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Mostra de SP 2026 | Uma Família

 

Por Victoria Hope

Uma Família, drama do diretor holandêes Mees Peijnenburg, acompanha uma batalha pela custódia entre dois pais divorciados a partir da perspectiva de seus filhos de 14 e 16 anos, algo que é algo bem raro de ser mostrado, já que na maioria das vezes, tramas assim mostram apenas o lado dos adultos, ou pais em questão, deixando a perspectiva das crianças de lado.

Os primeiros minutos do filme são dedicados a Nina (Celeste Holsheimer), uma jovem loira de 16 anos que gosta de dançar, e à sua namorada, que incusive parece seu clone, cuja família nuclear é, naturalmente, impecável. 

O irmão mais novo de Nina, Eli (Finn Vogels), protagoniza o segundo capítulo do filme, um pouco mais curto, embora com algumas cenas que se sobrepõem, sugerindo que Nina não tem conhecimento de tudo o que acontece na vida do irmão caçula, que aparentemente, não gosta de falar com ninguém.

Enquanto o público observa a vida dos dois irmãos de forma separada, nota-se que eles não parecem frequentar a escola, mas também não vivem aquela atmosfera típica de férias de verão, em que o tempo parece se estender ao infinito e nada acontece. 

Na verdade, os pais (interpretados por Van Houten e por Pieter Embrechts) garantem que algo diferente aconteça todos os dias, seja um passeio diferente, alguma festa com os amigos ou algum concerto. Ao mesmo tempo em que os pais tentam não colocar a pressão do divórcio nos filhos, isso acaba acontecendo.

E um dos pontos mais positivos do filme é que Peijnenburg não atribui a culpa da situação diretamente a nenhum dos pais; ambos se apegam aos filhos como um último vestígio de normalidade após o que deve ter sido uma separação extremamente dolorosa, mas ainda assim, nada disso é suficiente pra transformar essa em uma história interessante.

Faltam mais cenas entre os pais para que o público entenda de fato os conflitos em toda sua totalidade, faltam mais detalhes no roteiro para nós realmente sentirmos uma proximidade com esses dois protagonistas adolescentes também, então apesar de ser um projeto bonito, ainda depende de uma substância maior e um corpo maior para fazer o público realmente se importar com essa família. 

NOTA: 6.5/10

Mostra de SP 2026 | John Leguizamo de A Odisseia, Moulin Rouge estará na 50ª edição para homenagem

 

Por Victoria Hope

Uma grande surpresa para os fãs! Vencedor do Special Tony Award e do Primetime Emmy Award, o ator John Leguizamo vem a São Paulo para a 50ª Mostra. Na segunda-feira, 26 de outubro, ele participará de uma masterclass e receberá, pelo conjunto de sua carreira, o prêmio Leon Cakoff das mãos da diretora da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Renata de Almeida.

Considerado um dos atores mais versáteis e camaleônicos do cinema, TV e teatro, John Leguizamo ganhou destaque na década de 1990 com performances marcantes como no filme Para Wong Foo, onde interpreta a drag queen Chi Chi, além de seu papel icônico como Príncipe dos Gatos, Tibaldo, na genial versão de Romeu e Julieta de Baz Luhrmann, além de seu papel emocionante como o pierrot em Moulin Rouge – Amor em Vermelho, mas é claro que seu trabalho na dublagem é conhecido, já que o ator é a voz original do hilário Sid da franquia Era do Gelo e também pela voz de Bruno Madrigal em Encanto.

Leguizamo também estrela A Odisseia, de Christopher no papel de Eumeu, fiel amigo e servo de Odisseu, vivido por Matt Damon e também faz parte do elenco de O Exorcista: Mártires de Mike Flanagan, filme que estreia 12 de março de 2027 nos cinemas.

Mostra de SP 2026 | Fjord

Por Victoria Hope

E quando a minoria é realmente a minoria religiosa, mesmo que não pareça? Essa é uma das perguntas centrais de Fjord, longa vencedor da Palma de Ouro de Cannes esse ano estrelado pelos indicados ao Oscar Sebastian Stan e Renate Reinsve.

