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[Review] Hokum, o Pesadelo da Bruxa

 

Por Ricardo dos Santos Jr

Hokum: O Pesadelo da Bruxa é a mais recente produção do diretor Damian McCarthy, conhecido pelo filme Oddity, tendo seu lançamento nacional ocorrendo no próximo dia 30 de abril, com distribuição pela Diamond Films.

Estrelado por Adam Scott, o elenco é formado por Florence Ordesh, David Wilmot, Peter Coonan, Mallory Adams, Michael Patric e Brendan Conroy. O roteiro também foi desenvolvido pelo próprio diretor.

A trama de Hokum é sobre o escritor introvertido Ohm Bauman, que viaja até a Irlanda para realizar o último desejo de seus pais: espalhar suas cinzas na árvore favorita do casal. Hospedado no mesmo hotel em que estiveram, Ohm é apresentado às lendas locais, entre elas a presença de uma bruxa no local.

Em meio a um surpreendente desaparecimento e pesadelos perturbadores, o escritor irá enfrentar uma força maligna que irá não apenas colocá-lo em risco, mas também confrontar o seu passado.

Acredito que Hokum é um excelente filme porque consegue conectar o elemento sobrenatural com outras temáticas, nos fazendo questionar durante sua uma hora e quarenta minutos de exibição se tudo que estamos testemunhando foi real ou um delírio.


Hokum/ Foto: Diamond Films

A direção é muito competente em plantar essa semente de dúvida, nos conduzindo pelo desenrolar dos fatos com personagens que não são confiáveis e alternando entre o suspense e o próprio sobrenatural. Além disso, o filme tem ótimas cenas nessa camada mais paranormal e mesmo os jumpscares frequentes têm uma função importante para a narrativa.

A questão sonora me pegou de surpresa porque é muito fácil recorrer ao silêncio ou a barulhos muito altos para causar um bom susto. Entretanto, em Hokum existe uma mescla que acho muito interessante, usando os sons como a iminência do perigo, mas também o silêncio se torna esse sinal, e tudo isso é inserido no filme com uma ótima precisão.

Em atuação, o maior destaque é Adam Scott, que explora muito bem as questões emocionais de seu personagem, sua confusão ao se deparar com situações que não conseguem ser compreendidas e a resiliência em tentar desvendar o que realmente aconteceu na história.

Elementos técnicos, como a direção de arte e ambientação, me agradam porque acrescentam uma atmosfera de tensão e mistério, e isso resulta em uma ótima imersão que vai te prender aos acontecimentos.

Hokum / Foto: Diamond Films

Ver um terror sobrenatural girar em torno de um mistério e isso se conectar com o peso das questões individuais do protagonista não é uma das maiores invenções da história do gênero. Entretanto, me agradou muito essa experiência por combinar esses elementos de forma tão coesa.

Outro ingrediente do gênero, muito usado e muito bem aplicado em Hokum, é o protagonista descrente. O fato de Ohm ser um escritor se encaixa bem para a trama, pois qualquer coisa fora do que ele consiga encontrar uma explicação racional ou usar do escárnio fará com que o vejamos sendo incentivado a expandir seus horizontes através da sua relação com Jerry e Fiona.

Esse contraste traz uma boa base para outros pontos-chave da trama, como o desaparecimento, que será uma das grandes questões a serem respondidas. Neste ponto, me deixou muito satisfeito que, apesar do desfecho entregar fatos, ainda é aberto para interpretações a respeito de como eles ocorrem.

Hokum: O Pesadelo da Bruxa é um filme que me pegou positivamente de surpresa por saber conectar, de forma muito coesa, suas ideias, entregar tensão, imersão e uma história que vai ser interessante e pode garantir uns bons sustos para o espectador.

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