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Jogos Vorazes - Amanhecer na Colheita | Paris Filmes divulga cartazes individuais

 

Por Victoria Hope

A Paris Filmes divulgou em outubro cartazes individuais de “Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita” (The Hunger Games: Sunrise on the Reaping). A nova distopia da série de sucesso que já levou milhões de pessoas aos cinemas terá sessões antecipadas a partir de 18 de novembro, com estreia em 19 de novembro. 

O lançamento será feito também em formatos especiais como IMAX. Baixe os cartazes neste link e assista ao trailer aqui. Imagens aqui.

O filme, dirigido por Francis Lawrence, revisitará o mundo de Panem 24 anos antes dos eventos de Jogos Vorazes, começando na manhã da colheita da 50ª edição dos Jogos Vorazes, também conhecida como o Segundo Massacre Quaternário. “Jogos Vorazes – Amanhecer na Colheita” é baseado no livro homônimo de Suzanne Collins, lançado no Brasil pela Editora Rocco. 

O elenco conta com diversos nomes de peso, como Ralph Fiennes, Jesse Plemons, Glenn Close, Kieran Culkin, Elle Fanning e mais. Confira os cartazes abaixo:



Mostra de SP 2026 | Review | London

 

Por Victoria Hope

Em London, um jovem queer com deficiência, ganha a vida fazendo performances eróticas em uma casa de fetiches e tem a chance de descobrir a origem e o destino de sua deficiência através de um exame médico. Com os resultados em mãos, London, nosso protagonista, vai ter que decidir se sua vida será guiada por um diagnóstico ou se vai seguir seus sonhos. Vencedor do prêmio Queer Lion no Festival de Veneza.

London (Di Marco) é um jovem queer com deficiência que trabalha como dominante em uma casa de fetiche em Porto Alegre, Brasil. Seus confidentes mais próximos são seus amigos e colegas com deficiência, Luke (Pedro Bertoldi) e Lila (Jessica Teixeira), que lhe oferecem o apoio emocional que sua mãe, de quem ele é distanciado. 

Quando uma nova tecnologia de diagnóstico por imagem possibilita que London descubra a causa de um distúrbio neurológico que o acompanha por toda a vida, ele se vê diante de uma possível crise. 

Enquanto pessoa neurodivergente, temendo que o diagnóstico o rotule e consequentemente, comprometa sua identidade, London tenta evitar o resultado, o que acaba intensificando seu desejo de desaparecer na cidade que lhe deu o nome.


London / Foto: Mostra de Cinema de SP 2026

Talvez devido ao ambiente sexualmente explícito que define a existência de London, o filme possa ser facilmente associado ou comparado ao body horror de Cronenberg; desde fetiches mortuários como no caso de Crash ou fetiches em procedimentos cirúrgicos bizarros como visto no fraquíssimo Crimes do Futuro. 

Mas é aí que a história muda de figura pois London parte de uma premissa oposta, pois aqui a ideia de que um diagnóstico preciso poderia viabilizar um futuro mais "normal". Contudo, London já construiu uma existência plena, com suas supostas deficiências tornando-o alguém singular, distinto de todos os outros e vale lembrar que na cena BDSM, o que mais tem são pessoas neurodivergentes que lidam muito bem com suas questões no dia a dia, principalmente em assuntos relacionados à cama.

O filme toca no assunto com delicadeza, mas termina de forma bem agridoce, com mais perguntas do que respostas quanto ao futuro incerto de nosso protagonista, mas vale com certeza o ingresso para quem está buscando por uma experiência sensorial e uma representação saudável da cena de fetiche.

NOTA: 8/10

Mostra de SP | Review | Black Zombie

 

Por Victoria Hope

Um verdadeiro banquete para os fãs negros de terror! O excelente documentário canadense “Black Zombie”, de Maya Annik Bedward, explora essa evolução inesperada. A abordagem da diretora não é tanto a de uma fã do gênero, mas sim a de uma antropóloga cultural, que analisa como o zumbi retratado nas telas explorou e distorceu as crenças religiosas haitianas que serviram de inspiração inicial. 

Você já se perguntou a origem dessas criaturas comedoras de cérebro? Esse é justamente o tema do documentário que disseca o gênero de dentro para fora, provando mais uma vez que todo terror é político, não importa por qual ângulo se olhe.

Hoje, o entretenimento com zumbis é tão onipresente que abrange produções de grande orçamento como o aclamado filme coreano “Invasão Zumbi”, franquias cinematográficas grandes como “Extermínio”, séries como “The Walking Dead”, entre milhares de outras produções, incluindo a produção teen favorita da Disney, Z-O-M-B-I-E-S.

