Por Victoria Hope
Dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, o documentário "Não Existe Almoço Grátis" chega ao circuito comercial nesta quinta-feira, 3 de setembro. Com distribuição da Descoloniza Filmes e classificação indicativa de 10 anos, a produção contará com sessões em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Penedo, Poços de Caldas, Porto Alegre e Salvador.
Além das sessões tradicionais, “Não Existe Almoço Grátis” ganha uma exibição especial acompanhada de debate no Rio de Janeiro, também no dia 3 de setembro, às 21h, no Cine Estação Claro Rio (Rua Voluntários da Pátria, 35 - Botafogo). Os participantes são Marcos Nepomuceno (diretor), Pedro Charbel (diretor), Socorro Rodrigues (protagonista), Caio Prado (cantor e compositor) e Gizele Martins (jornalista e diretora, que fará a mediação). Os ingressos podem ser comprados online clicando aqui. Uma sessão seguida de debate em Salvador também é planejada, com detalhes a serem divulgados mais adiante.
O filme reflete sobre os profundos danos que durante a gestão da pandemia de Covid-19 foram acompanhados por outro vírus terrível: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar essa situação levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.
Em Brasília, três mulheres negras, Bizza, Jurailde e Socorro, lideram uma dessas Cozinhas Solidárias, localizada na maior favela do país, Sol Nascente, a apenas 30 km do centro da capital. No contexto da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, elas estão encarregadas de cozinhar para as centenas de militantes do movimento que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro.
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| Documentário premiado pelo Júri Popular no Festival de Brasília / Foto: Reprodução |
As três protagonistas possuem arcos narrativos singulares, apresentados de modo não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir sua casa e abrir seu próprio negócio no lote que conquistou através da luta no MTST. Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à sua ancestralidade indígena e seu passado de trabalho infantil. Socorro, por sua vez, descobre o orgulho de si ao formar sua própria família depois de ter sido abandonada pelo pai na infância.
"Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas. É nesta cidade partida que Socorro, Jurailde e Bizza se conhecem e se tornam coordenadoras de uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, distribuindo almoços grátis diariamente", refletem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Em meio a ameaças de golpe e crescente violência política, "Não Existe Almoço Grátis" acompanha esta saga de preparação logística e culinária massiva no contexto da posse presidencial mais paradigmática desde a redemocratização. Ao mesmo tempo, o filme traz entrevistas profundas com Bizza, Jurailde e Socorro, cujas vidas têm sido cheias de dificuldades, mas de muita resistência.
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