Por Victoria Hope
Quando a notícia de que uma nova adaptação de "Morro dos Ventos Uivantes" pelas mãos de Emerald Fennel, fãs da obra estavam cautelosos, mas com esperança, pois a diretora já havia entregado obras como "Saltburn" e "Bela Vingança", ambos filmes aclamados pela crítica em anos anteriores.
Mas infelizmente, o que a diretora entrega é uma adaptação belíssima visualmente, porém completamente esvaziada de propósito e de relevância social, muito diferente da obra atemporal de Emily Brontë.
Na trama, o público é introduzido a Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), dois jovens que se conhecem na infãncia, crescem juntos, se apaixonam, mas o amor deles, por pertencerem a diferentes classes sociais, está fadado à tragédia, já que aos olhos da sociedade, eles nunca poderão ficar juntos.
Ainda na infância, Heathcliff é "capturado" pelo pai de Catherine e tratado como brinquedo humano, nunca entendendo a origem da crueldade de todos a seu redor. Os anos passam, Catherine cresce cada vez mais mimada e Heathcliff cada vez mais bruto e eventualmente, seus caminhos se separam quando uma nova família bem abastada, comandada por Edgar Linton (Shazad Latif), chega e monta um rancho ao lado de Wuthering Heights.
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| Morro dos Ventos Uivantes / Foto: Warner Bros |
Enquanto livro, Morro dos Ventos Uivantes é uma obra muito à frente de seu tempo, que critica o sistema patriarcal, as leis de classe, o preconceito racial e a xenofobia, além de sempre carregar uma visão anti autoritária e anti supremacista.
Mas quando esses elementos cruciais são retirados, a obra se torna algo totalmente diferente e é isso o que acontece no novo longa de Fennel. Mesmo que a origem da historia seja ignorada pela adaptação, ainda assim o filme falha em encantar por conta do ritmo demasiadamente lento.
É um longa que tenta parecer dramático e intenso a todo o momento, mas que na realidade mal consegue segurar a profundidade emocional que a própria adaptação pede. As atuações do elenco, principalmente de Margot Robbie e Jacob Elordi deixam muito a desejar, deixando nas mãos de Hong Chau, no papel de Nelly, o peso maior de carregar a narrativa.
Apesar de ser um banquete aos olhos, isso não é suficiente para tornar essa adaptação um clássico, o que é uma pena e apenas mostra a superficialidade da visão de mundo da diretora, que prefere se auto-inserir em suas histórias, ao invés de tocar em assuntos realmente culturalmente relevantes.
NOTA: 7/10