Frequentemente apresentando cadáveres reanimados que se movem rapidamente, o que torna sua fome por carne viva um perigo ainda maior, essas representações rompem com o padrão consolidado no final do século XX: criaturas lentas, que se arrastam, mas que ainda assim são sedentas por sangue, um modelo estabelecido pelo surpreendente sucesso de 1968 de George A. Romero, “A Noite dos Mortos-Vivos”.

Black Zombie / Foto: Prime Video

Mas nenhuma dessas representações mais modernas se assemelha com a primeira de todas. Tais aparições tinham suas raízes no livro best-seller de 1929, A Ilha Mágica, das várias obras de jornalismo questionável de William Seabrook, escritor e entusiasta de aventuras e do ocultismo. 

O autor legava ter visto, nos canaviais do Haiti, trabalhadores que pareciam estar em transe, incapazes de falar e essa ideia de zumbis remonta ao período em que aquela nação caribenha era uma colônia europeia, época em que um grande contingente de escravizados, em sua maioria africanos, era submetido a uma disciplina brutal, sendo, não raro, levados à morte pelo excesso de trabalho imposto por uma minoria de colonos brancos. 

Corriam boatos de que alguns eram drogados ou tinham sua "alma subtraída" por outros meios, passando, assim, a trabalhar sem descanso ou qualquer tipo de protesto. Portanto, na cultura haitiana, os zumbis eram vítimas, destituídos de livre-arbítrio por senhores cruéis e até hoje, poucos filmes modernos abordam essas criaturas com compaixão como a descrita pela obra de Seabrook.

O documentário remonta justamente todos esses fatos, ressignificando e recontextualizando o cinema de zumbis bem como o gênero de terror, que até hoje ainda é considerado de todos, um dos meios mais subversivos do sétima arte.  Excelente filme para entusiastas que querem entender um pouco mais do gênero através de vozes negras. 

NOTA: 9/10

Mostra de SP | Primetime

 

Por Victoria Hope

Chris Hansen é um herói ou vilão? Essa é a dúvida que paira sobre o aclamado "Primetime" da A24 que teve sua estreia durante a Mostra de Cinema de SP e vale lembrar que o filme não terá novas sessões, pois estará disponível em streaming e nas bibliotecas digitais.

Na trama, acompanhamos o apresentador Chris Hansen, que ficou conhecido por seu programa de sucesso chamado "To Catch a Predator", com uma proposta de capturar ped*filos antes dos criminosos realmente agirem e por muito tempo, supostamente o programa funcionou, mas as implicações de justiça com as próprias mãos seguem ainda gerando impacto até hoje na mídia norte-americana.

Muitos viam a figura de Chris como uma espécie de herói, já que seu trabalho era pegar predadores, mas um dos grandes problemas da vida real, foi o fato de que muitos que foram "pegos" pelo programa, sequer foram presos na vida real devido à falta de evidências e é a partir daí, que de herói, rapidamente o rapaz se tornou "vilão", pois de acordo com parte do público, tudo o que Hansen queria era audiência custe o que custar e não justiça verdadeira.

Primetime / Foto: A24

O filme já inicia em ritmo frenético, muito semelhante à outro longa da A24 intitulado "Jóias Brutas". Enquanto Chris se prepara para mais um programa, o público é apresentado à toda a equipe da produção e seu dia a dia, desde a escolha de cenários à treinamentos para lidar com possíveis criminosos que pretendem fugir.

Robert Pattinson entrega mais um grande trabalho, repleto de nuances tal qual como o Abutre de Jake Gyllenhaal, mas quem verdadeiramente rouba a cena é Skyler Gisondo no papel do jovem ator de babyface que é escolhido como isca para os predadores.

Em alguns momentos, nota-se uma tentativa de transformar Dan Plumb (Gisondo) em uma espécie de pupilo de Chris e isso funciona pois mostra como o ciclo de querer fazer justiça com as próprias mãos pode ser passado de geração em geração.

Primetime / Foto: A24

Todas as sequências para pegar predadores são muito fortes, principalmente quando pensamos que o personagens são inspirados em pessoas da vida real, mas ao mesmo tempo, o longa falha em explorar um pouco mais sobre a vida conturbada do apresentador. 

Tudo isso traria apenas mais nuances para o personagem, nos permitindo entrar em sua mente um pouco mais ao invés de apenas observamos sua saúde mental expiralando. O ritmo se torna cada vez mais frenético até o final avassalador, já conhecido por pessoas que assistiam ao programa na TV. 

