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Netflix revela primeira imagem fofíssima de Scooby-Doo em nova série live-action

 

Por Victoria Hope 

A Netflix divulgou hoje a primeira imagem de Scooby-Doo: A Origem, nova série live-action que traz uma releitura de um dos títulos mais icônicos da cultura pop para uma nova geração. A foto apresenta ao público uma versão inédita de Scooby-Doo, marcando a primeira vez em que o personagem será retratado como um cachorro real em uma produção da franquia.

Antes de se tornarem a equipe de investigação mais famosa do mundo, eles eram apenas adolescentes passando o último verão em um acampamento. Em Scooby-Doo: A Origem, os velhos amigos Salsicha e Daphne acabam envolvidos em um mistério assustador após encontrarem um filhote de dogue alemão perdido que pode ser testemunha de um assassinato sobrenatural.

Ao lado da brilhante e pragmática Velma e do carismático recém-chegado Freddy, eles embarcam em uma investigação que logo se transforma em algo muito maior do que imaginavam. Conforme os segredos vêm à tona e o perigo se aproxima, o grupo precisará enfrentar uma ameaça sombria capaz de mudar suas vidas para sempre.

O elenco conta com Mckenna Grace como Daphne Blake, Tanner Hagen como Salsicha Rogers, Abby Ryder Fortson como Velma Dinkley, Maxwell Jenkins como Fred Jones e Paul Walter Hauser.

Atualmente em produção, Scooby-Doo: A Origem estreia globalmente na Netflix em 2027.

Scooby Doo / Foto: Netflix

Sobre Scooby-Doo: A Origem:

A série é uma versão moderna do famoso grupo de adolescentes e seu cachorro muito especial que adoram resolver mistérios. Em seu último verão no acampamento, os amigos Salsicha e Daphne investigam um mistério perturbador, envolvendo um filhote de dogue alemão perdido e solitário, que pode ter testemunhado um assassinato sobrenatural. Com a ajuda da cientista Velma e do bonitão Fred, os dois fazem de tudo para resolver o caso que está arrastando a turma toda para um pesadelo bizarro, que ameaça expor todos os segredos deles. 

6 filmes com temática queer para assistir nesta edição do Olhar de Cinema

 

Por Victoria Hope

Até o dia 13 de junho, Curitiba se torna o epicentro do cinema com a 15ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba. Considerado um dos mais importantes festivais dedicados à sétima arte no Brasil, o evento conta com 80 filmes na programação. 

Além de ser o mês do Olhar de Cinema, junho também é o mês do orgulho LGBTQIAP+, uma vez que a data do dia 28 ficou como um marco na luta por direitos, justiça social e políticas públicas para a comunidade. 

A programação do evento, que sempre promoveu incentivar diferentes olhares e abordagens cinematográficas e de direção, conta com vários filmes com a temática queer. 

Um deles é o clássico do cinema lésbico, “Corações Desertos” (“Desert Hearts” | Dir. Donna Deitch | Estados Unidos | 1986 | 91’) , com nova cópia restaurada em comemoração aos 40 anos do lançamento comercial. Esse, que foi o longa-metragem ficcional de estreia que consagrou a cineasta, traz uma reprimida professora de literatura que, enquanto aguarda os papeis do divórcio, é seduzida por uma jovem despreocupada e cheia de vida. 

Destaque também para a estreia mundial de “Olhe Para Mim”, do diretor alagoano Rafhael Barbosa, que faz parte da Mostra Competitiva Brasileira de Longas. Com Rejane Faria (“Marte Um”, “Yellow Cake”), Luciano Pedro Jr. (“Carro Rei”, “Cangaço Novo”) e o estreante Ulisses Arthur no elenco principal, a produção é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. A produção também é a primeira ficção realizada no estado de Alagoas com um edital público a chegar ao circuito, representando um marco para a produção local, que vem se destacando nos últimos anos com curtas-metragens nos principais festivais de cinema do Brasil. 


Confira a seguir seis longa-metragens com temática queer na edição deste ano do Olhar de Cinema.

