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Ao Sabor das Cinzas | Longa de Taciano Valério ganha trailer oficial

 

Por Victoria Hope

Exibido na Mostra Olhos Livres na 29° Mostra de Cinema de Tiradentes, filme percorre o Agreste pernambucano em uma narrativa sobre família, memória e luto


Ao Sabor das Cinzas, novo longa-metragem do cineasta pernambucano Taciano Valério, acaba de ganhar trailer oficial. O filme chega aos cinemas brasileiros em 22 de outubro, com distribuição da Embaúba Filmes. 

Exibido na Mostra Olhos Livres da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o longa combina drama familiar, suspense e realismo fantástico em uma história sobre luto, memória e os vínculos que permanecem mesmo depois da morte.

Na trama, Bethânia (Verônica Cavalcanti) e Laura (Maria Lima) são duas irmãs que não se entendem e precisam se reencontrar após a morte do pai, Seu Lauro (Everaldo Pontes). O que deveria ser apenas um encontro familiar marcado pelo luto ganha contornos inesperados quando as duas descobrem que o corpo do pai desapareceu do necrotério do hospital.

A busca por Seu Lauro conduz as irmãs por uma viagem pelo agreste pernambucano, transformando a paisagem e as estradas em parte fundamental da narrativa. Entre deslocamentos, lembranças e segredos familiares, a jornada assume a forma de um road movie atravessado pelo mistério e por acontecimentos que desafiam as fronteiras entre realidade e fantasia. Confira o trailer aqui.

Ao Sabor das Cinzas / Foto: Embaúma Filmes

Em paralelo, Isadora (Isadora Gibson), filha de Bethânia, produz vídeos sobre os segredos da própria família. Por meio das imagens, diferentes tempos e perspectivas se misturam, colocando em questão as memórias compartilhadas e aquilo que cada personagem escolhe revelar ou esconder.

O filme se constrói entre realidade e fantasia, fazendo do luto também uma investigação sobre os vínculos familiares, as heranças deixadas entre gerações e aquilo que permanece mesmo depois da morte.

Com roteiro assinado por Taciano Valério, Vanderson Santos e Carla Francine, o filme tem produção da Autorias Filmes, em coprodução com a Casa de Cinema de Olinda. O elenco reúne Everaldo Pontes, Verônica Cavalcanti, Maria Lima, Isadora Gibson, Bruno Goya, Geyson Luiz, Buda Lira, Rizonir Silva, Guilherme Milleron, Rita Assis, Rosberg Adonay, Clécio Vila Nova, Adélio Lima, Aretha Luna e Maria das Nuvens.

50ª Mostra conta com patrocínio master da Petrobras

 

Por Victoria Hope

A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo tem a enorme satisfação de, mais uma vez, contar com o patrocínio master da Petrobras. 

A renovação dessa parceria é fundamental para a Mostra apresentar uma edição histórica de 50 anos, com o objetivo de trazer ao público uma seleção ampla e diversa de filmes nacionais e estrangeiros, além de debates e oportunidades para a troca de ideias sobre o mercado audiovisual.

O festival será realizado de 15 a 29 de outubro, e o patrocínio foi viabilizado por meio do programa Petrobras Cultural, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Sala Petrobras na Mostra

Pelo quarto ano consecutivo, o festival conta com a Sala Petrobras na Mostra, um ambiente temporário, que, nesta edição histórica, será instalado no Solar Fábio Prado, na Avenida Faria Lima, uma região de fácil acesso. O espaço vai abrigar, além de sessões tradicionais, apresentações especiais e gratuitas desta 50ª edição, que ocorre entre os dias 15 e 29 de outubro de 2026.

A Petrobras também é patrocinadora master da 3ª Mostrinha, que busca aproximar crianças e adolescentes do cinema, formando uma nova geração de espectadores. Nos dois fins de semana do evento, a Sala Petrobras na Mostra exibirá títulos infantojuvenis em sessões gratuitas. 

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SERVIÇO – SALA PETROBRAS NA MOSTRA

Solar Fábio Prado: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano (a programação será divulgada perto da data do evento).