Em nenhum momento Primetime apresenta uma resposta concreta sobre a verdadeira natureza das intenções de Chris. Se ele fez o bem ou o mal, apenas sua moralidade poderá dizer, mas quando a realidade e a ficção se misturam, cabe o argumento do perigo em romantizar e criar sensacionalismo ficcional sobre casos criminais da vida real.

NOTA: 8.5/10 

Mostra de SP 2026 | Conversa com Boots Riley e Maria Angela de Jesus na estreia de I Love Boosters

 


Por Victoria Hope

Pela primeira vez, Boots Riley participou da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo onde apresentou seu novo longa-metragem “I Love Boosters”, participou de um papo incrível com Maria Angela de Jesus e também integrou o júri da competição Novos Diretores.

Após a exibição da primeira sessão de I Love Boosters, no Cultura Artística, houve um debate especial mediado por Maria Angela de Jesus (inicialmente anunciado com a participação de Emicida).

Sempre coerente com suas visões sobre a relação entre cinema e política, o diretor defendeu a luta de classes, discutiu como o universo da moda e o status são mercantilizados e como o cinema pode subverter a percepção pública sobre a classe trabalhadora e o sistema econômico.

Foi um momento bem crucial, principalmente faltando apenas um dia para as eleições presidenciais do Brasil, das quais o diretor também não poupou comentários, traçando paralelos entre a situação política atual e o cenário exposto no filme.

Durante o debate, o público também pôde fazer perguntas para o diretor e para a moderadora, que comentaram sobre temas como capitalismo, cinema marxista, arte e moda contemporânea como instrumento de análise para trickle up (boosters) and bubble down, como foi o processo para que Boots conseguisse apoio financeiro para o lançamento do longa, entre outros termos.

Fãs também pediram dicas da indústria oara o diretor, abordando temas que variavam desde escolha de efeitos na pós-produção ou como funciona a estratégia de marketing de divulgação para o cinema afro-futurista e absurdista de Riley. 

Vale lembrar que I Love Boosters, da Universal Pictures, estreia no Brasil no dia 19 de novembro

Mostra de SP 2026 | I Love Boosters

 

Por Victoria Hope

I Love Boosters é tudo o que eu queria e muito mais. Esse é um filme com ideias (talvez até demais), estilo em abundância, atitude, figurinos de tirar o fôlego e um excesso de exuberância muito necessário para a história que está sendo contada. 

O filme funciona num ritmo e cadência que podem ser desafiadores ou difíceis de acompanhar caso as pessoas não estejam acostumadas com o cinema de Boots Riley, mas quem gosta de cinema caótico e revolucionário, político e opulento assim, vai receber um banquete.

Essa é uma comédia maximalista que tem de tudo, desde temas políticos à comédia pastelão, ficção científica, stop-motion e muito mais, sem falar na sátira ácida à exploração capitalista do mercado, principalmente da indústria da moda.

I Love Boosters / Foto: Universal Pictures

Na trama, acompanhamos um grupo de Boosters, jeito mais chic de dizer que são ladras, que roubam peças de roupa luxuosas para revender para a classe trabalhadora periférica da cidade, bem ao estilo Robin Hood às avessas, já que apesar de deixarem o luxo acessível, elas ainda se beneficiam das vendas, pois precisam de dinheiro para se sustentar e sobreviver como todo mundo.

A "Velvet Gang", grupo de boosters, é composta por Corvette (Keke Palmer), Sade (Naomi Ackie) e Mariah (Taylour Paige) e juntas, todas tentam alimentat o sonho de Corvette, que é criar suas próprias roupas, já que uma de suas maiores inspirações é a estilista Christie Smith (Demi Moore), mas tudo muda quando Corvette percebe que sua super heroína não passa de uma charlatã e que ainda rouba designs de pessoas como a própria Corvette. A partir daí é guerra declarada entra a indústria da moda e as boosters. 

O filme tem diversas mensagens muito relevantes, mas a maior de todas elas é a sacada brilhante unir os entusiastas de Oakland (Boosters) aos operários de fábricas chinesas, utilizando o artifício do portal para transportá-los de um lado para o outro, eliminando, literalmente, a distância entre as culturas.

Boosters, enuanto classe trabalhadora, se unirem à trabalhadores das fábricas chinesas seja a ser poético, já que constitui um gesto sutil, porém importante, de solidariedade entre diferentes culturas, outra mensagem extremamente importante nesses momentos em que estamos vivendo.

NOTA: 9/10