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[Review] O Sorveteiro de Eli Roth é confuso, mas diverte em alguns momentos

 

Por Matheus Nascimento

O diretor Eli Roth (O Albergue) está de volta com seu novo filme, O Sorveteiro, sonho febril dele que estava tentando trazer do papel há anos. Depois de assistir ao resultado, fica fácil entender por que o projeto enfrentou tantas dificuldades para sair do papel.

Esteticamente, blazer e narrativamente fraco, o longa consegue se entreter pela sua ruindade. Na sinopse oficial, uma cidade ideal para o verão enlouquece quando um sorveteiro carismático serve doces para crianças com resultados brutais.

O cinema de extrema violência vem ganhando mais destaque nos tempos, com franquias como Terrifier, e vem influenciando jovens e nomes de renome da indústria cinematográfica. O sorveteiro embarca neste estilo com mortes assustadoramente bem feitas, um exemplo: uma garotinha que transforma o cérebro do diretor da escola em bola de sorvete; esses são os momentos, talvez o único ponto positivo do filme.

Há um vale da estranheza logo de cara: o visual polido e agradável de algo gênero vai na contramão dos visuais sujos. Isso não funciona, dá sensação na pós-produção. Nem quiseram fazer a correção de cor; as cores desse filme são chapadas, não há textura nem no vermelho do sangue dos personagens mortos.

O Sorveteiro / Foto: Diamond Films

Neste filme somos apresentados ao uso de IA para criação de animação, que, até o restante do uso da ferramenta na criação de cenas, é péssimo; o que já era esteticamente feio piora com essa ferramenta, empobrecendo o filme. 

Narrativamente, o que conecta logicamente são esquetes, mortes e mais mortes sem construir progressão dramática. Com duração de 88 minutos, o filme perde de 20 a 30 só com mortes. Bem, até poderia ser bom se tivéssemos personagens minimamente inteligentes para se importar com algo; nem de longe o roteiro de Noah Belson e Roth consegue.

O núcleo de protagonistas é sofrível. As crianças tentam o melhor, mas suas atuações são fracas. A personagem que mais sofre é Mia (Kiori Mirza Waldman), que tem diálogos terríveis, como: “Eu tenho 12 anos, claro que sei vomitar”. É difícil imaginar uma menina de 12 anos falando algo parecido com isso. O protagonista, Jared (Charlie Zeltzer), fica o tempo todo com a mesma expressão e é difícil analisar que sentimento ele queria passar.

O sorveteiro vai estar em muitas listas de piores filmes de 2026. A intenção de Roth de resgatar esse estilo de filme B vindo direto de DVDs e VHS, mas falha ao juntar essa estética em uma narrativa já franca, sem mínimo desenvolvimento e com atuações fracas. Mesmo com mortes criativas que garantem alguns momentos de diversão, isso não sustenta a obra.

NOTA: 5/10

[Review] Akira em 4K

 

Por Ricardo dos Santos

O longa animado Akira, dirigido e roteirizado por Katsuhiro Otomo, é um dos grandes clássicos do cinema e uma adaptação do mangá de mesmo nome e criador. Lançado no Japão em 1988, a produção chegou ao Brasil em 1991 e, no dia 27 de agosto, voltará a ser exibido no cinema em imagem 4K pela comemoração aos 35 anos de sua chegada ao nosso circuito de cinema.

A história de Akira é sobre o líder de uma gangue de motoqueiros, Kaneda. Ele tenta salvar seu amigo de infância, Tetsuo, que adquire poderes psíquicos devastadores após um acidente misterioso e se torna alvo de experimentos militares secretos.

Uma animação em longa-metragem como Akira merece todas as celebrações possíveis. Essa obra ter uma remasterização no melhor que a tecnologia moderna tem a oferecer é um brinde a toda uma nova geração. Assistir a Akira em uma sala de cinema, com todos os seus recursos audiovisuais, é uma experiência fascinante porque, mesmo não vivendo aquela época, se torna possível compreender quem viveu a magnitude de ver essa história na tela grande.

Akira / Foto: Sato Company

O trabalho de remasterização para a tecnologia em 4K é excelente porque não é apenas uma resolução muito melhor, conservando as cores, a iluminação e as texturas. Um dos elementos que o tornam uma obra-prima passa pela sua estética impressionante, e isso se mostra bem conservado. Ainda é possível perceber que Akira foi feito com frames desenhados à mão.

Outros elementos, como a atuação do elenco de vozes, o roteiro, os efeitos de áudio, a trilha sonora e os movimentos dos personagens, continuam incríveis, tornando a experiência cinematográfica grandiosa.

Mesmo que já tenham se passado 38 anos da sua primeira exibição, é impressionante como Akira ainda é um longa que continua tão atual. Otomo, através de sua obra, nos empurra a refletir sobre política, questões morais, a convivência com a constante iminência da guerra, além da própria violência e do abismo entre ricos e pobres na sociedade.

Akira / Foto: Sato Company

Acredito que esse é o termo que melhor define esse impacto, porque a sensação, principalmente pela imersão do cinema, é como ser empurrado para esses temas e para as emoções dos personagens, sendo que considero isso muito necessário, porque não existem muitas diferenças entre a Neo-Tokyo de 2019 e a nossa sociedade atualmente.

Ter assistido a Akira em 4K é incrível pelo excelente trabalho de conservação, por sua experiência cinematográfica e pela oportunidade de testemunhar a grandeza desta obra em um formato muito mais imersivo, sendo essa uma celebração muito merecida.

[Review] Insaciável, mais uma pérola do horror indie

 

Por Victoria Hope

Insaciável (Saccharine), novo body horror da diretora e roteirista Natalie Erika James, conhecida por Relíquia Macabra, teve sua estreia oficial durante o Festival Sundance 2026. O longa, que foi destaque no Festival de Sundance, estreia nos cinemas brasileiros em 6 de agosto.

O filme aborda uma temática pesada, porém muito relevante em tempos de procedimentos "milagrosos' em tempos de culto à magreza. A trama acompanha Hana, personagem interpretada por Midori Francis (Grey's Anatomy), uma estudante de medicina com leve sobrepeso que desenvolve uma obsessão pelo emagrecimento. 

Sua vida muda quando uma antiga amiga reaparece completamente transformada e lhe apresenta uma suposta solução milagrosa para perder peso, uma pílula que aparentemente é quase que milagrosa e supostamente ajuda suas consumidoras a perderem peso toda vez que consomem alimento.