Na trama, acompanhamos uma família conservadora e católica que vive na Noruega vivendo sua vida tranquilamente até que um evento em particular destrói a relação dos pais com os filhos. Sebastian Stan interpreta um romeno chamado Mihai, casado com uma norueguesa chamada Lisbet (Renate Reinsve)
e apesar das diferenças culturais, ambos se dão muito bem.

O casal decide se mudar para a bela e remota vila onde Lisbet nasceu, pois Mihai, que é um engenheiro de software qualificado, consegue ali um emprego na área de TI. Além disso, a região conta com uma forte comunidade religiosa cristã, outro grande atrativo para o casal, que segue o cristianismo conservador fundamentalista de forma bastante rigorosa. 


Apesar da religião, eles são recebidos calorosamente por seus vizinhos (que não são cristãos): o diretor da escola local e sua esposa e também são abraçados por toda a vila, que é bem conhecida por ser um dos locais mais progressistas da europa, principalmente durante os anos 80. 

O filme começa com um momento inquietante e ambíguo: Mihai claramente acaba de aplicar algum tipo de punição à filha adolescente, que, na sequência, é obrigada a dar-lhe um abraço de penitência. A equipe da escola nota que as crianças apresentam marcas e hematomas e começa a desconfiar que talvez as crianças, incluindo a menina, estejam sofrendo maus tratos e é aí que a política, religião e aspecto cultural começam a se chocar.

Lá na Noruega, violência contra crianças é crime passível de retirada das crianças da casa dos pais para que sejam entregues ao conselho tutelar e é justamente com isso que a família de Lisbet e Mihai terão que passar. Afinal, um "tapinha" não é nada demais ou é apenas uma violência tão normalizada que seus perpetuadores veem isso como algo comum?


O tempo todo o filme se apresenta quase como um teste moral dos expectadores, porque por mais que sejamos contra a violência perpetuada contra crianças, será que realmente foi aquilo que aconteceu ou será que a cidade já estava pronta para acusar aquela família sem provas, principalmente por eles serem conservadores? Pois sim, o filme também deixa claro o preconceito da população perante as crenças da família de Mihai, mesmo que eles sejam conservadores.

De forma brilhante, o diretor consegue fazer a audiência sentir empatia pelas crianças que supostamente estão acusando os pais de violência, mas ao mesmo tempo consegue também deixar o sentimento de dúvida sobre o preconceito que os pais estão passando. Afinal, são eles culpados ou não? Até que ponto as visões sociais e políticas das pessoas podem ser objetos de investigação

E é claro que a xenofobia, também tem papel aqui, já que grande parte da perseguição que Mihai sofre por parte da cidade inteira, para muito além da religião, é também o fato de ele ser romeno e vale lembrar que na Europa, há nítido preconceito contra o povo da Romênia, logo, entende-se que qualquer ato de existência de Mihai já é visto com desprezo por aquela sociedade. O final é de tirar o fôlego, afinal, eles nunca poderão ser livres enquanto estiverem ali.

NOTA: 9/10

Mostra de SP 2026 | Exposição Tempo e Movimento celebra 50 Anos do festival

 

Por Victoria Hope

Em comemoração aos 50 Anos da Mostra Internacional de SP, o espaço Solar Fabio Prado recebe ao longo do evento a exposição Tempo e Movimento, que por meio de fotos, recortes e objetos marcantes, reconta a história desse que é um dos eventos mais importantes de cinema em São Paulo.

Com curadoria de Daniela Thomas, incluindo cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassar, a exposição celebra as cinco décadas do festival, com direito a linha do tempo, fotografias, obras originais, objetos e cartazes históricos que visitantes vão poder ver de pertinho até o dia 29 de outubro.

A quinquagésima edição da Mostra também apresenta o lançamento de dois livros que contam a história do evento, intitulado 50 anos, 50 cartazes: a história dos cartazes da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e Antes que eu me esqueça: um ensaio de lembranças para os 50 anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Confira as fotos da exposição abaixo:






Mostra de SP 2026 | Review | Homem ao Mar

 

Por Victoria Hope

Na comédia dramática "Homem ao Mar", que marca a estreia direcional de Gael Carcia Bernal, acompanhamos o casamento conturbado e a carreira de um homem que do dia pra noite, de salva-vidas, se tornou um grande empresário com ajuda do sogro.