50ª edição da Mostra de Cinema de SP anuncia seleção oficial com Feito Pipa, I Love Boosters, Fjord e mais

 

Por Victoria Hope

Seleção de 380 filmes de 93 países acontece de 15 a 29 de outubro, com convidados internacionais como James Gray, Boots Riley e S.S. Rajamouli

A tão aguardada Mostra Internacional de Cinema em São Paulo anunciou neste sábado (3) a programação completa da 50ª edição, que acontece de 15 a 29 de outubro, com uma seleção especial de 380 filmes de 93 países.

Além de indicados ao Oscar 2027 como Fjord e Feito Pipa, o evento também irá contar com  presença ilustre de diversos diretores, elencos e realizadores da indústria nacional e internacional do cinema para exibições especiais, workshops e mais. 

Outros títulos presentes na agenda, como Tigre de Papel, escolhido para abrir o festival, em sessão com a presença do diretor James Gray, terão exibição especial em comemoração aos 50 anos do Festival e abaixo você pode conferir a programação completa.

Fjord / Foto: Festival de Cannes 

Confira abaixo a programação completa do festival:

100 Dias, de Carlos Saldanha

17, de Kosara Mitić

24 Frames, de Abbas Kiarostami

LETRA A

A Aventura Sonhada, de Valeska Grisebach

A Batalha do Chile, de Patricio Guzmán

A Batalha do Chile, de Patricio Guzmán

A Casa do Vento, de Auguste Bernard Kouemo Yanghu

A Casa no Bosque, de Maurice Pialat

A Cidade dos Piratas, de Raúl Ruiz

A Cor do Sol, de Xavier Tera 

A Extraordinária Vida de Vera Valdez, de Fabio Meira

A Garota com a Leica, de Alina Marazzi

A História do Concreto, de John Wilson

A História Mais Triste do Mundo, de Hique Montanari

A Luz é Grande, de Markus Duffner 

A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho

A Morte Não Tem Dono, de Jorge Thielen Armand

A Odisseia dos Dentes-de-leão, de Momoko Seto

A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Vinicius Couto

A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr.

A Prisioneira, de Chantal Akerman

A Terra do Meu Pai, de Pawel Pawlikowski

A Violência de Ninguém, de Denis Côté

A Violinista, de Ervin Han e Raúl García 

Aanikoobijigan [ancestral/bisavô/bisneto], de Adam e Zach Khalil

Aliados no Exílio, de Hasan Kattan

Alucinação, de Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano

American Doctor, de Poh Si Teng

Amor Possível, de Lee Chang-dong

AnyMart, de autor não especificado

Aqui Não É o Seu Lugar, de Florin Şerban

Aqui, de Tiago Guedes

As Estações, de Artavazd Pelechian

Às Vezes Sinto Tristeza, Outras Vezes Revolta, de Maria Aparicio 

Aurora, de F.W. Murnau

LETRA B

Baahubali 2: A Conclusão, de S.S. Rajamouli

Baahubali: O Início, de S.S. Rajamouli

Behemoth: Uma Vida Composta em Peças, de Tony Gilroy

Biografia de Jorge Luis Borges, de Mariano Llinás

Butterfly Jam, de Kantemir Balagov

LETRA C

Caminho sem Volta, de James Gray

Cansei de Ser Galã, de Bento Marzo e Eduardo Ades

Caçada Humana, de Wayne Wapeemukwa

Castelo de Lata, de Alexander Murphy

Cavalcanti, de Jairo Neto e Graubi Garcia

Chicas Tristes, de Fernanda Tovar

Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda 

Clarice Vê Estrelas, de Letícia Pires

Clarissa, de Arie e Chuko Esiri

Coligay – A Torcida Impossível, de Paulo Machline

Colônia – Segunda Temporada, de André Ristum

Como Era Gostoso o Meu Francês, de de Nelson Pereira dos Santos 

Como se Divorciar Durante a Guerra, de Andrius Blaževičius

Contos do Jardim Mágico, de Patrik Pašš Jr., Jean-Claude Rozec, David Súkup e Leon Vidmar

Coração de Lona, de Tuca Siqueira

Crónicas do Cerco de Abdallah Alkhatib

LETRA D

Deixem-nos Passar, Caros Ancestrais, de Lav Diaz

Desculpe te Incomodar, de Boots Riley 

Despedida de Ontem, de Alexander Kluge

Di Cavalcanti, de Ana Carolina

Dora, de July Jung

LETRA E

Eklipse, de Manuel Wetscher

Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira, de Cristiane Oliveira e Gustavo Galvão

Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah

Elza, de Eryk Rocha

Ensaiando o Brasil, de Elisa Bracher

Era uma Vez em Nova York, de James Gray 

Era uma Vez no Harlem, de David e William Greaves

Eu Cresci uma Polegada Quando Meu Pai Morreu, de P. R. Monencillo Patindol

Eu Raramente Acordo Sonhando, de Isabelle Stever

Eu Vejo Edifícios Caírem de Clio Barnard

Everytime, de Sandra Wollner

LETRA F

Feito Pipa, de Allan Deberton

Fernanda, de Pedro Waddington

Filipiñana, de Rafael Manuel

Fim, de Artavazd Pelechian

Fjord, de Cristian Mungiu

Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques

Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi

Francisca, de Manoel de Oliveira

Fuga para Odessa, de James Gray

Funk, de Aly Muritiba

Furies, de Rami Kodeih

LETRA G

Garage Olimpo, de Marco Bechis

Gildo na Mostrinha, de Cesar Cabral e Thomas Larson

Glaxo, de Benjamín Naishtat

Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami

LETRA H

Ha-Chan, De Volta à Dança!, de Josef Kubota Wladyka

Homem ao Mar, de Gael García Bernal

LETRA I

I Love Boosters, de Boots Riley

Iron Boy, de Louis Clichy

Isabel, de Gabe Klinger

LETRA J

Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho 

Joy of Joys, de Jonathan Glazer

Julián, de Louise Bagnall

Já que Ninguém me Tira pra Dançar, de Ana Maria Magalhães

Jardim dos Silêncios, de Henrique Dantas

LETRA L

La Belle Année, de Angelica Ruffier

La Libertad Doble, de Lisandro Alonso

La Perra, de Dominga Sotomayor

Leve Chico, de Marianna Brennand

London, de Victor di Marco e Márcio Picoli 

Look Back, de Hirokazu Kore-eda

Lua Cheia, de Jeong Ji-hye

Lá e Cá, de Sandra Kogut

LETRA M

Magadheera, de S.S. Rajamouli

Master, de Rezwan Shahriar Sumit 

Me Deixa Ser, de Viviane D’Avilla

Me Leve pra Casa, de Abbas Kiarostami

Medley, de Ana Luiza Azevedo

Memórias do Cárcere, de Sérgio Graciano

Minotauro, de Andrey Zvyagintsev

Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz

Mulher Desconhecida, de May el-Toukhy

Musk, de Alex Gibney

LETRA N

Na Terra de Arto, de Tamara Stepanyan

Neste Quarto, de Ana Rocha de Sousa

Ney por Trás das Máscaras, de Esmir Filho 

Nino – Um Filme sobre Nino Rota, de Walter Fasano

Nosso Século, de Artavazd Pelechian

Nós, de Artavazd Pelechian

Não Me Largue, de Myrsini Aristidou

Não Sou um Herói, de Rima Das

Não Estamos Sonhando, de Ulisses Arthur

LETRA O

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

O Barqueiro, de Simão Cayatte

O Bosque de Bétulas, de Andrzej Wajda

O Caminho para Jericó, de Amos Gitai

O Começo, de Artavazd Pelechian 

O Desterro, de Andrey Zvyagintsev

O Diário de uma Camareira, de Radu Jude

O Dia em que Ela Volta, de Hong Sang-soo

O Estado das Coisas, de Wim Wenders

O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite 

O Fogo que Você Carrega, de Edoardo De Angelis

O Homem Mais Solitário da Cidade, de Tizza Covi e Rainer Frimmel

O Intruso, de Louis Paxton

O Julgamento de Hein, de Kai Stänicke

O Oligarca e o Negociante de Arte, de Andreas Dalsgaard

O Outro Lado das Redes, de Aaron Sorkin

O Outro Lado do Sol, de Tawfik Sabouni

O Primeiro Ano, de Patricio Guzmán

O Rei das Rosas, de Werner Schroeter

O Retorno, de Andrey Zvyagintsev

O Samurai e o Prisioneiro, de Kiyoshi Kurosawa

O Sentido da Água, de Mohammad Rasoulof 

O Sentido da Vida, de Ryûsuke Hamaguchi

O Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen

O Último Batedor de Carteiras, de Noah Segan

Olivia e o Terremoto Invisível, de Irene Iborra

Onde Fica a Casa do Meu Amigo? de Abbas Kiarostami