Insaciável / Foto: Diamond Films
O longa não poupa detalhes sobre o distúrbio alimentar que Hana sofre, com cenas extremamente gráficas, então vale um aviso de gatilho para pessoas que potencialmente podem sentir sensibilidade ao assunto, mas da mesma forma, em tempos onde polêmicas à cerca da cultura da magreza voltam à tona, como no recente caso da cantora e atriz Ariana Grande, filmes como "Insaciável" se complemostram necessários.

Aqui a excelente Midori Francis entrega uma performance forte e recheada de nuances, trazendo uma Hana que não necessariamente é a melhor pessoa do mundo, mas sim uma personagem extremamente humana, com medos, traumas e desejos.

Ao longo da história, acompanhamos essa jovem que tenta se tornar mais saudável, não apenas por ela mesma, mas também para ficar mais perto de sua mais nova 'crush', uma personal trainer de academia local, mas ao passo em que a história se aprofunda, o público começa a perceber, pouco a pouco, que as motivações da personagem são muito mais obscuras do que a superfície permite mostrar.


Insaciável / Foto: Diamond Films
A diretora consegue mostrar muito bem o sentimento de dor e culpa da personagem e aqui, em nenhum momento a comida é tratada como um conforto, mas sim, associada com momentos de tristeza e auto-ódio da personagem. É como se comer fosse apenas uma punição de Hana e é brilhante em como aos poucos, a trama revela o motivo por traz desse comportamento da garota. 

"Insaciável" acerta no tom do terror, com algumas cenas de sustos que fazem o coração acelerar, mas ao mesmo tempo, é bem-sucedido no drama e na carga emocional, mesmo que derrapando ao tentar passar muitas mensagens que ao mesmo tempo, se contradizem.

Em um ano onde ótimos filmes indie de terror como "Obsessão", "Iron Lung","Backrooms", entre outros estão ganhando cada vez mais holofotes, "Insaciável" é uma das grandes surpresas do ano. Um horror corporal sem grande pretensões, mas que toca em um assunto que tem se tornado cada vez mais relevante. 

Nota: 8/10

[Review] Dia D, novo sci-fi de Steven Spielberg

 

Por Ricardo dos Santos

Steven Spielberg é um dos maiores nomes da história do cinema e sempre que surge um novo trabalho do cineasta existe a expectativa de uma grande experiência cinematográfica. Sua mais recente produção é Dia D (Disclosure Day) com lançamento para o dia 11 de junho com distribuição da Universal Pictures.

O filme de ficção científica tem como roteirista David Koepp (Jurassic World: Rebirth) tendo seu  elenco formado por Collin Firth, Emily Blunt, Josh O’Connor e Colman Domingo. Além de assumir a cadeira de direção Spielberg é o produtor do longa. 

A trama de Dia D é sobre o colapso mundial que ocorre quando segredos governamentais são expostos e a existência de vida extraterrestre é confirmada, se tornando uma realidade inegável para toda a humanidade.

Acredito ser muito difícil determinar qual é a maior obra de um cineasta consagrado devido ao altíssimo nível de tudo o que criou. Entretanto, se tratando de Spielberg é tão interessante pensar que o seu melhor trabalho sempre soa ser o mais recente, como se houvesse um aprimoramento de sua técnica e Dia D entrega esta percepção. 


Dia D / Foto: Universal Pictures

Dito isso, o trabalho do diretor é excelente revisitando o fascínio pelo desconhecido, um dos temas que marcou a sua carreira, de uma perspectiva mais humana, emocional e temos neste longa uma conexão entre a fé e a ciência que pouquíssimo já foi abordado no cinema. Além disso, ele conduz a narrativa através do suspense e até usando elementos do terror e essa harmonia de tantos elementos vai resultar em uma experiência cinematográfica impressionante.

O roteiro é outro ponto forte deste filme por colocar na mesma história a ficção científica com uma trama que tem elementos políticos, sociais e uma visão sobre a influência das redes sociais na vida moderna. A ênfase do argumento é sobre o impacto de saber da existência alienígena, levantando muitas questões filosóficas e morais dos seus personagens. 

As atuações de destaque em Dia D são de Emily Blunt, Colman Domingo e Collin Firth que estão excelentes desempenhando os papéis dos três personagens que são os pontos chave da história. Também vale ressaltar o trabalho de atuação de Eve Hewson cuja personagem vai simbolizar essa faceta mais humanizada da história. 

Outros elementos técnicos como a fotografia, montagem, direção de arte são excelentes ambientando o espectador da forma adequada para cada cena e entregam o aspecto de grandiosidade do longa. 

Por fim, acredito que Dia D é um dos fortes candidatos ao melhor filme deste ano, um dos maiores trabalhos de Steven Spielberg e uma obra de ficção científica que tem o potencial de futuramente ser vista como uma das maiores obras de sua década

[Review] Backrooms, um estudo sobre as complexidades da mente humana

 

Por Victoria Hope

Um dos filmes mais aguardados do ano por fãs apaixonados por terror e pelas tradicionais creepypastas ("causos" de outras dimensões), finalmente será lançado nessa semana (28). Com direção do jovem prodígio Kane Parsons, que se tornou conhecido por aprofundar a mitologia por trás de Backrooms da aos 16 anos, o filme é uma das grandes apostas da A24 para esse ano.

Estrelado pelo indicado ao Oscar® Chiwetel Ejiofor (Doutor Estranhoe a vencedora do Festival de Cannes Renate Reinsve (Fjord), o longa apresenta um mergulho profundo pelas facetas da mente humana através da exploração de medos, ciclos viciosos e traumas que podem definir a vida das pessoas desde a infância até o fim da vida.

Muitos fãs da creepypasta original e do found footage dirigido por Kane, já aguardavam adaptações da história há anos, logo, não é a toa que as projeções de bilheteria já estão astronômicas até mesmo antes da estreia oficial para o grande público.

Com a chegada também de "Obsessão", mais um filme dirigido por outro jovem youtuber, Curry Barker, a grande mensagem que chega à indústria do cinema é que o público, principalmente a geração Z, está mais do que pronta para abraçar histórias originais de jovens promissores e que a internet pode e deve ser um expoente para novos talentos como Kane Parsons, Irmãos Phillippou, Markplier entre outros.

Backrooms / Foto: Imagem Filmes, A24


Na trama, o público é apresentado à Clark (Ejiofor), um carismático dono de loja de móveis quase já falida, que atualmente está em tratamento com Mary (Reinsve), uma terapeuta que possui um passado conturbado e obscuro.

Num dia como outro qualquer, no auge de sua solidão, já que agora está passando por um divórcio, Clark encontra uma porta estranha aparece no porão de sua loja de móveis e é a partir desse momento, que o protagonista começará a questionar sua sanidade mental ao descobrir um universo que praticamente é impossível de existir.

