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Bugonia | Novo filme de Yorgos Lanthimos, integra programação da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

 

Por Victoria Hope

“Bugonia” (Bugonia), do diretor grego Yorgos Lanthimos, com distribuição da Universal Pictures, terá exibição inédita no país na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A obra será apresentada na coletiva de imprensa do festival, dia 4 de outubro. Informações sobre a sessão exclusiva para jornalistas serão divulgadas em breve. A estreia oficial do longa nos cinemas brasileiros acontece em 30 de outubro. 

“Bugonia”, que estreou mundialmente na competição do Festival de Veneza acompanha dois jovens obcecados por teorias da conspiração que sequestram a poderosa CEO de uma grande empresa, convencidos de que ela é uma alienígena prestes a destruir o planeta Terra. No elenco estão Emma Stone, Jesse Plemons, Aidan Delbis, Stavros Halkias e Alicia Silverstone. 

Outros trabalhos de Lanthimos já foram exibidos na Mostra: Dente Canino (2009, 33ª edição), Alpes (2011, 36ª edição), A Favorita (2018, filme de abertura da 42ª edição) e Nimic (2019, 43ª edição). Ao longo da carreira, o realizador, que também dirigiu O Lagosta (2015), Pobres Criaturas (2023) e Tipos de Gentileza (2024), já recebeu prêmios em diversos festivais de cinema, como Cannes e Veneza. 

A 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontece na capital paulista de 16 a 30 de outubro de 2025. “Bugonia” tem distribuição da Universal Pictures e estará disponível nos cinemas a partir de 30 de outubro também em versões acessíveis. 

Coração de Lutador - The Smashing Machine | Dwayne Johnson se transforma em lenda do MMA em novo trailer

 

Por Victoria Hope

A Diamond Films acaba de revelar um trailer inédito de Coração de Lutador - The Smashing Machine, aguardado longa estrelado por Dwayne “The Rock” Johnson (“Adão Negro”) e Emily Blunt (“Oppenheimer”) que chega aos cinemas de todo o país em 2 de outubro. Com direção de Benny Safdie (“Joias Brutas”, “Bom Comportamento”), cujo trabalho levou o Leão de Prata na última edição do Festival de Veneza, o longa narra a história da lenda do MMA Mark Kerr, cuja carreira promissora foi atravessada por dilemas pessoais intensos. 

Ícone do esporte especialmente nos anos 1990 e 2000, quando ganhou o apelido “The Smashing Machine”, Kerr é parte integral do filme, assinando o roteiro ao lado de Safdie. Juntos, eles mergulham na dualidade do atleta, que publicamente coleciona vitórias e prêmios, mas no íntimo lida com dilemas intensos.  

Deste modo, Coração de Lutador - The Smashing Machine é uma verdadeira jornada física e emocional de um homem, que está conquistando público e críticos pelos festivais pelos quais passa. A performance de Johnson, inclusive, é apontada como uma forte candidata para o Oscar 2026. 

Além do astro, o elenco do filme conta com lutadores profissionais, como o brasileiro Roberto Cyborg Abreu, Ryan Bader e Igor Vovchanchyn, interpretando adversários que Kerr encarou entre 1997 e o início dos anos 2000.  Confira o trailer abaixo:


Festival Cinemark Replay | High School Musical 3 e Hannah Montana - O Filme, serão reexibidos com exclusividade por R$ 15

 Por Victoria Hope

Prepare a sua melhor pose com bem dobrados, pois esses clássicos dos anos 2000 voltam ao cinemas nesse mês! A Cinemark acaba de anunciar uma novidade muito especial para os fãs de dois longas que marcaram gerações! Pela primeira vez, a Rede promoverá o Festival Cinemark Replay com a reexibição exclusiva de ‘High School Musical 3’, a partir de 18/09, e ‘Hannah Montana - O Filme’, a partir de 25/09, com ingressos a R$ 15. A iniciativa faz parte do selo “Cinemark Replay”, que relança grandes sucessos do cinema queridos pelo público. A pré-venda de ingressos começa em 11/09, no site e app da Rede.

E as vantagens ainda não acabaram. Durante o Festival Cinemark Replay, as unidades selecionadas da grande São Paulo que fazem parte do Descontão Cinemark vão oferecer os filmes com o preço do ingresso a R$ 12, em sessões de segunda a quarta-feira. Consulte o regulamento completo no site.

