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[Review] Aqui

 

Por Victoria Hope

Muito tem se falado sobre "Aqui", filme que prometia a reunião da equipe do clássico Forrest Gump, incluindo Tom Hanks, Robin Wright e o director Robert Zemeckis, contando também com o roteiro de Zemeckis e Eric Roth.), mas a espera de mais de 30 anos por essa parceria não rendeu muitos frutos. 

Baseado em uma história em quadrinhos de Richard McGuire, Aqui é filmado a partir de um único ponto de vista: o canto de uma sala de estar em algum lugar dos Estados Unidos. (Presumivelmente em algum lugar no meio do Atlântico,

O foco principal do filme está na relação romântica entre Richard (Hanks) e Margaret (Wright), que são introduzidos ao público quando adolescentes e aos poucos, vão se apaixonando, tem uma família juntos e assim vivem até os 80 anos de idade. Tinha tudo para ser a história perfeita de amor, não fosse por tantas subtramas que distraem e nem sempre se interseccionam com o enredo principal da história.


Aqui/ Foto: Miramax

Além da história desse casal, Aqui mostra diversos relances por outras vidas dessa casa, desde a era dos dinossauros, até a chegada dos primeiros habitantes, que são dos povos originários, até a passagem da realeza, entre muitas outras famílias até o retorno ao casal principal.

O filme mostra muuito bem como funcionavam as relações românticas de gerações passadas e o quanto as esposas, em sua maioria, tiveram que fazer diversos sacrifícios pela família, para que seus maridos vivessem seus sonhos e esse é um ponto importante, pois toca numa ferida geracional extremamente relevante.

"Aqui" tem várias boas idéias, porém tudo se perde quando não há correlação com os temas abordados e outro lado que desagrada é definitivamente o fato de que em todas as histórias de séculos mostrados em tela, o público acompanha histórias de amor entre casais, agora justamente quando a única família negra, racializada da história aparece, seu amor jamais é mencionado, pois o roteiro não os aprofunda, como também apenas foca em um momento sobre situações hipotéticas de racismo que o filho da família provavelmente vai sofrer ou sobre a crise do Covid -19, o que deixa um gosto amargo na boca. 

NOTA: 5/10

A Verdadeira Dor, filme premiado estrelado por Kieran Culkin e Jesse Eisenberg, estreia nos cinemas em 30 de janeiro

 

Por Victoria Hope

Com seu estilo distinto de contar histórias e uma jornada emocional instigante sobre relacionamentos complexos, Jesse Eisenberg e Kieran Culkin apresentam performances comoventes em A Verdadeira Dor, que estreia nos cinemas brasileiros em 30 de janeiro.

Explorando temas universais como herança cultural, aceitação e relacionamentos familiares, ambientado contra o cenário pitoresco da Polônia, A Verdadeira Dor foi aclamado tanto pelo público quanto pela crítica. 

O filme foi indicado a 4 prêmios Globo de Ouro®, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (Jesse Eisenberg), Melhor Roteiro, e venceu na categoria de Melhor Performance por Ator Coadjuvante, com Kieran Culkin. Além disso, o filme ganhou na categoria Roteiro on Prêmio Waldo Salt Roteiro no Festival de Cinema de Sundance no ano passado e foi nomeado um dos 10 Melhores Filmes de 2024 pela AFI.

A Verdadeira Dor, da Searchlight Pictures, está com certificação Fresh no Rotten Tomatoes™ e foi elogiado pelos críticos como "uma obra-prima" (Taylor Gates, Collider) e "uma odisséia encantadora, engraçada e bonita" (Owen Gleiberman, Variety).

Sinopse

Os primos em desacordo, David e Benji, se reencontram para uma viagem pela Polônia para homenagear sua amada avó. A aventura toma um rumo inesperado quando as antigas tensões entre eles ressurgem, contra o pano de fundo da história de sua família.

Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, Emilia Pérez, conquista quatro prêmios no Globo de Ouro

 

Por Victoria Hope

O drama “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard, ganhou quatro prêmios no Globo de Ouro, que aconteceu no último domingo. Vencedor nas categorias “Melhor Filme de Língua Não Inglesa”, “Melhor Filme Musical ou de Comédia”, “Canção Original” e “Atriz Coadjuvante” (Zoe Saldaña), o longa, que chega aos cinemas brasileiros em 06 de fevereiro, com distribuição da Paris Filmes, foi a produção cinematográfica mais premiada da noite. “Emilia Pérez” também venceu o Prêmio do Júri na última edição do Festival de Cannes e está na pré-lista do Oscar em seis categorias, incluindo Melhor Filme Internacional. Assista ao trailer aqui e baixe as imagens neste link.

O longa acompanha Rita (Saldãna), uma advogada de um grande escritório que está mais interessada em libertar os criminosos do que em levá-los à justiça. Certo dia, ela recebe uma inesperada proposta: o líder do cartel, Manitas (Karla Sofía Gascón), a contrata para ajudá-lo a se retirar de seu negócio e realizar um plano que vem preparando secretamente há anos: tornar-se a mulher que ele sempre sonhou ser. A trama é livremente adaptada do romance ‘‘Ecoute’’ de Boris Razon. O elenco ainda conta com Selena Gomez, Adriana Paz e Edgar Ramírez.

Why Not Productions e Page 114 assinam a produção, com coprodução de Saint Laurent por Anthony Vaccarello, Pathe, France 2 Cinema, em associação com Library Pictures International, Logical Content Ventures, Les Films du Fleuve e The Veterans. A distribuição nacional é da Paris Filmes.

O Brutalista | Universal Pictures divulga trailer inédito do filme vencedor do Globo de Ouro

Por Victoria Hope

A Universal Pictures revela trailer oficial de O Brutalista, filme já premiado no Festival de Veneza, em 2024, com o prêmio Leão de Prata, e vencedor do Globo de Ouro em três categorias: Melhor Direção (Brady Corbet), Melhor Ator (Adrien Brody) e Melhor Filme (Drama) – após acumular sete indicações à premiação.

O trailer traz vislumbres sobre a vida do arquiteto visionário László Toth (Adrien Brody), recém-fugido da Europa, que chega aos Estados Unidos em busca de reconstruir sua vida por completo, incluindo seu trabalho e principalmente seu casamento, após uma separação forçada. Sozinho em um novo país, encontrará quem reconheça seu talento para a construção, mas o preço disso pode ser alto.

Já exibido na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, O Brutalista deve chegar aos cinemas brasileiros em 20 de fevereiro.

Sobre o filme:

Em fuga da Europa do pós-guerra, o arquiteto visionário László Toth chega à América para reconstruir sua vida, seu trabalho e o casamento com sua esposa Erzsébet, depois da separação forçada durante a guerra por mudanças de fronteiras e regimes. Sozinho em um novo país estranho, László se estabelece na Pensilvânia, onde o rico e proeminente industrial Harrison Lee Van Buren reconhece seu talento para a construção. Mas poder e legado têm um custo muito alto.

Confira o trailer oficial:



Stories X Women 2025 | Com o apoio da Disney, Women in Animation abre inscrições para iniciativa

Por Victoria Hope

Estão abertas, pelo quarto ano consecutivo, as inscrições para o programa Stories x Women, criado pela Women in Animation (WIA)em colaboração com a Federação Internacional de Associações de Produtores Cinematográficos (FIAPF), a UNESCO e com o apoio da The Walt Disney Company. A iniciativa busca ampliar a diversidade de vozes na animação em nível global.

O programa, que é um dos poucos a levar equipes ao Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy e oferecer mentoria e treinamento, tem como foco apoiar e criar oportunidades para mulheres, pessoas não binárias e mulheres transgênero da indústria de animação de comunidades emergentes da América Latina, África e Ásia, ajudando-as a compartilhar suas histórias autênticas e acessar oportunidades internacionais.