- “Marimbã está acontecendo” (Dir. Maryn Marynho | Brasil | 2026 | 15’) | Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens

Sinopse: O pensamento de Marimbã percorre diversos sonhos através das águas, tecendo relações de afeto para corpos dissidentes, em um vislumbre de futuro possível. Transparentalidade, rede de apoio, infância, envelhecimento, espiritualidade… como nós, pessoas trans, imaginamos estar daqui 20, 40, 60 anos?Formado em Design (UFC) e Cinema de Animação (Vila das Artes), é percussionista, ilustrador, animador, produtor cultural, designer e tatuador.

Sessões: 10 de junho, às 13h45 - Cinemateca  (Sessão com acessibilidade na tela, libras e legenda descritiva)

 12 de junho, às 19h45 - Cinemateca

 13 de junho, às 13h15 - Cinemateca

- “A Paixão Segundo GHB” (Dir. Gustavo Vinagre, Vinicius Couto | Brasil | 2026 | 82’) | Mostra Novos Olhares

Sinopse: Um encontro casual vira um ménage à trois; o ménage à trois vira uma orgia. Nesta odisseia de realismo mágico em um quarto gay, Matias rememora seus encontros passados e considera seu futuro, enquanto conversa com uma figura fictícia da literatura brasileira. 

Sessões: 11 de junho, às 17h30 - Cinemateca 

12 de junho, às 13h45 - Cine Passeio (Ritz)

- “Corações Desertos” (“Desert Hearts” | Dir. Donna Deitch | Estados Unidos | 1986 | 91’) | Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio

Sinopse: Enquanto aguarda os papéis do divórcio, uma reprimida professora de literatura é inesperadamente seduzida por uma jovem lésbica despreocupada e cheia de vida. 

Sessões: 6 de junho, às 19h45 - Cine Passeio (Luz)

8 de junho, às 16h - Cine Passeio (Ritz)

-“Tornar-se Ciborgue no Interior” (Dir. Louisa Savignon | Brasil | 2026 | 20’) | Mostra Mirada Paranaense Sanepar

Sinopse: Leo e Julia, proprietários de um sítio, querem filhos, mas estão com problemas de fertilidade. Ava e Mia, um casal lésbico, acabaram de se mudar para o sítio vizinho. A vinda das duas mulheres criará tensão com os vizinhos. 

Sessões: 7 de junho, às 14h30 - Cinemateca  (Sessão com acessibilidade na tela, libras e legenda descritiva)

7 de junho, às 16h - Cinemateca

9 de junho, às 16h30 - Cinemateca

- “Barbara Para Sempre” (“Barbara Forever” | Dir. Brydie O’Connor | Estados Unidos | 2026 | 102’) | Mostra Exibições Especiais

Sinopse: Uma exploração orientada por arquivos da vida, obra e legado da icônica e pioneira cineasta lésbica Barbara Hammer. 

Sessões:13 de junho, às 10h30 - Cine Passeio (Ritz)

As sessões deste ano são em espaços culturais importantes da capital paranaense, como o MON - Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto), a Ópera de Arame, o Cine Passeio, a Cinemateca, e o Teatro da Vila.

Os ingressos estão à venda com valores que vão de R$8 (meia-entrada) a R$18, disponíveis pelo site oficial: www.olhardecinema.com.br. O Olhar de Cinema ainda contará com sessões gratuitas no Teatro da Vila, no CIC e algumas sessões no MON.

Mais informações sobre o 15º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba pelo site oficial: www.olhardecinema.com.br, assim como pela rede sociais Instagram - @olhardecinema; Facebook/Olhar de Cinema; Tik Tok: @olhardecinema; X/Twitter: @Olhardecinema_.

Anime Friends 2026 | Yoshiki Fukuyama lidera maior edição do Super Friends Spirits

 

Por Victoria Hope

O Anime Friends 2026 prepara mais um momento histórico para os fãs de músicas de animes e tokusatsu. No domingo, 5 de julho, o AF Festival recebe Yoshiki Fukuyama, uma das vozes mais emblemáticas da cultura pop japonesa, como destaque da maior edição já realizada do Super Friends Spirits. Inspirado nos tradicionais shows promovidos no Japão, o projeto retorna ao festival reunindo dez artistas brasileiros e japoneses. O evento acontece em menos de um mês, de 2 a 5 de julho, no Distrito Anhembi, em São Paulo, e os ingressos já estão disponíveis.