O longa apresenta figuras excêntricas, desde Juana (Esmeralda Pimental), uma burguesa entedeada com a própria vida, seu esposo Camilo (Gael Carcia Bernal) e a grande surpresa para brasileiros, a atriz global Debora Nascimento, fazendo papel de Fabiana, uma atriz conhecida daquele universo.

O pai de Juana, que no passado foi salvo de um acidente no mar pelo cunhado Camilo, dedica sua vida à indústria  e sua fábrica, mas agora está começando a investir em peças publicitárias para lançar sua carreira política, enquanto os funcionários de sua empresa estão revoltados com os cortes de equipe e demissões em massa.

Homem Ao Mar / Foto: Ingresso.com

Todas as noites, Camilo, que vê seu relacionamento piorando cada vez mais, passa as noites em um quarto separado de sua esposa, assistindo uma novela brasileira que conta a história do jovem Lula, uma escolha um tanto quando relevante nesse exato momento político, que casa exatamente com o mesmo problema que os personagens do filme, os funcionários da fábrica, estão passando. 

Ao mesmo tempo em que o filme apresenta muitos temas relevantes, a mistura de todos os temas nem sempre funciona, eventualmente transformando a história em uma verdadeira bagunça caótica, onde a mensagem principal acaba se perdendo.

Gael Garcia Bernal, como esperado, entrega uma excelente performance no longa, mas isso não é suficiente para entregar uma história coesa. Temas como xenofobia, capitalismo, política e indústria são abordados de forma bem superficial, mas ainda assim, é um projeto interessante.

NOTA: 6/10

Mostra de SP 2026 | Review | Tigre de Papel

 

Por Victoria Hope

Com presença do diretor James Gray, que foi homenageado também com o prêmio Leon Cackoff, a 50ª Mostra de Cinema de SP recebeu a primeira sessão de "Tigre de Papel" estrelado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller.  O filme acompanha uma família suburbana que sem querer, acaba se envolvendo com a máfia russa e as consequências desse encontro poderão ser fatais.

Indicado à Palma de Ouro em Cannes desse ano, o drama mergulha na realidade dos subúrbios dos Estados Unidos durante os anos 1986, em um cenário político onde a classe média alta estava em ascensão e é nesse cenário que os irmãos Gary Pearl (Adam Driver), e seu caçula Irwin Pearl, se envolvem em uma das maiores enrascadas de suas vidas.

Enquanto Gary, o irmão mais velho, é um ex-oficial da justiça com malandragem das ruas, seu irmão, Irwin é um fiscal de segurança de obras. A vida dos dois vai muito bem, já que Gary é abastado e praticamente sustenta seu caçula e sua família, mas tão envolto em seus próprios dilemas, nenhum dos dois percebe que Hester Pearl (Scarlett Johansson), esposa de Irwin, está lutando sua própria batalha com uma doença perigosa.

Tigre de Papel / Foto: Mostra de Cinema de SP

A direção de fotografia e a trilha sonora do longa são impecáveis e o ritmo, que acelera graduadamente é palpável em cada cena. Assim como longas como "Jóias Brutas", o público sabe que as farsas de Gary não vão durar muito tempo, afinal, não se brinca com os grandes chefões que comandam o Queens sem se queimar por completo, inclusive, o filme conta com uma das melhores atuações na carreira de Adam Driver. 

Tigre de Papel é um retrato nítido do que acontece quando se está no lugar errado na hora errada, não importa quão nobres sejam as atitudes de cada indivíduo. O final é completamente arrebatador, chocante, mas esperado por quem percebeu os sinais desde a primeira cena.

O longa ainda está em cartaz no Festival e terá suas próximas sessões nos dias, 16, no Solar Sala Petrobras e no dia 27 no Cultura Artística. Ingressos disponíveis no app, no site oficial ou na porta dos cinemas, uma hora antes de cada sessão.

NOTA: 9/10