Backrooms começa com um estudo sobre esse paciente e sua terapeuta; como seus caminhos se cruzaram, quem faz parte da vida de ambos e como foi que o protagonista encontrou aquele local misterioso e infinito. Ali, naquele mar de memórias inacabadas, conhecido como Backrooms, o personagem tenta fazer sentido de sua própria vida, ao mesmo tempo em que cada vez que se aprofunda mais naquele local misterioso, mais ele quer se perder ali.

Backrooms / Foto: Imagem Filmes, A24

Backrooms se torna mais elevado em momentos onde o lado do psicológico dos personagens é mais explorado e paralela com o próprio ambiente. Toda a ambientação impecável do espaço limiar é também o ponto mais alto do longa e as cenas de found-footage são completamente arrepiantes, conseguindo emular o mesmo sentimento que o da produção original de Parsons evoca, mas  infelizmente, tudo que é muito bem construído nos primeiros dois atos, acaba se perdendo próximo ao terceiro ato.

Quem se interessar pelo tema de espaços limiares após o filme com certeza deverá assistir séries como "Ruptura", que inclusive foi inspirada também história original de Backrooms, segundo Dan Erickson. Durante uma de minhas entrevistas realizadas com Andrew Baseman, Diretor de Design de Produção da série, descobrimos que ele também se inspirou na estética de longos e intermináveis corredores da creepy-pasta para criar os cenários da série! 

Vale também se aprofundar ainda mais sobre o tema e conhecer outra série que muito provavelmente foi a grande inspiração para a criação da história original, "Além da Imaginação" (The Twilight Zone), que desde a década de 70, conta histórias misteriosas como essa, incluindo em episódios como "After Hours" e "The Lonely Girl"

Backrooms / Foto: Imagem Filmes, A24

Apesar da popularidade do tema, é possível dizer que Backrooms vai ser bem divisivo entre a crítica e o público, principalmente entre fãs de terror que esperam apenas por cenas de susto em relação aos fãs que conhecem a história original.

Ao mesmo tempo em que o filme não responde quase nada, parece que tenta responder coisas até demais, deixando bem pouco para a imaginação do público, o que definitivamente não irá agradar muita gente, porém, o filme ainda consegue ser bem-sucedido em expandir ainda mais a mitologia por trás de espaços limiares, mesmo com um roteiro que em diversos momentos deixa muito a desejar e não consegue dizer tudo o que precisa dizer.

E mesmo com tantos pontos a serem questionados, é um grande feito que estúdios como a A24, estejam  apostado cada vez mais em histórias novas e promissoras. Esse filme definitivamente irá abrir as portas para muitas adaptações de jogos e histórias assustadoras que vem dos confins da internet. É o tipo de terror que vai definir toda uma nova geração.

NOTA: 8/10

[Review] Eu, Você e a Toscana, novo romance estrelado por Halle Bailey e Rege Jean-Page

 

Por Victoria Hope

Há anos fãs de romance pedem por uma comédia romântica bem ao estilo anos 2000, leve, despretensioso e com muito humor, e "Eu, Você e a Toscana" acaba de chegar para realizar esse desejo! Estrelado por Halle Baile (A Pequena Sereia) e Regé-Jean Page (Bridgerton), com direção de Kat Coiro (Case Comigo), 

Eu, Você e a Toscana, é o tipo de filme que leva o público à tempos mais simples, onde todos os sonhos da protagonista se realizam e ela precisa lidar com o maior dilema entre dois galãs, enquanto ela aprecia a beleza da Itália, sem muitos conflitos complicados e com personagens de apoio que complementam muito bem a protagonista.

Quase todos os anos há uma discussão sobre o renascimento da comédia romântica, um gênero que dominou todas as décadas do cinema até os anos 2010. Desde então, rom-coms estranhamente receberam menos apoio de Hollywood e lutou para encontrar seu espaço, principalmente quando se fala em representatividade negra dentro do gênero, que aliás, é algo bem raro de se ver.

Eu, Você e a Toscana / Foto: Imagem Filmes

Na trama, o público acompanha Anna (Bailey), uma jovem carismática, que não consegue manter um emprego sequer e sonha por uma vida melhor. Ela tem muitos sonhos, mas poucas habilidades e está prestes a ser despejada quando uma noite irá mudar sua vida para sempre.

Sem saber o que fazer da vida, Anna conhece um charmoso italiano chamado Matteo (Lorenzo de Moor) em um bar e ele irá mostrar para a garota que a vida dela pode ser muito melhor se ela sair daquele lugar e seguir seus sonhos.

Antes de sua mãe falecer, Anna havia comprado passagens para ir até a Toscana e conhecer a gastronomia do local, mas após o falecimento da matriarca, nada mais foi a mesma coisa e a garota pareceu perder sua paixão pela vida, mas a chegada do Matteo e a possibilidade de mudar de vida, chegam num passe de mágica e agora ela está prestes a viver um verdadeiro conto de fadas.

Eu, Você e a Toscana / Foto: Imagem Filmes

Na belíssima cidade da Toscana, na Itália, Anna vê seus sonhos se realizarem pouco a pouco, mesmo com um desencontro pra lá de desagradável com o enigmático Michael (Jean-Page), irmão de Matteo, que não parece ser muito fã da garota de início, mas pouco a pouco, uma nova amizade se inicia.

O mais interessante de "Eu, Você e a Toscana" é o fato de que apesar de o filme se passar na Itália, em nenhum momento situações de preconceito racial ou xenofobia acontecem com a personagem que é a turista no local. Por muitos anos, fãs negros tem pedido por filmes mais leves onde temas como o racismo não são a pauta e esse filme atende justamente essa expectativa.

Aqui, a única preocupação da protagonista é viver entre dois amores e perder seu medo de se tornar uma grande chef de cozinha, afinal, todas as protagonistas de romances tem a chance de passar por conflitos simples, que não atacam suas existências e dignidade, então nada mais justo do que Anna passar pelas mesmas situações que todas as centenas e milhares de protagonistas já passaram sem ter que passar por momentos de tensão racial.

Tanto o romance com a comédia funcionam muito bem, nessa história que tem uma ótima trilha sonora, uma direção de fotografia belíssima e tem tudo para se tornar a nova comédia romântica favorita entre fãs do gênero.

NOTA: 8.5/10 




[Review] Hokum, o Pesadelo da Bruxa

 

Por Ricardo dos Santos Jr

Hokum: O Pesadelo da Bruxa é a mais recente produção do diretor Damian McCarthy, conhecido pelo filme Oddity, tendo seu lançamento nacional ocorrendo no próximo dia 30 de abril, com distribuição pela Diamond Films.

