Por Victoria Hope
Há quem diga que o básico bem feito vale muito, porém, "O Som da Morte" (Whistle), novo longa de Coring Hardy ("A Freira") em parceria com os roteiristas de Longlegs, mesmo que com uma trama bem criativa, deixa muito a desejar por conta de um roteiro frágil e repleto de furos.
A premissa de "O Som da Morte" já foi repetida inúmeras vezes no gênero, com a mesma trama de estudantes desajustados que encontram um objeto misterioso e ao invés de ignorarem tal objeto, passam a usá-lo sem saber que estão assinando suas próprias sentenças ao mesmo tempo.
Alguns dos personagens são bem carismáticos, mas o roteiro novamente se torna o inimigo quando tenta desenvolver esses mesmos personagens. As novas idéias que a trama apresenta, desde a história do apito que é capaz de "chamar a morte" de seus usuários até mesmo o protagonismo queer são muito bem-vindos, mas o desenvolvimento da história deixa um pouco a desejar.
Dafne Keen (Logan) interpreta a protagonista Chrysanthemum “Chrys” Willet, uma jovem atormentada e traumatizada pela perda do pai, além de ter também acabado de sair da reabilitação por conta de uma overdose. Ela luta para se encaixar na nova escola ao lado de seu primo, o carismático nerd Rel (Sky Yang), que funciona muito bem como alívio cômico vez ou outra e também protagoniza uma cena digna de "O Corvo", claramente outra inspiração do diretor, que curiosamente estava por trás da adaptação nova do personagem que infelizmente foi cancelada.
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| O Som da Morte / Foto: Paris Filmes |
Na trama o público também é apresentado à Ellie Gains (Sophie Nélisse), que além de enfermeira, também se torna interesse amoroso da protagonista e isso tudo acontece muito rapidamente, sem que o casal tenha tempo suficiente de se conhecer melhor, o que causa um certo estranhamento, pois as personagens mal se conhecem e no dia seguinte já estão dispostas a se sacrificar uma pela outra.
Todo o elenco entrega o que roteiro pede, sem acrescentar grandes momentos, mas apesar dos pontos fracos e a falta de cenas verdadeiramente assustadoras, o longa entrega algumas cenas de morte mais incríveism que parecem ter saído diretamente da saga de "Premonição" e é nesses momentos onde o filme realmente brilha.
Há problemas também no CGI e nos efeitos especiais, que vez ou outra se assemelham à "Mutantes: Caminhos do Coração", fora a maquiagem exagerada de alguns personagens, que fazem parecer que idosos com acima de oitenta anos pareçam criaturas de outro mundo e não apenas idosos. O lado positivo do filme continua sendo a trama muito criativa, que sai fora da curva costumeira de terror, já que aqui, os personagens tem a oportunidade de ver como será o fim de suas vidas e ainda descobrem uma forma de reverter isso.
Apesar dos altos e baixos, o saldo final do filme é positivo e vale lembrar também que existe uma cena pós-créditos bem interessante, que amarra muito bem a história e dá margem para possíveis sequências no futuro.
NOTA: 7.5/10