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[Review] A nova versão de Lobisomen tem bons sustos, mas não satisfaz

 

Por Victoria Hope

Na nova versão de Lobisomen, atacados por um animal misterioso, Blake (Christopher Abbott) e sua família se escondem em uma fazenda enquanto a criatura ronda o perímetro. Conforme a noite avança, no entanto, o rapaz  começa a se comportar de forma estranha, transformando-se em algo irreconhecível.

Quando as apostas de um nvo universo cinematográfico para os monstros clássicos da Universal foi proposta, uma das maiores questões entre os fãs mais ávidos de terror seria o aspectoda modernização desses contos e como eles funcionariam em um cenário do presente.

Com a adaptação de "O Homem Invisível", de Leigh Whannell, que também dirige Lobisomen, teve início a largada para esse novo universo de adaptações, mas no que o clássico Lobisomen acerta, essa nova reimaginação deixa muito a desejar. 

A ideia de transformar Lobisomen em um drama familiar onde a masculinidade é o assunto principal, funciona muito bem isoladamente, porém aqui no novo filme é tratada de forma tão superficial, com diálogos que literalmente tentam forçar uma emoçlão aqui e ali, que a mensagem acaba se perdendo.

Lobisomen / Foto: Universal Pictures

Blake tinha tudo para ser um excelente lobisomen da mitologia, principalmente porque o filme tenta voltar a essas origens mais animalescas, porém até mesmo o lado mitológico é deixado de lado para que o realismo exacerbado tome conta da história. 

Mas de longe, o que mais decepciona é a maquiagem da criatura em si, que sequer se parece com um homem lobo, está mais para Goblin, aliás, o que realmente não contribui muito para a suspensão da descrença, mas esse não é um erro apenas do novo filme, pois muitas obras que abordam lobisomens em produções contemporâneas, sempre tentam humanizar demais a criatura, fazendo dela mais homem do que bicho, diferenter do clássico 'peludo' da universal, mas é claro que, apesar disso, o filme tem boas cenas de susto e o momento da transformação realmente faz com que a audiência prenda a respiração, mas esse é o único ponto que realmente chama atenção.

Anova criatura não apresenta um visual apelativo, que é um dos principais aspectos que transformam monstros do terror em verdadeiros ícones e isso é um dos principais fatores que torna essa nova adaptação um tanto quanto decepcionante. Talvez se elenco que apresentasse performances mais robustas, todo o filme teria um outro aspecto, mas infelizmentre, isso não acontece.

NOTA: 6/10

[Review] Conclave - Uma verdadeira aula sobre a construção de um thriller

 

Por Victoria Hope

"Conclave", o mais novo filme de Edward Berger, venceu o Globo de Ouro recentemente na categoria de Melhor Roteiro e a cada hora que passa, é nítido o quão merecedora do título é essa adaptação que faz com que a audiência prenda a respiração e finque as unhas nas poltronas com tanta tensão no ar.

A trama gira em torno do Cardeal Thomas (Ralph Fiennes), que recebe o enorme fardo de organizar uma conclave, cerimônia de escolha do próximo papa, após a morte repentina do sucessor. Ao longo da história, revelam-se segredos sobre os cardeais participantes e até mesmo sobre a própria igreja, com uma revelação que promete abalar as estruturas da instituição milenar.

Com uma excelente fotografia, atuações impecáveis, figurino majestoso e um roteiro de tirar o fôlego, Conclave é sem dúvida um dos maiores filmes dessa temporada e um thriller político voraz, que nos relembra de todo o peso e importância de clássicos como "O Nome da Rosa", afinas ambas as obras são tão relevantes hoje quanto eram há anos atrás.


Conclave / Foto: Diamond Films

Torturado por questões existências e tomado por dúvidas quanto a dogmas e até mesmo a seus próprios posicionamentos dentro da igreja, Cardeal Thomas se encontra em meio a muitas intrigas, fofocas e segredos que pouco a pouco vão sendo revelados. 

