Navigation Menu

Showing posts with label oscar 2025. Show all posts

[Review] Sing Sing

 

Por Victoria Hope

Sing Sing, estrelado por Colman Domingo, é inspirado em um emocionante projeto da vida real que utiliza as artes, principalmente o teatro, como forma de reabilitação para detentos da prisão de Sing Sing nos Estados Unidos.

Na trama, acompanhamos a história de um personagem da vida real, chamado John Divine G (Colman Domingo), que é um dos detentos e também diretor e idealizador do projeto teatral para outros prisioneiros. Além de ser escritor e roteirista das peças, John, também é ator e antes mesmo de ser encarceirado, era advogado. 

Esse é um daqueles filmes inspiradores, que deixam o coração quentinho com otimismo ao lembrar que a arte tem papel fundamental na cura, mas um dos principais destaques definitivamente é a performance de Colman Domingo, que merecidamente, concorre ao Oscar de Melhor Ator por esse mesmo papel.

O longa acerta pela simplicidade, mostrando o dia a dia dos encarceirados e passando, mesmo que de forma bem rápida pela vida de pelo menos dois ou três detentos. Talvez essa falta de profundidade em explorar a vida dos outros detentos seja um dos poucos pontos que deixa a desejar, mas ao menos o público consegue se conectar com todos.

Sing Sing / Foto: Diamond Films & A24

Basicamente todo o elenco, a não ser por Colman Domingo e Paul Raci, é composto por pessoas da vida real, ex-encarceirados de Sing Sing e de outras prisões americanas, que também fizeram parte desse programa social de teatro nos presídios.

Sing Sing acerta ao trazer humanidade aos encarceirados, sem cair em armadilhas fáceis do melodrama, apesar do longa conseguir arrancar uma lágrima aqui e outra ali. Todos os personagens são extremamente cativantes, únicos e fazdem um excelente trabalho em dirigir a produção para um caminho mais otimista, que preza pela mudança através do amor e não através da violência.

Alguns dos momentos mais emocionantes, ficam por conta de toda a desconstrução da masculinidade tóxica que o programa social tenta desmantelar. Muito ali é desconstruído; desde as crenças principais dos encarceirados, mostrando que eles são mais do que seus crimes, bem como também o conceito de que as pessoas não mudam, afinal, todos são capazes de mudar de vida e é isso que o programa de reabilitação promove. Esse é um filme para assistir com a família, se inspirar, refletir e ter a certeza de que dias melhores virão, mesmo que leve tempo para mudanças reais realmente acontecerem. 

NOTA: 8.5/10

[Review] Conclave - Uma verdadeira aula sobre a construção de um thriller

 

Por Victoria Hope

"Conclave", o mais novo filme de Edward Berger, venceu o Globo de Ouro recentemente na categoria de Melhor Roteiro e a cada hora que passa, é nítido o quão merecedora do título é essa adaptação que faz com que a audiência prenda a respiração e finque as unhas nas poltronas com tanta tensão no ar.

A trama gira em torno do Cardeal Thomas (Ralph Fiennes), que recebe o enorme fardo de organizar uma conclave, cerimônia de escolha do próximo papa, após a morte repentina do sucessor. Ao longo da história, revelam-se segredos sobre os cardeais participantes e até mesmo sobre a própria igreja, com uma revelação que promete abalar as estruturas da instituição milenar.

Com uma excelente fotografia, atuações impecáveis, figurino majestoso e um roteiro de tirar o fôlego, Conclave é sem dúvida um dos maiores filmes dessa temporada e um thriller político voraz, que nos relembra de todo o peso e importância de clássicos como "O Nome da Rosa", afinas ambas as obras são tão relevantes hoje quanto eram há anos atrás.


Conclave / Foto: Diamond Films

Torturado por questões existências e tomado por dúvidas quanto a dogmas e até mesmo a seus próprios posicionamentos dentro da igreja, Cardeal Thomas se encontra em meio a muitas intrigas, fofocas e segredos que pouco a pouco vão sendo revelados. 

O filme em nenhum momento tenta ser didático, afinal, o processo real da conclave que realmente acontece no vaticano é guardado a sete chaves, mas tanto o autor do livro quanto o diretor do filme, acertam em trazer à tona muitos relatos vistos em diversas reportagens investigativas que tentam se aprofundar sobre a temática, mesmo que para isso caiam na ficcionalização. 

