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Dead Boy Detectives, do mesmo universo de Sandman, ganha trailer da Netflix

 


Por Victoria Hope

Fantasmas adolescentes que resolvem mistérios são o tema central da nova série da Netflix 'Dead Boy Detectives'. Na história, Edwin Payne (George Rexstrew) e Charles Rowland (Jayden Revri) são "o cérebro" e "a força" por trás da agência Garotos Detetives Mortos. 

Adolescentes nascidos com décadas de diferença que se encontram apenas na morte, Edwin e Charles são melhores amigos e são também fantasmas que resolvem mistérios. Eles farão de tudo para permanecerem juntos – incluindo escapar de bruxas malignas, do inferno e até mesmo da própria Morte. Com a ajuda de uma clarividente chamada Crystal (Kassius Nelson) e seu amigo Niko (Yuyu Kitamura), eles são capazes de solucionar alguns dos casos paranormais mais misteriosos do reino mortal.

Como parte do Universo Sandman para a Netflix e baseada na prestigiada série de quadrinhos de Neil Gaiman, Dead Boy Detectives foi desenvolvida para a televisão por Steve Yockey, que escreveu o primeiro episódio e atua como co-showrunner ao lado de Beth Schwartz. Greg Berlanti, Yockey, Schwartz, Jeremy Carver, Sarah Schechter, Leigh London Redman e Gaiman são os produtores executivos da série pela Berlanti Productions e Warner Bros. Television. 

Veja o trailer abaixo:


Good Omens é renovada para segunda temporada no Amazon Prime

 

Por Victoria Hope

Que notícia maravilhosa para começar essa terça  (29), quase no finalzinho do pride month! Amazon Studios acaba de renovar Good Omens para uma segunda temporada, com produção executiva de Neil Gaiman, que novamente terá uma posição ativa na produção.

A temporada 2 trará Michael Sheen e David Tennant juntos novamente para os papéis de Aziraphale e Crowley e as filmagens, começam na Escócia mais tarde nesse mesmo ano. De acordo com a Amazon "A nova temporada irá explorar storylines que vão além do material base, que é o primeiro livro, explorando mais a amizade entre o anjo e o demônio."

Neil Gaiman, autor do best-seller e showrunner da série, uma sequência do livro já havia sido planejada por ele e seu parceiro Terry Pratchett há 30 anos, porém, com o falecimento do segundo autor, Gaiman não tirou a sequência do papel, mas essa será a chance de explorar o trabalho 

Além disso, nessa nova fase, Aziraphale e Crowley estão de volta a sua vida pacata no bairro de Soho, na Inglaterra, quando um mensageiro inesperado chega à cidade com um mistério inesperado para a dupla resolver. 

Sandman | Netflix revela elenco completo da adaptação das HQs premiadas de Neil Gaiman

 

Por Victoria Hope

No começo do ano a Netflix havia anunciado os primeiros nomes do elenco de Sandman, adaptação dos quadrinhos aclamados de Neil Gaiman, em serie protagonizada pelos atores Tom Sturridge e Gwendoline Christie, sendo Sturridge, Dream e Christie será Lucifer. 

E hoje (26) a plataforma anunciou outros 12 novos nomes e deu a descrição de seus personagens. Jenna Coleman será Johanna Constantine; Joely Richardson será Ethel Cripps; Niamh Walsh será a jovem Ethel Cripps; David Thewlis será John Dee; Kyo Ra será Rose Walker; Stephen Fry será Gilbert; Razane Jammal será Lyta Hall; Sandra James-Young será Unity Kincaid; Mason Alexander Park será Desire; e Donna Preston será Despair.

Além dos nomes anunciados hoje completam a lista de nomes Vivenne Acheampong, Charles Dance, Asim Chaudhry, Sanjeev Bhaskar, e Boyd Holbrook.

Elenco parte 1 / Netflix 

Elenco Parte 2 / Netflix 

A HQ que começou a ser lançada no final da década de 80, acompanha a figura de Sonho, seus irmãos, o perpétuos chamados Morte, Destruição, Destino, Desejo, Delírio, Desespero. Nas histórias, o personagem ficou preso durante anos, até conseguir fugir dos guardas de um feiticeiro inglês. Ao voltar para o Reino Sonhar, ele descobre que o local em ruínas, assim para trazer de volta seus poderes e seu reino, o personagem parte em busca de três objetos poderosos que sumiram quando ele estava fora.

Allan Heinberg servirá como showrunner, junto com Gaiman e David Goyer. The Sandman chega ainda em 2021 na Netflix. 