Estrelado por Adam Scott, o elenco é formado por Florence Ordesh, David Wilmot, Peter Coonan, Mallory Adams, Michael Patric e Brendan Conroy. O roteiro também foi desenvolvido pelo próprio diretor.

A trama de Hokum é sobre o escritor introvertido Ohm Bauman, que viaja até a Irlanda para realizar o último desejo de seus pais: espalhar suas cinzas na árvore favorita do casal. Hospedado no mesmo hotel em que estiveram, Ohm é apresentado às lendas locais, entre elas a presença de uma bruxa no local.

Em meio a um surpreendente desaparecimento e pesadelos perturbadores, o escritor irá enfrentar uma força maligna que irá não apenas colocá-lo em risco, mas também confrontar o seu passado.

Acredito que Hokum é um excelente filme porque consegue conectar o elemento sobrenatural com outras temáticas, nos fazendo questionar durante sua uma hora e quarenta minutos de exibição se tudo que estamos testemunhando foi real ou um delírio.


Hokum/ Foto: Diamond Films

A direção é muito competente em plantar essa semente de dúvida, nos conduzindo pelo desenrolar dos fatos com personagens que não são confiáveis e alternando entre o suspense e o próprio sobrenatural. Além disso, o filme tem ótimas cenas nessa camada mais paranormal e mesmo os jumpscares frequentes têm uma função importante para a narrativa.

A questão sonora me pegou de surpresa porque é muito fácil recorrer ao silêncio ou a barulhos muito altos para causar um bom susto. Entretanto, em Hokum existe uma mescla que acho muito interessante, usando os sons como a iminência do perigo, mas também o silêncio se torna esse sinal, e tudo isso é inserido no filme com uma ótima precisão.

Em atuação, o maior destaque é Adam Scott, que explora muito bem as questões emocionais de seu personagem, sua confusão ao se deparar com situações que não conseguem ser compreendidas e a resiliência em tentar desvendar o que realmente aconteceu na história.

Elementos técnicos, como a direção de arte e ambientação, me agradam porque acrescentam uma atmosfera de tensão e mistério, e isso resulta em uma ótima imersão que vai te prender aos acontecimentos.

Hokum / Foto: Diamond Films

Ver um terror sobrenatural girar em torno de um mistério e isso se conectar com o peso das questões individuais do protagonista não é uma das maiores invenções da história do gênero. Entretanto, me agradou muito essa experiência por combinar esses elementos de forma tão coesa.

Outro ingrediente do gênero, muito usado e muito bem aplicado em Hokum, é o protagonista descrente. O fato de Ohm ser um escritor se encaixa bem para a trama, pois qualquer coisa fora do que ele consiga encontrar uma explicação racional ou usar do escárnio fará com que o vejamos sendo incentivado a expandir seus horizontes através da sua relação com Jerry e Fiona.

Esse contraste traz uma boa base para outros pontos-chave da trama, como o desaparecimento, que será uma das grandes questões a serem respondidas. Neste ponto, me deixou muito satisfeito que, apesar do desfecho entregar fatos, ainda é aberto para interpretações a respeito de como eles ocorrem.

Hokum: O Pesadelo da Bruxa é um filme que me pegou positivamente de surpresa por saber conectar, de forma muito coesa, suas ideias, entregar tensão, imersão e uma história que vai ser interessante e pode garantir uns bons sustos para o espectador.

[Review] Michael releva o mito por trás do homem

 

Por Victoria Hope

Quem é o homem por trás do mito? Essa é uma pergunta não é respondida em "Michael", mais nova cinebiografia do Rei do Pop, mas nem por isso, o filme deixa de ser eletrizante. É sempre uma questão complicada quando grandes cinebiografias buscam ao retratar figuras inalcançáveis como Michael Jackson, porque quando as famílias e amigos estão envolvidos, a verdade muitas vezes é polida e sanitizada.

Antoine Fuqua, diretor que já havia recebido críticas por Bohemian Rhapsody, aqui demonstra saber trabalhar com momentos de tensão e momentos dramáticos muito bem, mas fica nítido que o roteiro des certa forma "amarrou" algumas das decisões dele e é por isso que apesar de dançante, o longa deixa um sabor de superficialidade na boca.

Estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do Michael, o filme conta a história da ascenção da carrewira de Michael desde os seus 10 anos, ao lado se seus irmãos no Jackson 5, até o momentro em que consegue alcançar sua carreira solo gigante até a era "Bad".

O público é apresentado à vida dura do astro desde sua infância, com os abusos que sofreu na mão de Joseph Jackson (Colman Domingo) e como Michael teve uma infância muito diferente das outras crianças, já que ao invés de poder brincas como todas as outras, ele tinha que trabalhar, ensaiar exaustivamente até o corpo pedir por socorro.


Michael / Foto: Universal Pictures

O que se destaca verdadeiramente em Michael, acabam sendo as performances maravilhosas de Juliano Valdi, que interpreta o astro durante a infância com um carisma sem igual, Jaafar Jackson, que entrega uma performane corporal impecável, chegando a acertar até mesmo o tom de voz falado de seu tio, além de Colman Domingo no papel do pai e empresário do Rei do Pop.

Não fossem as performances do elenco, o filme poderia muito bem ser considerado um compilado de "greatest hits" do Michael Jackson, com direito a reprodução dos bastidores de diversos videoclipes que consagraram sua carreira. 

Fãs vão adorar, mas apesar disso, Michael peca ao não mostrar o humano por trás do mito. O filme apresenta essa figura como se ela fosse "santificada". Absolutamente todos os conflitos são resolvidos de forma quase mágica e o público não tem a oportunidade de ver como Michael enquanto pessoa, se sentia verdadeiramente sobre tudo o que passou. 

Michael / Foto: Universal Pictures

Um dos maiores acertos da cinebiografia definitivamente fica por conta da música. A obra de Michael Jackson já fala por si só, apresentando os maiores hits da carreira do astro, algo que muitos fãs aguardavam ansiosos para ver. É muito interessante ver como alguns dos momentos mais icônicos do mundo da música aconteceram, incluindo o fato de Michael Jackson ter sido o primeiro artista negro a aparecer na MTV, bem como a forma de criar seus mini filmes e clipes musicais mudou a indústria da música e do cinema para sempre.

É claro que a mídia, como sempre, desde a infância do astro especulando sua vida, esperava que o filme mostrasse as polêmicas a cerca de Michael, mas a grande questão é que o filme, por ser dividido em duas partes, mostra a carreira do astro apenas até 88, anos antes que qualquer polêmica real acerca de sua vida começasse a tomar forma, então é claro que elas não seriam abordadas nessa primeira parte, mas provavelmente serão abordadas na sequênncia que já está programada para o próximo ano.

