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Cinema brasileiro em foco | Se eu fosse Você 3, 100 dias e Nosso Lar estão entre as próximas estreias de destaque

Por Victoria Hope

Viva o Cinema Brasileiro! Celebrado em 19 de junho, o Dia do Cinema Nacional ganha ainda mais relevância em um momento em que as produções brasileiras seguem conquistando espaço e reconhecimento dentro e fora do país. Levar histórias locais para o redor do mundo é um dos objetivos da Buena Vista International, estúdio da The Walt Disney Company!

Após lançar sucessos nos últimos meses como Rio de Sangue, O Diário de Pilar Na Amazônia, Mauricio de Sousa - O Filme, entre os próximos lançamentos da marca estão Se Eu Fosse Você 3, novo capítulo de uma das franquias mais populares do cinema brasileiro; 100 DIAS, dirigido por Carlos Saldanha e inspirado na história de Amyr Klink; Nosso Lar 3, sequência da consagrada franquia baseada na obra de Chico Xavier e No Jardim do Ogro, estrelado por Alice Braga.

SE EU FOSSE VOCÊ 3 | 03 de setembro nos cinemas

Cleo Pires, Gloria Pires, Tony Ramos e Rafael Infante, protagonistas de “Se Eu Fosse Você 3”. Crédito: Eny Miranda

O longa marca o retorno de Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) após 20 anos que estrelaram o primeiro filme. Agora, a filha do casal, Bia, é vivida por Cleo Pires, que é casada com Aquiles, personagem de Rafa Infante.

Na trama, duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio e Helena vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia, agora adulta e casada. Tudo parece em equilíbrio até que uma situação inesperada abala a dinâmica da família e coloca as relações à prova. Quando o raio parece cair mais uma vez no mesmo lugar, a família toda é levada a encarar um novo desafio: aprender a se colocar no lugar do outro… talvez de um jeito bem literal.

100 DIAS | Estreia 29 de outubro nos cinemas

Filipe Bragança como Amyr Klink. Crédito: Fabio Braga/ Pivô Audiovisual

Estrelado por Filipe Bragança, o filme 100 DIAS leva aos cinemas a história da travessia de Amyr Klink, que se tornou a primeira pessoa a cruzar sozinha o Oceano Atlântico Sul em um barco a remo.

Com estreia marcada para 29 de outubro de 2026, o longa é inspirado no livro autobiográfico “Cem Dias Entre Céu e o Mar” e acompanha não apenas a jornada do navegador, mas também os desafios emocionais e pessoais vividos ao longo da aventura.

Nessa história, sozinho em um pequeno barco desenhado por ele próprio, Amyr Klink desafia o Atlântico Sul a remo e escreve uma história inédita na navegação mundial. Em ‘100 DIAS’, dirigido por Carlos Saldanha e escrito por Elena Soarez e Thais Tavares, a travessia entre a África e o Brasil se transforma em uma batalha contra o medo, a solidão e os próprios demônios. Enquanto o corpo resiste ao mar, a mente enfrenta memórias, conflitos familiares e escolhas que moldam quem ele é. Mais do que cruzar um oceano, Amyr precisa atravessar a si mesmo.

NOSSO LAR 3 | Estreia em breve nos cinemas

Carol Castro em “Nosso Lar 3”. Crédito: Ique Esteves

A continuação da franquia espírita também ganha um terceiro capítulo nos cinemas. Estrelado por Carol Castro e Fábio Assunção nos papéis de Zenóbia e Domenico, Nosso Lar 3 - Vida Eterna é inspirado no livro “Obreiros da Vida Eterna”, obra psicografada por Chico Xavier e atribuída ao espírito André Luiz.

“Nosso Lar 3 – Vida Eterna” será baseado no quarto livro da série "A Vida no Mundo Espiritual", intitulado “Obreiros da Vida Eterna”. Escrita por Chico Xavier e psicografada pelo espírito André Luiz, a obra original destaca a missão das protetoras espirituais - versões femininas dos anjos da guarda -, em seus trabalhos de socorro espiritual à Terra e aos umbrais, marcados por amor incondicional dedicado aos vivos e aos mortos.

NO JARDIM DO OGRO | Estreia em breve nos cinemas

Alice Braga como Júlia em “No Jardim do Ogro”. Crédito: Fábio Braga

Outro destaque entre as produções nacionais é No Jardim do Ogro, novo longa dirigido por Carolina Jabor. O filme teve sua primeira imagem divulgada recentemente, revelando Alice Braga no papel de Júlia, protagonista da história. A atriz divide cena com Julio Andrade, que interpreta Daniel.

A trama acompanha Júlia (Alice Braga), que vive um dilema inquietante. Esposa do médico Daniel (Julio Andrade) e mãe de Nino, ela mantém uma vida familiar aparentemente perfeita enquanto se arrisca em encontros sexuais com estranhos.

A Miss | Filme de Daniel Porto estreia dia 26 de fevereiro nos cinemas após exibições em festivais europeus

 

Por Victoria Hope

Após circular por diferentes festivais europeus, ‘A Miss’, escrito e dirigido por Daniel Porto, chega aos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro, com distribuição da Olhar Filmes. O longa apresenta ao público uma história inspiradora que questiona ideias de gênero e sexualidade a partir da ótica das relações familiares e concursos de beleza, protagonizada por Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David e Alexandre Lino.

Antes de chegar ao Brasil, a obra, que acompanha a trajetória dos irmãos Martha (Maitê Padilha) e Alan (Pedro David) em sua tentativa de dar continuidade ao legado da mãe, Iêda (Helga Nemetik), vencedora de um concurso de beleza na juventude, foi exibida no Actrum International Film Festival (AIFF), na Espanha; no 18º OMOVIES - Festival Internacional de Cinema LGBTQIA+, na Itália; e será projetado no 39º Queergestreift Film Festival Konstanz, na Alemanha.

No centro da história está IÊDA, uma mulher que, ao ser confrontada com a descoberta da sexualidade do filho Alan, vê-se obrigada a passar por um profundo processo de reconstrução pessoal. É a partir desse conflito íntimo e familiar que ‘A MISS‘ desenvolve seu eixo dramático, revelando tensões, afetos e contradições que sustentam a força emocional do longa.