Os participantes devem apresentar um projeto de animação pronto para inscrição no site da WIA até 7 de fevereiro de 2025. As equipes selecionadas terão a oportunidade de apresentar o projeto no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, que será realizado de 8 a 14 de junho de 2025. Cinco equipes, de até duas pessoas, serão selecionadas e receberão sessões de mentoria e orientação conduzidas por líderes internacionais renomados no setor de animação. Além disso, os custos com viagem, hospedagem e credenciais serão cobertos pela WIA.



"Quando começamos o Stories x Women há quatro anos, sabíamos que o programa teria um impacto positivo nas mulheres talentosas e nas pessoas não binárias criativas de mercados emergentes", afirmou Marge Dean, presidente da WIA. "Desde então, vimos o número de inscrições crescer a cada ano, o que comprova o incrível talento ainda não explorado que existe ao redor do mundo. Ao lançarmos a quarta edição, temos orgulho de ver que o programa abriu portas e ampliou o acesso para dezenas de pessoas criativas que contam histórias".

Nos dois primeiros anos, equipes lideradas por mulheres de mais de 24 países enviaram suas inscrições. Dentre elas, 16 delegações foram selecionadas, representando países como Argentina, Brasil, Peru e República Dominicana na América Latina. Na edição mais recente, três projetos latino-americanos foram premiados:

AIMÓ, liderado por Fernanda Alves Salgado em colaboração com Giuliana Danza, ambas do Brasil;

Jaé Natal! (S’up Navidad), liderado pela brasileira Camila Padhila com colaboração de Roger Keesse;

Karetabla, produzido pela argentina María Rosario Carlino e dirigido por Carlos Zerpa, da Venezuela.

Os vencedores destacaram a importância do programa, elogiando a valiosa experiência de aprendizado e a oportunidade de apresentar seus projetos em Annecy.

O apoio ao Stories x Women faz parte da iniciativa Future Storytellers da Disney, programa que busca ampliar a diversidade em todas as etapas da produção de conteúdo audiovisual, permitindo que novas vozes e olhares, tanto na frente quanto atrás das câmeras, contribuam para a criação de histórias cada vez mais ricas e representativas.

Mais informações e inscrições no site da WIA. O prazo final para envio das candidaturas é 7 de fevereiro de 2025, sendo obrigatório que os participantes tenham proficiência em inglês.

[Review] Nosferatu de Robert Eggers é uma carta de amor aos fãs de terror gótico

Por Victoria Hope

Para amantes de romances clássicos góticos, Nosferatu definitivamente foi um dos lançamentos mais aguardados após cem anos do lançamento da primeira adaptação de Nosferatu de 1922, que era originalmente uma adaptação não autorizada de Drácula de Bram Stoker e quarenta e cinco anos após o remake intitulado Nosferatu - O vampiro da noite, de 1979.

Nessa nova adaptação dirigida por Robert Eggers (A Bruxa), acompanhamos a história de Ellen (Lilly Rose-Depp), uma jovem recém-casada que é tomada por uma extrema melancolia que se extende desde sua adolescência até a vida adulta.

A jovem aparentemente tem tudo o que deseja na vida; Thomas (Nicholas Hoult), um esposo devoto que a ama acima de tudo, amigos que a acolhem nos momentos bons e ruins e um lar numa cidade pacata, mesmo com tantos traumas que assolam seu passado e ameaçam voltar à tona.

Nosferatu (2024) / Universal Pictures

O ano é 1838, auge do período romântico, durante século XIX, na Alemanha, onde medos muito reais relacionados à pestes vindas 'do estrangeiro', tomavam forma. Thomas, que é um corretor de imóveis desesperado por uma melhora de vida, já que está completamente individado, decide aceitar fechar um negócio com um misterioso conde que mora no Leste Europeu.

Deixando Ellen para trás com a promessa de que logo voltaria, o jovem parte em uma jornada sombria por locais que nunca havia pisado anterioramente afim de firmar o contrato com esse conde, que deseja morar na mesma cidade do corretor.

