Por Victoria Hope
Há anos, o cinema não se deparava com uma obra tão disruptiva quanto "Digger", o mais novo filme do diretor vencedor do Oscar Alejandro Iñárritu, estrelado por Tom Cruise, que aqui, está com sede de sangue, ou melhor dizendo, sede de uma estatueta, muito merecida em uma das melhores performances do ator em décadas.
Não é possível descrever Digger sem cair nos spoilers, porém, é possível afirmar que absolutamente nenhum trailer e nenhum material revelou a verdadeira história por trás do filme, o que por si só já é um feito extraordinário em tempos onde trailers revelam demais sobre as histórias.
Com brilhantes atuações de Tom Cruise, Riz Ahmed e John Goodman, o filme toca em uma ferida muito real; tão real e atual que incomoda porque é uma realidade próxima, se não, igual a que o mundo inteiro passa nesse momento. É definitivamente um filme que tem muito a dizer e ás vezes, verdades incovenientes, precisam ser ditas, doa a quem doer.
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| Digger / Foto: Warner Bros. Pictures |
O filme é incômodo e vai sim dividir muitas opiniões, pois nem todos estão preparados para aceitar esse nível de camp. A comédia é tão escrachada e esteriotipada, que faz parecer uma grande piada, mas é aí que se encontra a verdadeira genialidade do filme, porque não é só uma sátira, é a vida real.
Digger é um grande empresário e um dos grndes nomes da indústria petrolífera americana, mas quando uma de suas bases simplesmente aumenta os efeitos da mudança climática, destruindo até mesmo pedaços da calota polar, o caso se torna uma crise humanitária, mas para Digger, nada disso importa, já que para ele, o mais importante é a saúde de sua gata, que está na beira do leito de morte.
Quando o público acha que entendeu o que está acontecendo, o filme entrega não uma, nem duas, mas sim três reviravoltas que mudam completamente o rumo da história e atingem como um verdadeiro soco no estômago.
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| Digger / Foto: Warner Bros. Pictures |
Muitos irão se incomodar com a mudança de tom repentina da história, mas outros irão simplesmente amar e é isso que torna esse filme tão especial. É o magnum opus de Iñárritu definitivamente, pois aqui ele traz toda opulência e dedos apontados e uma mensagem extremamente política por trás, que torna desse, um dos filmes mais relevantes do ano, independente da opinião da crítica e do público.
É uma obra bem ambiciosa, claustrofóbica, revoltante e verdadeira. Chega a ser assustadora em alguns momentos, principalmente com sua proximidade com a vida real e uma verdade que muitos querem esconder, ignorar ou realmente colocar para baixo dos panos.
Digger definitivamente irá receber diversas indicações, principalmente indicação ao Oscar para Tom Cruise, que após dez anos interpretando o mesmo agente especial, finalmente tem a liberdade aqui de ser canastrão, intenso e forte, lembrando de alguns de seus trabalhos mais antigos como "Vanilla Sky", "Entrevista com o Vampiro" entre outros.
A grande mensagem que fica ao final do filme é de que a arte importa; ela nunca deixará de ser relevante e importante, principalmente em tempos mais sombrios.
NOTA: 9/10


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