Segundo o diretor Daniel Porto, ‘A Miss’ se define como uma dramédia: uma comédia atravessada por fortes elementos dramáticos ao longo de seus 90 minutos de duração. Para ele, a originalidade do longa está na construção de personagens complexos e contraditórios, onde ninguém é “moeda de um lado só”. Essa dualidade, marcada por acidez e nuances emocionais, é fundamental para criar empatia com o público e envolver o espectador em uma narrativa que foge dos modelos de comédias tradicionais.

Com produção de Alexandre Lino, Daniel Porto, Angélica Coutinho e Paulo Fontenelle, o filme conta em seu elenco com outros nomes como Eduardo Martini, Andrea Veiga, Ava Simões e Francisco Salgado. Participações especiais da apresentadora Gardênia Cavalcanti e da cantora  Ellen De Lima.

Sinopse

Iêda (Helga Nemetik), ex-vencedora de concurso de beleza na juventude, sonha que sua filha, Martha (Maitê Padilha), siga a tradição da família e vença um concurso de Miss. No entanto, Martha não tem aptidão nem interesse para isso. Por outro lado, seu filho, Alan (Pedro David), parece ter mais talento para reivindicar a faixa e a coroa. Com a ajuda do "tio Athena" (Alexandre Lino), os irmãos bolam um plano para que Alan realize o sonho da mãe sem que ela saiba.

Cinema na palma da mão | Sessão Vitrine lança aplicativo gratuito

 

Por Victoria Hope

Plataforma estará disponível nas lojas da Apple e Android e reúne programação, lançamentos e conteúdos exclusivos do projeto dedicado ao cinema brasileiro

A Sessão Vitrine Petrobras acaba de lançar hoje (5) seu aplicativo oficial e convida o público a “começar o ano com o cinema brasileiro na palma da mão”. Gratuito, o app Sessão Vitrine Petrobras estará disponível para download nas lojas da Apple e Android e nasce como uma plataforma de interação e acompanhamento do projeto de incentivo ao cinema brasileiro, reunindo em um único ambiente digital todas as informações essenciais sobre os filmes lançados pela iniciativa ao longo do ano.

No aplicativo, o público pode explorar os títulos em cartaz, consultar a programação completa nos cinemas parceiros em mais de trinta cidades, assistir a trailers, acessar imagens inéditas, conteúdos exclusivos e informações detalhadas sobre cada obra. 

Desenvolvido para ampliar o diálogo entre público e obras, o app se integra a uma trajetória de mais de 15 anos dedicada à transformação da forma como o cinema brasileiro é distribuído, promovido e celebrado. Realizada pela Vitrine Filmes, a Sessão Vitrine Petrobras é um projeto pioneiro de distribuição coletiva de filmes nacionais em salas comerciais, com ingressos a preços reduzidos e uma ampla rede de cinemas parceiros.

Além da circulação dos filmes, o projeto também promove sessões com recursos de acessibilidade, debates, atividades de formação, exibições gratuitas e parcerias com coletivos, cineclubes e instituições de ensino públicas e privadas, fortalecendo a formação de público e democratizando o acesso ao audiovisual nacional.

A Sessão Vitrine Petrobras atua ainda no resgate da memória do cinema brasileiro, sendo responsável pelo restauro e relançamento em 4K de obras como Durval Discos, A Hora da Estrela, Saneamentlo Básico - O Filme, além do curta metragem Ilha das Flores, de Jorge Furtado

O aplicativo nasce como mais uma ferramenta que tenta aproximar o público dos filmes da Sessão Vitrine, reunindo informações, programação e conteúdos em um único espaço, de forma simples e acessível”, afirma Silvia Cruz, criadora da Sessão Vitrine Petrobras. “É mais uma maneira de somar ao fortalecimento da relação entre os filmes, as salas de cinema e os espectadores”.


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Com o lançamento do aplicativo, já disponível a partir de 5 janeiro nas lojas da Apple e Android, o projeto amplia sua presença digital e reforça seu compromisso de aproximar o público das salas de cinema e do audiovisual brasileiro.

Larissa Manoela e Giovanna Rispoli enfrentam os desafios da vida adulta em Traição Entre Amigas, adaptação da obra de Thalita Rebouças


 Por Victoria Hope

Traição Entre Amigas, novo longa-metragem dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Larissa Manoela e Giovanna Rispoli, estreia nos cinemas de todo o Brasil no dia 04 de dezembro. O filme é baseado no primeiro livro da escritora best-seller Thalita Rebouças e promete emocionar o público ao abordar os altos e baixos de uma amizade abalada por uma traição.

A história acompanha Penélope (Larissa Manoela) e Luiza (Giovanna Rispoli), duas jovens adultas que são totalmente inseparáveis desde crianças. Apesar das personalidades bem diferentes, elas constroem uma relação intensa de cumplicidade, como só acontece em verdadeiras amizades. Mas tudo muda quando uma delas comete uma traição e resolve contar para a outra. Os sentimentos afloram: raiva, mágoa, vergonha, arrependimento, e a amizade que parecia inabalável se desfaz. A partir desse rompimento, os caminhos de ambas tomam rumos diferentes: Penélope busca recomeçar em Nova York, enquanto Luiza se joga nos relacionamentos virtuais, entre promessas de amor e armadilhas emocionais.


Traição Entre Amigas / Imagem Filmes

O longa marca uma mudança na carreira de Larissa Manoela, agora em um papel mais denso e desafiador. Conhecida por interpretar personagens leves e voltados ao público infantil, a atriz mergulha em uma narrativa emocionalmente complexa ao dar vida à impulsiva Penélope, jovem que precisa lidar com as consequências devastadoras de uma traição cometida contra sua melhor amiga. Em Traição Entre Amigas, Penélope explora conflitos internos, sentimentos de culpa e o amadurecimento forçado diante de um rompimento doloroso, revelando uma nova faceta de Larissa Manoela e sua versatilidade como atriz.

A direção do filme é assinada por Bruno Barreto, um dos cineastas mais renomados do país, responsável por sucessos como: “Flores Raras”, “Vovó Ninja", “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “O Que É Isso, Companheiro?”, sendo este último indicado ao Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro. O roteiro é assinado por Marcelo Saback e Thalita Rebouças, com produção da L. C. Barreto, e distribuição nacional da Imagem Filmes.