Conclave é um filme que definitivamente será polêmico entre a grande audiência, justamente por tocar em um tema que diversas vezes é abordado pelo protagonista dessa história, numa reflexão sobre o quanto certezas absolutas podem ser a ruína de todos e o quanto abraçar o passado pode ser perigoso.



Ralph Fiennes entrega uma das maiores performances de sua carreira ao dar vida ao complicado Cardeal, com escolhas extremamente sóbrias em termos de atuação, o que com certeza irá lhe trazer muitas indicações nas próximas temporadas de premiações, porém, outros nomes se destacam ao seu lado, sendo alguns deles, o hilário Stanley Tucci (Cardeal Aldo) junto a Lucian Msamati (Cardeal Joshua)John Lithgow (Cardeal Joseph), Isabella Rossellini (Irmã Agnes) e o magnífico estreante Carlos Diehz, que aqui interpreta o misterioso e pacífico cardeal Vincent.  

Cada cena de Conclave parece uma pintura clássica, mérito da belíssima direção de fotografia do francês Stéphane Fontaine, combinada com o figurino impecável de Lisy Christl, que se atenta a cada pequeno detalhe, tal qual como se ambos criassem juntos as mais belas pinturas renascentistas.

Absolutamente todos os detalhes, desde a iluminação ambiente à um colar posicionado no pescoço e um foco num canto obscuro de uma sala, são milimetricamente pensados para reforçar a mensagem do quão minucioso é o trabalho de todo o corpo de profissionais que atua por trás das paredes do vaticano e o final definitivamente irá deixar muita gente boaqueaberta, mas é extremamente coerente com a narrativa e todos os momentos que levam à essa revelação. Sem dúvida, esse é um filme para ser saboreado, digerido e reassistido muitas vezes. 

NOTA: 9.5/10

Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, Emilia Pérez, conquista quatro prêmios no Globo de Ouro

 

Por Victoria Hope

O drama “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard, ganhou quatro prêmios no Globo de Ouro, que aconteceu no último domingo. Vencedor nas categorias “Melhor Filme de Língua Não Inglesa”, “Melhor Filme Musical ou de Comédia”, “Canção Original” e “Atriz Coadjuvante” (Zoe Saldaña), o longa, que chega aos cinemas brasileiros em 06 de fevereiro, com distribuição da Paris Filmes, foi a produção cinematográfica mais premiada da noite. “Emilia Pérez” também venceu o Prêmio do Júri na última edição do Festival de Cannes e está na pré-lista do Oscar em seis categorias, incluindo Melhor Filme Internacional. Assista ao trailer aqui e baixe as imagens neste link.

O longa acompanha Rita (Saldãna), uma advogada de um grande escritório que está mais interessada em libertar os criminosos do que em levá-los à justiça. Certo dia, ela recebe uma inesperada proposta: o líder do cartel, Manitas (Karla Sofía Gascón), a contrata para ajudá-lo a se retirar de seu negócio e realizar um plano que vem preparando secretamente há anos: tornar-se a mulher que ele sempre sonhou ser. A trama é livremente adaptada do romance ‘‘Ecoute’’ de Boris Razon. O elenco ainda conta com Selena Gomez, Adriana Paz e Edgar Ramírez.

Why Not Productions e Page 114 assinam a produção, com coprodução de Saint Laurent por Anthony Vaccarello, Pathe, France 2 Cinema, em associação com Library Pictures International, Logical Content Ventures, Les Films du Fleuve e The Veterans. A distribuição nacional é da Paris Filmes.

O Brutalista | Universal Pictures divulga trailer inédito do filme vencedor do Globo de Ouro

Por Victoria Hope

A Universal Pictures revela trailer oficial de O Brutalista, filme já premiado no Festival de Veneza, em 2024, com o prêmio Leão de Prata, e vencedor do Globo de Ouro em três categorias: Melhor Direção (Brady Corbet), Melhor Ator (Adrien Brody) e Melhor Filme (Drama) – após acumular sete indicações à premiação.

O trailer traz vislumbres sobre a vida do arquiteto visionário László Toth (Adrien Brody), recém-fugido da Europa, que chega aos Estados Unidos em busca de reconstruir sua vida por completo, incluindo seu trabalho e principalmente seu casamento, após uma separação forçada. Sozinho em um novo país, encontrará quem reconheça seu talento para a construção, mas o preço disso pode ser alto.

Já exibido na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, O Brutalista deve chegar aos cinemas brasileiros em 20 de fevereiro.

