre gostamos de deixar um bilhete no bolso de quem está assistindo o filme e se a pessoa gostar da mensagem, com certeza vai ler depois, entende?

Mas o que mostramos nesse filme, é a diversidade da França, com os imigrantes e tudo o que faz da França o que ela é verdadeiramente, uma mistura de gostos, culturas, raças, religiões e é justamente por isso que também trouxemos verdadeiros autistas para esse filme, para passar essa verdade.

Erik Toledano e Olivier Nakache no set com Vincent Cassel / Dilvulgação

Entrevistador: E esse filme tem uma ligação com os Intocáveis?

Olivier Nakache: Justamente, tem uma ligação com Intocáveis sim, não apenas pelo humor, mas também pela mensagem da diversidade e conviver com as diferenças. Com eles (autistas) tudo é mais lento e tudo são pequenas vitórias e devemos lutar por essas pequenas vitórias. 

Toda filmagem é complicada e nós nos demos ao luxo do tempo para imersão mesmo dos técnicos e dos atores. Todos os jovens em cena são autistas. O único que não é  autista é o Valentin (Marco Locatelli), o boxeador, porque as cenas dele eram muito violentas, o que seria perigoso e não recomendado para autistas da vida real.

Inclusive, Locatelli nos trouxe um relato emocionante, pois apesar de não ser autista, ele tem um irmãozinho que possui o transtorno, então Marco aceitou o papel para entender melhor o que se passa com seu irmão. 

Cena de "Mais Que Especiais" / Divulgação

Entrevistador: Fale sobre a escolha de Vincent Cassel e Reda Kateb.

Olivier Nakache: Sou apaixonado por tênis e esportes muito competitivos e eu sempre quis ver um embate entre esses dois atores, Vincent Cassel e Reda Kateb. É engraçado que até mesmo seus nomes rimam, então sempre foi meu sonho ter esses dois em um cartaz nosso. 

Entrevistador: E qual será nosso próximo filme (de Olivier com Erik) juntos?

Olivier Nakache: Sempre somos inspirados por temas que nos despertam paixão e queremos, acima de tudo, ver as pessoas rindo, queremos que elas se divirtam. Quem sabe não fazemos algo sobre a vacina, mas sempre com bom humor, é claro. 

O filme faz parte do cartaz de 18 títulos que compõe o Festival Varilux de Cinema Francês 2020.

Festival Varilux de Cinema Francês 2020 | 'Mais do que especial' é um dos destaques

Por Victoria Hope

Aos poucos, o cinema está voltando e com esse retorno, acontece mais uma edição do Festival Varilux de Cinema Francês de forma presencial. De 19 de novembro a 03 de dezembro, 18 títulos serão exibidos nas salas de cinema de todo o Brasil, sendo que os exibidores terão até o final de fevereiro de 2021 para programar o festival presencial em cada cidade. 

Um clássico e 17 longas-metragens inéditos e recentes (2019/2020) da cinematografia francesa compõe a seleção do Festival Varilux 2020 que será realizado em todo país nos cinemas. Entre eles, um documentário e 17 longas de ficção com gêneros como comédia, drama e animação Ainda não há um número definido de cidades e de cinemas participantes. 

Devido à pandemia, alguns exibidores terão a opção de programar o festival em datas diferentes - até o final de fevereiro de 2021. O importante, de acordo com a Bonfilm, produtora do evento, é que as produções cheguem ao público em todo Brasil e contribuam para a retomada dos cinemas do país.

Mais Do Que Especial / Divulgação

Um dos destaques do Festival é o longa "Mais do Que Especial", de Eric Toledano e Olivier Nakache, com Vincent Cassel, Reta Kateb e Hélène Vincent no elenco. Nessa terça (10), haverá uma coletiva de imprensa com os diretores para falar sobre o filme e a produção. 

Sinopse: Há​ 20 anos Bruno e Malik vivem num mundo à parte, aquele habitado pelas crianças e adolescentes autistas. Trabalhando cada um em uma instituição diferente, eles se dedicam à formação de jovens vindos de bairros problemáticos para tentar lidar com esses casos considerados “super-complexos”. Uma aliança pouco usual para personalidades fora do comum.