O filme em nenhum momento tenta ser didático, afinal, o processo real da conclave que realmente acontece no vaticano é guardado a sete chaves, mas tanto o autor do livro quanto o diretor do filme, acertam em trazer à tona muitos relatos vistos em diversas reportagens investigativas que tentam se aprofundar sobre a temática, mesmo que para isso caiam na ficcionalização. 

Conclave é um filme que definitivamente será polêmico entre a grande audiência, justamente por tocar em um tema que diversas vezes é abordado pelo protagonista dessa história, numa reflexão sobre o quanto certezas absolutas podem ser a ruína de todos e o quanto abraçar o passado pode ser perigoso.



Ralph Fiennes entrega uma das maiores performances de sua carreira ao dar vida ao complicado Cardeal, com escolhas extremamente sóbrias em termos de atuação, o que com certeza irá lhe trazer muitas indicações nas próximas temporadas de premiações, porém, outros nomes se destacam ao seu lado, sendo alguns deles, o hilário Stanley Tucci (Cardeal Aldo) junto a Lucian Msamati (Cardeal Joshua)John Lithgow (Cardeal Joseph), Isabella Rossellini (Irmã Agnes) e o magnífico estreante Carlos Diehz, que aqui interpreta o misterioso e pacífico cardeal Vincent.  

Cada cena de Conclave parece uma pintura clássica, mérito da belíssima direção de fotografia do francês Stéphane Fontaine, combinada com o figurino impecável de Lisy Christl, que se atenta a cada pequeno detalhe, tal qual como se ambos criassem juntos as mais belas pinturas renascentistas.

Absolutamente todos os detalhes, desde a iluminação ambiente à um colar posicionado no pescoço e um foco num canto obscuro de uma sala, são milimetricamente pensados para reforçar a mensagem do quão minucioso é o trabalho de todo o corpo de profissionais que atua por trás das paredes do vaticano e o final definitivamente irá deixar muita gente boaqueaberta, mas é extremamente coerente com a narrativa e todos os momentos que levam à essa revelação. Sem dúvida, esse é um filme para ser saboreado, digerido e reassistido muitas vezes. 

NOTA: 9.5/10

Os Filmes Que Eu Não Vi | Festival exibe e premia filmes independentes brasileiros

Por Victoria Hope

De 15 a 19 de janeiro de 2025, a Sala Walter da Silveira, em Salvador, será a casa da primeira edição do Festival Os Filmes Que Eu Não Vi, idealizado por Sol Moraes e que tem produção da Água Doce Produções. O evento busca dar visibilidade a filmes brasileiros independentes que enfrentam desafios na distribuição, permanecendo desconhecidos do grande público.

Durante os cinco dias de programação, o festival exibirá e premiará produções de todas as regiões do Brasil, oferecendo um panorama diversificado do cinema nacional. Além das sessões de filmes, o público poderá participar de mesas de debate que abordarão questões fundamentais como produção, distribuição e exibição cinematográfica no Brasil. 

A proposta central do evento é criar pontes entre criadores e espectadores, promovendo uma conexão mais profunda com a cultura brasileira e explorando formas de aproximar essas obras do público e é possível conferir a programação completa no site oficial do festival.

Revitalização das Salas de Cinema - A primeira edição do Festival Os Filmes Que Eu Não Vi marca um momento significativo para a cena cultural de Salvador. O evento é parte do projeto Os Filmes Que Eu Não Vi, financiado pela Lei Paulo Gustavo por meio de edital da SECULT/FUNCEB/DIMAS, e representa um esforço coletivo para ampliar o acesso ao cinema brasileiro independente.

Sol Moraes, idealizadora do festival / Foto: Juliana Buos


Como parte das iniciativas do projeto, foram revitalizados dois importantes espaços de exibição da capital baiana: a Sala Walter da Silveira e a Sala Alexandre Robatto. As melhorias incluem a aquisição de novos equipamentos de projeção e som, além da instalação de piso tátil, garantindo acessibilidade e modernização para melhor atender ao público.