Mostra de SP 2025 | Papagaios

 

Por Victoria Hope

Papagaios, suspense nacional de Douglas Soares teve sua estreia no Festival de Gramado e também está em cartaz na 49ª Mostra de Cinema em São Paulo e definitivamente foi um dos meus filmes mais antecipados do evento. Na trama, Tunico (Gero Camilo) é o mais famoso “Papagaio de Pirata” do Rio de Janeiro, uma categoria de pessoas que adoram aparecer ao fundo das reportagens, perseguindo repórteres para todos os lados a fim de terem seus 15 minutos de fama na TV. 

Após um grave acidente em um parque de diversões, Beto (Ruan Aguiar), um jovem misterioso que trabalhava em uma das atrações do local, se torna obcecado pela figura de Tunico e logo se torna seu pupilo, a fim de buscar fama a qualquer custo; qualquer custo mesmo.

O longa, repleto de ambiguidades, toca em uma ferida profunda que vem há muitos anos (ou até mesmo séculos) antes da criação dos influencers digitais. O desejo de ser visto, para deixar uma marca seja na sua comunidade ou no mundo é algo fascinante de acompanhar, afinal, como dizia o ditado, "quem não é visto, não é lembrado" e se tem um personagem que tem medo de ser esquecido por todos, esse é Tunico, interpretado de forma brilhante por Gero Camilo, não é a toa que o ator venceu o Kikito de Ouro em Gramado por esse personagem tão envolvente. 


Papagaios / Foto: Olhar Filmes

Toda a artmosfera do longa é muito bem construída, em um slow burn muito bem construido, onde muitos dos diálogos são focados pelo "não dito", onde olhares e gestos dizem mais do que mil palavras e é nesse momento onde Ruan, em seu papel estreante em longa metragem, entrega absolutamente tudo em uma performance devastadora, no melhor sentido da palavra, apresentando esse personagem tão controverso, sedutor e ao mesmo tempo assustador.

Enquanto Tunico parece ser um livro aberto, Beto parece ser um enigma a ser decifrado e qual foi a minha surpresa ao perceber a virada de chave, quanto o público finalmente entende qual dos dois personagens realmente esconde suas verdadeiras intenções. 

Uma das cenas mais belas do longa, é embalada por uma trilha envolvente enquanto Tunico e Beto ensaiam suas posições em frente a um espelho, quase como que numa dança que representa a movimentação dos papagaios de pirata em frente as câmeras. É o tipo de cena que marca um dos momentos mais icônicos do cinema brasileiro e diz muito sobre o tutor e seu pupilo.


Papagaios / Foto: Acervo Leo Jaime

A direção de fotografia é incrível e ajuda a criar a estética típica dos anos 90, quando os celulares estavam começando a chegar, mas a internet que conhecemos hoje ainda não existia, então percebe-se que a única mídia onde os papagaios poderiam aparecer era na TV e no rádio, alías, após o filme, será impossível assistir aos noticiários sem imaginar que as pessoas de fundo são papagaios de pirata até mesmo nos dias de hoje.

Traçando uma comparação ainda mais moderna, é possível comparar os papagaios com aquelas pessoas que surrupiam vídeos de outros criadores de conteúdo, colocam uma tela verde para replicar o vídeo ao fundo e ficam em frente a tela sem dizer nenhuma palavra, apenas acenando com a cabeça e fazendo gestos com as mãos, como se tivessem feito "um grande mousse", quando na verdade estão apenas tentando ganhar seus minutos de fama em cima de um conteúdo que tem bastante alcance, como vídeos virais, por exemplo. 

Papagaios traz diversas mensagens relevantes e sai completamente fora da curva de projetos mais recentes do cinema nacional e apesar do ritmo mais lento, com certeza vai fazer fãs de suspense se apaixonarem por essa história e por seu elenco. O final é de cair o queixo e extremamente ambíguo, o que vai fazer com que o público questionar qual é a verdadeira intenção dos protagonistas até o último segundo.

NOTA: 8.5/10 

Mostra de SP 2025 | Papagaios, suspense vencedor de 4 kikitos no Festival de Gramado, integra programação oficial

 

Por Victoria Hope

O longa-metragem “Papagaios”, do cineasta carioca Douglas Soares, faz parte da 49ª da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que ocorre de 16 a 30 de outubro. 

O premiado suspense, que levou quatro Kikitos no Festival de Gramado deste ano, sendo de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular, Melhor Ator (Gero Camilo), Melhor Direção de Arte (Elsa Romero) e Melhor Desenho de Som (Bernardo Uzeda, Thiago Sobral e Damião Lopes), integra a Mostra Brasil e tem exibições confirmadas nos dias 18 e 29 de outubro. 

Estamos muito honrados em participar da Mostra de São Paulo, que é um dos mais importantes eventos de cinema do País. Tivemos uma excelente recepção do público e da crítica no Festival de Gramado e essa será uma nova oportunidade de apresentar a produção aos espectadores que ainda não conseguiram conferir o filme”, comenta o cineasta Douglas Soares. 

Papagaios” traz uma sátira social sobre os limites éticos da fama, em um suspense marcado por mistérios e uma pitada de humor, indagando sobre o que o ser humano está disposto a fazer para aparecer na TV, seja em tragédias, velórios de famosos ou nos noticiários.

Sucesso de crítica no Festival de Gramado pela imprensa especializada, o longa-metragem teve uma de suas cenas considerada como uma das mais belas do cinema brasileiro recente. Ela traz os dois personagens principais, Tunico (Gero Camilo) e Beto (Ruan Aguiar), em uma coreografia misteriosa e inusitada, ao som da canção “Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, com interpretação de Nelson Gonçalves. 


Mostra de SP 2025 | Drácula de Radu Jude

 

Por Victoria Hope

Existe um limite quanto fala-se em filmes tediosos, mas "Drácula" de Radu Jude talvez ultrapasse todos esses limites em termos de chatice, mau gosto e vulgaridade. Raramente inicio críticas falando do que não apreciei em um longa, mas isso não quer dizer que o filme não tenha pontos interessantes abordados.

O uso excessivo da IA, mesmo que em crítica, ainda assim não deixa de ser inteligência artificial e não deixa de utilizar litros e litros de recursos naturais para tentar "passar uma mensagem". Apesar disso, O Drácula de Jude apresenta uma ferrenha crítica à indústria cinematográfica, ao consumismo exacerbado e ao próprio uso indiscriminado de inteligência artificial.

Na trama, acompanhamos um autor que utiliza uma IA fictícia chamada Dr. AI Judex, para criar diversos filmes temáticos de Dracula. Enquanto o personagem autor tenta criar um filme com símbolos que supostamente o público gosta, o público é atacado com centenas de cenas repetitivas de sexo, palavras de baixo calão e violência. 

