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Mostra de SP 2026 | John Leguizamo de A Odisseia, Moulin Rouge estará na 50ª edição para homenagem

 

Por Victoria Hope

Uma grande surpresa para os fãs! Vencedor do Special Tony Award e do Primetime Emmy Award, o ator John Leguizamo vem a São Paulo para a 50ª Mostra. Na segunda-feira, 26 de outubro, ele participará de uma masterclass e receberá, pelo conjunto de sua carreira, o prêmio Leon Cakoff das mãos da diretora da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Renata de Almeida.

Considerado um dos atores mais versáteis e camaleônicos do cinema, TV e teatro, John Leguizamo ganhou destaque na década de 1990 com performances marcantes como no filme Para Wong Foo, onde interpreta a drag queen Chi Chi, além de seu papel icônico como Príncipe dos Gatos, Tibaldo, na genial versão de Romeu e Julieta de Baz Luhrmann, além de seu papel emocionante como o pierrot em Moulin Rouge – Amor em Vermelho, mas é claro que seu trabalho na dublagem é conhecido, já que o ator é a voz original do hilário Sid da franquia Era do Gelo e também pela voz de Bruno Madrigal em Encanto.

Leguizamo também estrela A Odisseia, de Christopher no papel de Eumeu, fiel amigo e servo de Odisseu, vivido por Matt Damon e também faz parte do elenco de O Exorcista: Mártires de Mike Flanagan, filme que estreia 12 de março de 2027 nos cinemas.

Mostra de SP 2026 | Exposição Tempo e Movimento celebra 50 Anos do festival

 

Por Victoria Hope

Em comemoração aos 50 Anos da Mostra Internacional de SP, o espaço Solar Fabio Prado recebe ao longo do evento a exposição Tempo e Movimento, que por meio de fotos, recortes e objetos marcantes, reconta a história desse que é um dos eventos mais importantes de cinema em São Paulo.

Com curadoria de Daniela Thomas, incluindo cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassar, a exposição celebra as cinco décadas do festival, com direito a linha do tempo, fotografias, obras originais, objetos e cartazes históricos que visitantes vão poder ver de pertinho até o dia 29 de outubro.

A quinquagésima edição da Mostra também apresenta o lançamento de dois livros que contam a história do evento, intitulado 50 anos, 50 cartazes: a história dos cartazes da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e Antes que eu me esqueça: um ensaio de lembranças para os 50 anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Confira as fotos da exposição abaixo:






Mostra de SP 2026 | Review | Homem ao Mar

 

Por Victoria Hope

Na comédia dramática "Homem ao Mar", que marca a estreia direcional de Gael Carcia Bernal, acompanhamos o casamento conturbado e a carreira de um homem que do dia pra noite, de salva-vidas, se tornou um grande empresário com ajuda do sogro.

O longa apresenta figuras excêntricas, desde Juana (Esmeralda Pimental), uma burguesa entedeada com a própria vida, seu esposo Camilo (Gael Carcia Bernal) e a grande surpresa para brasileiros, a atriz global Debora Nascimento, fazendo papel de Fabiana, uma atriz conhecida daquele universo.

O pai de Juana, que no passado foi salvo de um acidente no mar pelo cunhado Camilo, dedica sua vida à indústria  e sua fábrica, mas agora está começando a investir em peças publicitárias para lançar sua carreira política, enquanto os funcionários de sua empresa estão revoltados com os cortes de equipe e demissões em massa.

Homem Ao Mar / Foto: Ingresso.com

Todas as noites, Camilo, que vê seu relacionamento piorando cada vez mais, passa as noites em um quarto separado de sua esposa, assistindo uma novela brasileira que conta a história do jovem Lula, uma escolha um tanto quando relevante nesse exato momento político, que casa exatamente com o mesmo problema que os personagens do filme, os funcionários da fábrica, estão passando. 

Ao mesmo tempo em que o filme apresenta muitos temas relevantes, a mistura de todos os temas nem sempre funciona, eventualmente transformando a história em uma verdadeira bagunça caótica, onde a mensagem principal acaba se perdendo.

Gael Garcia Bernal, como esperado, entrega uma excelente performance no longa, mas isso não é suficiente para entregar uma história coesa. Temas como xenofobia, capitalismo, política e indústria são abordados de forma bem superficial, mas ainda assim, é um projeto interessante.

NOTA: 6/10

Mostra de SP 2026 | Review | Tigre de Papel

 

Por Victoria Hope

Com presença do diretor James Gray, que foi homenageado também com o prêmio Leon Cackoff, a 50ª Mostra de Cinema de SP recebeu a primeira sessão de "Tigre de Papel" estrelado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller.  O filme acompanha uma família suburbana que sem querer, acaba se envolvendo com a máfia russa e as consequências desse encontro poderão ser fatais.

Indicado à Palma de Ouro em Cannes desse ano, o drama mergulha na realidade dos subúrbios dos Estados Unidos durante os anos 1986, em um cenário político onde a classe média alta estava em ascensão e é nesse cenário que os irmãos Gary Pearl (Adam Driver), e seu caçula Irwin Pearl, se envolvem em uma das maiores enrascadas de suas vidas.

Enquanto Gary, o irmão mais velho, é um ex-oficial da justiça com malandragem das ruas, seu irmão, Irwin é um fiscal de segurança de obras. A vida dos dois vai muito bem, já que Gary é abastado e praticamente sustenta seu caçula e sua família, mas tão envolto em seus próprios dilemas, nenhum dos dois percebe que Hester Pearl (Scarlett Johansson), esposa de Irwin, está lutando sua própria batalha com uma doença perigosa.