Michael não é um filme perfeito, mas entrega tudo o que prometeu, que era um vislumbre sobre o mito Michael Jackson, fazendo o público dançar e se emocionar com essa figura que é tão icônica para a indústria, que mesmo após 17 anos de sua morte, continua sendo o assunto central e com certeza continuará assim por muitas décadas, afinal, estamos falando do Rei do Pop

NOTA: 8/10

[Review] Super Mario Galaxy

Por Daniel Lima

Super Mario Galaxy finalmente está entre nós e o filme está incrível. O longa adapta um dos maiores (e melhores, opinião pessoal rs) jogos da franquia de Mário de uma maneira totalmente orgânica, com maestria e o carinho que merece. O longa é mais rico em detalhes, carisma e beleza que o anterior, se consolidando como uma das melhores adaptações já feitas.

A premissa, é a mesma do game, a dupla Mário e Luigi, juntamente com Peach, Toad e Yoshi passam por diversos planetas e reinos, para resgatar Rosalina, uma princesa conhecida como a Mãe das Estrelas. Agora, a forma de contar essa história, é totalmente original e sem dúvidas, mostra que eles sabem exatamente o que estão fazendo.

O longa começa com uma pequena apresentação ao reino da Rosalina e ao grande vilão do longa, Bowser Jr, cortando diretamente para a sequência da cena pós-créditos do primeiro, apresentando o Yoshi à trama. Yoshi, por sua vez, rouba a cena, sendo um grande apoio e alívio cômico para a dupla, e mostrando que funciona infinitamente bem com o Luigi. 

Bowser, por sua vez, que ainda está encolhido pelo resultado da luta no primeiro filme, continua sendo o maior destaque do longa.


Princesa Rosalina / Foto: Universal Pictures

O filme explora mais do passado de Peach, revelando sua origem ao público, enquanto ela e Toad, passam de galáxia a galáxia, tentando chegar na Rosalina, que fora capturada. Há uma galáxia central geral que nos apresenta inúmeros easter eggs e personagens icônicos da franquia de Mário e da própria Nintendo, com destaques a Birdo e ao rei Wart. A grande adição e destaque vai para Fox McCloud, da franquia Star Fox. 

O grande “defeito” (se é que podemos chamar de defeito), é o excesso de personagens. Talvez, a gente tenha visto referência e personagens demais, e assim, alguns como a própria Rosalina, ficaram com pouco destaque na trama. 

A dublagem é um show a parte. O trio Raphael Rossatto, Carina Eiras e Manolo Reis retornam aos papéis de Mario, Peach e Luigi, e nomes como Charles Emmanuel como Bowser Jr agregam o elenco de forma estupenda. 

Como de praxe, o filme conta com duas cenas pós-créditos, sendo uma delas, diretamente conectada com um possível terceiro filme (assim como foi a cena do Yoshi no anterior).

Super Mario Galaxy estreia nos cinemas em 01/04 e com certeza vale a passagem pelo cinema.

Nota: 9/10


[Review] Eles Vão Te Matar, novo thriller estrelado por Zazie Beetz

 

Por Daniel Lima

Se gosta de filmes no estilo de Kill Bill e Casamento Sangrento, este com certeza é um filme pra você. Trazendo de volta essa combinação de ação, gore, e uma leve pitada de comédia, “Eles vão te matar” é um longa sensacional, que sabe mesclar esses fatores com maestria e traz uma experiência final excepcional ao público.

Dirigido por Andy Muschietti (It: A Coisa), o longa acompanha a trajetória de Asia Reeves (Zazie Beetz - Deadpool 2), uma jovem que precisa cuidar e proteger sua irmã. Mas devido a um conflito, acaba sendo presa. 

Enquanto presa, Asia aprende diversas técnicas de sobrevivência, sem nem saber que as usaria no futuro para ir atrás da irmã. Ao sair, sua busca a leva ao misterioso Hotel Virgil, um edifício de luxo, frequentado pela alta elite, e lá ela descobre que ela precisa lutar pela sobrevivência, pois, todos no hotel querem a matar.

A trilha sonora é um espetáculo à parte. Ela faz com que as cenas de luta, que já são incríveis, se tornem ainda mais épicas. As cenas de luta são muito bem coreografadas, e fazem questão de explorar o gore, com muito sangue jorrando para todo o lado. 


Eles vão te Matar / Foto: Warner Bros. Pictures

O enredo, no entanto, parece simples. É aquele velho roteiro de lugares fechados, fugas desesperadas e o instinto de sobrevivência, ligados a um culto satânico, com muitas pitadas de humor, muito semelhante ao recém lançado Casamento Sangrento 2. O “plot” final é facilmente deduzível, o que acaba não trazendo um bom fechamento do filme. 

Mas, ainda assim, o filme é divertido e vale com certeza sua ida ao cinema, seja pelo gore, pelas cenas de ação, pela atuação da protagonista e, com certeza, pelo elenco.

Nomes como Patricia Arquette, Myha'la, Heather Graham e Tom Felton completam o elenco e entregam tudo e mais um pouco, com cenas incríveis e divertidas e atuações sensacionais.

Eles vão te matar estreia nesta quinta feira, dia 26, e com certeza é uma das melhores opções do final de semana.

NOTA: 7,5 / 10

[Review] Morro dos Ventos Uivantes de Emerald Fennel

 

Por Victoria Hope

Quando a notícia de que uma nova adaptação de "Morro dos Ventos Uivantes" pelas mãos de Emerald Fennel, fãs da obra estavam cautelosos, mas com esperança, pois a diretora já havia entregado obras como "Saltburn" e "Bela Vingança", ambos filmes aclamados pela crítica em anos anteriores. 

Mas infelizmente, o que a diretora entrega é uma adaptação belíssima visualmente, porém completamente esvaziada de propósito e de relevância social, muito diferente da obra atemporal de Emily Brontë.

Na trama, o público é introduzido a Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), dois jovens que se conhecem na infãncia, crescem juntos, se apaixonam, mas o amor deles, por pertencerem a diferentes classes sociais, está fadado à tragédia, já que aos olhos da sociedade, eles nunca poderão ficar juntos. 

Ainda na infância, Heathcliff é "capturado" pelo pai de Catherine e tratado como brinquedo humano, nunca entendendo a origem da crueldade de todos a seu redor. Os anos passam, Catherine cresce cada vez mais mimada e Heathcliff cada vez mais bruto e eventualmente, seus caminhos se separam quando uma nova família bem abastada, comandada por Edgar Linton (Shazad Latif), chega e monta um rancho ao lado de Wuthering Heights. 

