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Mostra de Cinema de SP 2026 | 50ª edição anuncia Primetime, com Robert Pattinson e novo filme de PTA

 

Por Victoria Hope

Primetime, filme de Lance Oppenheim exibido em competição no Festival de Veneza, e Cameron Winter at Carnegie Hall, novo longa-metragem do ganhador do Oscar Paul Thomas Anderson, entram na seleção da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Além das duas produções estadunidenses, o indiano Angh, de Theja Rio, que ganhou o prêmio da seção Plataforma no Festival de Toronto e por isso está apto a concorrer ao Oscar de filme internacional, e o documentário canadense The Sandbox, de Kenya-Jade Pinto, também vão ser exibidos na Mostra. 

Estrelado por Robert Pattinson, Primetime é baseado na história real do programa To Catch a Predator (“Como pegar um predador”, na tradução livre). Em 2006, o jornalista Chris Hansen se prepara para fazer história na televisão com To Catch a Predator, um programa polêmico que usa operações secretas e câmeras escondidas para expor, ao vivo, predadores sexuais pegos em flagrante. 

À medida que a atração se torna um fenômeno nacional e seu apresentador vira um ídolo do público, a linha que separa informação, justiça e espetáculo se torna cada vez mais tênue, e a mistura entre jornalismo, entretenimento e voyeurismo televisivo fica insustentável. O filme com produção da A24 e exibido na competição no Festival de Veneza estreia em breve no Brasil no Prime Video. 

Cameron Winter at Carnegie Hall / Foto: Hotpress

Já Cameron Winter at Carnegie Hall, primeiro longa de Paul Thomas Anderson depois de Uma Batalha Após a Outra (2025), vencedor de seis Oscars, incluindo filme e direção, é uma colaboração do cineasta com Benny Safdie em uma gravação multi formato. Em dezembro de 2025, após uma turnê de meses com ingressos esgotados ao lado de sua banda, Geese, Cameron Winter voltou a Nova York para uma única apresentação no Carnegie Hall. Este é o filme.

Angh, de Theja Rio, ganhou o prêmio da seção Plataforma do Festival de Toronto, que a partir de agora vale como pré-indicação automática ao Oscar de filme internacional, independentemente de ter sido submetido por um país. Ambientado em 1963, um vilarejo em Nagaland permanece como um dos últimos redutos dos caçadores de cabeças. Um ex-chefe da aldeia e seu filho, os dois únicos habitantes que ainda seguem sua antiga fé, vivem isolados enquanto lutam para sobreviver em um mundo em transformação. 

The Sandbox, de Kenya-Jade Pinto, foi exibido no festival de documentários CPH:DOX. Por meio de paisagens cinematográficas e contemplativas, The Sandbox explora fronteiras ao redor do mundo onde a vigilância e a inteligência artificial decidem quem vive e quem morre. Do deserto do Arizona ao mar Mediterrâneo, o sofrimento é administrado de forma clínica, enquanto o controle é apresentado como segurança. Mas, se não há como optar por ficar de fora, quem The Sandbox está realmente protegendo?

50ª Mostra conta com patrocínio master da Petrobras

 

Por Victoria Hope

A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo tem a enorme satisfação de, mais uma vez, contar com o patrocínio master da Petrobras. 

A renovação dessa parceria é fundamental para a Mostra apresentar uma edição histórica de 50 anos, com o objetivo de trazer ao público uma seleção ampla e diversa de filmes nacionais e estrangeiros, além de debates e oportunidades para a troca de ideias sobre o mercado audiovisual.

O festival será realizado de 15 a 29 de outubro, e o patrocínio foi viabilizado por meio do programa Petrobras Cultural, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Sala Petrobras na Mostra

Pelo quarto ano consecutivo, o festival conta com a Sala Petrobras na Mostra, um ambiente temporário, que, nesta edição histórica, será instalado no Solar Fábio Prado, na Avenida Faria Lima, uma região de fácil acesso. O espaço vai abrigar, além de sessões tradicionais, apresentações especiais e gratuitas desta 50ª edição, que ocorre entre os dias 15 e 29 de outubro de 2026.