Netflix | Elenco de Sandman é finalmente revelado

Por Victoria Hope

Após meses de espera e muita ansiedade por parte do fandom, a Netflix finalmente revelou nessa quarta (28), o elenco oficial da adaptação de Sandman, um dos maiores quadrinhos best sellers do escritor britânico Neil Gaiman.  

Tom Sturridge será Dream, Lorde do Sonhar. Dream irá se unir a Vivienne Acheapong, que será Lucienne, bibliotecária e guardiã do reino do Sonhar. O icônico Charles Dance (Game of Thrones), será Roderick Burgess, um mágico charlatão e chantageador.

Asim Chaudhy será Abel e Sanjeev Bhaskar será Cain, respectivamente, a primeira vítima e o primeiro predador. Boyd Holbrook será Corinthian, um verdadeiro pesadelo e Gwendoline Christie (Game of Thrones) será... Lucifer 🔥 

Mais detalhes sobre a produção, incluindo data de lançamento, ainda não foram revelados, incluindo a possível participação dos Perpétuos, porém, Neil Gaiman, autor do quadrinho e também showrunner da série, comentou que haverá participação de Constantine e algumas outras surpresas nessa primeira temporada. 

Confira o elenco revelado abaixo:








CCXP Worlds: Neil Gaiman é celebrado durante painel no evento

 

Por Victoria Hope

E hoje começa oficialmente a CCXP Worlds: A Journey of Hope e o primeiro painel do dia ficou por conta do escritor best seller, Neil Gaiman. O britânico abriu o painel relembrando de suas passagens anteriores no Brasil e suas melhores lembranças por aqui.

Com uma bela homenagem à carreira do autor durante a inauguração do Auditório Thunder virtual, Marcelo Forlani recebeu Neil, que riu ao lembrar de sua passagem no Brasil em 1998 quando os fãs ameaçaram destruir a Fnac por conta de uma sessão de autógrafos cancelada em cima da hora. 

"A primeira vez que fui ao Brasil, acho que foi em 1998, fui muito bem recebido. Foi inesquecível, deu autógrafos para cerca de 700 pessoas e ainda tinham 500 na fila. Assinei para todos, mas como eu estava sem voz, não consegui falar com ninguém, o que significa que tive que abraçar MUITAS pessoas na época." 

Ainda no painel do autor, ele falou sobre a produção da série de Sandman, que está em progresso com adaptação da Netflix, mas deixou claro que, diferente da segunda temporada de American Gods, em Sandman, a produção realmente está o ouvindo e o deixando bem a vontade no set, mas o único problema nesse momento é a pandemia, que causou o atraso das filmagens. 


Neil Gaiman disse estar animado para a produção e ainda completou dizendo que não é como se fosse uma série inspirada  ou apenas baseada em Sandman, mas que é sim Sandman de verdade. Essa fala assegura aos fãs que a série com certeza será bem fiel aos quadrinhos.

Gaiman também citou que sua inexperiência com estúdios o faziam aceitar qualquer coisa que os produtores e executivos afirmavam que iria acontecer, ou quando diziam que cortariam cenas pr questões de orçamento, mas foi graças ao conselho de Steven Moffat (Sherlock e Doctor Who), que conseguiu driblar isso. 

“Ele (Moffat) me disse que quando precisa cortar uma cena e escrever uma nova por problemas de orçamento, ele tenta escrever uma cena ainda melhor. ‘Tento fazer uma tão boa que agora aparecerá nas coletâneas de YouTube”. Foi esse conselho que acabou ajudando Neil Gaiman em seu primeiro trabalho de showrunner em Good Omens da Amazon Studios. 


Ainda no painel em homenagem às adaptações de Neil Gaiman, a Amazon Prime revelou com exclusividade o primeiro pôster com a arte oficial da 3ª temporada de American Gods, incluindo o primeiro trailer oficial dessa nova fase.

Vale lembrar que a obra, apesar de ser adaptada das obras de Gaiman, não contou com a co-produção dele a partir da segunda temporada e agora, será produzida por Charles H. Eglee e cada um dos 10 episódios serão dirigidos por diferentes diretores.

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Quer saber tudo o que vai rolar nesse final semana da CCXP Worlds? Acompanhe nossa cobertura completa nas redes sociais :D



Neil Gaiman tem presença confirmada na CCXP Worlds

 


Por Victoria Hope

Esse anúncio vai abalar as estruturas dos fãs de um dos maiores gênios dos quadrinhos. A CCXP Worlds, edição virtual da CCXP, a maior Comic Con do mundo, anunciou nessa semana a participação do escritor best seller Neil Gaiman, conhecido pela criação de obras desde Sandman a American Gods.