Morro dos Ventos Uivantes / Foto: Warner Bros

Enquanto livro, Morro dos Ventos Uivantes é uma obra muito à frente de seu tempo, que critica o sistema patriarcal, as leis de classe, o preconceito racial e a xenofobia, além de sempre carregar uma visão anti autoritária e anti supremacista.

Mas quando esses elementos cruciais são retirados, a obra se torna algo totalmente diferente e é isso o que acontece no novo longa de Fennel. Mesmo que a origem da historia seja ignorada pela adaptação, ainda assim o filme falha em encantar por conta do ritmo  demasiadamente lento.

É um longa que tenta parecer dramático e intenso a todo o momento, mas que na realidade mal consegue segurar a profundidade emocional que a própria adaptação pede. As atuações do elenco, principalmente de Margot Robbie e Jacob Elordi deixam muito a desejar, deixando nas mãos de Hong Chau, no papel de Nelly, o peso maior de carregar a narrativa. 

Apesar de ser um banquete aos olhos, isso não é suficiente para tornar essa adaptação um clássico, o que é uma pena e apenas mostra a superficialidade da visão de mundo da diretora, que prefere se auto-inserir em suas histórias, ao invés de tocar em assuntos realmente culturalmente relevantes. 

NOTA: 7/10

[Review] O Som da Morte

 

Por Victoria Hope

Há quem diga que o básico bem feito vale muito, porém, "O Som da Morte" (Whistle),  novo longa de Coring Hardy ("A Freira") em parceria com os roteiristas de Longlegs, mesmo que com uma trama bem criativa, deixa muito a desejar por conta de um roteiro frágil e repleto de furos.

A premissa de "O Som da Morte" já foi repetida inúmeras vezes no gênero, com a mesma trama de estudantes desajustados que encontram um objeto misterioso e ao invés de ignorarem tal objeto, passam a usá-lo sem saber que estão assinando suas próprias sentenças ao mesmo tempo.  

Alguns dos personagens são bem carismáticos, mas o roteiro novamente se torna o inimigo quando tenta desenvolver esses mesmos personagens. As novas idéias que a trama apresenta, desde a história do apito que é capaz de "chamar a morte" de seus usuários até mesmo o protagonismo queer são muito bem-vindos, mas o desenvolvimento da história deixa um pouco a desejar.

Dafne Keen (Logan) interpreta a protagonista Chrysanthemum “Chrys” Willet, uma jovem atormentada e traumatizada pela perda do pai, além de ter também acabado de sair da reabilitação por conta de uma overdose. Ela luta para se encaixar na nova escola ao lado de seu primo, o carismático nerd Rel (Sky Yang), que funciona muito bem como alívio cômico vez ou outra e também protagoniza uma cena digna de "O Corvo", claramente outra inspiração do diretor, que curiosamente estava por trás da adaptação nova do personagem que infelizmente foi cancelada.


O Som da Morte / Foto: Paris Filmes

Na trama o público também é apresentado à Ellie Gains (Sophie Nélisse), que além de enfermeira, também se torna interesse amoroso da protagonista e isso tudo acontece muito rapidamente, sem que o casal tenha tempo suficiente de se conhecer melhor, o que causa um certo estranhamento, pois as personagens mal se conhecem e no dia seguinte já estão dispostas a se sacrificar uma pela outra.

Todo o elenco entrega o que roteiro pede, sem acrescentar grandes momentos, mas apesar dos pontos fracos e a falta de cenas verdadeiramente assustadoras, o longa entrega algumas cenas de morte mais incríveism que parecem ter saído diretamente da saga de "Premonição" e é nesses momentos onde o filme realmente brilha.

Há problemas também no CGI e nos efeitos especiais, que vez ou outra se assemelham à "Mutantes: Caminhos do Coração", fora a maquiagem exagerada de alguns personagens, que fazem parecer que idosos com acima de oitenta anos pareçam criaturas de outro mundo e não apenas idosos. O lado positivo do filme continua sendo a trama muito criativa, que sai fora da curva costumeira de terror, já que aqui, os personagens tem a oportunidade de ver como será o fim de suas vidas e ainda descobrem uma forma de reverter isso. 

Apesar dos altos e baixos, o saldo final do filme é positivo e vale lembrar também que existe uma cena pós-créditos bem interessante, que amarra muito bem a história e dá margem para possíveis sequências no futuro. 

NOTA: 7.5/10

Sundance 2026 | Without Kelly | Short Film

 

Por Victoria Hope

E começa mais um ano do Festival Sundance, com diversos curtas completamente únicos, incluindo "Without Kelly", dirigido e escrito por Lovisa Sirén, Na trama, obrigada a deixar sua filha recém-nascida com o pai da criança, a jovem mãe Esther se vê tomada pelo desespero e pela saudade. Durante a noite, ela busca contato físico e conforto, procurando maneiras de se agarrar a quem mais ama.

O curta começa com Esther, uma mãe de olhar distante, parecendo um tanto quanto perdida por estar sozinha, até o momento em que ela se desespera e começa a buscar por sua filha, Kelly. Logo o público já entende que se trata de uma mãe jovem, talvez até jovem demais. 

Logo somos introduzidos ao pai da criança, Anton, que parece ser tão jovem quanto Esther e logo percebemos que a mãe tem grande dificuldade em estar longe da filha. Nitidamente esse é um casal que não está mais em um relacionamento amoroso, porém ainda compartilham a guarda da criança, mas essa divisão realmente parece ainda mais pesada na concepção da mãe.

A todo custo, Esther tenta ganhar atenção do ex-namorado, mas claramente ele ainda a vê como alguém que não tem maturidade ou responsabilidade suficiente. Enquanto público, não sabemos porque a relação terminou ou se é que houve antes um relacionamento anterior até a concepção da filha, mas nitidamente, algo marcou aqueles pais para sempre. 

Enquanto a protagonista sai por aí sem rumo, buscando por amores em estranhos, ela para para refletir o que é sua vida sem Kelly, ou na verdade, sobre o peso que é ser uma mãe agora, enquanto todo o universo dela gira em torno da filha.

O curta é carregado por performances simples, mas completamente cativantes de Medea Strid e Truls Carlberg, com a temática da solidão e da necessidade de conexão que personagens como Esther sentem após a maternidade enquanto ainda são tão jovens, tão voláteis e ainda assim, tão complexos. 