O artifício da IA falsa funcionaria muito bem como uma crítica caso a IA verdadeira não tivesse sido utilizada, fora que, o ritmo do filme, que é excessivamente longo, se torna cansativo rapidamente, até mesmo porque há uma repetição da mensagem em cada um dos "capítulos" apresentados.

Criticas ao capitalismo são salpicadas em casa uma das tramas, as vezes funcionando muito bem, como no episódio específico onde Dracula é pintado como um CEO carrasco de uma empresa, mas na maioria das vezes à crítica não vai muito longe. 

Em alguns momentos, as cenas de nu frontal principalmente feminino são tão excessivas que cheguei a pensar que estava vendo um filme feito por um adolescente na puberdade e não por um diretor adulto renomado. É um filme incômodo que por mais que tente parecer 'genial", só se torna um produto vazio, tal qual o produto que ol próprio personagem autor tenta criticar. Seria essa uma então? Talvez.

Nota: 4/10

Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente | Série da HBO Max encerra temporada com final emocionante

 

Por Victoria Hope

 O último episódio da minissérie da Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente estreia neste domingo, 28, na HBO Max. O desfecho da temporada explode em intensidade, revelando segredos guardados a sete chaves e empurrando Nando ao limite, obrigado a encarar as verdades evitadas até agora.

Com o contrabando interrompido e os recursos vitais para o tratamento cada vez mais escassos, instala-se um clima de tensão e incerteza, deixando um futuro sombrio para aqueles que dependem do medicamento negligenciado pelo Governo.

Nesse cenário crítico, Nando, ao lado de Raul, Lea e Yara, encontra a coragem para transformar dor em ação. Unidos, eles organizam uma manifestação poderosa, exigindo medidas urgentes para garantir a distribuição legal e gratuita do tratamento no país.

A reação de Nando ganha repercussão nacional, impulsionada pelo aumento de mortes e pela pressão popular. Mais do que um ato político, é um gesto de amor e justiça — uma luta para honrar os que não sobreviveram.

Em cinco episódios intensos e comoventes, a série não apenas revela um drama real, mas celebra a força de um povo que se recusou a ser silenciado, transformando opressão em resistência e resistência em esperança.

Disney | Se Eu Fosse Você 3 inicia filmagens com Tony Ramos, Glória Pires e mais

Por Victoria Hope

Depois de um grande sucesso de bilheteria, a clássica comédia brasileira que conquistou milhões de espectadores está de volta. Neste domingo, 03 de agosto, serão iniciadas oficialmente as filmagens de “Se Eu Fosse Você 3”, sequência da adorada franquia estrelada por Tony Ramos e Glória Pires. Os atores voltam a interpretar o icônico casal Cláudio e Helena em meio a novos desafios familiares ainda mais inusitados.

O longa é dirigido por Anita Barbosa (Matches, Amor.com), com supervisão artística de Daniel Filho, responsável pela direção dos dois primeiros filmes da saga, lançados em 2006 e 2009, e roteiro de Leandro Soares. A produção é da Total International, em coprodução com a Star Original Productions e distribuição da Star Distribution - selos da Disney voltados para filmes da América Latina.

A trama se passa duas décadas depois da última troca de corpos entre Cláudio e Helena, que estão vivendo uma nova fase da vida com a filha Bia, agora adulta e casada com Aquiles. Quando o raio cai três vezes na mesma família, um novo desafio mostra que é necessário se colocar no lugar do outro... literalmente. 

Confira o teaser:




Pela primeira vez, longa-metragem de animação é selecionado para a Mostra Competitiva Brasileira do Olhar do Cinema

 

Por Victoria Hope

O 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba ocorre de 11 a 19 de junho, reunindo mais de 90 filmes, entre longas e curtas-metragens, de todo o mundo, em sessões que ocupam locais emblemáticos da capital paranaense, como a Ópera de Arame, o Museu Oscar Niemeyer, o Cine Passeio, o Cine Guarani, o Teatro da Vila (CIC), e a Cinemateca. 

Um dos destaques da programação deste ano é o longa-metragem de animação “Glória & Liberdade, que é o primeiro a ser selecionado para a Mostra Competitiva Brasileira de Longas na história do festival. 

Com direção de Letícia Simões, baiana radicada em Pernambuco e roteirista das séries “Cangaço Novo” e “Maria Bonita e o Cangaço”, a produção imagina um Brasil de 2050, reinventado pelas revoltas populares do século XIX - Cabanagem, Balaiada, Praieira e Sabinada - em que os territórios que um dia formaram as regiões Norte e Nordeste se dissolveram após a partida de D. Pedro I, dando origem ao continente Pau-Brasil. 

Azul, interpretada por Larissa Góes, é uma jovem documentarista da República da Bahia, que percorre quatro nações independentes com o objetivo de investigar as histórias de cada lugar e os motivos que tornaram impossível manter o antigo país unido. 

Glória e Liberdade / Foto: Divulgação

Combinando ficção científica, narrativa documental e referências à cultura popular brasileira, “Glória & Liberdade” desloca tempo e espaço para provocar sobre o conceito de ‘nação’, se estruturando como uma viagem em quatro capítulos. 

Cada passagem conta com uma estética própria, que vai se construindo de acordo com as linguagens, memórias e culturas dos territórios imaginados, contando uma história múltipla e sensível às singularidades que compõem as quatro nações: Taua Sikusaua Kato, nação indígena com mais de 130 etnias do território da Amazônia; a República de Caixas, zona das antigas províncias do Ceará, Maranhão e Piauí; o Reino Unido de Pernambuco, nação formada a partir da província de Pernambuco; e a República da Bahia, onde vive.

E se as revoltas regenciais tivessem dado certo? O filme é uma fabulação crítica, uma tentativa de imaginar o que poderia ter sido e, quem sabe, o que ainda pode ser”, comenta Letícia Simões, que também assina o roteiro da animação.

Em sua jornada, Azul encontra pajés, hackers, líderes populares e historiadores que a ajudam a costurar memórias e tensões de um passado fragmentado. Mas, a revolução mais profunda da jovem acontece dentro de sua própria casa e ela precisa avaliar, a partir dessa trajetória, o que aprendeu sobre revolução e liberdade. Assista ao trailer!

