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[Review] Babilônia, um retrato da antiga Hollywood que ainda ressona hoje

 

Por Victoria Hope

Babilônia foi sem dúvida é um dos filmes mais aguardados do ano e as expectativas atreladas ao elenco recheado de estrelas e ao retorno de Damien Chazelle, contribuíram para esse sentimento. Apesar do filme com certeza dividir a crítica, é uma bela homenagem à Hollywood e à indústria do cinema, fazendo referência à diversas figuras históricas que passaram por diversos estúdios desde 1920 a 1950. 

O longa é marcado por uma sucessão de excessos, que também marcaram os bastidores da indústria como muitos sabem, porém cabe ao público embarcar ou não, como por exemplo, na quantidade de vícios que são mostrados em cena. Logo a primeira cena do filme já impacta com um momento bem peculiar relacionado a um elefante; elefante esse que pode representar literalmente o grande elefante no meio da sala quando se fala dos hábitos vulgares da grande elite do cinema, incluindo seus realizadores.

Na trama, acompanhamos a vida dois jovens que sonham em ter uma chance de trabalhar no cinema, de um lado, Manny (Diego Calva), um rapaz mexicano que é o faz-tudo de grandes festas boêmias entre atores e do outro, uma eletrizante Nellie LaRoy (Margot Robbie), uma jovem de espírito livre que mal tem onde morar, mas que vislumbra se tornar uma grande estrela. Ambos atores entregam absolutamente tudo em suas performances e o único erro talvez, não fica por conta da atuação, mas sim, do figurino completamente fora da época, como no caso do figurino de Margot, que muitas vezes, acabou atrapalhando a imersão no contexto histórico. 


Babilônia / Foto: Divulgação

No mais, Babilônia é cinema puro em todos os sentidos, não apenas nas belas homenagens que traz em diversos momentos, fazendo referências à figuras e momentos que marcaram a história da sétima arte, como também nos lembra do ato mais básico que é a magia de ir ao cinema, com sua pipoca e bebida na mão e por alguns minutos, ou como no caso do filme, em três horas, esquecer um pouquinho do mundo lá fora e se deixar mergulhar em um novo universo.

O filme apresenta diversos momentos e falas memoráveis, além de atuações impecáveis, como no caso de Brad Pitt no papel do herói dos filmes silenciosos Jack Conrad, um galã que com certeza faz referência ao esquecido John Gilbert, ator da vida real que ficou conhecido por seu papel na primeira versão de Anna Karenina (1927), atuando ao lado da icônica Greta Garbo. Seus momentos contracenando com o elenco são memoráveis, principalmente em um monólogo onde o personagem defende fervorosamente filmes e o que eles significam, tal qual quanto a sua importância, que não pode ser ignorada. 

Temos também excelentes personagens como a performer sáfica Lady Fy Zhu (Li Jun Li), o jazzista Sidney (Interpretado brilhantemente por Jovan Adepo) e a colunista afiada Elinor St. John (Jane Smart). Até mesmo Tobey Maguire, apesar de trazer um personagem pra lá de excêntrico, consegue arrancar umas gargalhadas do público e por fim, Babilônia é o filme que vai fazer a audiência rir e também chorar em diversos momentos, principalmente com uma sequência final de arrancar lágrimas de quem realmente ama cinema. O grande trunfo do filme, é trazer uma homenagem nua e crua, sem romantização de uma indústria que mesmo com tantas mudanças, ainda segue a mesma em sua essência nos dias de hoje. 

Babilônia estreia no dia 19 de janeiro nos cinemas 

NOTA: 9/10. 

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