Conhecido mundialmente por sua trajetória em Macross 7 e por integrar o lendário JAM Project, Fukuyama retorna ao Anime Friends após participações marcantes em edições anteriores. Com uma carreira consolidada ao longo de décadas e uma legião de fãs em diversos países, o artista é um dos nomes mais aguardados desta edição e promete protagonizar um dos momentos mais emocionantes do AF Festival.

Ao lado dele estarão YOFFY, vocalista do Psychic Lover; NEW JACK Takurou; Matsuko Mawatari; Mika Chiba; Ricardo Cruz; Larissa Tassi; Luigi Carneiro; Hans Zeh; e Lucas Araujo. Juntos, os artistas darão vida a um espetáculo que reúne músicas ligadas a franquias e séries que marcaram gerações, como Super Sentai, Macross, Yu Yu Hakusho, Cybercop, Digimon, Yu-Gi-Oh!, Transformers, Bakugan, Os Cavaleiros do Zodíaco, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Solbrain e muitas outras produções que ajudaram a popularizar a cultura pop japonesa em todo o mundo.

Nos últimos anos, o Super Friends Spirits se consolidou como um dos encontros mais especiais da história do Anime Friends ao promover apresentações inéditas entre artistas japoneses e brasileiros. Ao longo do espetáculo, os convidados dividem o palco, interpretam clássicos em conjunto e criam momentos exclusivos para o público do festival.

"Desde a criação do Super Friends Spirits, nossa proposta sempre foi proporcionar encontros que dificilmente aconteceriam em qualquer outro lugar do mundo. É um projeto que representa perfeitamente o espírito do Anime Friends, conectando artistas, culturas e gerações por meio da música. Reunir nomes como Yoshiki Fukuyama, YOFFY, Matsuko Mawatari e tantos outros talentos em um mesmo palco é uma oportunidade única para os fãs e um dos momentos mais especiais que já construímos para o festival", afirma Juliano Aniteli, CEO da Maru Division.

Entre os destaques da edição de 2026 do Anime Friends está o retorno de Matsuko Mawatari ao Anime Friends. Após realizar, em 2022, o que havia sido anunciado como sua despedida das apresentações ao vivo, a cantora volta ao festival para um reencontro especial com os fãs brasileiros.

O espetáculo também marcará duas estreias aguardadas pelo público. Pela primeira vez no Brasil, NEW JACK Takurou, intérprete de músicas ligadas ao universo Super Sentai, e Mika Chiba, eternizada como Tomoko Uesugi em Cybercop e também cantora de temas da série, participarão de apresentações diante dos fãs brasileiros.

Amazônia Live - O Documentário | Rock in Rio e The Town lançam e revelam bastidores do grande movimento realizado pelos festivais em prol da floresta

 

Por Victoria Hope

O público já pode anotar na agenda: no dia 6 de junho, às 18h, em meio à Semana do Meio Ambiente, o Rock in Rio e o The Town levam ao Multishow o documentário "Amazônia Live - O Documentário". A produção inédita revisita a trajetória da iniciativa criada pelos festivais para virar os holofotes do mundo para a Amazônia em um chamado pela necessidade de manter a floresta em pé, proteger seus povos originários e contribuir para o desafio global de reduzir as emissões de carbono. O conteúdo reúne depoimentos exclusivos de Mariah Carey e as divas paraenses - Dona Onete, Joelma, Gaby Amarantos e Zaynara, que participaram do especial de TV no Rio Guamá -, assim como Ivete Sangalo e os artistas do Grande Encontro Por Um Mundo Melhor, no Mangueirão, revelando os bastidores dessa jornada. 

O documentário também evidencia os desdobramentos concretos da iniciativa, como o edital de 2 milhões que no ano passado beneficiou seis projetos na região metropolitana de Belém. Depois da exibição no Multishow, o especial ficará disponível por um ano no Globoplay. 

O Amazônia Live é um movimento de legado que faz parte do pilar Por Um Mundo Melhor, bandeira que o Rock in Rio levanta desde sua primeira edição, em 1985. O projeto na região Amazônica teve início em 2016 e, em quase 10 anos, já registrou mais de quatro milhões de árvores plantadas no território nacional. Houve também a promoção de renda para o povo indígena do Xingu e a recuperação das margens do rio de mesmo nome, revitalizando terrenos desmatados e mobilizando trabalhadores coletores da Rede de Sementes do Xingu.  