As sessões de “Glória & Liberdade” no 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba ocorrem nos dias 14 de junho, às 15h30, no Museu Oscar Niemeyer (Sala Claro MON) - seguida por debate com equipe do filme; e 15 de junho, às 15h30, no Cine Passeio (Cine Passeio Luz).

Quinze Dias | Começam as filmagens da adaptação do bestseller de Vitor Martins para os cinemas

 

Por Willian Fernando

Os fãs de ‘Quinze Dias já podem comemorar: o livro que conquistou mais de 100 mil leitores ao redor do mundo finalmente começou sua trajetória nas telonas! As filmagens da aguardada adaptação cinematográfica do best-seller de Vitor Martins já estão em andamento no Rio de Janeiro e Cataguases, em Minas Gerais, com direção de Daniel Lieff ("Alice & Só" e “Últimas Férias”) e roteiro assinado por Ray Tavares e Vitor Brandt.

No papel principal, Miguel Lallo faz sua estreia no cinema. Ao seu lado, Débora Falabella interpreta Rita, a mãe divertida e parceira de Felipe. Diego Lira dá vida a Caio, o crush que reacende todas as dúvidas e descobertas do protagonista. Também fazem parte do elenco Mariana Santos, Silvio Guindane, Olívia Araújo, Mika Soeiro, Bel Moreira, Fernando Caruso, Augusto Madeira, Márcio Vito, João Gabriel Chaseliov, João Gabriel Marinho e Victor Galisteu. 

Com produção da Conspiração e distribuição da Manequim Filmes, o longa mergulha em temas essenciais como aceitação, insegurança, gordofobia, homofobia e bullying, equilibrando sensibilidade e drama na mesma medida. É um filme que fala sobre crescer, amar e se enxergar — mesmo quando o espelho do mundo parece distorcido.

O autor Vitor Martins define o momento como um “sonho que se materializa”. “Escrevi esse livro pensando no adolescente que eu fui, e agora ver esses personagens ganhando voz e corpo é algo transformador”, conta.

Sinopse

Felipe é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries. Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo Felipe mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua.

O filme "Quinze Dias" tem patrocínio master do Nubank e apoio da Prefeitura de Cataguases. #QuinzeDias e #QuinzeDiasOFilme

Prêmio Platino 2025 | Ainda Estou Aqui é escolhido como Melhor Filme Ibero Americano de Ficção, Fernanda Torres Melhor Atriz e Walter Salles Melhor Diretor

 

Por Victoria Hope

Ainda Estou Aqui”, recebeu os prêmios de Melhor Filme Ibero Americano, Melhor Atriz para Fernanda Torres e Melhor Direção para Walter Salles no Prêmio Platino, uma das maiores premiações do cinema Ibero-Americano, que realizou a cerimônia de premiação de sua 12ª edição neste domingo, 27, no Palácio Municipal IFEMA Madrid, localizado na capital espanhola. O produtor Rodrigo Teixeira e a atriz  Valentina Herszage representaram o filme na premiação. Walter Salles e Fernanda Torres não puderam estar presentes e enviaram textos de agradecimento que foram lidos no palco.

É uma honra receber esse prêmio em uma categoria onde tenho tanta admiração pelos diretores indicados. Obrigado ao Prêmio Platino por nos lembrar que o cinema latino-americano é a nossa casa”, declarou Walter Salles em nota de agradecimento ao prêmio lida por Rodrigo Teixeira. Walter estendeu os agradecimentos a um dos maiores nomes do audiovisual brasileiro. 

“Gostaria de dedicar esse prêmio a um Mestre que nos deixou há pouco, Carlos Diegues, diretor de filmes fundamentais como ‘Bye Bye Brasil’, um dos fundadores do Cinema Novo e um dos cineastas que pensou o cinema de forma mais democrática e inclusiva. Carlos era um admirador do cinema latino-americano, e foi fundamental para que filmes como o nosso pudessem estar aqui hoje. Em um momento de fragilização da democracia no mundo, em um tempo em que se tenta borrar a nossa memória coletiva, pensadores como Carlos Diegues nos lembram o quanto o cinema é fundamental para combater o esquecimento.  Muito obrigado.

Fernanda Torres também comentou a premiação: "Eu gostaria muito de poder estar presente nesta noite, mas, infelizmente, isso não foi possível, devido a compromissos de trabalho. Quero dizer que é uma honra imensa receber este prêmio. Sou fruto da cultura Ibero-americana, a Península Ibérica é minha segunda casa e esse reconhecimento reforça, em mim, o orgulho de fazer parte de uma força cultural que, no cinema, pariu artistas da dimensão de Luiz Buñuel e Pedro Almodóvar;  Alejandro Inharitù e Alfonso Cuarón, de Ricardo Darín;  Norma Aleandro, Penélope Cruz, Javier Bardem e Marisa Paredes, de Glauber Rocha e Fernanda Montenegro. 

Esse é um filme sobre uma família, feito por uma família de artistas e fico feliz de recebê-lo pelas mãos de Valentina Herszage, minha filha na ficção, que representa não só a mim, aqui, nesta noite, mas também ao Selton (Mello), à Luiza (Kosovski), à Bárbara (Luz), ao Guilherme (Silveira) e à Cora (Mora). Sem eles minha Eunice jamais existiria. 

Eu agradeço profundamente a Walter Salles, meu irmão, meu amigo e parceiro de tantas décadas, a honra de ter habitado a pele desta mulher. Walter é o coração deste filme raro, tão humano e delicado, sobre a brutalidade da Ditadura Militar do Brasil, uma das tantas que se espalharam pelas Américas, durante o período da Guerra Fria.  

Através de Eunice Paiva, revisitei o horror da Ditadura que conheci em criança. Esta grande brasileira, advogada e defensora da democracia e dos direitos humanos nos ensina, no momento presente, a resistir com alegria e civilidade, sem nos dobrarmos ao autoritarismo. Em nome da família Paiva, de Marcelo Paiva, e de todos aqueles que defenderam e defendem a arte e a democracia eu repito: Ditadura nunca mais! Muito obrigada!!