O autor terá um painel na Thunder Arena, para discutir sua vasta carreira e o processo de adaptação das suas obras. Gaiman é um nome bem conhecido por fãs de cultura pop, pois além de seus livros, o britânico também já teve trabalhos adaptados para os cinemas, como a animação sombria Coraline (2009), o romance Stardust - O Mistério da Estrela (2007) e para a televisão, com séries como Deuses Americanos e Belas Maldições. 

Nos quadrinhos, ele é referência por Sandman, que vai ganhar série na Netflix e por Lúcifer,  série de sucesso da Netflix. Gaiman também tem bastante experiência como roteirista, seja adaptando seu próprio trabalho, ou então com criações inéditas, como Beowulf (2007) ou episódios para Doctor Who.

American Gods / Starz

Good Omens / Amazon Prime

Sandman / Netflix 

Coraline / Laika

[Review] Good Omens | Uma história de amor em meio ao Apocalipse


Por Victoria Hope

Atenção: Contém Spoilers da 1ª Temporada

Nos últimos tempos, a Amazon Prime tem trilhado o caminho para se tornar um dos mais bem sucedidos serviços de streaming da atualidade e produções como American Gods e Good Omens (Belas Maldições), ambas adaptações da obra de Neil Gaiman, tem se mostrado alguns dos maiores acertos do serviço.

Good Omens, uma das obras mais aclamadas de Terry Pratchett  e Neil Gaiman, foi lançada no ano de 1990, como uma comédia britânica onde dois demônios nutrem uma inusitada amizade e juntos tentam deter o apocalipse iminente.

Quase 30 anos depois do lançamento do livro, Neil finalmente decidiu adaptar a obra, a pedido do próprio colega autor Terry, que infelizmente faleceu em 2015 e nunca conseguiu ver o projeto finalizado.

Segundo Gaiman, um dos últimos desejos de Terry era que o autor Neil dirigisse e fosse o showrunner do próprio show e Gaiman, apesar de ser extremamente tímido e ansioso, acabou aceitando o pedido, produzindo e roteirizando a série que estreou nessa virada de maio para junho.

No elenco temos nomes já muito conhecidos na indústria da televisão e cinema britânicos, sendo eles David Tennant (Doctor Who), Michael Sheen (Crepúsculo), ao lado do americano John Hamm (Mad Men).

Aziraphale e Crowley / Amazon Prime Studios
Good Omens começa de forma semelhante a sua série 'irmã' American Gods, destrinchando detalhes sobre a mitologia dos deuses e divindades que pairavam sobre o mundo desde o início dos tempos até os dias de hoje, tudo isso embalado ao som dos clássicos da banda Queen.

Com o bom e velho humor ácido britânico, conhecemos os dois protagonistas, Aziraphale, um anjo e Crowley, um demônio, que juntos nutrem uma nada usual amizade há mais de 6.000 anos e vivem juntos na Terra para observar o progresso da humanidade.

Aziraphale, um dos anjos mais puros do céu, recebe a missão de guardar os portões do Éden, enquanto Crowley, antigamente conhecido como a serpente 'Crawley', é incumbido de tentar Eva a provar do fruto proibido.

Logo no início, os dois 'estranhos' criam um laço, descobrindo que tem mais coisas em comum do que diferenças. Passam-se 6.000 anos e acompanhamos toda a amizade entre os dois desde os primórdios até os dias mais modernos.

Ao longo da série, vemos como as dinâmicas de ambos mudaram ao longo de tantos milênios juntos e agora, ambos devem se unir novamente para encontrar o jovem anticristo, que está prestes a renascer em nosso mundo, apesar de que ambos tem missões completamente diferentes; Enquanto o anjo deve encorajar o garoto a fazer o bem, o demônio deve tentar o garoto a fazer o mal, porém tudo dá errado quando eles escolhem a criança errada.

Cena icônica do terceiro episódio que mostra a amizade de milênios das criaturas / Amazon Prime Studios
No presente (2019), Aziraphale é dono de uma livraria em Soho, um de seus maiores sonhos, sendo um anjo apaixonado por leitura e Crowley se torna um dos grandes empresários de Londres, que tem capangas por toda a cidade.

