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Sundance 2023 | Rashad Frett inspira com o curta forte e comovente 'Ricky'

 


Por Victoria Hope

Ricky é o emocionante curta metragem live action de Rashad Frett que teve sua estreia nessa semana durante o festival Sundance, que acontece até o dia 29 de janeiro presencialmente em Utah e simultaneamente online. 

O drama conta a história de um ex-detento que após entrar em liberdade, tenta retomar a sua vida aos poucos enquanto busca por um emprego e conexão com o mundo exterior, agora já praticamente desconhecido para o homem que esteve tanto tempo longe de tudo e todos.

Esse é um curta crucial para mostrar a importância de segundas chances, mas também para mostrar que as vezes a vida entra no caminho e as consequências podem ser dolorosas. Com elegência, Rashad Frett trouxe esse curta que definitivamente merece ganhar um longa metragem para expandir a história tão importante desse personagem. 

Durante esse fim de semana, nossa equipe teve a oportunidade de entrevistar o diretor e mergulhar a fundo por dentro da produção e criação de Ricky, bem como pudemos conhecer um pouco mais sobre a mente brilhante que trouxe essa pequena joia rara ao festival. 


Ricky/ Foto: Sundance

Amélie Magazine: Em primeiro lugar, parabéns pelo curta instigante e poderoso sobre algo que afeta a muitos, que é essencialmente ter uma segunda chance. O que te inspirou a contar essa história?

Rashad: A inspiração para este filme veio de conversas com um amigo de infância depois que ele foi libertado de uma longa pena de prisão. Devido à sua ficha criminal, era difícil encontrar trabalho e ele lutava para ficar do lado de fora depois de tantos anos de encarceramento. Ele, junto com alguns de meus colegas que estavam no sistema de justiça criminal e testemunhando suas lutas após a libertação, influenciou o protagonista do meu filme.

Amélie Magazine: Quais foram os maiores desafios de filmagens para 'Ricky'? 

Rashad: O maior desafio foi um grande defeito no guarda-roupa na noite anterior à filmagem principal e uma tempestade de granizo que interrompeu as atividades do nosso set temporariamente.

Amélie Magazine: Como diretor, você poderia nos falar sobre 3 filmes que mudaram sua vida e o inspiraram a dirigir seu próprio projeto?

Rashad: Três filmes que mudaram minha vida foram “Faça a Coisa Certa” de Spike Lee, pois ver um diretor negro que dirigiu uma obra-prima destemida acendeu uma faísca em mim há muitos anos. Ver “O Profissional” de Luc Besson nos cinemas quando jovem me empolgou para saber mais sobre os meandros do cinema e, finalmente, “Onde Fracos Não Tem Vez” que foi crucial, pois é um clássico instantâneo dos irmãos Coen que me levou incentivou a ter uma carreira no cinema para toda a vida.

Amélie Magazine: E como foi o processo de escalação do elenco de 'Ricky'?

Rashad: O processo de casting foi intenso e levei mais de 6 meses para encontrar o elenco certo. Para o papel de Ricky, demorou ainda mais, já que seu papel era tão complexo. Passamos por muitas auto audições, mas finalmente vendo a performance de Parish Bradley, vi algo único que queria explorar um pouco mais. Fizemos três audições com Parish e depois uma leitura química com Maliq Johnson, que interpretou seu irmão, James. A partir de sua conexão instantânea na tela, foi tomada a decisão de escalar Parish como Ricky.

Amélie Magazine: Como diretor, qual seria o seu projeto dos sonhos?

Rashad: Meu sonho é dirigir um filme autobiográfico sobre uma figura influente em nossa comunidade. Além disso, um ótimo filme da Marvel também serve.

Amélie Magazine: Se você pudesse deixar uma mensagem para jovens negros aspirantes a diretores que também sonham em fazer seus próprios filmes e lançá-los em festivais como o Sundance, qual seria?

Rashad: A grande sacada é nunca desistir e, desde que você continue se esforçando, você chegará lá! Acredite em si mesmo, continue criando e aprenda com seus erros porque você só vai melhorar com o tempo.

Sundance 2023 | Short Film | Ricky

 

Por Victoria Hope

No curta Ricky, um ex-presidiário lutando por uma nova liberdade, busca a redenção a todo custo quando recebe um emprego de seu vizinho. Na trama, acompanhamos esse personagem lutar para conseguir a ter sua vida de volta, mas ainda assim, o tempo todo, é possível notar o estado de alerta constante em que o protagonista se encontra e que provavelmente irá manter ao longo da vida.

Em tempos onde o encarceramento de homens negros segue constante, principalmente nos Estados Unidos, o curta busca trazer essa reflexão: Como retomar as rédeas da vida após passar por isso e a trama ainda vai além, pois joga um espelho para a sociedade e examina como ela trata ex encarcerados, como se de alguma forma, negassem a essas pessoas uma segunda chance.

Todos sabemos que Ricky não é mais a mesma pessoa que entrou naquela prisão no passado, pois o sistema deixa marcas que dificilmente o rapaz irá superar. A melancolia no olhar do ator que interpreta o protagonista é um dos detalhes que tornam essa trama ainda mais especial e inesquecível. 


Ricky / Foto: Sundance

Rashad Frett triunfa ao trazer com sensibilidade, elegância e ao mesmo tempo intensidade essa história emocionante, onde o público entende mais ou menos onde é que essa história vai acabar. Assim como o protagonista, o público é posto em uma posição vulnerável, como se o perigo estivesse à espreita, só esperando para que ele 'saísse da linha', a fim de prendê-lo mais numa vez, destruindo seus sonhos e aspirações.

Ricky é essencialmente um filme sobre recomeços, mas na sociedade, quem é que tem a chance de recomeçar? Será que ele poderá retomar sua vida? De certa forma, o curta mostra o quão difícil é se sentir verdadeiramente livre, mesmo quando o personagem está literalmente fora da prisão. 

O final é de uma intensidade impar e é impossível não sentir o coração acelerar com toda adrenalina dos últimos minutos, onde resta ao protagonista fazer uma escolha que mudará sua vida para sempre, mais uma vez. Afinal, será que ele deve manter sua paz, ou será que ele deve fazer a coisa certa e confessar seus erros? Esse é o questionamento final do curta que vai te tirar o fôlego. 

Nota: 9.5/10