 O produtor Rodrigo Teixeira e a atriz  Valentina Herszage representaram o filme na premiação na Espanha. / Foto: Divulgação

O Último Azul | Premiado na Berlinale 2025, filme de Gabriel Mascaro, é selecionado para novos festivais ao redor do mundo

Por Victoria Hope

Premiado na Berlinale 2025, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, é selecionado para novos festivais ao redor do mundo, e consolida carreira internacional 

Após vencer o Urso de Prata, filme protagonizado por Denise Weinberg, com Rodrigo Santoro, Adanilo e Miriam Socarrás no elenco, tem exibições confirmadas em grandes eventos na América Latina, Europa, Ásia e América do Norte 

O Último Azul”, de Gabriel Mascaro (“Boi Neon” e “Divino Amor”), segue consolidando sua carreira internacional e marcando presença entre os principais festivais de cinema do mundo. Após vencer o Urso de Prata, do Grande Prêmio do Júri, na 75ª edição do Festival de Berlim, o filme protagonizado por Denise Weinberg, com Rodrigo Santoro, Adanilo e Miriam Socarrás no elenco, fez sua estreia latino-americana no Festival de Cartagena de Las Índias, que aconteceu de 1 a 6 de abril na cidade colombiana. Somente neste mês,

O longa chega em outros dois grandes eventos: o Festival de Buenos Aires (BAFICI), realizado entre os dias 1 e 13, e o Festival de Cinema de Istambul (IKSV), que ocorre de 11 a 22 de abril, na Turquia. 

O longa de Mascaro também foi anunciado ontem, (8) como parte da seleção, fora de competição, do IndieLisboa — um dos principais festivais de Portugal —, onde integra a mostra Rizoma, que tem como objetivo jogar luz sobre questões relevantes para a sociedade

Em junho, é a vez da Austrália receber “O Último Azul” durante o Sydney Film Festival, na Australia. Até o momento, a produção está prevista para passar por 13 festivais pelo mundo (Argentina, Austrália, China, Colômbia, República Tcheca, Islândia, México, Polônia, Portugal, Taiwan, Turquia, Reino Unido e Uruguai). 

A estreia no circuito comercial brasileiro acontece no segundo semestre, com distribuição da Vitrine Filmes. 

Maria e o Cangaço | Disney+ apresenta série que traz uma nova visão sobre Maria Bonita

 

Por Victoria Hope

O seis episódios de Maria e o Cangaço no Disney+, nova série nacional inspirada no livro de Adriana Negreiros,já estão disponíveis e contam a história Maria de Déa, uma jovem destemida que ousa ter voz num grupo de foras-da-lei. Ela é mais conhecida como a companheira de Lampião, mas sua trajetória vai além disso e a produção traz essa nova perspectiva, de Maria Bonita como mãe e mulher. 

Para Isis Valverde, atriz que dá vida a primeira mulher cangaceira do Brasil, comenta sobre essa nova visão sobre a icônica figura brasileira. “Foram meses de preparação e estudo. O mais interessante do projeto é olhá-lo desta perspectiva feminina uma vez que histórias sobre o Cangaço sempre foram escritas e contadas por homens. A ideia foi trazer essa ótica e reforçar como essas mulheres viveram naquela época, porém sem romantizar os acontecimentos. Foi um período muito complexo marcado por diversas violências causadas a essas mulheres, onde Maria por sua vez, e como uma mulher transgressora, se destacava.”

O diretor Sérgio Machado reforça que a série ao mesmo tempo que fala do passado, aborda temas contemporâneos: “temas como feminicídio, o dilema das mulheres que têm que optar entre a família e a vida no trabalho, a sobrecarga feminina, as violências que as mulheres sofrem no dia a dia, são questões que estão retratadas naquela época, mas que permanecem absolutamente contemporâneas. É uma série, de alguma maneira, tão atual quanto as séries que falam de temas hiper contemporâneos”.

Na série, numa vida de fugas e conflitos armados, Maria (Isis Valverde) é surpreendida por uma gravidez e submetida à mais dura lei do cangaço: entregar o bebê para ser criado por outra pessoa. Ela passa, então, a viver dividida entre a vida cangaceira e o desejo impossível de criar a filha.

Conseguimos filmar a série inteira no nordeste, o fato de termos preparado os atores lá, tudo isso deu uma estrutura muito importante para a produção. Tivemos uma equipe predominantemente nordestina, além do elenco que é, importante ressaltar, mais de 90% nordestino”, finaliza a também diretora Thalita Rubio. 

Com direção geral de Sérgio Machado e direção de Thalita Rubio e Adrian Teijido - que também é o diretor de fotografia da série e indicado ao Oscar® pelo longa Ainda Estou Aqui (2023), a produção da Cinefilm ainda conta no elenco com nomes como Rômulo Braga, Mohana Uchôa, Clebia Sousa, Thainá Duarte, Geyson Luiz, Dan Ferreira, Jorge Paz, Chandelly Braz, entre outros talentos. 

Manas | Com mais de 20 prêmios conquistados desde sua première em Veneza, filme chega aos cinemas nacionais em maio

 

Por Victoria Hope

MANAS contou com o apoio de renomados cineastas internacionais. Walter Salles, que recentemente conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda Estou Aqui”, e os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, vencedores de duas Palmas de Ouro em Cannes, atuaram como produtores associados do filme. Os cineastas apostaram no potencial do projeto desde a fase de roteiro, contribuindo significativamente para a sua realização.

MANAS, de Marianna Brennand, é um primeiro longa-metragem brilhante. A narrativa é ao mesmo tempo sensorial e emocional, os atores são cativantes, e a direção é inspirada, precisa e desprovida de sentimentalismo. Marianna nos oferece a possibilidade de mergulhar em um mundo que ainda não havíamos visto, trazendo luz aos seus demônios internos. Uma grande estreia de uma diretora extremamente talentosa", elogia Salles.

MANAS narra a história de Marcielle/Tielle (Jamilli Correa), uma jovem de 13 anos que vive na Ilha do Marajó (PA) junto ao pai, Marcílio (Rômulo Braga), à mãe, Danielle (Fátima Macedo), e a três irmãos. Ela cultua a imagem de Claudinha, sua irmã mais velha, que teria partido para bem longe após “arrumar um homem bom” nas balsas que passam pela região. Conforme amadurece, Tielle vê ruírem muitas das suas idealizações e se percebe presa entre dois ambientes abusivos. Preocupada com a irmã mais nova e ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres à sua volta.

Luc Dardenne endossa:É um filme que me emocionou profundamente. Sua abordagem da vida de uma jovem e sua família no Norte do Brasil revela a existência de uma comunidade, de uma sociedade onde a longa história de dominação masculina está violentamente inscrita nos corpos das mulheres. Este filme de estreia da diretora Marianna Brennand é, a meu ver, marcado pela intensidade e precisão de sua visão, assim como por sua profunda conexão com seus personagens – qualidades que sinalizam o surgimento de uma cineasta verdadeiramente excepcional.” 