O Festival Cinemark Replay é a oportunidade perfeita para revisitar o ano de formatura de Troy Bolton (Zac Efron) e Gabriella Montez (Vanessa Hudgens) e a viagem inesquecível de Miley Stewart (Miley Cyrus) à sua cidade natal no interior dos Estados Unidos. Toda a experiência é ainda mais imersiva nas salas da Cinemark, que oferecem todo o conforto e tecnologia para seu público. 


High School Musical 3: Ano da Formatura (LEG)

Em meio a preparativos para um campeonato de basquete, baile e formatura, os namorados Troy Bolton e Gabriella Montez curtem cada momento, sabendo que a faculdade coloca o futuro de seu relacionamento em jogo. Um elaborado musical de primavera é apenas mais uma oportunidade para os dois Wildcats e seus colegas expressarem os medos e as esperanças para o futuro.

Hannah Montana - O Filme (LEG)

Como muitos adolescentes, Miley Stewart tem sua família, seus amigos e frequenta a escola. Mas há uma pequena diferença: ela é a estrela do pop Hannah Montana. À medida que a popularidade de Hannah cresce e passa a ameaçar a vida da garota, Miley, encorajada pelo pai, vai à sua cidade natal, no Tennessee, para ter contato com a realidade. Lá, a jovem embarca em uma aventura emocionante.

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Serviço:

Festival Cinemark Replay

Quando: A partir de 18/09 (High School Musical 3) e a partir de 25/09 (Hannah Montana - O Filme). Pré-venda de ingressos em 11/09.

Onde: Consulte todas unidades no site e app da Cinemark ao início da pré-venda

Valor: R$ 15; R$ 12 nas unidades participantes da promoção Descontão Cinemark. Consulte o regulamento da Rede no site para mais informações.

Bom Menino | Paris Filmes divulga cartaz de terror estrelado por um cachorro

 

Por Victoria Hope

A Paris Filmes divulgou o cartaz nacional de “Bom Menino” (Good Boy). O filme, que será lançado no dia 30 de outubro em cinemas de todo o Brasil, é uma história de terror contada pelo ponto de vista de um cachorro. 

Na trama, um cão fiel se muda com Todd, seu tutor, para uma casa de campo. Lá, ele descobre forças sobrenaturais escondidas nas sombras. Quando as entidades sombrias ameaçam seu dono, o corajoso cão deve lutar para protegê-lo.

O longa teve sua estreia no festival SXSW desse ano e foi aclamado pela crítica internacional, que compara o longa com uma animação clássica onde um cachorrinho tenta proteger seus donos de presenças sobrenaturais que tentam invadir sua fazenda.  

“Bom Menino” é o primeiro longa-metragem dirigido por Ben Leonberg. Shane Jensen interpreta Todd e o cão Indy faz o protagonista do filme. Confira o pôster oficial abaixo:



Confira as produções de destaque em Setembro no Film&Arts

 

Por Victoria Hope

O Film&Arts preparou uma programação imperdível para este mês de setembro. A coletânea inclui finais de temporada das séries mais queridinhas do canal, concertos diferenciados e nova sessão de filmes exclusivas na programação das sextas-feiras. 

Confira os principais destaques abaixo: 

SÉRIES 

  • VERA - PELA PRIMEIRA VEZ: Segundas-feiras de agosto; com episódios duplos, às 20:15 e 22:00h 

O Film&Arts transmitirá, pela primeira vez, todas as temporadas da série policial Vera. A maratona culmina com a estreia para a América Latina das últimas três temporadas (11, 12 e 13), preparando o terreno para o aguardado desfecho na 14ª temporada. No total, são 56 episódios, com 90 minutos, cada um, prometendo manter o telespectador grudado no sofá.  

A trama segue a perspicaz detetive-chefe Vera Stanhope, interpretada pela indicada ao Oscar® Brenda Blethyn. Ao lado de sua equipe, ela se aprofunda a desvendar os mais complexos crimes que afligem a região de Northumberland. 