A Petrobras também é patrocinadora master da 3ª Mostrinha, que busca aproximar crianças e adolescentes do cinema, formando uma nova geração de espectadores. Nos dois fins de semana do evento, a Sala Petrobras na Mostra exibirá títulos infantojuvenis em sessões gratuitas. 

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SERVIÇO – SALA PETROBRAS NA MOSTRA

Solar Fábio Prado: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano (a programação será divulgada perto da data do evento).

Paper Tiger, drama criminal dirigido por James Gray, abre a 50ª Mostra com presença do diretor

 

Por Victoria Hope

O filme Paper Tiger, dirigido pelo cineasta norte-americano James Gray, vai abrir a 50ª Mostra, em cerimônia na Sala São Paulo marcada para o dia 14 de outubro de 2026. Protagonizada por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, a produção estreou no último Festival de Cannes. 

E as novidades não param por aí. Nessa terça (28), a Diamond Films anunciou a presença do diretor James Gray no Festival em sessão exclusiva para convidados. Com distribuição no Brasil pela Diamond Films, o filme é uma produção da brasileira RT Features, em parceria com Leone Film Group e Keep Head Productions. 

A obra acompanha dois irmãos que, em busca do sonho americano, envolvem-se em uma operação altamente perigosa e são arrastados para um submundo de corrupção e violência. À medida que se tornam alvos da máfia russa, o vínculo entre eles começa a se desgastar, tornando uma traição, antes impensável, em uma ameaça real.

O Diretor-Geral da Diamond Films Brasil, Vinicius Pagin, comenta: “É uma honra para a Diamond Films abrir a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo pela quarta vez nos últimos cinco anos, especialmente nesta edição histórica, que celebra os 50 anos do festival. Paper Tiger, novo filme de James Gray apresentado no Festival de Cannes, tem uma conexão direta com o Brasil: é uma produção da RT Features, produtora nacional responsável pelo projeto. Abrir a Mostra com um filme de alcance internacional e assinatura brasileira reforça o compromisso da Diamond Films de levar ao público grandes obras do cinema independente e valorizar o talento do país.” 

Rodrigo Teixeira, produtor e fundador da RT Features: “Esta será a primeira exibição oficial de ‘Paper Tiger’ em território brasileiro, e é uma grande satisfação apresentar um filme tão importante para a história da RT, dirigido por um grande parceiro, James Gray, com quem construí uma relação ao longo da minha trajetória. Observar James, Miles e Scarlett entregarem as performances de suas carreiras foi maravilhoso e estou muito animado para que o público possa conferir essa obra na abertura da Mostra, que molda a cinefilia de tantas pessoas”. 

Mostra de SP 2025 | Entrevista com Akinola Davies Jr, diretor do drama emocionante A Sombra do Meu Pai

 

Por Victoria Hope

Um dos filmes mais aguardados pelo público da Mostra de Cinema de SP desse ano é sem dúvida o emocionante "A Sombra do Meu Pai" do diretor britânico-nigeriano Akinola Davies Jr, que apresenta um ode à infância perdida de uma forma visceral e explora a relação entre pais e filhos, quando um patriarca que não necessariamente estava ali o tempo todo e como esse ato causa um impacto na vida dessas crianças.

Há alguns anos, Akinola recebeu um conto escrito por seu irmão Wale, que na época vivia na Nigéria e trabalhava como roteirista de TV. Fruto de um exercício de escrita, o conto de Wale Davies se tornou esse longa dilascerante que pode ser considerada uma história inspirada na vida dos dois criativos.

Com uma atuação brilhante do elenco, incluindo o premiado Sope Dirisu (His House) e os estreantes mirins e irmãos na vida real, Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo, o filme, que ainda terá sua estreia oficial durante essa semana na Mostra, vai marcar muitas gerações principalmente em tempos de discussões políticas calorosas, onde a vivência das crianças, infelizmente, nunca é refletida de forma tão profunda, mas que no filme, é abordada com uma sensibilidade e sensatez que emocionam.