O longa tem sido amplamente elogiado também pela crítica especializada. Vittoria Scarpa, do Cineuropa, destacou que o filme "deixa você atordoado – pela história que conta, pela forma como a conta e pelas atuações penetrantes de seus atores". Já Matthew Joseph Jenner, da International Cinephile Society, descreveu MANAS como "um filme sincero, afetuoso e genuinamente impactante".

A Arte do Roubo | Mesclando arte e ação, novo filme nacional inicia produção

 

Por Victoria Hope

Uma vingança que se transforma em obra-prima! Para os amantes de arte e de ação, vem novidade por aí com muito suspense e drama. O novo filme nacional, "A Arte do Roubo", já está em produção, contando com grande elenco liderado por Débora Nascimento, Carla Diaz e Reynaldo Gianecchini.

Dirigido por Marcos Jorge, conhecido por "Estômago" e "O Duelo", "A Arte do Roubo" acompanha a história de Alice (Débora Nascimento) e Lia (Carla Diaz), duas artistas de circo idealistas, que são envolvidas por Wagner (Reynaldo Gianecchini),  um ‘marchand’ inescrupuloso, num plano para roubar colecionadores de arte.

Traídas, Lia acaba presa e Alice precisa fugir do país. Cinco anos depois, elas voltam para se vingar, roubando o museu administrado pelo traidor do passado, com uma estratégia que fará desse roubo uma verdadeira obra de arte.

O longa é uma coprodução da INTRO Pictures, Zencrane Filmes e Star Original Productions, com distribuição da Star Distribution, e tem previsão para estrear exclusivamente nos cinemas em 2026.

Elenco de peso e participações especiais

Além de Débora Nascimento ("Avenida Brasil", "Olhar Indiscreto") como Alice,  Reynaldo Gianecchini ("Bom Dia, Verônica", "Verdades Secretas") como Wagner e Carla Diaz ("A Menina que Matou os Pais", "Espelho da Vida") como Lia, O elenco ainda conta com Bukassa Kabengele, Otávio Linhares, Anderson Lau e Fábio Silvestre, com participação especial do criador de conteúdo Felca.

Direção de quem entende de narrativa cinematográfica

Marcos Jorge possui grandes obras em seu currículo. Seu primeiro longa de ficção, "Estômago", conquistou 39 prêmios, sendo 16 internacionais, consolidando-o como um dos diretores mais importantes da nova geração do cinema brasileiro. Entre seus outros trabalhos estão "O Duelo", baseado em Jorge Amado, e "Dr. Monstro", que está em fase de finalização.

Os Filmes Que Eu Não Vi | Festival exibe e premia filmes independentes brasileiros

Por Victoria Hope

De 15 a 19 de janeiro de 2025, a Sala Walter da Silveira, em Salvador, será a casa da primeira edição do Festival Os Filmes Que Eu Não Vi, idealizado por Sol Moraes e que tem produção da Água Doce Produções. O evento busca dar visibilidade a filmes brasileiros independentes que enfrentam desafios na distribuição, permanecendo desconhecidos do grande público.

Durante os cinco dias de programação, o festival exibirá e premiará produções de todas as regiões do Brasil, oferecendo um panorama diversificado do cinema nacional. Além das sessões de filmes, o público poderá participar de mesas de debate que abordarão questões fundamentais como produção, distribuição e exibição cinematográfica no Brasil. 

A proposta central do evento é criar pontes entre criadores e espectadores, promovendo uma conexão mais profunda com a cultura brasileira e explorando formas de aproximar essas obras do público e é possível conferir a programação completa no site oficial do festival.

Revitalização das Salas de Cinema - A primeira edição do Festival Os Filmes Que Eu Não Vi marca um momento significativo para a cena cultural de Salvador. O evento é parte do projeto Os Filmes Que Eu Não Vi, financiado pela Lei Paulo Gustavo por meio de edital da SECULT/FUNCEB/DIMAS, e representa um esforço coletivo para ampliar o acesso ao cinema brasileiro independente.

Sol Moraes, idealizadora do festival / Foto: Juliana Buos


Como parte das iniciativas do projeto, foram revitalizados dois importantes espaços de exibição da capital baiana: a Sala Walter da Silveira e a Sala Alexandre Robatto. As melhorias incluem a aquisição de novos equipamentos de projeção e som, além da instalação de piso tátil, garantindo acessibilidade e modernização para melhor atender ao público.

A reabertura da Sala Walter da Silveira simboliza o início de um novo ciclo, transformando o espaço em um polo cultural que abrigará não apenas exibições, mas também cursos, seminários e palestras. A partir de fevereiro de 2025, a Sala Alexandre Robatto sediará o cineclube Cine GeraSol, com exibições mensais seguidas de debates, enriquecendo o diálogo sobre o cinema nacional.

O projeto também consolida uma parceria com a plataforma digital CINEBRASILJÁ, que funciona como uma cinemateca virtual, permitindo acesso contínuo a filmes brasileiros fora do circuito comercial. Essa integração entre espaços físicos e digitais fortalece a disseminação da produção cinematográfica nacional.

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Serviço:

O quê: Festival Os Filmes Que Eu Não Vi

Quando: 15 a 19 de janeiro de 2025

Onde: Sala Walter da Silveira, Salvador

Realização: Água Doce Produções

Para mais detalhes sobre o festival, siga o perfil oficial no Instagram: @osfilmesqueeunaovi


Continente | Premiado horror gaúcho chega hoje, quinta-feira de Halloween, aos cinemas brasileiros

 

Por Victoria Hope

Nesta quinta-feira de Halloween, 31 de outubro, o aguardado e premiado horror gaúcho “Continente” chega ao circuito exibidor do país, incluindo cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, entre outras. 

Vencedor de Melhor Direção no Festival do Rio pela categoria Novos Rumos, o longa foi produzido pela Vulcana Cinema, com coprodução da Dublin Films, Murillo Cine e Pasto, e tem distribuição assinada pela Vitrine Filmes.

Além de Davi Pretto e de Paola Wink e Igor Verde, que assinam o roteiro ao lado do diretor, grande parte da equipe e elenco também é de Porto Alegre. 

