Por Victoria Hope
Uma Família, drama do diretor holandêes Mees Peijnenburg, acompanha uma batalha pela custódia entre dois pais divorciados a partir da perspectiva de seus filhos de 14 e 16 anos, algo que é algo bem raro de ser mostrado, já que na maioria das vezes, tramas assim mostram apenas o lado dos adultos, ou pais em questão, deixando a perspectiva das crianças de lado.
Os primeiros minutos do filme são dedicados a Nina (Celeste Holsheimer), uma jovem loira de 16 anos que gosta de dançar, e à sua namorada, que incusive parece seu clone, cuja família nuclear é, naturalmente, impecável.
O irmão mais novo de Nina, Eli (Finn Vogels), protagoniza o segundo capítulo do filme, um pouco mais curto, embora com algumas cenas que se sobrepõem, sugerindo que Nina não tem conhecimento de tudo o que acontece na vida do irmão caçula, que aparentemente, não gosta de falar com ninguém.
Enquanto o público observa a vida dos dois irmãos de forma separada, nota-se que eles não parecem frequentar a escola, mas também não vivem aquela atmosfera típica de férias de verão, em que o tempo parece se estender ao infinito e nada acontece.
Na verdade, os pais (interpretados por Van Houten e por Pieter Embrechts) garantem que algo diferente aconteça todos os dias, seja um passeio diferente, alguma festa com os amigos ou algum concerto. Ao mesmo tempo em que os pais tentam não colocar a pressão do divórcio nos filhos, isso acaba acontecendo.
E um dos pontos mais positivos do filme é que Peijnenburg não atribui a culpa da situação diretamente a nenhum dos pais; ambos se apegam aos filhos como um último vestígio de normalidade após o que deve ter sido uma separação extremamente dolorosa, mas ainda assim, nada disso é suficiente pra transformar essa em uma história interessante.
Faltam mais cenas entre os pais para que o público entenda de fato os conflitos em toda sua totalidade, faltam mais detalhes no roteiro para nós realmente sentirmos uma proximidade com esses dois protagonistas adolescentes também, então apesar de ser um projeto bonito, ainda depende de uma substância maior e um corpo maior para fazer o público realmente se importar com essa família.
NOTA: 6.5/10
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