Nossa equipe teve a chance de entrevistar o brilhante diretor Akinola e refletir sobre diversas das temáticas abordadas no filme e você confere como foi essa conversa abaixo:

A Sombra do Meu Pai / Foto: Mostra de Cinema de SP 2026

Amélie: Como você se sente em ser o diretor do primeiro filme nigeriano na história a competir em Cannes e também o primeiro filme nigeriano a ser exibido na Mostra de Cinema de SP? 

Akinola: É uma verdadeira honra ser o embaixador responsável por representar o cinema nigeriano. É algo incrível. Esse filme é repleto de texturas e talentos maravilhosos, uma linda história e uma bela equipe por trás, então o fato do meu filme estar na seleção oficial de Cannes e trazer esse destaque à Nigéria, me deixa extremamente orgulhoso.

As pessoas que vieram antes de mim e também fizeram filmes realmente pavimentaram o caminho e me influenciaram, me encorajando a sonhar em me tornar um diretor e eu me sinto apenas muito grato toda vez que vejo uma notícia sobre o filme por aí. As pessoas da Nigéria sentem como se essa também fizessem parte disso e isso me deixa muito feliz.

Amélie: Como foi trabalhar com Sope Dirisu e os irmãos Igbo nesse projeto?

Akinola: Wow, nossa, foi incrível! Digo, Sope é um sonho! Às vezes você vê alguém na TV e essa pessoa é um excelente ator e aí você pensa que se um dia encontrá-lo, essa pessoa não vai ter tempo ou que essa pessoa não é exatamente como você imaginava, mas Sope é exatamente tudo isso e muito mais! Ele é incrível, empático, bondoso, paciente e essas características são muito importantes, principalmente por ele atuar com dois atores mirins que estão só começando, assim como eu, pois esse é meu primeiro filme e também o primeiro projeto do Diretor de Fotografia.

Para muitos de nós, essa é a primeira vez, mas é claro que Sope tem muita experiência e eu acredito que mesmo antes de perceber, ele realmente estava ajudando muitos de nós no set. A química também entre ele e os garotos funcionou tão bem! Para mim, enquanto diretor, isso é um instrumento tão poderoso ter um ator tão excelente, porque isso torna meu trabalho ainda mais fácil.

E sabe, ele realmente se dedicou à esse projeto e ele também se tornou mais um irmão para mim, agora, sobre os garotos, eles são maravilhosos! Acredito que trabalhar com crianças é muito interessante porque eles são muito entusiasmados e possuem uma honestidade que vem de sua juventude, então ter aquela energia no set realmente nos ajudou. Quando você me conhece, sabe que eu sou uma pessoa bem boba (risos), então eu queria que as crianças brincassem e se divertissem, claro que sendo profissionais e focados, mas ao mesmo tempo, se divertindo nesse processo. 

Amélie: Você diria que o seu filme possui uma camada de realismo mágico?

Akinola: Isso é engraçado, porque Mati Diop teve uma resposta muito interessan te sobre realismo mágico. Eu diria que meu filme tem sim realismo mágico, mas parafraseando Diop, meu filme é mais um drama sobrenatural, porque eu acredito que isso depende muito de quem está perguntando. Eu acredito que se o termo vem de uma pessoa negra, assim como você, que é uma jornalista negra, que faz partre da minha comunidade, então sim, eu abraço o termo, mas se o termo vier de alguém que não faz parte da minha comunidade, então eu prefiro drama sobrenatural, pois as conotações do termo mágico vindo de lábios que não são nossos, não tem o mesmo significado quando dito por pessoas de fora da nossa comunidade.

Amélie: Perfeito! E qual foi sua cena favorita durante as filmagens? 

Akinola: Nossa, essa é bem difícil! Eu vou dizer que a cena do funeral talvez. É uma cena bem complexa falando pelo lado mais técnico, mas também muito emocional para mim. Eu tinha apenas alguns meses quando meu pai faleceu, então eu não me lembro de ter enterrado meu pai, mas aqui estou eu, trinta anos depois, fazendo um filme para honrar meu pai, o enterrando de novo. 

Nem todo mundo consegue ter essa oportunidade, então para mim, mesmo essa sendo uma cena muito emocionante, eu sinto que também é minha favorita, pois eu tive a oportunidade de deixar algo para trás e eu fiz isso em um lugar muito sagrado, rodeado de pessoas que amo.

