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[Review] Acampamento Miasma de Jane Schoenbrun subverte gênero slasher

 

Por Victoria Hope

Há anos, fãs de terror pedem por filmes que subvertam a temática slasher e "Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" entrega absolutamente tudo o que entusiastas do gênero esperavam e vai ainda mais além. Após filmes marcantes como o excelente "Eu Vi o Brilho da TV" e "Vamos Todos à Exposição Mundial", Jane Schoebrun retorna com mais um terror queer que vai marcar toda uma geração.

Na trama, Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora recebe a chance única de revitalizar e produzir um reboot de sua saga slasher favorita dos anos 80, mas tudo muda quando ela descobre que terá oportunidade de passar um fim de semana com Billy Preston (Gillian Anderson), a grande protagonista do filme. 

Inicialmente, o que parecia ser apenas um filme de terror sobre a nostalgia, reboots e remakes, na verdade aos poucos se revela um grande estudo sobre a sexualidade e sobre a liberdade corporal que só pode ser sentida uma vez que as pessoas finalmente entendem seu lugar no mundo.

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" / Foto: MUBI

"É tudo sobre pele e fluidos", basicamente é um resumo do próprio filme, segundo Billy, porque essencialmente, essa é a raiz da história. Enquanto públicos tentam dissecar cada mensagem dos filmes clássicos de terror, às vezes a mensagem é mais simples do que parece ser e nem tudo é uma grande análise sobre comportamentos sociais, mas é claro que isso não quer dizer que não existe política por trás da mensagem, afinal, a emancipação e o prazer feminino, que ainda é tema tabu até mesmo hoje, é uma mensagem tão relevante quanto foi nos anos 80.

Acampamento Miasma acerta em subverter o gênero slasher em diversos aspectos, não apenas pela representatividade explicitamente queer, que (felizmente) não deixa espaço apenas para mensagens subjectivas, como também traz uma nova visão ao vilão, trazendo uma perspectiva diferente sobre o verdadeiro papel.

Little Death, que é um termo que faz alusão ao orgasmo, deixa a mensagem do longa nítida logo no início, mas ainda assim, de forma brilhante, Jane consegue trazer um ar novo ao gênero do terror, trazendo ângulos de camera slowmotion hora ponto de vista das vítimas, hora do ponto de vista do assassino, com técnicas de direção e técnicas de efeitos práticos que fariam qualquer diretor da velha guarda salivar de excitação.

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" / Foto: MUBI

O grande destaque do filme é sem dúvida Gillian Anderson (Sex Education), que parece uma versão queer da diva Dolly Parton, apresentando um timing cômico impecável em sintonia com a genial Hannah Einbinder (Hacks) e apesar da temática slasher parecer sombria, o longa é tudo menos assustador, na verdade é o completo oposto porque esse é o tipo de filme com o final mais feliz possível.

Schoebrun traz diversas referências à clássicos de terror, mas principalmente Acampamento Sinistro (Sleepaway Camp), um dos filmes de terror mais marcantes justamente pela trama que apesar de ser vista como transfóbica nos dias de hoje, ainda assim apresentava a vilã da história com compaixão e empatia, na medida do possível. 

Não é exagero dizer que Acampamento Miasma, não é apenas um dos melhores filmes de terror do ano, mas sim um dos melhores filmes do ano em geral, consagrando Jane Schoebrun como mais um dos expoentes do cinema contemporâneo! Que venham mais projetos diferentes que tragam reflexões sobre gênero, sexualidade e a destruição do status quo!

NOTA: 9.5/10