Apesar dos tempos mudarem, os dois seres místicos continuam os mesmos em seus corações, apesar de que ambos foram tocados de uma forma ou outra pela natureza angelical de um e demoníaca de outro. Uma das principais mensagens da série, aliás, é justamente essa: a convivência entre as diferenças e a importância da empatia.

Quando questionado sobre a relação de Aziraphale e Crowley, o ator Michael Sheen contou ao portal Comic Book, que interpreta o anjo apaixonado pelo demônio. O britânico também confessa que após o término das gravações, leu algumas 'fanfics' do 'ship' e que isso o inspirou ainda mais a ir por essa direção do romance.

Em entrevista, Neil Gaiman também afirmou em seu twitter que ssa história é uma história de amor milenar, mas também lembra que Aziraphale e Crowley não são homens, tampouco humanos, então essa seria simplesmente uma história de amor entre dois seres místicos.

Arcanjo Gabriel, um dos personagens mais hilários e sarcásticos da série / Amazon Prime Studios
Apesar da série apresentar algumas diferenças em relação ao livro Good Omens, todas as novas adições simplesmente acrescentaram ainda mais tempero a história, que mesmo antes de ser adaptada para a TV já abordava temas importantes como a questão política e questões sociais que ainda assolam o mundo até hoje.

Leve, engraçada e divertida na medida certa, Good Omens é ainda melhor que o livro e a todo o momento em que Crowley e Aziraphale não estão em cena, a audiência imediatamente sente falta de ambos, afinal, não é a toa que os dois atores de maior peso na indústria televisiva britânica foram chamados para interpretar os protagonistas.

Agora para fechar com chave de ouro, para quem não tem muita vivência ou costume de assistir séries britânicas, muitas das piadas ácidas easter eggs britânicos passaram despercebidos, mas para isso, criamos uma listinha amiga abaixo para explicar cada um dos momentos que são desconhecidos para quem não acompanhou Doctor Who ou programas infantis britânicos como o bom e velho Blue Peter.

Konnie aparece na televisão de Crowley para anunciar o apocalipse / Amazon Prime Studios
Para quem cresceu no Reino Unido, um dos programas favoritos de TV era o clássico Blue Peter, que foi apresentado por Konnie Huq! Em Good Omens, Konnie aparece como uma das apresentadoras do programa Sam & Pam na televisão do Crowley, anunciando o apocalipse.

Jornalista escocesa veterana fez uma ponta na série / God Omens
A icônica apresentadora britânica Kirtsy Wark é uma jornalista escocesa muito famosa na Inglaterra por apresentar o jornal da noite e também reconhecida por suas várias participações em Doctor Who e Spooks. Em Good Omens ela fala as notícias mais absurdas e mantém a cara extremamente séria, até mesmo na hora de fazer a piada interna sobre a M25, literalmente a estrada pesadelo dos britânicos.


Uma referência britânica LGBT pode ter passado também desapercebida para quem não conhece a história britânica. Em seu tumblr, Neil Gaiman comentou que o clube onde Aziraphale aprender a dançar o gavotte se chamava Guineas, sendo que o Hundred Guineas Club foi uma casa real e muito famosa no ano de 1880 na Inglaterra, onde homens se encontravam às escondidas com seus amantes, geralmente marinheiros, escritores e soldados. Bem sugestivo para nosso anjinho, não é mesmo?

O anticristo ao lado de seus melhores amigos / Amazon Prime Studios
As crianças são um show à parte na série, incluindo Adam, o anticristo que não possui um pingo de maldade no coração. Em um momento de Good Omens, as crianças brincam de Inquisição Espanhola, em uma clássica referência ao skit do comediante britânico Mel Brooks e também, é da boca das crianças que saem grande parte das referências de cultura pop como Doctor Who e Misfits.


Uma das piadas mais ácidas da série fica por conta de Jeffrey Archer, um ex político conservador britânico conhecido como autor best seller da Inglaterra. Para quem não conhece a história, Jeffrey foi preso em 2002 por perversão contra mulheres e por falso juramento na corte, mas mesmo assim, escreveu um livro de memórias da prisão e este livro se tornou outro best seller de sua lista.

Por esse motivo, na série, o Arcanjo Gabriel diz que algo cheia mal na livraria de Aziraphale e por cheirar mal, ele quer dizer a estante com os livros de Jeffrey, que mesmo com relatos no mínimo polêmicos, continua a ser um dos livros mais bem vendidos da Inglaterra até hoje.