Onde Repousar Meus Olhos, de Hong Sang-soo

Os Dias Livres, de Lucila Mariani

Os Donos da Noite, de James Gray

LETRA P

Papel Coadjuvante, de Ana Urushadze 

Pardo É Papel, de Alexis Zelensky

Patrulha da Montanha, de Artavazd Pelechian

Por Dentro de Amir, de Amir Azizi

Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner

LETRA Q

Quem Matou Alex Odeh?, de J de Jason Osder e William Lafi Youmans

Quem Matou Narciso?, de Marcelo Martinessi

LETRA R

Ray Gunn, de Brad Bird

Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani

Retorno a Buenos Aires, de Marco Bechis

Revolucionárias Nunca Morrem, de Mohanad Yaqubi

Robert Wilson & The CIVIL Wars, de Howard Brookner

Rochas Vermelhas, de Bruno Dumont

Roqia, de Yanis Koussim

Rotação, de Maryna Er Gorbach 

RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, de S.S. Rajamouli

LETRA S

Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira

Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?, de Hugo Prata e Felipe Novaes

Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo

Sem Anestesia, de Andrzej Wajda

Seu Crime, Seu Sofrimento, de S.S. Rajamouli

Silvestre, de João César Monteiro 

Sócrates Brasileiro, de Walter Salles

Somos Alienígenas, de Kohei Kadowaki

Sonhos do Rio, de Kristina Mikhailova

Student No. 1, de S.S. Rajamouli 

Sul de Teerã, de Kleber Mendonça Filho

Super Academia Afegã, de Shahrbanoo Sadat

Sussurros de um Aroma em Chamas, de Mo Harawe

LETRA T

Terra do Povo, de Artavazd Pelechian 

Terra Vermelha, de Marco Bechis

Tigre de Papel, de James Gray

Tribalistas: O Baú da Hora Fértil, de Dora Jobim

LETRA U

Um Dia na Vida de Jo: Capítulo Fedra, de Jacqueline Lentzou

Um Pouco de Esperança, Ali Asgari

Uma Família, de Mees Peijnenburg

LETRA V

Variações Sobre um Tema, de Jason Jacobs e Devon Delmar

Varanasi, de S.S. Rajamouli 

Vento Norte, de Salomão Scliar

Vergonha e Dinheiro, de Visar Morina

Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins

Vida, de Artavazd Pelechian

Vikramarkudu, de S.S. Rajamouli 

Vitória da Paz, de Ricardo Calil, Dudu Levy e Fábio Gusmão

LETRA W

Wolfram, de Warwick Thornton

LETRA Y

Yellow Cake, de Tiago Melo

Yo (O Amor É um Pássaro Rebelde), de Anna Fitch e Banker White

LETRA Z

Zi, de Kogonada 

Zoom In, Zoom Out, de Dong Jie

Zé, de Paulo Caldas 

Your Mother Your Mother Your Mother, com Mahershala Ali, terá exibição no Festival do Rio

 

Por Victoria Hope

O longa-metragem Your Mother Your Mother Your Mother, distribuído pelo Amazon MGM Studios e produzido pela Orion Pictures, será exibido pela primeira vez no Brasil durante a 28ª edição do Festival do Rio. Dirigido e escrito por Bassam Tariq (Mogul Mowgli), o filme é estrelado por Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar), vencedor de dois Oscars, em uma história que aborda temas como fé, luto e família.

Na trama, Ali interpreta Latif, um assassino de aluguel profundamente religioso que tenta equilibrar as exigências de seu trabalho com sua fé e as responsabilidades da paternidade. Após a morte de sua esposa, ele embarca em uma jornada desesperada por Houston para proteger os filhos, enquanto enfrenta forças que se fecham ao seu redor e as próprias crenças, que começam a ser colocadas à prova.

O elenco conta ainda com John Cho, Giancarlo Esposito, Tramell Tillman, Abubakr Ali, Laith Nakli e Tiffany Boone. O filme teve sua estreia mundial no TIFF (Festival Internacional de Cinema de Toronto), em setembro, onde foi aclamado pela crítica. Após a passagem por Toronto, o longa segue para o BFI London Film Festival e Festival do Rio. 