Muito além dos palcos, o documentário mergulha na dimensão humana, ambiental e cultural do movimento, revelando os bastidores do projeto que conectou artistas, comunidades locais, institutos, organizações e milhares de pessoas em torno de uma mesma causa. A produção percorre diferentes frentes do projeto, como o especial de TV protagonizado por Mariah Carey e as divas paraenses – que se apresentaram em um palco flutuante em forma de vitória-régia no Rio Guamá – e o “Grande Encontro Por Um Mundo Melhor”, mobilização popular realizada gratuitamente no Mangueirão, em Belém. 

Amazônia Live / Foto: Divulgação

O público também pode conhecer um pouco mais sobre as seis iniciativas beneficiadas pelo edital de R$ 2 milhões, que atuam com temáticas como promoção dos direitos das mulheres, geração de renda, conservação da natureza, turismo de base comunitária, agroecologia, reciclagem e valorização da cultura tradicional. O documentário mostra como música, cultura e impacto social se transformaram em ferramentas para dar visibilidade global à floresta e fortalecer o debate ambiental para as próximas gerações.  

Para Roberto Medina, criador e presidente da Rock World, o projeto nasce da necessidade de usar a potência da música para provocar reflexão e mobilização coletiva em torno de um tema urgente para o planeta. “A gente é um instrumento de união. É um pouco de luz em um momento muito obscuro da sociedade. Você emocionar as pessoas e conquistá-las pelo movimento é único. A gente não vive sem a floresta, não é uma questão de opção. Eu fiquei pensando que contribuição eu poderia dar para essa discussão no ano que o Brasil receberia a COP e aí fazia todo o sentido realizar um espetáculo no meio da floresta.com imagens que ganhassem o mundo”, revelou.  

Ao longo do documentário, o público acompanha histórias e iniciativas que mostram o impacto direto do projeto na Amazônia e nas comunidades da região, reforçando a importância de ampliar o debate ambiental por meio da cultura e da música. Para Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, a trajetória do Amazônia Live representa também a evolução do próprio compromisso socioambiental da marca ao longo dos anos. 

“Toda a jornada do Por um Mundo Melhor é um aprendizado que cresce junto com a sociedade. Aquilo que a comunidade mostra que é relevante a gente abraça e traz para as nossas mensagens. O Amazônia Live teve a primeira edição em 2016, quando plantamos quatro milhões de árvores da região do Xingu. Ali, começamos olhando para o social e depois aprendemos sobre o olhar ambiental, que foi acolhido dentro dos nossos compromissos. Com a chegada da COP30 a Belém, pareceu o momento perfeito para a gente convocar o grande público. A gente quis falar com o mundo, por isso trazer a Mariah para poder reverberar internacionalmente juntar com as divas paraenses para mostrar a cultura local. Uma das coisas que a gente aprendeu nessa jornada é que a floresta é mais forte quando tem pessoas vivendo dela”, acredita. 

[Review] Dia D, novo sci-fi de Steven Spielberg

 

Por Ricardo dos Santos

Steven Spielberg é um dos maiores nomes da história do cinema e sempre que surge um novo trabalho do cineasta existe a expectativa de uma grande experiência cinematográfica. Sua mais recente produção é Dia D (Disclosure Day) com lançamento para o dia 11 de junho com distribuição da Universal Pictures.

O filme de ficção científica tem como roteirista David Koepp (Jurassic World: Rebirth) tendo seu  elenco formado por Collin Firth, Emily Blunt, Josh O’Connor e Colman Domingo. Além de assumir a cadeira de direção Spielberg é o produtor do longa. 

A trama de Dia D é sobre o colapso mundial que ocorre quando segredos governamentais são expostos e a existência de vida extraterrestre é confirmada, se tornando uma realidade inegável para toda a humanidade.

Acredito ser muito difícil determinar qual é a maior obra de um cineasta consagrado devido ao altíssimo nível de tudo o que criou. Entretanto, se tratando de Spielberg é tão interessante pensar que o seu melhor trabalho sempre soa ser o mais recente, como se houvesse um aprimoramento de sua técnica e Dia D entrega esta percepção. 