A reabertura da Sala Walter da Silveira simboliza o início de um novo ciclo, transformando o espaço em um polo cultural que abrigará não apenas exibições, mas também cursos, seminários e palestras. A partir de fevereiro de 2025, a Sala Alexandre Robatto sediará o cineclube Cine GeraSol, com exibições mensais seguidas de debates, enriquecendo o diálogo sobre o cinema nacional.

O projeto também consolida uma parceria com a plataforma digital CINEBRASILJÁ, que funciona como uma cinemateca virtual, permitindo acesso contínuo a filmes brasileiros fora do circuito comercial. Essa integração entre espaços físicos e digitais fortalece a disseminação da produção cinematográfica nacional.

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Serviço:

O quê: Festival Os Filmes Que Eu Não Vi

Quando: 15 a 19 de janeiro de 2025

Onde: Sala Walter da Silveira, Salvador

Realização: Água Doce Produções

Para mais detalhes sobre o festival, siga o perfil oficial no Instagram: @osfilmesqueeunaovi


Ameaça no Ar | Com direção de Mel Gibson, suspense ganha novo trailer com adrenalina nas alturas

Por Victoria Hope

A Paris Filmes acaba de lançar o novo trailer de “Ameaça no Ar” (Flight Risk), suspense dirigido por Mel Gibson que traz o ator indicado ao Oscar® Mark Wahlberg como protagonista. A produção chega aos cinemas nacionais em 23 de janeiro

Com roteiro assinado por Jared Rosenberg, o filme conta uma história de alto risco. Um piloto (Mark Wahlberg) é responsável por transportar uma profissional da Força Aérea (Michelle Dockery) que acompanha um fugitivo (papel de Topher Grace) até seu julgamento. 

À medida que atravessam o Alasca, a tensão aumenta e a confiança é testada já que nem todos a bordo são quem mostram ser.  Confira o trailer oficial abaixo:



[Review] Maria Callas

 

Por Leticia Cristine 

Maria é um filme dramático bibliográfico sobre Maria Callas, conhecida como “La Divina” e possivelmente o mais famoso soprano do século XX, estrelado por Angelina Jolie e dirigido por Pablo Larraín, o filme finaliza a trilogia do diretor de cinebiografias intimistas de mulheres famosas, que começou com Jackie em 2016 e Spencer em 2021. 

A direção de Larraín frequentemente inclui cenas visualmente marcantes que intensificam o subtexto emocional da história. A justaposição de cenários opulentos com momentos de vulnerabilidade crua é eficaz, criando uma distância emocional que convida o público a refletir sobre as personas pública e privada de Callas e a cinematografia do filme é estilosa e evocativa, capturando o glamour e a tragédia da vida de Callas.

A escolha de Angelina Jolie para o papel principal foi certeira, a atriz encarna a personagem com muita proeza, sua performance às vezes conhecida por ser narcisista encaixa perfeitamente com Maria, sendo ao mesmo tempo íntima e arrebatadora, além da atriz ter se dedicado intensamente por sete meses na arte da ópera, porém no filme o que ouvimos é uma mistura dos vocais de Angelina Jolie com o de Maria Callas, segundo o diretor, durante as canções é utilizados desde 1% a 70% da voz de Jolie, em comparação com a de Callas, não deixando menos importante e admirável a sua dedicação para o canto, pois isso é sentido em tela.


Maria Callas / Foto: Diamond Films

Embora o filme seja focado em Jolie, outras performances também chamam a atenção, como Haluk Bilginer como Aristotle Onassis, Kodi Smit-McPhee como Mandrax, Alba Rohrwacher como Bruna e Pierfrancesco Favino como Ferruccio, os quatro atores fazem um trabalho incrível de suporte para Jolie.