NOTA: 8/10

[Review] Extermínio, Templo de Ossos

 

Por Victoria Hope

Expandindo o mundo criado por Danny Boyle e Alex Garland em “28 Anos Depois”, mas numa perspetiva totalmente oposta, Nia DaCosta (Candyman) realiza “28 Anos Depois: O Templo dos Ossos”. Numa continuação da história épica, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) vê-se numa nova e chocante relação, com consequências que podem mudar o mundo tal como o conhecem, e o encontro de Spike (Alfie Williams) com Jimmy Crystal (Jack O Connell) torna-se num pesadelo do qual não consegue escapar. No mundo de “O Templo dos Ossos”, os infetados já não são a maior ameaça à sobrevivência, a desumanidade dos sobreviventes pode ser mais estranha e mais aterradora.

O clima de 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos já começa turbulento com a reintrodução da gangue do Jimmy Crystal e o conflito com Spike, que agora fará de tudo para sobreviver, nem que para isso tenha que entrar para o grupo infame.

Sendo o quarto filme da franquia, as expectativas já estavam nas alturas, principalmente porque cada diretor trouxe suas visões e técnicas diferentes para a obra. Enquanto Garland, que ainda assina o roteiro, foca no aspecto mais relacionado entre a relação homem x natureza, Nia DaCosta vai para um caminho completamente oposto, passando a estudar à fundo os aspectos psicológicos dos humanos e até mesmo dos infectados, entregando um dos melhores filmes da franquia até então. 


Extermínio: Templo de Ossos / Foto: Sony Pictures

Um dos grandes destaques do filme é Jack O'Connel no papel do tirano Jimmy Crystal, que aqui consegue a proeza de ser ainda mais assustador que os infectados devido à sua crueldade. Diferente de Spike, que cresceu em um ambiente hostil, mas ainda assim se manteve uma boa pessoa, Crystal é o completo oposto, distorcendo a realidade ao bel prazer e se divertindo com a dor dos outros humanos junto com sua família de Jimmies ao melhor estilo "Laranja Mecânica".

Mas quem realmente eleva o longa é Ralph Fiennes, entregando mais uma performance geracional com o Doutor Ian Kelson, que aqui consegue ser mais hilário que nunca, proporcionando momentos hora contemplativos hora para lá de engraçados, principalmente em interações com o brilhante Chi Lewis-Parry, que interpreta o alfa Sansão

Apesar do humor, Extermínio: Templo de Ossos, consegue ser um dos longas mais brutais da saga, com cenas de arrepiar e requintes de crueldade, principalmente proporcionadas pelas mãos dos humanos, o que torna a experiência ainda mais atteradora, afinal, é esperado que eles sejam mais humanos que os infectados e é nesse momento que o filme apresenta uma de suas maiores reviravoltas. 


Extermínio: Templo de Ossos / Foto: Sony Pictures

É incrível como o quarto filme da saga consegue subverter a ideia dos infectados e trazer uma nova perspectiva, lembrando que esses seres, já foram humanos alguma vez e essa é a grande batalha que Doutor Kelson está disposto a lutar, se for possível trazer nem que seja um pouquinho da humanidade de infectados como Sansão.

A trilha sonora é um show a parte, com músicas que trilham entre a melancolia de Radiohead, em uma cena que vai marcar a franquia para sempre, com o também o rock pesado de Iron Maden ao clima suave de Duran Duran e apesar do ritmo mais lento e contemplativo em alguns momentos, é a trilha quem sustenta as cenas mais emocionantes. 

Já a direção de Nia DaCosta é um grande destaque. A diretora, conhecida pela excelente sequência de Candyman, apresenta aqui o equilíbrio  perfeito entre a adesão de escolhas narrativas e estilísticas dos filmes anteriores, ao mesmo tempo em que respeita e imprime seu próprio coração nele, focando em olhares, detalhes pequenos, respirações, longas pausas, tudo para humanizar ainda mais aquela obra, que nos filmes anteriores, apresentou mais foco no aspecto "monstruoso" da infecção. Essa nova visão é muito bem-vinda e reforça ainda mais a importância de mais diretoras negras no horror mainstream. 

NOTA: 9/10

[Review] Hamnet de Chloé Zhao é um retrato poético sobre o luto coletivo

 

Por Victoria Hope

Há quem diga que o luto é algo para ser sentido de forma distinta por cada indivíduo, mas em "Hamnet", novo filme da vencedora do Oscar Chloé Zhao estrelado por Jessie Buckley e Paul Mescal, chega para ressignificar essa dor através da adaptação de um dos clássicos de Shakespeare.

A adaptação da obra de Maggie O’Farrell, que inspirou o filme, conta a história de William Shakespeare (Mescal) e a sua esposa, Agnes (Buckley), celebram o nascimento do seu filho, Hamnet, no entanto, quando a tragédia atinge e Hamnet morre ainda jovem, isso inspira Shakespeare a escrever a sua obra-prima intemporal, Hamlet.

Em um filme carregado por performances brilhantes, especialmente de Jessie Buckley, que com certeza será considerada para a próxima temporada de premiações, acompanhamos a dor de uma mulher apaixonada por um homem que muito se preocupa com seus sonhos e ideiais e pouco passa tempo com sua família.

No seu âmago, Agnes entende a importância do que William está fazendo e entende que aquele ar do campo e toda a violência que seu esposo passava pelas mãos de seu próprio pai, estavam o adoecendo aos poucos. Mesmo com as crianças nascendo uma seguida da outra, seu marido continuava diststante, então ela sabe que não pode fazer nada a não ser deixá-lo ir.


Hamnet / Foto: Focus Features

Apesar do ritmo mais lento do filme, em nenhum momento se sentem as duas horas e cinco minutos de duração, muito pelo contrário, é uma história que parece se desenvolver até rapidamente demais, com a passagem do tempo sendo mostrada de forma dinâmica, mas sempre indo de acordo com o ritmo dos próprios personagens.

Existe um momento em "Hamnet" onde todos nós tanto expectadores quanto o público que rodeia os palcos de Shakespeare podem sentir a dor de Agnes; sentir o luto dela de perto e é nesse momento que as lágrimas escorrem sem parar porque aquilo é cinema! Não apenas a palavra cinema, mas aquele sentimento de quando se está em uma sala lotada de pessoas, todas respirando em uníssimo, passando pelo mesmo luto que aquela mãe ao ver a peça de Hamlet ganhar vida.

Aquele sentimento de que todas nossas vidas estão interconectadas mesmo que por apenas algumas horinhas, junto com a sensação de que podemos esquecer um pouco de nossas próprias histórias para além da grande tela e viver aquele sentimento de compreensão; É como se todos nós estivéssimos tocando a mão do personagem naquele momento, embalados pela belíssima trilha de Max Ritcher. 