Sobre o filme:

Em fuga da Europa do pós-guerra, o arquiteto visionário László Toth chega à América para reconstruir sua vida, seu trabalho e o casamento com sua esposa Erzsébet, depois da separação forçada durante a guerra por mudanças de fronteiras e regimes. Sozinho em um novo país estranho, László se estabelece na Pensilvânia, onde o rico e proeminente industrial Harrison Lee Van Buren reconhece seu talento para a construção. Mas poder e legado têm um custo muito alto.

Confira o trailer oficial:



Alien Romulus | Entrevista com Will Files, a mente por trás da supervisão de som do novo título da franquia

 

Por Victoria Hope

Quando se fala em filmes, qualidade do som de uma produção audiovisual impacta diretamente na percepção do espectador e é justamente a supervisão de som trabalha na construção da narrativa sonora de um filme e é claro que essa é uma das categorias técnicas principais da Academia ao longo das premiações. 

Alien: Romulus, considerado um dos maiores filmes de terror de 2024, com direção de Fede Alvarez, atualmente está na shortlist do Oscar 2024 em diversas categorias, dentre elas, Melhor Som, que fica por conta da equipe supervisionada pelo brilhante Will Files.

Nossa equipe teve a oportunidade de bater um papo com Will e conhecer um pouco mais sobre a área de supervisão de som e sobre a carreira dele, que já esteve presente em diversos sets de produções que vão desde "Stranger Things" a "Batman (2024)", "Planeta dos Macacos", "Cloverfield" e muito mais. 



Amélie Magazine: Como se sente em fazer parte da shortlist do Oscar na categoria de Melhor Som por um filme tão fantástico quanto Alien Romulus?

Will: É incrível! Eu sei que é praxe as pessoas falarem que é uma honra só em estar indicado, mas de verdade, isso é muito incrível fazer parte da shortlist, mas falando sério, sendo indicado ou vencendo, isso é uma benção da comunidade que ama filmes de qualquer forma. 

É muito bom receber esse tipo de reconhecimento pelo nosso trabalho e também foi muto incrível ver os outros filmes que também estão na lista, porque são filmaços!

Amélie Magazine: Ainda sobre a indicação. Vamos imaginar que você pode viajar pro passado e contar para o pequeno Will que você está concorrendo a um Oscar. Qual será a reação dele?

Will: *risos* Ele jamais imaginaria que concorreria a um Oscar um dia! Mas para ele, o Oscar não seria a parte que ele ficaria encantado, mas sim o fato de eu ter trabalhado em Alien! Na realidade, se há alguns anos atrás você tivesse me falado que eu estaria trabalhando na franquia, principalmente em um filme do Alien que restaura o legado dessa obra, eu não acreditaria. 

Trabalhar com essa estética principalmente, foi muito importante e eu confesso que ainda estou me beliscando *risos*. Estou muito orgulhoso e feliz em fazer parte disso e sei que o Will mais novo também estaria.

Amélie Magazine: Como fã da franquia Alien, você tem algum favorito e se sim, seria algum dos clássicos ou esse mais recente tem um lugar especial, por ser o primeiro onde trabalhou? 

Will: Eu disse isso pro Fede e se você for perguntar pro Fede, tenho certeza que a reposta dele seria a mesma, então Alien 1, Alien 2 e Romulus! Claro que esse é o caso porque crescemos com esses dois primeiros, mas eu espero que as pessoas jovens que estão assistindo agora, talvez sintam o mesmo que a gente sentiu pelos primeiros, daqui há 20 anos em relação à Romulus!

É muito difícil não voltar para aquele primeiro filme, porque ele é tão profundamente inspirador para mim e aliás, continua inspirador. Eu e minha equipe falamos bastante dele, principalmente sobre o ponto de vista do design de som excelente, mas não apenas isso, também sobre ser um filme corajoso que tomou diversos riscos e por ser também um projeto onde fizeram escolhas criativas muito brilhantes, então ter a oportunidade de trazer algumas coisas de lá e aplicar no novo filme, foi uma alegria imensa.


Alien Romulus / Foto: 20th Century Studios

Amélie Magazine: Como é o seu processo criativo quando vai começar a trabalhar no design de som de um novo projeto?

Will: A primeira coisa que eu faço é assistir filmes, honestamente. E nesse caso, as escolhas eram óbvias *risos*, é sempre muito útil. Eu também coloco a trilha sonora pra tocar e fiz muito isso enquanto estava dirigindo por Los Angeles, tentando absorver e viver naquele universo, o que é sempre muito útil nessa parte do processo criativo, mas essencialmente, é como uma tela branca, pois você começa a imaginar cenários e sons que caberiam no próximo projeto.