A ideia genial do filme para mim é não ser um documentário normal, contando a história de vida Maria Callas, e sim apresentando uma narrativa fragmentada e não linear que captura a complexidade da vida pessoal e profissional de Maria Callas, focando mais em seu mundo interior e na turbulência emocional, especialmente em torno de seu relacionamento com Onassis, do que em acontecimentos de sua vida. 

Todavia, acredito que seja exatamente isso que talvez cause um sentimento de desconexão do público com o núcleo emocional do filme, e o escopo limitado do filme pode significar que espectadores que não estão familiarizados com Callas podem ter dificuldades em entender toda a profundidade de sua importância além de sua vida amorosa conturbada e isso é possível observar nas variações em notas da crítica, com isso recomendo todos irem assistir e tirar sua próprias conclusões, pois o que eu achei genial e captou a minha atenção mais do que um filme linear pode causar a reação oposto a outros.

[Review] Goosebumps, 2ª Temporada, Eps 1 & 2

 

Por Victoria Hope

Para quem cresceu nos anos 90 e sente arrepios só de ouvir algumas teclas de piano, sabe que Goosebumps é um dos nomes que praticamente se tournou sinônimo de terror para crianças e jovens adultos e definitivamente, essa é uma obra que resistiu ao teste do tempo. 

As adaptações do ícone do terror R.L Stine já haviam ganhado adaptação para a televisão no passado e agora, nessa nova adaptação do Disney+ que teve início em 2023, com nova temporada agora em 2025, consegue capturar o espírito da série clássica, sendo bem sucedida em reviver a franquia para um novo público e toda uma nova geração.

Nessa nova antologia de 8 episódios, Goosebumps reimagina e moderniza muitas das histórias clássicas acomopanhando um ritmo linear, onde tudo tem, começo, meio e fim e essa nova adpatação funcionou muito bem, mantendo o toque característico da série clássica e ao mesmo tempo trazendo algumas temas nostálgicas e elementos reconhecíveis dos livros.


Goosebumps 2 - The Vanishing / Foto: Disney+

A segunda temporada de Goosebumps, simplesmente “O Desaparecimento”, basicamente repete a mesma fórmula da primeira temporada, porém com um ritmo muito mais dinâmico, melhores performances do elenco e um enredo envolvente que definitivamente vai chamar a atenção principalmente do público da geração Z.  

Nessa nova história, acompanhamos o icônico David Schwimmer (Friends), como um pai nerd chamado Anthony, que se vê envolvido em um grande mistério que se estende por décadas após o falecimento de seu irmão Matty,que desapareceu com um grupo de jovens num boeiro, o que fez com que o cientista, único sobrevivente, passasse anos de sua vida trabalhando duro em seu porão, desesperado por respostas e alguma forma de encerramento. 

Por coincidência do destino, ele acaba recebendo seus filhos gêmeos Cece e Devin e os dois, acabam se envolvendo nesse mesmo mistério ao lado de um grupo de jovens desajustados da cidade e é a partir daí que o misteiro dessa nova fase começa.


Goosebumps 2 - The Vanishing / Foto: Disney+

Muitas referências à filmes de terror clássicos como Little Shop Of Horrors, Suspiria entre outros podem ser notadas ao longo dos dois primeiros episódios da segunda temporada e com certeza, ao longo da série, os fãs mais ávidos irão encontrar outras referências que marcaram diversas gerações.

Um dos pontos altos da série definitivamente fica por conta das atuações do elenco jovem que não deixa nada a desejar, bem como uma trilha sonora envolvente que conta com os maiores hits super atuais, o que com certeza vai agradar a todos os públicos,

A saga de Goosebumps é reconhecida por ter sido no passado, a obra de introdução ao terror para crianças e adolescentes de diversas gerações, então esse remake tem muito potencial de se tornar também um queridinho caso eles invistam em mais antologias curtas para as próximas temporadas.

NOTA: 8.5/10