Ao longo de cada temporada, Vera enfrenta uma série de casos complexos e sombrios, que incluem assassinatos, desaparecimentos e segredos ocultos em pequenas comunidades, enquanto luta contra seus próprios demônios pessoais e enfrenta os desafios de um trabalho que a consome. 

FILMES 

  • SEXTA-FEIRA DE SUNDANCE: É Sundance TV no Film&arts 

Film&Arts apresentará uma nova sessão exclusiva em sua grade de programação: “SEXTA-FEIRA DE SUNDANCE” será um espaço dedicado ao cinema independente de todo o mundo e de todas as épocas.  

Com o selo SUNDANCE TV, o canal Film&Arts exibirá às sextas-feiras, 22h, filmes que se destacam por sua originalidade. A seleção exibirá obras com narrativas inovadoras, histórias valiosas que fogem do circuito comercial dos grandes estúdios e a visão provocadora de diretores, mesmo com orçamentos limitados. 

  • Minha Zoe, Minha Vida:  Sexta-feira 26 de setembro às 22:00 h 

Isabelle (Julie Delpy) é uma geneticista que está se recuperando do término de um relacionamento problemático. Ela também é responsável por cuidar da filha de sete anos, Zoe (Sophia Ally), em conjunto com o ex-marido, James (Richard Armitage). Após uma tragédia atingir a família, Isabelle fará de tudo para proteger Zoe, pois a filha significa tudo para ela. 

A produção, de origem alemã, foi lançada em 2019, com direção e atuação de Julie Delpy. 

  • ICONES DO CINEMA:  Quinta-feira 25 de setembro às 20:00h  

Já às quintas-feiras, o Film&Arts exibe com exclusividade para a América Latina um novo documentário da série dedicada aos ícones do cinema mundial. Nomes como John Wayne, Mickey Rourke, Isabella Rossellini, Nicolas Cage, Shirley MacLaine, James Dean, Bruce Lee, Quentin Tarantino e Tom Hanks ganharam episódios exclusivos. 

Todos esses documentários foram produzidos de forma independente pela televisão francesa, demandando anos de pesquisa. 

  • MICKEY ROURKE- ASSIM COMO UM HOMEM: 

A história da ascensão e queda de um ator problemático e frágil que, eventualmente, receberia reconhecimento por seu talento. O caso de Mickey Rourke marca um verdadeiro ponto de inflexão na forma como os homens se representaram no cinema americano. Como foi que Mickey Rourke, um ator querido nos anos 80 — que interpretou o garoto da motocicleta em Rumble Fish, o policial justiceiro em Year of the Dragon e o investigador amaldiçoado em Angel Heart — se tornou tão rapidamente a personificação do persona non grata, um bad boy triste acostumado aos tablóides, um boxeador fracassado e uma ilustração viva dos excessos da cirurgia plástica? 

Este filme oferece, além da clássica história de queda e possível redenção, um retrato complexo de um símbolo sexual caído que se tornou um ícone do trash pela força da representação do sistema hollywoodiano. 

  • OPERAÇÃO NAPOLEÃO: Domingo 28 de setembro às 22:00h 

"Operation Napoleon" é um thriller de suspense islandês, baseado no best-seller de Arnaldur Indriðason. Com produção de 2023 e dirigido por Thor Axelsson, o filme acompanha Kristín, uma advogada ambiciosa que se vê envolvida em uma inesperada conspiração internacional.  

Acusada de um homicídio que não cometeu, ela precisa desvendar o segredo de um avião da Segunda Guerra Mundial, cujos destroços foram encontrados acidentalmente pelo seu irmão na geleira Vatnajökull. 

CONCERTO 

  • A GALA DAS MOEDAS AMARELAS: Domingo 28 de setembro às 19:30h 

A Gala das Moedas Amarelas 2025 (Le Gala des Pièces Jaunes) é um evento beneficente que foi realizado este ano pela terceira vez na França, na Paris La Défense Arena. Com mais de duas horas de show, esta gala é um símbolo de esperança e compromisso, onde a música se transforma em uma ponte entre culturas e gerações.  

Com apresentações de estrelas internacionais e francesas, que se reuniram para uma noite memorável com artistas lendários do pop, K-pop e clássicos como Katy Perry, John Legend, Rosé, J-Hope, Pretty Yende, G-Dragon e Lang Lang. Com uma mensagem solidária no coração do evento, a edição de 2025 marca um novo marco na história deste encontro beneficente único. 