Naquele período, o medo não era apenas relacionado ao estrangeiro ou apenas a peste, mas também relacionado à burguersia e a realeza, onde no auge da época, um dos maiores medos das famílias comuns, principalmente de pais e esposos, eram condes ou membros da realeza invadindo suas casas para obrigar famílias a oferecerem a mão de suas filhas em casamento em troca de fortuna e a trama definitivamente toca nesse ponto por meio de diversas alegorias.

Nosferatu (2024) / Universal Pictures

Conde Orlok (Bill Skarsgård) ou Nosferatu, protagonmista titular da história, é a personificação de toda a dor, medo, repulsa e melancolia que Ellen sente e assim como um pesadelo interminável, atiça, machuca e manipula a mulher e todos ao seu redor. 

Ele não é apenas um monstro horrendo, pois aqui ele representa a aristocracia e a elite, um Conde com inúmeras fortunas; um ser macabro que invade e viola a vida e os corpos de suas vítimas, sejam elas adultos ou crianças, pois para ele não importa, já que ele é o apetite voraz, ele é o desejo de consumir tudo e a todos sem parar até que não sobre  absolutamente nada.

Absolutamente tudo em Orlok é apresentado para criar asco, porém ainda assim, sua voz sombria e sedutora hipnotiza Ellen, revelando a natureza dos desejos mais tórridos guardados no fundo do insconsciente de sua vítima.

Nosferatu (2024) / Foto: Universal Pictures

Toda a ambientação e caracterização dos personagens é extremamente fiel à epoca, desde um pequeno botão em uma lapela ao estilo de construção da cidade ao redor que transporta o público diretamente para aquela Alemanha gótica e clássica saída diretamente dos livros.

O elenco entrega performances memoráveis, com destaque para Lilly Rose-Depp, que não tem medo de parecer assustadora e repulsiva, utilizando técnicas da dança Butoh japonesa, que representa todas as trevas e a escuridão da alma que o filme clama, além de uma clara inspiração em outro terror japonês, Ugetsu,  trazendo também olhos vazios e distantes, característica principal de protagonistas de romances clássicos góticos, representando em alguns momentos, uma inocência e ao mesmo tempo, dor imensa. 

Nicholas Hoult e Willem Dafoe também são destaques em seus respectivos papéis; Hoult como o jovem corretor assombrado pela figura do conde e Dafoe, vivendo o hislário professor ocultista hilário Albin Eberhart Von Franz. 

Nosferatu / Foto: Universal Pictures
Absolutamente todos os detalhes foram pensados, desde o tom de voz dos personagens à ambientação geral da história e até mesmo a escolha das flores que aparecem em tela, inclusive, o ponto mais polêmico é relacionado à caracterização do Conde, mas vale lembrar que o personagem é uma inspiração direta de Vlad Tepes, ou Vlad o Impalador, figura histórica romana da vida real que inspirou a lenda clássica de Drácula (ou Orlok, se pensarmos em termos de adaptação).

Mais uma vez Robert Eggers prova ser um dos maiores nomes contemporâneos do terror, entendendo justamente que a essência do terror gótico é ver beleza na tragédia, onde uma vítima, consegue tomar suas próprias decisões e vencer no fim, onde cenas grotescas de necrofilia dizem mais sobre o amor transcedental de uma esposa por seu esposo e de um esposo por sua esposa, do que declarações românticas em si e onde os maiores medos de uma época, são representados por alegorias que necessitam ser saboreadas para que aja um entendimento completo.

É uma pena que a academia há tantos anos ignora o gênero de terror como uma categoria premiável, pois Nosferatu merece sim muitas indicações e muitos prêmios, desde a categoria de Melhor Atriz a Melhor Ator, Melhor Direção, Melhor Figurino e Melhor Som,. Que esse seja o filme que marque a renascença do gênero gótico ao cinema no século 21!

Nota: 9/10