Akinola Davies Jr e Victoria Hope no Espaço Itaú / Foto: Mariane Morisawa

Amélie: Quais são os três diretores que mais te inspiram?

Akinola: Nossa, em primeiro lugar, Ousmane Sembène, um diretor senegalês que é pai do cinema africano. Acredito que politicamente, artísticamente e socialmente, ele foi o meu norte nesse filme. Alguém que eu realmente venero, alguém que me inspira sempre a me manter firme quanto as minhas ideias, principalmente em filmes relacionados à cultura africana.

O segundo seria Hirokazu Koreeda, do Japão. Eu amo o Koreeda porque os filmes dele são simples, intrinsicamente japoneses sem medo de ser e sobre as complexidades de fazer parte de uma família. Eu amo isso! Amo quando a carreira de alguém é baseada na temática familiar e nas dinâmicas familiares de cada país.

E o terceiro é bem difícil mesmo, mas eu poderia dizer que por diferentes motivos, Ava Duvernay, porque eu comecei minha carreira faz pouco tempo e me lembro dela sendo uma figura tão positiva quando ela também começou sua carreira. Ela está um pouco mais à frente de mim, mas ambos começamos com a mesma idade e ela sempre falou sobre isso.

A forma que ela fala sobre isso toca no lado da experiência que vem com a idade e com sua vida antes de começar a fazer filmes e que isso realmente a ajudou. Quando eu comecei, foi exatamente isso que me motivou a não me sentir mal por não ter começado mais cedo e isso também me ensinou a sser mais intencional com o meu tempo. E no topo disso, eu acredito que ela é um bastião do cinema negro pelo que ela faz pela indústria, principalmente com a produtora dela. 

É uma diretora fantástica que sempre destaca talentos negros, outra coisa que eu também quero fazer e ela sempre contribui de forma positiva para a indústria do cinema, seja criando festivais, incentivando novos diretores. No futuro, eu realmente quero fazer uma constribuição para que as pessoas venham para a Nigéria e se encantem com a comunidade cinematográfica daqui.

Amélie: Você comentou que esse filme é muito pessoal para você. Então o que acha de viajarmos no tempo para conversar com o pequeno Akinola. Se você pudesse deixar um recado para ele, qual seria?

Akinola: Wow, eu realmente penso sobre isso o tempo todo e agora que você me perguntou,eu acho que preciso pensar um pouco mais. (risos) Eu acho que eu diria para o pequeno Akinola ser mais bondoso com ele mesmo, porque eu acho que, como cresci sem meu pai, eu tinha tantas questões e ra tão duro comigo mesmo; eu internalizei muitas coisas e cresci no mundo dos sonhos, apaixonada por tv, por cinema e isso me motivou também a ter um pouco mais de compaixão por mim. Eu diria para o pequeno Akinola amar ser quem ele é!

Amélie: Poderia nos dizer 3 palavras que definem "A Sombra do Meu Pai?"

Akinola: Eu diria Família! Por causa da natureza da história, Dever, já que isso funciona para os dois lados, tanto o dever para com os filhos quanto o dever ao próprio país, e a última, a mais difícil, seria Memória. Acredito que grande parte do filme seja sobre memória e como hora ela pode ser confiável, hora não pode ser confiada e como ao mesmo tempo ela pode ser linear e não-linear.

Amélie: E qual seria a principal mensagem do filme que você gostaria que o público da Mostra levasse para sempre com o filme?

Akinola: Essa é uma excelente pergunta e eu tenho uma ótima resposta para isso! Eu quero que o público projete suas vidas nesse filme. Eu não tenho uma mensagem final, porque se eu dizer, isso vai ser um ciclo fechado, que fecha as portas para o diálogo e eu quero tere esse diálogo com o público, então eu quero que o filme tenha sua própria jornada emocional e sua própria mitologia para cada pessoa que estiver assistindo

Quero que as pessoas se divirtam e se vejam refletidas nessa história e que deixem todos os sentimentos fluírem enquanto assistem ao filme.