A forma como Shakespeare ressignifica a morte de seu filho na peça, nos relembra em como a arte também acalenta perante ao luto e quando lhes faltaram palavras para dizer, William prefiriu mostrar para a esposa de forma corporal e mais humana possível de que eles nunca estariam sozinhos, não enquanto a arte continuasse a celebrar a existência  e a dor da perda de Hamnet. 

NOTA: 9.5

[Review] O Telefone Preto 2 evoca espírito vingativo e se consagra como um dos melhores filmes de terror do ano

 

Por Victoria Allen Hope

No primeiro instante, o anúncio de uma sequência de um filme de terror tão novo como "O Telefone Preto", pegou os fãs de terror de surpresa, afinal, filmes como esse levam anos para ganhar sequências-legado, mas "O Telefone Preto 2" conseguiu a proeza de ser ainda mais completo (e aterrorizante) do que o título anterior, se consangrando em um dos melhores filmes do gênero nesse ano.

Nessa sequência, o público é reintroduzido ao jovem Finney (Mason Thames) e sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) que agora são sobreviventes do vilão Grabber (Ethan Hawke) e ganharam certa fama na cidade, porém, parece que a sorte não está mais ao seu lado quando a irmã caçula começa a ter visões novamente, dessa vez com novas vítimas que nunca havia visto antes.

A extensão desse universo é muito bem-vinda, introduzindo o público a novos personagens muito bem desenvidos e apresentando um terror atmosférico ainda mais palpável, com direito a cenas gore pesadíssimas relacionadas às vítimas, trazendo tons do sadismo do vilão interpretado de forma brilhante por Hawke, aqui cedento por vingança e pelo desejo de machucar todos às volta de Finney, bem ao estilo Freddy Krueger clássico. 

Um dos destaques do filme com certeza fica nas mãos da Gwen, que na sequência se torna a protagonista na luta contra o espírito vingativo de Grabber. É ela quem se destaca ao rebuscar o passado através de seus sonhos para tentar descobrir como parar o vilão de ir atrás de mais novas possíveis vítimas.


O Telefone Preto 2 / Foto: Universal Pictures

Enquanto o primeiro título pode ser considerado um terror 'elevado', pelos fãs, aqui no segundo, o roteiro tem uma reviravolta completa, tranformando o filme em um terror tradicional slasher daqueles que marcaram história, com direito à jumpscares, cenas de perseguições sangrentas e combates de tirar o fôlego.

Aqui, o diretor Derrickson, continua a acertar não apenas no ar dos anos 70, com todos os cenários, figurinos e até mesmo trilha completamente adequados para a época, como também na escolha das filmagens, trocando de lentes o tempo todom fazendo com que alguns momentos pareçam ter sido filmados diretamente com uma filmadora VHS. 

Nesse novo cenário, com o vilão se encontrando morto, o maior desafio do diretor foi transformar aquela figura muito real e de carne e osso em algo verdadeiramente capaz de causar danos e machucar suas vítimas mesmo sendo um fantasma agora e é por isso que as referências ao clássico "A Hora do Pesadelo" são tão importantes aqui. 

Muitos detalhes sobre o passado da família de Finney acabam se entrelaçando com a trama principal, trazendo uma perspecitiva completamente nova sobre a personagem da mãe das crianças, trazendo respostas à muitas dúvidas que surgiram no primjeiro filme. Essa é uma daquelas sequências raras de terror que realmente eleva o status do primeiro longa, trazendlo um grande potencial para que o legado de Grabber continue. 

NOTA: 9/10

[Review] GOAT, novo terror estrelado por Tyriq Withers e Marlon Wayans

 

Por Victoria Hope

Goat (Him) é um dos filmes de terror mais antecipados do ano, principalmente pela volta da trama de filmes de terror relacionados à esportes, como "Cisne Negro", mas as semelhanças da história, que mostra o sofrimento e todo sacrifício feito por atletas de alto nível, terminam por aí em todos os sentidos, 

A trama gira em torno de Cam (Tyriq Withers), um brilhante jogador de futebol americano que ganha à chance de treinar com seu maior ídolo do esporte, Isaiah White (Marlon Wayans) antes de participar da tradicional peneira de seu time favorito, mas o que parecia ser um sonho, logo se torna um pesadelo a partir do momento em que o jovem percebe que o veterano esconde segredos que sua mente jamais poderia imaginar.

Toda a premissa do longa tinha tudo para dar certo, principalmente em tempos onde a saúde mental masculina e a masculinidade tóxica refletida no mundo dos esportes se torna o principal tema abordado,  porém o roteiro deixa muito a desejar. A direção de Justin Tipping, com apoio do produtor Jordan Peele, é belíssima visualmente falansdo, mas o roteiro talvez seja um dos maiores inimigos dessa história.


Marlon Wayans / Foto: Universal Pictures

Mas apesar do desenvolvimento, o filme ainda pode ser considerado um terror elevado, principalmente por conta das atuações excelentes de Marlon Wayans, que aqui entrega um trabalho tão rico quanto um de seus melhores papéis da carreira em "Requiem para Um Sonho" e pelo trabalho excepcional do novato Tyriq Withers, que entregou uma bela atuação na série "Atlanta" e aqui faz o melhor que pode com o texto e o material que lhe entregaram.

Visualmente, Goat é um dos filmes mais belos do ano, com cenas belíssimas e cortes que lembram de clipes musicais muito bem trabalhados, porém, vale lembrar que esse não é um videoclipe e sim um filme, logo, o roteiro deveria ser tão rico e bem trsbalhado quanto as imagens apresentadas.

Todos os simbolismos do longa, desde a representação do demônio Mammon, que faz referência à ganância e ao dinheiro à participação de personagens que representam os fãs os "stans" inabaláveis, são completamente superficiais e não são exploradas de forma aprofundada, fazendo com que o mistério de toda a história seja resolvido em questão de minutos por olhos mais atentos. 

Muitos temas poderiam ter sido explorados aqui, desde o colorismo que é nítido no universo esportivo à tematicas como à exploração da frágil estrutura do patriarcado, que corrompe e destrói os sonhos e a vida de jovens como Cam, mas tudo isso sequer é mostrado em segundo plano, pois tudo é tão raso quanto um pires de uma xícara chique; não qualquer pires simples, mas sim um pires intrincado, com belíssimas pinturas e uma borda dourada, mas que é tão frágil que qualquer contato com uma superficie mais rígida, destrói sua estrutura em dezenas de pedacinhos.

NOTA: 6.5/10