Neil Gaiman é roteirista e showrunner dos seis capítulos e a  primeira temporada de Belas Maldições já está disponível na Amazon Prime Video.


Nota: 10/10

Por que a história entre Salim e o Jinn é tão importante em American Gods?



Por Victoria Hope 

American Gods, adaptação da obra de Neil Gaiman (Sandman) é sem dúvida uma das séries mais subversivas da temporada. Com a temática de deuses de diversas mitologias, a série aborda diversos assuntos desde o sistema carcerário norte americano, ao racismo, machismo, o culto à tecnologia, entre outras questões que assolam a América e o Mundo.

Dentro da história, acompanhamos a saga de Shadow Moon, um ex-presidiário que ganha a chance de liberdade ao conhecer Mr. Wednesday, que representa o Deus Nórdico Odin. Logo de início criamos um vínculo com Shadow, pois de longe, ele foge de todos os esteriótipos de um homem negro representado na mídia. Ele foi preso por conta de Jogos de Bilhar (por influência de sua ex- Esposa, Laura Moon), porém é um homem pacífico e passivo, confuso com o 'mundo dos Deuses', mas disposto a mudar de vida.

Poderíamos falar sobre outros diversos aspectos que tornam desta a melhor série do ano, sendo elas a diversidade do elenco, as referências histórico-culturais bem como a questão da sexualidade, muito bem abordada, mas iremos falar agora de dois personagens que trazem o 'coração' da série em sua essência.

Antes de conhecer a história de Salim e Jinn e conhecer sua importância para o enredo, é importante contextualizar os principais pontos da série. Primeiramente, o amor romântico é banalizado no início da série, pois Shadow, nosso protagonista, foi traído por sua ex-esposa, que em nenhum momento se arrepende do ato da traição e que por 'destino' acaba ressuscitando com a ajuda 'involuntária' de seu esposo.

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Shadow Moon / STARZ

Laura Moon, volta a vida e não se mostra arrependida, demonstrando que o amor entre ambos era fraco, apesar de Shadow amá-la incondicionalmente. A partir do momento em que ela retorna, Shadow a deixa ir, sabendo que eles nunca serão um casal novamente.

Outro aspecto sentimental é o '' amor'' em forma de reverência aos Deuses Antigos, estes que clamam por tributos de seus fiéis. A principal premissa da história é de que deuses ancestrais como a africana Bilquis, o nórdico Odin e até mesmo um Leprechaun Irlandês, exigem tributos e sacrifícios de seus fiéis, pois com a chegada da tecnologia , a sociedade parou de acreditar nessas velhas divindades, passando a reverenciar coisas novas como a Internet e a Mídia.

É a partir daqui que mencionamos Salim e sua história com o Jinn. O jovem Salim é um homem muçulmano e representante de vendas tentando a sorte na América. Sua vida é o que podemos chamar de um verdadeiro desastre, pois além de mal conseguir vender suas quinquilharias, ele é quase invisível para a sociedade americana, por ser árabe e por ser um homem gay (ainda no armário).

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STARZ

Todas essas características são extremamente importantes para trama, principalmente em tempos de conflitos entre o Oriente Médio e os Estados Unidos. A história de Salim poderia ser ainda mais triste, mas tudo muda quando ele conhece o Jinn.

Jinns são Ifrits, divindades que fazem parte da lenda do Oriente Médio, que diz que Deus (Alah), criou as pessoas com barro, os anjos e depois, Os Jinn, Pessoas do Fogo. Esses últimos, são como divindades que possuem fogo correndo em suas veias e no lugar de olhos, possuem chamas.

Salim não sabia que sua vida mudaria a partir do dia em que ele encontrasse o Jinn, mas isso aconteceu logo em que ele pegou uma carona em um táxi qualquer. O motorista logo cria empatia com seu passageiro, pois também é mulçumano e logo começa a conversar com Salim em sua língua natal.

Eventualmente, ambos descobrem ser nativos do mesmo local, Oman e quase que imediatamente sentem uma forte ligação. Salim logo se sente atraído pelo motorista, pois ele foi o primeiro contato que Salim teve com sua tão amada cultura após anos, ou seja,  finalmente ele encontrou alguém que o entende e o motorista se sente da mesma forma.

Em algum momento, enquanto seguiam pelo transito, Salim percebe que seu motorista está dormindo e ao tocar seus ombros, nota que o motorista é de fato um Jinn, com fogo vivo em seus olhos.