Sessões no Festival do Rio

https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/your-mother-your-mother-your-mother 

07/10 (Qua), 21h30 — Cinesystem Belas Artes Botafogo 4

09/10 (Sex), 14h45 — Estação Claro Gávea 5

14/10 (Qua), 16h30 — Estação Claro Rio 4

[Review] Carrie de Mike Flanagan, consegue trazer um novo olhar à obra de Stephen King

 

Por Victoria Hope

Quando uma nova série de "Carrie" foi anunciada, fãs sentiram muito receio, já que essa história foi adaptada à exaustão e infelizmente, deixando a desejar em grande parte das produções, porém, quando o nome do diretor Mike Flanagan, conhecido por suas séries de terror fantásticas como "Missa da Meia Noite", "A Maldição da Residência Hill", entre outros, foi mencionado, fãs começaram a sentir uma pontada de esperança.

A ideia de modernizar Carrie, inicialmente não agradou muito, porém, uma modernização faz completamente sentido, já que os tempos são completamente outros e a ideia principal da série é atrair um público mais jovem, principalmente geração Z, para a obra de Stephen King.

Agora, de modo mais pessoal, posso afirmar que sendo fã assídua de Carrie e Stephen  King desde a infância, a série me surpreendeu demais e fico feliz em dizer que é uma das melhores adaptações modernas da história, graças ao elenco e a brilhante direção de Flanagan.

Carrie / Foto: Prime Video

É claro que em como todas suas adaptações anteriores, Mike Flanagan toma certas liberdades para adaptar alguns eventos à sua maneira, mas isso não se torna um demérito aqui, principalmente porque o diretor consegue adicionar ainda mais contexto para a personagem, principalmente expandindo o histórico de pessoas que tem os mesmos poderes dela e afirmando uma teoria que permeia a mente dos fãs mais tradicionais de Carrie à anos. 

Na série, acompanhamos uma Carrie que não é tímida, mas sim confiante e sempre disposta a aprender e com uma mãe, que incialmente irá causar estrranheza pelos fãs mais antigos, por parecer mais compreensiva e amável, mas é claro que existe um motivo por trás e o trabalho de Samantha Sloan (brilhante) fazendo o papel da fanática religiosa, aqui ganha ainda mais profundidade, já que a história se passa em tempos onde mães ultra-religiosas se modernizam para tentar atingir pessoas mais jovens, ainda que disseminando com discursos como "fazer a América ser o que era de novo".

Carrie, aqui interpretada de forma excepcional por Summer H.Howell, é uma menina doce e curiosa, mas que vive presa em casa pois sua mãe não acredita que ela tenha conhecimentos apropriados numa escola, já que sua mãe vê as pessoas "do mundo" como pecadoras e isso inclui todo o corpo docente, alunos e funcionários da escola.

Carrie / Foto: Prime Video

Mas o público irá se surpreender, pois apesar de Carrie ser alegre e simpática (e muito expressiva) aqui, as cenas de bullying são extremamente mais violentas do que as cenas de adaptações anteriores, com momentos que vão trazer um nó na garganta, culminando na tão esperada vingança dela, que aqui será ainda mais cruel, mesmo que "terceirizada".

A genialidade de Carrie nessa nova fase, é que a série apresenta diversos dilemas modernos como notícias falsas, o uso de I.A e redes sociais para bullying contra não apenas crianças e adolescentes, mas contra adultos também, temas como suicídio, depressão, a ascenção do neopentecostalismo no mundo entre outros assuntos muito pertinentes para os dias de hoje.

Até mesmo os bullies da história tem uma vida horrorosa e isso é mostrado em diversos momentos, mas mesmo assim, esses bullies não são tratados como pobre coitados. Aqui, Mike Flanagan tenta examinar como o anonimato traz a falsa sensação de poder para pessoas que já estão com uma vida péssima no mundo real e como essas pessoas descontam sua raiva e frustração nos outros e como esse bullying não existe apenas online, como pode e irá ser levado aos extremos da vida real em alguns casos.

Carrie / Foto: Prime Video

Outro detalhe da série, é que ela abre espaço para mais temporadas, talvez até mesmo para uma trilogia, principalmente após algumas revelações que conectam essa história com obras como Doutor Sono, O Instituto e O Iluminado, o que proporciona uma excelente surpresa para os fãs.