A Hora do Mal | James, a voz do invisível e a desmistificação de moradores de rua no cinema

Por Victoria Hope

Após um mês de estreia do terror aclamado de Zach Cregger, "A Hora do Mal" (Weapons), diversos personagens ainda estão na mente do público, seja por cenas marcantes ou por performances que definitivamente marcaram o gênero de terror contemporâneo e um desses personagens é James, interpretado de forma brilhante (e hilária) por Austin Abrams (Euphoria).

Como muitos personagens representados na mídia, James (Abrams) é uma pessoa em situação de rua e seu personagem, mesmo que secundário, causa impacto na história e na vida de todos os personagens envolvidos. No cinema, pessoas em situação de rua costumam ser apenas figurantes, que se não estão em segundo plano, estão ali apenas como 'cenário' para representar a 'possível decadência' da sociedade, então não é de causar espanto a quantidade de esteriótipos reforçados pela mídia, que pouco se importa com essa camada da população.

São muitos os motivos que levam pessoas a se tornarem pessoas em situação de rua, sejam fatores externos como perda de bens materiais, perda de familiares ou internos, como questões de saúde física e saúde mental, incluindo abusos físicos, depressão, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), e abuso de substâncias.


James / Foto: Warner Bros. Pictures

Na ficção o mesmo acontece quando o público é apresentado ao desespero que a pobreza pode causar na vida de um indivíduo ou de suas famílias. Em uma sociedade desigual, pessoas são forçadas a seguir caminhos que jamais pensariam; tudo em troca de uma vida com o mínimo de dignidade, mas por quê a sociedade, enquanto expectadora, se sensibiliza tanto com casos fictícios de pobreza, enquanto vira as costas para essas pessoas na vida real?

Em "A Hora do Mal", James é um jovem morador de rua com dependência de substâncias químicas e que é capaz de qualquer coisa em troca de dinheiro para sustentar seu vício. O público pouco sabe sobre esse personagem além de o fato de que ele tem um possível irmão, de que deve dinheiro para a própria mãe e que atualmente mora em uma barraca no meio da floresta.

Em nenhum momento Creggers tenta transformar esse personagem em um pôster de moralidade; muito pelo contrário, James poderia ser apenas mais um conto moral de toda a tragédia que permeia as vidas de pessoas em situação de rua, mas aqui, o personagem é o alívio cômico puramente por ser uma pessoa engraçada e é aí que está o grande trunfo do diretor, pois o fato de James estar nessa situação, não é a piada em si; o humor vem justamente das falas do personagem, que "apesar de ser morador de rua", é extremamente educado e polido com as outras pessoas, ao mesmo tempo em que tem várias referências de cultura pop na manga. 


James / Foto: Warner Bros. Pictures UK

James não é violento, aliás, é o oposto, pois ele acaba sendo vítima de todas as circustâncias possíveis e de inúmeras violências, sejam ela físicas ou sobrenaturais, que fogem totalmente de seu alcance. O público é confrontado com a tragédia do personagem em momentos pontuais, como por exemplo, quando percebe-se que ele é o único daquele bairro que precisa enfrentar a chuva, por não ter um teto sobre sua cabeça, enquanto todas as outras famílias moram em excelentes casas repletas de câmeras no subúrbio bem abastado.

A humanização de James é um dos pontos mais altos do filme, pois ele não é pintado como alguém bom ou mal; ele é pintado como um ser humano com necessidades básicas, possivelmente com sonhos, ambições e que querendo ou não, acaba sendo involuntariamente o salvador daquelas crianças; crianças essas que são alegoria para diversos temas e que inclusive, se justapõe com James, já que o personagem representa a realidade do que negligência, abandono e abuso podem causar a uma pessoa.

Não sabemos das circunstâncias que o levaram para as ruas, mas sabemos que as pessoas do bairro, incluindo Justine (Julia Garner), Paul (Alden Ehrenreich), Archer (Josh Brolin), Marcus (Benedict Wong) e todos os outros adultos da trama, pouco se importam com o bem estar desse morador de rua. É como se ele fosse invisível aos olhos de todos, apenas um 'incômodo'; alguém que está ali apenas para ser ignorado no turbilhão de coisas que estão acontecendo na vida de todos daquele bairro.


