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SXSW 2025 | Baggage (Animation Short)

 


Por Victoria Hope

No belíssimo curta de animação em stop-motion "Baggage",  de Lucy Davidson (da equipe dop indicado ao Oscar "Memórias de Um Caracol"), três amigas despacham suas bagagens no aeroporto, mas uma delas está carregando um pouco mais que as outras. Enquanto elas viajam pela esteira rolante até a segurança, ela consegue esconder o que tem dentro? 

O curta de Lucy Davidson é um filme cômico, mas comovente, que explora a amizade feminina e o peso emocional que os verdadeiros amigos ajudam a carregar pela vida.  Além de ser  selecionado para o London International Animation Festival e Flickerfest, ganhou o prêmio de "Melhor Curta de Animação" no Peninsula Film Festival

Com uma ideia simples, mas muito emocionante, Baggage é o curta de animação mais interessante dos últimos anos. Seguindo a temática de toda a bagagem emocional que mulheres levam ao longo de suas vidas, o filme mostra, com muito bom humor, como todas são julgadas pelo seu passado, principalmente pela sociedade, mas que ter amizades verdadeiras é crucial para erguer as mulheres e fazê-las terem orgulho de suas jornadas.

O estilo stop-motion é excelente pra contar esse tipo de narrativa e a cada momento, a audiência vai se pegar pausando os olhos em cada detalhe da mala, com certeza se identificando com alguns dos traumas, medos, receios e sonhos abandonados que a personagem carrega.

Baggage é um curta muito empoderador ao nos lembrar que nunca estamos sozinhas e que muitas já passaram pelas mesmas dores. Não é vergonha ter abandonado sonhos ou não ter relacionamentos que deram certo no passado, afinal, sempre há tempo de recomeçar e é por isso que o apoio de quem está próximo é tão importante para a jornada de cura. 

A grande mensagem é a que está tudo bem carregar esse peso, ele incomoda, mas também mostra o quanto a pessoa já viveu e quantas vezes ela pode retomar sua própria vida, afinal, todos temos bagagens. e tudo vai ficar bem, eventualmente.

NOTA: 10/10

SXSW 2023 | Animated Short Film | Beyond the Fringe

 

Por Victoria Hope

E hoje terminamos nossa maratona de filmes do SXSW com o fofíssimo curta de animação 'Beyond the Fringe' dirigido por Han Tang. Na trama, em uma noite tranquila, uma intrigante figura de papel emerge magicamente de um caderno. No início, estava animado e cheio de curiosidade. 

Mais tarde, porém, quando a pequena figura de papel descobre de repente o quão pequena, frágil e sozinha é neste grande mundo estrangeiro, o medo se instala e faz com que ela desmorone. 

A pequena figura de papel mergulha em sua inconsciência para descobrir de onde veio e encontra forças para tomar a difícil decisão de se arrancar do papel de onde veio para explorar o mundo além. Esta é a história de crescer e sair de casa contada como um conto imaginário.

Para quem tem uma conexão e raízes fortes com a casa e a família, esse curta acerta em cheio ao demonstrar todo sentimento de medo e angústia de sair do lugar e se mover para seguir em frente. Em um dos momentos mais emocionantes do curta, a criaturinha de papel até tenta se encaixar novamente no caderno, mas ela não cabe mais ali, ela precisa de uma nova vida, uma nova atitude, mesmo que o medo esteja a congelando.

Agora falando em técnica, o estilo stop-motion funciona muito bem e ajuda a experiência de imersão na história, fazendo com que o público sinta a angústia da pequena criaturinha. É uma bela fábula sobre 'crescer e aparecer', nos relembrando que por mais que nossas raízes nunca nos deixem, todos nós temos que seguir em frente, mesmo que com medo, mas sem pestanejar.

NOTA: 9/10 

SXSW 2022 | Amy Bench, diretora premiada, retorna com documentário animado More Than I Remember

Por Victoria Hope

Dirigido pela vencedora do SXSW Amy Bench, produzido por Carolyn Merriman, com direção de animação por Maya Edelman, além de produção executiva de Eloise DeJoria e Constance Dykhuizen, o documentário animado de curta duração "More Than I Remember", terá sua estreia no SXSW 2022, competindo na categoria de curtas animados. 