Mas é claro que em Romulus, tivemos muitas conversas com Fede, principalmente antes mesmo dele começar as filmagens do longa, então tivemos a chance de fazer esse brainstorm de ideias para os sons antes mesmo da gravação e ele também nos pediu para fazermos alguns sons ao vivo no set, ou seja, começamos esse filme muito antes do filme em si começar a ser criado.

Falamos sobre momentos chave do filme em termos de sons importantes, falamos sobre como queríamos que fosse a atmosfera no set, inclusive, ele queria que as pessoas realmente entrassem ali e que o som fosse bem alto e que a voz dos atores fosse mais alta para conflitar com o som e passar ainda mais realismo ao ambiente. 

Ele ajudou em todo esse processo, então fizemos um monte de sons baseados em artes conceituais que ele nos enviou e no roteiro também. Basicamente tivemos que fazer sons do espaço, maquinário, ar soprando dos dutos e tudo mais que ele descrevia. 

Tudo estava bem alto, então os atores realmente tiveram essa imersão no ambiente através do som e do design do set e o mais legal foi que a equipe deixava os sons altos antes de começarem a gravar as cenas para que os atores mantivessem a energia lá no alto e assim que a câmera começava a rolar, aí o som ficava mais baixinho, mas não a voz dos atores e isso funcionou bem.

Alien Romulus / Foto: 20th Century Fox

Amélie Magazine: Três trilhas sonoras de filmes que mudaram sua vida.

Will: Eu diria Alien *risos*, mas sério, eu falaria isso mesmo, porque é tão inovador e original! Eles pegaram muitos conceitos de Star Wars em termos de design de som e foram ainda mais além, colocando sons estranhos e inesperados que funcionam bem no sci-fi, então isso é muito inspirador, principalmente com o uso minimalista da trilha sonora.

O próximo com certeza é O Iluminado. Esse é bem importante pra mim, pois a forma em que Kubrik, combinava música e ausência de som, da mesma forma que usava ausência de som com música; todas essas escolhas sutis, são justamente o que fazem esse filme ser tão assustador e efetivo.

E o terceiro seria Clube da Luta. Eu queria ter dito Se7en - Os Sete Crimes Capitais, mas vou dizer Clube da Luta. Ele é completamente imersivo em termos do uso de som como textura; tipo, está sempre chovendo, tem gotas caindo, tudo tem uma tangibilidade muito real.

Os dois filmes na realidade são deliciosos de se ouvir, tão texturizados e ainda assim  com escolhas de som muito elegantes e de bom gosto, principalmente porque sou fã quando mexem com diferentes texturas do som.


Alien Romulus / Foto: 20th Century Fox

Amélie Magazine: Será que podemos falar sobre aquela cena icônica do novo híbrido de Alien Romulus? Como foi o processo da criação de som para aquele momento que fez gelar nossas espinhas?

Will: Sim, aquela foi uma cena muito interessante de construir em termos de trilha sonora! Muitas vezes você vê uma cena e tem certa ideia de como ela vai soar e com Fede sendo uma pessoa tão criativa no estilo de direção dele, geralmente tem uma ideia muito clara do que ele quer ver em cada momento em termos de sons também e juro, nenhum de nós sabia como deveríamos proceder com essa cena *risos*, ou seja, tudo o que sabíamos é que queríamos um som que parecesse completamente deslocado do resto do filme, para trazer aquela estranheza, então o compositor Benjamin Wallfisch, também teve o mesmo processo criativo para a música.

O filme inteiro é bem sinfônico e lírico, melodicamente falando até aquele ponto, mas aí quando essa cena começa, tudo é muito sensorial, minimalista, estranho, com muita percussão, para trazer um certo pânico para a atmosfera. 

Por anos sempre fomos obcecados por um som particular de uma sirene que é tocada apenas no trailer de Alien 1 e estávamos tentados a usar em Romulus e conseguimos colocar essa sirene ali na cena do híbrido, para fazer essa homenagem tentando usar instrumentos diferentes, mas no fim o que usamos mesmo foi um megafone para ampliar o som do ambiente, aí diminuímos a velocidade desse som e mudamos o tom até chegarmos no que queríamos alcançar, que essencialmente era aquela sensação de pavor que o som do primeiro filme traz.