Tigre de Papel / Foto: Mostra de Cinema de SP

A direção de fotografia e a trilha sonora do longa são impecáveis e o ritmo, que acelera graduadamente é palpável em cada cena. Assim como longas como "Jóias Brutas", o público sabe que as farsas de Gary não vão durar muito tempo, afinal, não se brinca com os grandes chefões que comandam o Queens sem se queimar por completo, inclusive, o filme conta com uma das melhores atuações na carreira de Adam Driver. 

Tigre de Papel é um retrato nítido do que acontece quando se está no lugar errado na hora errada, não importa quão nobres sejam as atitudes de cada indivíduo. O final é completamente arrebatador, chocante, mas esperado por quem percebeu os sinais desde a primeira cena.

O longa ainda está em cartaz no Festival e terá suas próximas sessões nos dias, 16, no Solar Sala Petrobras e no dia 27 no Cultura Artística. Ingressos disponíveis no app, no site oficial ou na porta dos cinemas, uma hora antes de cada sessão.

NOTA: 9/10

Mostra de SP 2026 | A Terra do Meu Pai


Por Victoria Hope

Diretamente do Festival de Cannes para a 50ª Mostra de Cinema Internacional de SP, chega "A Terra do Meu Pai", uma história se passa no verão de 1949, no auge da Guerra Fria. Na trama, o escritor e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann e sua filha Erika (atriz, escritora e piloto) retornam à Alemanha após 16 anos de exílio nos Estados Unidos.

Eles fazem uma viagem de carro pelas ruínas de um país dividido, partindo de Frankfurt, que agora está sob domínio dos Estados Unidos até Weimar, que está sob controle soviético. Na jornada, o autor precisa encarar os escombros da nação e as feridas profundas em sua própria família, principalmente sua relação tão quebrada com seu filho caçula, Klauss.

Sandra Hüller entrega uma atuação contida e ao mesmo tempo extraordinária nesse retorno de Pawel  Pawlikowski. Essa história poderia muito bem se passar em pleno 2026, pois o contexto cultural e social em que se passa, ainda segue extremamente relevante.

O filme consegue trazer alguns momentos engraçados, apesar da seriedade do assunto, ainda que traga todas as temáticas de forma até superficial em momentos e em alguns outros momentos de forma subjetiva e pontual, por meio de canções, por meio de olhares, por meio de toda a raiva da protagonista estampada no rosto de Hüller.

A Terra do Meu Pai / Foto: MUBI

Mann, interpretado por Hanns Zischler, está acompanhado por sua filha adulta, Erika (Sandra Hüller), que tanto sofreu ao seu lado e a surpresa não é grande quando ele é recebido com um entusiasmo arrebatador na Alemanha e, dada a sua importância, recebe um agente de ligação da CIA. 

Contudo, ele deixa seus anfitriões desconcertados e constrangidos ao manifestar a intenção de aceitar um segundo prêmio em Weimar, cidade onde Goethe viveu, mas que agora se encontra no Leste comunista e, talvez, marcada pela associação com a caótica República de Weimar, que abriu caminho para os nazistas.

É um filme complicado e que necessita de contexto histórico por parte do público, para um entendimento completo das implicações. O filme termina tão rapidamente quanto começa e apesar disso, ainda é uma história extremamente efetiva que vai para além dos aspectos políticos.

"A Terra do Meu Pai" apenas reforça a importância de figuras intelectuais em meio a conflitos políticos e sociais, bem como seus impactos vão para além do campo do intelecto; mas ainda assim, o filme também é sobre ego e como ele pode destruir famílias, não importa o quanto uma das figuras dessa família seja bem sucedida. 

NOTA: 8.5/10

Mostra de SP 2026 | Review | A Violência de Ninguém

 

Por Victoria Hope

 Em "A Violência de Ninguém', de Denis Cotê, a trama acompanha Mira (Larissa Corriveau), uma mulher solitária que viaja e se depara com pessoas desesperadas com quem parece ter selado pactos de morte ou eutanásia em um contexto distópico. No caminho, ela encontra Madeleine e Ludo, além de um jovem intrigante que a faz reavaliar seu estilo de vida errante.

Vencedor do Prêmio do Júri Jovem no Festival de Locarno, o longa mostra de forma sensível, como relações intensas podem mudar o curso de uma vida. Mira leva uma existência tão 'banal' que poderia ser confundida com um fantasma. 

Ao chegar a estacionamentos ou soleiras de portas, conforme combinado, ela calça luvas pretas antes de entregar o coquetel químico solicitado por aqueles que decidiram pôr fim à própria vida. Embora ela possa estar oferecendo uma forma de liberdade, a questão de saber se esse tipo de trabalho a mantém aprisionada nesse ciclo de vida e morte sem fim, como se ela fosse o próprio ceifador sinistro.


O que começa como um estudo de personagem, onde o público apenas observa o dia a dia da personagem, se torna uma verdadeira saga, enquanto a audiência espera que a vida monótona e quase clínica da personagem passe por uma reviravolta e aos poucos, de forma bem gradual, a personagem começa a descobrir como o mundo é muito mais do que o trabalho dela.

Toda a vida da personagem antes, era voltada à morte, mas tudo muda quando ela conhece, Pierric, um homem que tem sede de viver, mas não pense que existe aqui um clichê de que eles serão o amor da vida do outro, apesar do romance acontecer, mesmo que de forma breve entre os dois estranhos.

Larrissa carrega o filme com uma performance bem balanceada, hora contida, hora com uma ira visceral, ao mesmo tempo em que Xavier Begeron, que interpreta Pierric, mesmo que com poucas cenas, consegue dominar as cenas quando estar presente com um carisma enorme.

Apesar da temática fascinante, não é um filme para todo mundo por conta do ritmo lento, mas graduadamente a história se torna intensa até o final que é de tirar o fôlego, tão repentino e assustador que faz o coração pular da boca.

Nota: 8/10