Na trama, em uma noite em sua casa no sudeste do Congo, Mugeni, uma adolescente de 14 anos, acorda ao som de bombas. Enquanto sua família se espalha pelas florestas ao redor para se salvar, Mugeni se vê completamente sozinha. 

A partir daí, ela parte em uma notável jornada solo pelo mundo, determinada a se reunir com seus entes queridos perdidos e levantar o povo Banyamulenge. Apesar de obstáculos inimagináveis, a história de Mugeni é, em última análise, um retrato de esperança, amor e laços familiares.

More Than I Remember / Foto: Divulgação

Com uma temática muito recente essencial, como temos visto quanto ao que está acontecendo diante dos conflitos ocorrendo nesse mês no exterior, a história de Mugeni chama a atenção necessária para a negação da cidadania e a crise humanitária que ocorre no sudeste do Congo, onde os ataques das milícias aos Banyamulenge, uma minoria perseguida, levaram à destruição de centenas de aldeias e ao deslocamento de mais de 200.000 pessoas. 

Como resultado desse genocídio, muitos acabaram como refugiados em países vizinhos ou espalhados pelo mundo. Como um santuário seguro e acolhedor para pessoas perseguidas, os Estados Unidos, às vezes, acolheram e reassentaram, por motivos humanitários, menores desacompanhados como Mugeni. Esse programa que salva vidas foi quase eliminado em 2018, deixando milhares como Mugeni com menos lugares para pedir ajuda.

As crianças refugiadas desacompanhadas são as mais vulneráveis ​​dos vulneráveis ​​e, por mais de quarenta anos, os Estados Unidos, trabalhando com as Nações Unidas, forneceram um caminho para um número pequeno, porém crítico, dessa população. O governo anterior procurou tirar isso. Histórias como a de Mugeni destacam a necessidade de fornecer espaços seguros para as crianças que mais precisam – e trabalham para expor o público ao problema, protegendo o legado do Programa de Menores Refugiados Desacompanhados (URM).

Sundance 2022 | Night Bus (Short Film)

 

Por Victoria Hope

O grande vencedor do júri na categoria de Curta do Sundance, foi 'Night Bus', o curta de animação do diretor taiwanês  Joe Hsieh,  fazendo com que ele se tornasse o primeiro taiwanês a vencer um prêmio no Sundance Film Festival

Nesse thriller eletrizante de 20 minutos, acompanhamos cinco viajantes que pegam carona no último ônibus da noite para voltar para suas respectivas casas, mas tudo muda quando um roubo acontece a bordo e a verdadeira trama começa a se desenrolar. 

A tensão aumenta em cena conforme o andamento do curta prossegue e absolutamente nada prepara o público para a sucessão de reviravoltas que acontece na trama. A madame tem seu colar de pérolas roubado por um dos poucos passageiros e ao descobrir quem foi o suposto culpado, ordena que ele seja preso.

Enquanto a passageira 'rica' ordena que a classe trabalhadora, composta por dois mineradores no ônibus, ataquem o 'ladrão', o rapaz diz que não pegou nada e é inocente, mas mesmo assim, é violentamente atacado pela dupla de trabalhadores.

Mais do que apenas um thriller com cenas chocantes e muito sangrentas, "Night Bus" aborda temas como o carma e também a diferença de classes sociais, explorando a dinâmica da personagem aparentemente abastada para com os passageiros mais pobres, a dinâmica da esposa grávida que sofre violência doméstica e um dos casos mais chocantes que irá causar ainda outro plot twist: a violência contra animais.

A mixagem de som foi primordial para que o filme passasse a mensagem da forma mais apropriada para o público e a grande mensagem final tem muito a ver com o carma e como todos, uma hora ou outra, não importa a classe social, religião ou background, irão colher o que plantaram, tanto em vida quanto em suas mortes. 

 

NOTA: 9/10