STARZ

Muitos acreditam que Jinns (Gênios) podem 'realizar' desejos, mas logo que Salim pergunta ao motorista se ele é um Jinn, este mesmo confirma, mas diz que não realiza desejos. Isso é muito importante, pois o Ifrit é uma divindade, mas na América ele vive dirigindo táxis, emprego considerado 'baixo' para pessoas de Oman, mas infelizmente é a única opção que muitos homens do Oriente Médio recebem ao chegar nos Estados Unidos.

Salim fica fascinado com as histórias do Jinn e se sente cada vez mais encantado com a Divindade. Vejam só, aqui a Divindade Jinn se coloca no mesmo patamar de Salim, coisa que já o difere de todos os outros Deuses de American Gods.

Os dois acabam indo para o mesmo hotel e passam uma noite juntos, em uma das cenas mais gráficas entre dois homens já apresentada na televisão até hoje. Novamente, a série poderia ir para o lado caricato aqui, mas o que houve foi completamente o contrário.

Vale lembrar que homossexualidade é crime em Oman, cidade natal dos dois personagens e tanto no livro quanto na série, percebemos que Salim sempre foi um homem gay acostumado a esconder sua sexualidade e que estava fadado a encontros anônimos e rápidos (por ter vergonha se ser quem era).

Em nenhum momento a cena é tida como um 'pecado' ou um segredo terrível. É a primeira vez que vemos uma relação amorosa tão positiva e saudável entre dois homens não brancos e muçulmanos na televisão.

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STARZ

Com o Jinn, pela primeira vez Salim se sente livre para fazer o que sempre quis fazer. Em um momento, ele até mesmo se ajoelha perante o Ifrit, a fim de engajar com uma atividade oral, porém logo ele é parado pelo próprio Jinn, que o faz levantar a altura de seus olhos,  reforçando mais uma vez que ele e Salim estão no mesmo patamar.

Diferente de todos os outros Deuses, o Jinn não quer ser reverenciado, nem exige sacrifícios. O que ele realmente quer é fazer uma troca através do amor. O Jinn não demanda nenhum tributo do seu fiel (Salim) em nenhum momento e isso já o diferencia de todos as outras divindades (como Anancy, por exemplo, que exigiu sacrifício de sangue dos seus fiéis).

Ao que tudo indica, desde a conversa do Jinn com o Salim no táxi, o que essa dividade mais quer é ser respeitada e ter uma vida digna, coisa que Salim também almeja. Aqui a felicidade do Jinn é encontrar alguém que o entende e ele encontra tudo isso no Salim.

É até chocante pensar em quão romântica a cena entre os dois foi, mas isso também se deve à mente extremamente habilidosa de Bryan Fuller, conhecido também por seu trabalho em Hannibal. A cena entre os dois poderia facilmente ter se tornado algo estereotipado e de mau gosto, mas o que foi apresentado foi uma das cenas de amor mais bonitas da TV atual.

A todo momento, o Jinn olha nos olhos do amante e o reverencia como uma divindade; Aqui o Salim é reverenciado com toques, olhares e tudo o que tem direito. Até mesmo a posição em que se encontram demonstra o máximo respeito que o Ifrit tem para com Salim.

Em um momento da cena, somos levados ao cosmos, em meio a um deserto, onde podemos ver a verdadeira forma do Ifrit, novamente demonstrando que o Jinn  vê Salim como algo divino, digno o suficiente para chegar ao Cosmos assim como todas as outras divindades.



Na história Deuses Americanos, nenhum dos Deuses retribui os sacrifícios e reverências de seus seguidores. Ou seja, ele pegam e pegam, mas não dão nada em troca, reforçando mais uma vez a diferença deles para com o Jinn, que não apenas reverencia seu fiel, mas também o dá algo em troca: Liberdade e coragem para ser quem é.

Após o ato entre Salim e Jinn, o Ifrit desaparece completamente, mas não sem deixar um presente ao seu amante: Uma nova vida e uma nova identidade. Descobrimos que o táxi era apenas um disfarce do Jinn e que a partir de agora, Salim tem um pouquinho da Divindade em seu próprio corpo.

A história dos dois poderia terminar por aqui, mas nos últimos episódios de American Gods, encontramos Salim novamente, agora cheio de confiança e mais feliz do que nunca. Ele está numa missão para encontrar seu Jinn e junto de Laura Moon e do leprechaun Mad Sweeney, segue viagem para grande batalha dos Deuses.


American Gods terá o último episódio da 1ª temporada disponibilizado na próxima segunda-feira (19/06) no serviço de streaming Amazon Prime Video.