O lado mais fraco da série porém, infelizmente acontece quando o foco da história sai de Carrie e vai para personagens secundários, porque diferente de outros projetos de Flanagan, aqui o elenco secundário não apresenta performances realmente impactantes até o quarto episódio, o que com certeza vai dividir opiniões, já que geralmente o diretor sabe balancear muito bem diversos núcleos, mas aqui, de alguma forma, isso não funciona muito bem.

E apesar disso, a série continua excelente por si só, trazendo algumas das cenas mais aguardadas pelos fãs, como a famigerada cena do baile, que aqui ganha ainda mais requentes de crueldade, para a alegria de muitos, já que Carrie finalmente consegue ter sua vingança e mesmo que o momento seja de certa forma terceirizado aqui, no último episódio finalmente entendemos que aquela é Carrie, ela sabe que é quase uma divindade e agora ninguém irá pará-la.

NOTA: 8.5/10

[Review] Digger, o magnum opus de Alejandro Iñárritu

 

Por Victoria Hope

Há anos, o cinema não se deparava com uma obra tão disruptiva quanto "Digger", o mais novo filme do diretor vencedor do Oscar Alejandro Iñárritu, estrelado por Tom Cruise, que aqui, está com sede de sangue, ou melhor dizendo, sede de uma estatueta, muito merecida em uma das melhores performances do ator em décadas.

Não é possível descrever Digger sem cair nos spoilers, porém, é possível afirmar que absolutamente nenhum trailer e nenhum material revelou a verdadeira história por trás do filme, o que por si só já é um feito extraordinário em tempos onde trailers revelam demais sobre as histórias.

Com brilhantes atuações de Tom Cruise, Riz Ahmed e John Goodman, o filme toca em uma ferida muito real; tão real e atual que incomoda porque é uma realidade próxima, se não, igual a que o mundo inteiro passa nesse momento. É definitivamente um filme que tem muito a dizer e ás vezes, verdades incovenientes, precisam ser ditas, doa a quem doer.


Digger / Foto: Warner Bros. Pictures

O filme é incômodo e vai sim dividir muitas opiniões, pois nem todos estão preparados para aceitar esse nível de camp. A comédia é tão escrachada e esteriotipada, que faz parecer uma grande piada, mas é aí que se encontra a verdadeira genialidade do filme, porque não é só uma sátira, é a vida real.

Digger é um grande empresário e um dos grndes nomes da indústria petrolífera americana, mas quando uma de suas bases simplesmente aumenta os efeitos da mudança climática, destruindo até mesmo pedaços da calota polar, o caso se torna uma crise humanitária, mas para Digger, nada disso importa, já que para ele, o mais importante é a saúde de sua gata, que está na beira do leito de morte.

Quando o público acha que entendeu o que está acontecendo, o filme entrega não uma, nem duas, mas sim três reviravoltas que mudam completamente o rumo da história e atingem como um verdadeiro soco no estômago.


Digger / Foto: Warner Bros. Pictures

Muitos irão se incomodar com a mudança de tom repentina da história, mas outros irão simplesmente amar e é isso que torna esse filme tão especial. É o magnum opus de Iñárritu definitivamente, pois aqui ele traz toda opulência e dedos apontados e uma mensagem extremamente política por trás, que torna desse, um dos filmes mais relevantes do ano, independente da opinião da crítica e do público.

É uma obra bem ambiciosa, claustrofóbica, revoltante e verdadeira. Chega a ser assustadora em alguns momentos, principalmente com sua proximidade com a vida real e uma verdade que muitos querem esconder, ignorar ou realmente colocar para baixo dos panos.

Digger definitivamente irá receber diversas indicações, principalmente indicação ao Oscar para Tom Cruise, que após dez anos interpretando o mesmo agente especial, finalmente tem a liberdade aqui de ser canastrão, intenso e forte, lembrando de alguns de seus trabalhos mais antigos como "Vanilla Sky", "Entrevista com o Vampiro" entre outros.

A grande mensagem que fica ao final do filme é de que a arte importa; ela nunca deixará de ser relevante e importante, principalmente em tempos mais sombrios. 

NOTA: 9/10