Alien Romulus / Foto: 20th Century Fox

É aquele tipo de som que faz sua pele saltar dos ossos! Tocamos esse som pro Fede e ele disse "É isso! Finalmente conseguimos! Vamos usar essa sirene na trilha junto com um som de pulsação, vamos tirar toda a linha do que é real e o que não é e vamos fazer o público perceber isso!"

E assim que ele me deu esse conselho, era como se eu finalmente tivesse me libertado. Isso foi o que me ajudou a criar essa cena, que pouco a pouco, foi tomando cada vez mais forma, mas aí quando achamos que já estava tudo terminado, no momento em que a criatura aparece, ele queria que tirássemos todos os sons a não ser pela sirene e pela respiração da criatura. É um dos meus momentos favoritos do filme de se assistir com o público, porque você tira todo aquele conforto do som familiar e deixa apenas a criatura em destaque no momento! 

Você olha para aquela criatura horrenda e a audiência toda simplesmente fica sem ar! É algo que eu gostei muito de ver! Muitos palavrões foram ditos na sala do cinema nesse momento *risos* É um momento realmente único, onde o foco é apenas a criatura e o horror que ela proporciona.

[Review] Babygirl

 

Por Victoria Hope

O exercício de poder é um dos principais temas abordados em "Babygirl", novo filme da A24 estrelado por Nicole Kidman, que inclusive venceu o Leão de Prata de Veneza na categoria de Melhor Atriz por esse filme e desde então, tem feito burburinho entre a crítica estrangeira. Chegará aos cinemas brasileiros no dia 9 de janeiro de 2025.

Na trama, acompanhamos uma poderosa CEO que coloca sua carreira e família em risco quando inicia um caso amoroso baseado em fetiche com um novo estagiário de sua empresa. Desde o início vemos que Romy (Kidman), sempre teve desejos reprimidos em ser tratada como uma baby girl, categoria submissa dentro do BDSM, porém, seu esposo 'vanilla', não parece satisfazer esse desejo que ela tem bem reprimido no fundo de sua mente.

Apesar de ser tudo o que sempre quis, que foi uma carreira estável, um marido amoroso e filhas que são suas maiores companheiras, Romy busca pela sensação de perigo iminente, pelo desafio e pela selvageria e encontra tudo isso num misterioso estagiário que parece saber exatamente os desejos mais sombrios de sua chefe.


Babygirl / Foto: A24 & Diamond Films

O longa mostra que os 'fetiches' da CEO vão para além da questão sexual, pois aqui em jogo entra também a temática de assédio sexual no trabalho, mesmo com relacionamento consentido, mas também outras questões como desequilíbrio de poder, que é um dos conceitos básicos dentro dessa cena de fetiche praticada pelos personagens.

Apesar do tema ser muito interessante e a atuação de Nicole ser um destaque, Babygirl não tem muito a dizer, ou melhor dizendo, não tem nada a se aprofundar sobre a questão psicológica por trás das escolhas da personagem, o que seria muito mais interessante de explorar do que as poucas cenas de 'brincadeiras' feitas pelos personagens em questão. 

Muito se explora sobre o desejo reprimido, mas pouco se explora sobre as nuances da escolha da personagem, mas isso não atrapalha o filme como um todo, apenas deixa um gostinho de que tudo poderia ter sido bem melhor explorado. 


Babygirl / Foto: A24 & Diamond Films

Já a direção de Halina Reijn é um trunfo a parte, pois ela consegue extrair reações viscerais de seu elenco, com câmeras muito próximas ao rosto em alguns momentos, que fazem parecer que os personagens estão muito perto, quase respirando nos rostos da audiência.

É muito interessante ver como a direção feminina voltada a temas como fetiche, BSDM e desejo vão por outro lado, pois por mais que Kidman tenha diversas cenas sexuais, em nenhum momento ela é vista como objeto sexual; muito pelo contrário, explorasse a visão que Romy tem sobre si mesma naquele cenário.

Em um momento específico, o jovem estagiário chega a explicar para o marido de Romy, Jacob (Antonio Banderas), que sua visão sobre o de sua mulher fetiche está equivocada e aquele é um momento muito interessante, onde o personagem poderia realmente ter explicado essa dinâmica que apenas confirmara o que Reijn tenta mostras na história. Para quem já leu muitas fanfics e livros eróticos, o tema não é novidade, mas definitivamente é abordado de uma forma diferente de tudo o que já foi apresentado no cinema com a mesma temática. 

Nota: 8/10