Dia D / Foto: Universal Pictures

Dito isso, o trabalho do diretor é excelente revisitando o fascínio pelo desconhecido, um dos temas que marcou a sua carreira, de uma perspectiva mais humana, emocional e temos neste longa uma conexão entre a fé e a ciência que pouquíssimo já foi abordado no cinema. Além disso, ele conduz a narrativa através do suspense e até usando elementos do terror e essa harmonia de tantos elementos vai resultar em uma experiência cinematográfica impressionante.

O roteiro é outro ponto forte deste filme por colocar na mesma história a ficção científica com uma trama que tem elementos políticos, sociais e uma visão sobre a influência das redes sociais na vida moderna. A ênfase do argumento é sobre o impacto de saber da existência alienígena, levantando muitas questões filosóficas e morais dos seus personagens. 

As atuações de destaque em Dia D são de Emily Blunt, Colman Domingo e Collin Firth que estão excelentes desempenhando os papéis dos três personagens que são os pontos chave da história. Também vale ressaltar o trabalho de atuação de Eve Hewson cuja personagem vai simbolizar essa faceta mais humanizada da história. 

Outros elementos técnicos como a fotografia, montagem, direção de arte são excelentes ambientando o espectador da forma adequada para cada cena e entregam o aspecto de grandiosidade do longa. 

Por fim, acredito que Dia D é um dos fortes candidatos ao melhor filme deste ano, um dos maiores trabalhos de Steven Spielberg e uma obra de ficção científica que tem o potencial de futuramente ser vista como uma das maiores obras de sua década

[Entrevista] Um papo sobre Spider-Noir com os Diretores de Fotografia Darran Tiernan e Peter Deming

 



Por Victoria Hope

O Homem-Aranha é, sem dúvida, um dos super-heróis que mais teve versões alternativas ao longo de sua trajetória, desde Homem-Aranha 2099 ao Porco-Aranha, Gwen-Aranha, Homem-Aranha Superior entre muitos outros, entretanto, uma de suas versões mais intrigantes é a versão Noir - uma série de quadrinhos que colocava seus heróis em cenários inspirados em filmes noir e pulp fiction

Com uma estética sombria, que mistura elementos steampunk e detetivescos, ambientado em uma Nova York dominada pelo crime, somos introduzidos a um fascinante universo alternativo de Spider-Noir, um dos personagens mais complexos e intrigantes da família aracnídea. 

É nesse cenário que o público acompanha as aventuras (e desventuras) do complicado Ben Riley (Nicolas Cage) na nova série original do Prime Video! Na trama, o detetive particular é contratado para casos simples, até que gângsteres, monstros e uma misteriosa femme fatale tecem uma teia que o obriga a confrontar seu passado como o único super-herói de Nova York: O Spider.

Spider- Noir ocorre em um cenário político agitado da década de 30, retratando um cenário social completamente arruinado pela crise de 29, transmitindo um sentimento de desesperança e medo na população. A série está sendo aclamada pelo público pela fotografia ímpar e a possibilidade de ser assistada tanto de forma colorida quanto em preto e branco pelo público, ambas escolhas muito acertadas! 

Nossa equipe teve a oportunidade de entrevistar os dois brilhantes cinegrafistas Darran Tiernan (Pinguime Peter Deming (Pânico 2 e 3), para comentar sobre Spider-Noir, essa nova produção que ganhou o coração dos aficionados por quadrinhos e séries investigativas.

Darran Tiernan e Peter Deming, diretores de fotografia de Spider-Noir
Amélie: Como foi trabalhar em uma série que se passa na década de 30? Essa é uma estética que vocês gostam e já abordaram antes em produções anteriores?

Darran: Sim! Essa é a segunda vez que tenho a oportunidade de trabalhar com esse tema e eu amo aquele mundo. É muito interessante principalmente quando abordamos a década de 30 nos Estados 
Unidos, por conta da era da Grande Depressão. 

Todas as texturas, a tecnologia da época, a moda, tudo o que estava acontecendo culturalmente naquele período, sabe? A fotografia estava em seu auge e a indústria cinematográfica que conhecemos estava começando a tomar forma, então pessoalmente, acho que era um período muito bonito, visualmente falando.