Justine / Foto: Warner Bros. Pictures UK

Existe algum privilégio para James? Quais são as histórias não contadas?

É impossível falar sobre a representação de pessoas em situação de rua nos cinemas, principalmente no gênero de terror, sem falar das questões de raça. Num recorte apontado durante a mesa redonda de 2021 intitulada "Media, Precarity and The Home" do portal Mediapolis, foi apontado que grande parte dos personagens em situação de rua nos cinemas, principalmente de Hollywood, são representados por atores brancos.

De início, a informação não parece dizer muito, porém revela que até mesmo no entretenimento, existe um apagamento ainda maior de raças não-brancas, principalmente em comparação com personagens como James, que talvez despertem mais empatia do público. 

O próprio esteriótipo de Hollywood do personagem "morador de rua malandro", tem suas origens em algo ainda mais antigo, segundo estudos de Michelle Granshaw apresentados no livro "Inventing the Tramp: The Early Comic on Variety Stage," Theatre History Studies (2019). As origens do ato do morador de rua 'carismático, mas preguiçoso' foram baseados nas peças de teatro de 1870 intituladas Vaudeville, onde os atores utilizavam blackface, ato da pessoa branca pintar a pele para rechaçar negros. Os mesmos atores também vez os outra estavam trajados de 'irlandeses esteriotipados'; lembrando que na época, os imigrantes irlandeses e a comunidade negra já possuiam ligação, como mostrado em filmes como "Pecadores",


Beggars of Life (1928) / Foto: Paramount Pictures)

No cinema clássico dos Estados Unidos, moradores de rua negros eram raramente representados e quando eram, como no caso do filme 'Beggars of Life' de William Wellman (1928), o personagem negro existia apenas como um suporte para o personagem branco, para ser seu 'salvador'. Apenas filmes como "À Procura da Felicidade", de Will Smith, são a exceção, onde o personagem negro morador de rua, é protagonista e visto com a mesma empatia que outras dezenas e milhares de personagens brancos em situação de rua ao longo dos anos.

O principal ponto aqui não é a necessidade de representar a comunidade negra como uma classe sem condições apropriadas de vida, mas sim apontar essa classe, que na vida real, é majoritariamente negra e ao mesmo tempo, segue invisível até mesmo na mídia, pois não são vistos como 'a vítima ideal', se comparados com James. 

No mundo real, só no Brasil, de acordo com o levantamento da Agência Brasil, 69% das pessoas em situação de rua que estão registradas no CadÚnico hoje são negras e quando a realidade é transferida para os Estados Unidos, o número também assusta, pois segundo relatório oficial do Governo Americano, em 2024, os negros representavam 32% das pessoas em situação de rua nos Estados Unidos, apesar de serem 12% da população geral do país.


James / Foto: Warner Bros. Pictures Brasil

A grande questão é que a não representação dessa camada na mídia, definitivamente causa um apagamento ainda maior da comunidade que se torna ainda mais invisível no entretenimento. A grande questão que fica no ar é: Será que o público teria tanta empatia por James caso ele não fosse um rapaz jovem, de pele branca, cabelos loiros e olhos claros? 

Com o recorte de raça deixado para segundo plano e voltando ao filme, James consegue um feito que há muito tempo não era visto nas telas, uma humanização completa desse personagem que se torna muito mais do que 'apenas parte da paisagem urbana'. É uma das raras vezes em que o cinema contemporâneo de horror, principalmente após a demonização de pessoas em situação de rua como em filmes de Ari Aster (Beau Tem Medo e Eddington), já que no longa de Creggers, o público é apresentado à um personagem em situação de rua com um olhar mais empático e humanizado.

A única pena é que o personagem não escapa de seu fim trágico, que é tão irônico e cruel quanto a vida real, afinal, involutariavelmente, quem o leva para sua ruína é o próprio policial, que outrora, também era seu inimigo. James infelizmente não escapa do fim trágico, mas será que existem finais felizes em "A Hora do Mal"? A resposta é não. Ninguém sai feliz dali e a conclusão traz um sentimento bem agridoce, mas esse é o verdadeiro significado de horror.