Peter: Sem dúvidas! Acredito que ambos já trabalhamos em abordagens desse período, mas nunca com esse visual. É como se explorássemos uma releitura moderno e tudo parece tão mais autêntico, sabe? Como se realmente fosse daquela época *risos* e é claro que sabemos que não é da época, mas a ideia era deixar o mais próximo possível.

Amélie: Todas as cenas realmente possuem uma textura e riqueza enorme de detalhes. Com isso em mente, quando falamos da escolha em apresentar o projeto em dois formatos, tanto em preto e branco quanto colorido, existe uma preferência para cada um?

Darran: Tenho muito orgulho das duas versões! Foi uma verdadeira jornada chegar nisso, criar esses dois visuais que deveriam coexistir e agora, parando para pensar, acredito que em algumas cenas, existe um distanciamento emocional entre o colorido e o preto e branco e você sabe, cada pessoa vai reagir de uma forma diferente à cada versão, mas para mim, tenho muito orgulho das duas, por razões diferentes também.

Peter: Eu diria que gravito mais para o lado preto e branco! Quando eu estava filmando, estava completamente absorto nessa versão, mas é claro, também observando a versão colorida ao mesmo tempo e agora que a série foi finalizada, eu ainda acho que prefiro a versão preto e branco, mas ainda assim sou grato pela versão colorida e da mesma forma que fomos incentivados à usar o preto e branco, também fomos incentivados a utilizar o colorido. 

Falando com pessoas que assistiram a série inteira nos dois formatos, muita gente comentou que se sentiu assistindo duas séries completamente diferentes devido a ausência ou adição de cores, sabe? Elas evocam sentimentos diferentes e eu acho isso fascinante.

Amélie: Vamos falar sobre o uso da dioptria dividida nas cenas! Elas ajudaram muito a evocar aquela sensação de estarmos lendo páginas de quadrinhos! Como foi utilizar essa técnica na série?  

Darran: Claro! Que projeto incrível é esse, que nos deixou usar dioptria dividida! Nós dois utilizamos a técnica de formas diferentes e é sempre tão animador ter permissão de fazer isso *risos* Alguns desses momentos foram planejados, outros simplesmente apareceram de forma natural enquanto estávamos montando as cenas. Elas são sempre muito divertidas e eu quero usar mais no futuro!

Peter: Concordo totalmente! Quando você olha para o pacote das câmeras e vê dioptria dividida ali, imediatamente você pensa que está prestes a fazer ser algo muito divertido! Você sempre busca por oportunidades para poder fazer isso da maneira correta, sabe? Tipo, esconder bem aquela linha que divide os quadros da melhor forma possível.

Depois que filmamos, comecei a pensar que vou levar essa técnica para absolutamente tudo o que eu fizer a paertir de agora *risos* Vamos fazer isso mais vezes! Sabe, teve um momento que a assistente chegou a perguntar "É isso mesmo que você quer?" e eu disse: "É claro!" e felizmente, todos que estavam envolvidos nesse projeto concordaram e disseram "Vamos fazer isso!"

Spider-Noir / Foto: Prime Video
Amélie: Imaginem que a partir de agora, todos nós fazemos parte do universo do Homem-Aranha! Se vocês pudessem escolher uma habilidade aracnídia, qual seria? 

Darran: Wow, essa é uma pergunta incrível! Tem tantos! Eu queria poder escolher mais de um! *risos*, mas acho que nesse mundo em que vivemos agora, eu escolheria ter Super-Força!

Peter: Para mim são definitivamente as teias! Eu acho que você até pode usar elas pra lutar com pessoas, mas eu acho que eu queria mesmo era voar pela cidade usando as teias! *risos*

Darran: Acho que eu teria muito medo de praticar voo com teia! 

Peter: Mas é para isso que a gente teria quer praticar *risos*

Amélie: Excelente! Eu acho que eu gostaria de ter oito olhos para poder ver oito telas de cinema ao mesmo tempo!

Darran: *Risos* Esse é um poder muito incrível!

Peter: Eu achei esse poder a sua cara! *risos*

Amélie: Sobre Spider-Noir, qual foi o momento favorito dos episódios que dirigiram?

Darran: Tem Muitos momentos! Mas a que eu mais gosto de reassistir é a cena da  Li Jun Li interpretando a Felicia 'Cat' Hardy. A cena da performance musical dela no primeiro episódio foi fascinante, aliás, desde o momento da entrada do Ben no local até ele conhecê-la. Eu amo essa sequência.

Peter: Eu adoro a cena em que ele [Ben] aparece no apartamento da Felicia, numa última súplica para que eles fiquem juntos, sabe? Para eles fugirem juntos. E na verdade essa foi a primeira cena que eu filmei para a série. Tinham muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo! 

Era meu primeiro dia no set, nós estávamos no palco tentando deixar tudo o mais impecável possível. O set inclusive, estava com aquele visual perfeito noir e Nic Cage estava fazendo o que faz de melhor e ele estava tão empolgado e aquela cena da súplica realmente marcou demais. 

Spider-Noir / Foto: Prime Video
Amélie: Falando em Nicolas Cage, como é trabalhar com esse ator tão icônico?

Darran: Maravilhoso, na verdade! Não apenas ele é uma pessoa muito legal, como ele também sabe muito sobre filmes! Sabe muito sobre a década de 30 e sobre quadrinhos também! É um profissional completo e uma pessoa realmente maravilhosa. Sempre pontual, sempre pronto sem se atrasar. Ele sabe tudo sobre os projetos e se envolve bastante em todos os processos.

Quando começávamos a filmar, a primeira coisa que ele dizia era "Onde vocês me querem para essa cena? Aqui? Ali?"  E ele também sabe muito sobre como e onde encontrar a câmera independente da composição das cenas, era incrível! Fazia parte de sua conexão com sua performance! 

Ele realmente acompanhava tudo, era o primeiro a chegar para a leitura de roteiro e isso transparesse para todos que assistem a série também, esse envolvimento dele. Ele também era muito generoso com os outros atores, sempre querendo acompanhá-los, se conectando muito bem com todo o elenco.

Peter: Eu concordo com tudo isso e acho que o Nic gosta de impulsionar sua performance. Tinham muitas coisas interessantes, por exemplo, ele não era quem você imaginaria nesse papel quando lê o roteiro, mas ele é tão bom nas telas, planeja tudo minuciosamente na cabeça dele em termos do progresso do personagem, que consegue acertar muito e nenhuma cena é igual a outra! Toda vez que tínhamos que voltar a filmar a mesma cena, ele perguntava "O que podemos fazer diferente agora?" *risos* E nunca era algo igual; ele sempre trazia algo novo e diferente.

Amélie: Na série, eventualmente, Ben redescobre seu amor por ser um Homem-Aranha; já que a muito tempo isso estava enterrado. Em algum momento de suas carreiras, vocês já se sentiram como Ben? Como se algo importante na carreira de vocês tivesse se apagado, mas que de repente, num belo dia, algo voltou a ignar sua paixão pela cinematografia? 

Darran: Pessoalmente sim, viu? Às vezes você faz um projeto que não está fluindo bem e isso pode amargurar sua criatividade e de repente, aparece um projeto onde você diz "Uau!" É claro que não vou nomear nenhum projeto, mas vez ou outra aparece um projeto que me faz amar direção de fotografia de novo! É como se algo me dissesse que estou exatamente onde deveria estar! Mas também é muito sobre como você lida com a situação, sabe? 

Muitas vezes você precisa passar por aquilo; você vai fazer o seu melhor e não vai deixar as outras pessoas do projeto de lado, mas aí em outras vezes, tudo vai fluir perfeitamente e vai se encaixar muito bem! Como em Spider-Noir para mim, tudo funcionou muito bem! 

Peter: Concordo totalmente. Existem projetos ou momentos de alguns projetos onde é muito difícil ficar animado com a parte visual do projeto, mas eu sempre faço um lembrete à mim mesmo de que é um privilégio fazer o que a gente faz, sabe?

Estar em um set e gastar o dinheiro de outra pessoa *risos* para fazer coisas que você quer fazer! Obsviamente é uma colaboração, mas a forma que você captura as imagens, suas escolhas nas gravações, são algo muito pessoal e único seu e saber disso é que me ajuda nos momentos mais difíceis.

As vezes o trabalho pesa na sua alma, mas quando você pode ver esse trabalho crescendo ao lado do roteiro, da atuação, tudo vai se encaixando e aparece no produto final, que todo mundo envolvido sempre deu o 100% de tudo.