"Diferente de ‘Rifle’ e ‘Castanha’, onde trabalhei apenas com atores locais e atores não profissionais, em Continente quis trabalhar com atores de fora do Rio Grande do Sul para ressaltar a tensão de diferentes tons de estrangeirismos, pertencimentos e heranças que o filme evoca. Há atores do Rio de Janeiro, São Paulo, Argentina e da França. Porém, obviamente há também muitos atores e atrizes gaúchos que formam a alma e força do vilarejo do filme. Muitos deles eu nunca havia trabalhado antes e a marca que eles deixaram no filme me orgulha muito

Silvia Duarte, Hayline Vitória, Anderson Vieira, Marcio Reolon, Cassio Nascimento, Rodolfo Ruscheinsky, Luiz Paulo Vasconcellos e Sirmar Antunes”, conta o diretor. “Sirmar veio a falecer alguns meses depois que filmamos. Soube que nosso longa foi o último que ele fez. Me sinto muito honrado de ter podido conhecer Sirmar e ter trabalhado e aprender com ele. Sirmar era perseverante e incansável no set, tinha uma energia e presença magnética. Vi muitos da equipe emocionados quando fizemos um close de Sirmar, em cena com sua filha no filme interpretada por Ana Flavia Cavalcanti. O cinema gaúcho deve muito a Sirmar."


Continente / Foto: Primeiro Plano

"Continente" teve sua estreia mundial em Munique e participou dos principais festivais de cinema de gênero do México, Portugal e Itália. Também foi exibido na mostra competitiva de Sitges, na Espanha, um dos maiores eventos audiovisuais de terror e fantasia do mundo. 

O filme traz uma narrativa distópica que mescla drama e terror, onde depois de 15 anos fora do país, Amanda, interpretada por Olivia Torres, volta à fazenda onde cresceu para reencontrar seu pai, que entrou em estado de coma, sem esperanças de retorno à consciência. Com o apoio de seu namorado francês, Martin (Corentin Fila), Amanda chega ao vilarejo remoto, no sul do Brasil, em meio a uma crescente tensão entre os trabalhadores da terra. A única médica da região, Helô, vivida por Ana Flavia Cavalcanti, faz o que pode para cuidar dos moradores, mas quando o dono da fazenda vem a óbito, um antigo acordo entre o povoado e o proprietário gera uma perturbadora reação coletiva da população.

O longa é uma coprodução entre Brasil, França e Argentina, e contou com o apoio do Berlinale World Cinema Fund, iniciativa da German Federal Cultural Foundation, em parceria com o Festival Internacional de Berlim, para estimular a produção e distribuição de filmes estrangeiros. O lançamento de “Continente” integra a Carteira de Projetos da Vitrine Filmes, aprovada no Edital de Distribuição de Produção Audiovisual da Lei Paulo Gustavo no Estado de São Paulo.

Mostra de SP 2024 | Clube das Mulheres De Negócios

 

Por Victoria Hope

Inicio essa crítica dizendo que "O Clube das Mulheres de Negócios" acaba de entrar no meu ranking de filmes favoritos da Mostra de Cinema Internacional de 2024. O novo filme de Anna Muylaerte retrata a crise do patriarcado, ambientado em um mundo imaginário onde os estereótipos de gênero estão invertidos, ou seja, as mulheres ocupam as posições de poder enquanto os homens são criados para serem socialmente submissos. 

Questões emergentes também são abordadas, não apenas do machismo, mas o racismo, do classismo e da corrupção, enraizados na cultura patriarcal do Brasil e do mundo. Estrelado por grandes nomes da TV e da comédia brasileira, o longa aborda temas extremamente relevantes como patriarcado, corrupção, a influência de bancadas religiosas na política e assédios.

"O Clube das Mulheres de Negócios", escancara o absurdo que muitas mulheres sofrem diariamente, só que aqui é ao contrário, já que as mulheres dominam o mundo, desde a política à todas as outras esferas de poder de decisão na vida de todos os brasileiros.

O Clube das Mulheres de Negócios / Foto: Vitrine Filmes

De forma brilhante, o filme escancara as disparidades de gênero e como diversas atitudes retrógradas por parte da comunidade masculina, são normalizadas e não deveriam ser. Hora em momentos de comédia, hora em momentos que vão fazer seu sangue ferver de ódio, o filme questiona o porquê da sociedade aceitar certos comportamentos.

A quem interessa manter o status quo? Essa é uma das principais perguntas lançadas pelo filme e ao passo em que a história se desenvolve, fica cada vez mais nítida a verdadeira mensagem que o filme quer passar e apesar do ritmo se perder um pouco na metade do segundo ato para o terceiro, aos poucos o filme ganha fôlego novamente, principalmente quanto as 'vilãs' da história começam a sofrer as consequências de seus atos.

Com atuações hilárias e poderosas do elenco, essa distopia não tão distante da nossa realidade, mostra como enquanto sociedade, não podemos deixar que o patriarcado persista em espalhar seus tentáculos em toda nossa história. É um filme que irá lavar a alma de muitos.

NOTA: 9/10

Mostra de SP 2024 | Ainda Estou Aqui

 

Por Victoria Hope

"Ainda Estou Aqui" é um dos filmes mais emocionantes do ano. Começo essa crítica de forma rara, já consagrando esse como um dos longas metragens mais importantes na história do cinema brasileiro, tanto pela questão histórica e política quanto pelo trabalho impecável do elenco, incluindo Fernanda Torres, em uma performance que merece indicação ao Oscar ao lado do igualmente excelente Selton Mello e grande elenco.

Na trama adaptada do livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Paiva e Eunice Paiva, que são os protagonistas dessa história, acompanhamos a vida do ex-deputado com sua esposa e seus vários filhos durante a chegada da ditadura no Brasil.

O filme toca numa ferida recente na história do país e vem no momento mais oportuno para nos lembrarmos de um passado que muitos tentam apagar ou fingem que nunca existiu. "Ainda Estou Aqui", é uma carta de amor à mulheres fortes como Eunice, que mesmo não tendo escolha a não ser ter força por si mesma e por seus filhos, nunca perdeu as esperanças em encontrar seu marido, que foi sequestrado e consequentemente teve sua vida tirada.


Ainda Estou Aqui / Foto: Sony Pictures

A ambientação e a escolha da trilha sonora também são dois pontos altos do filme; é nítida a pesquisa muito bem trabalhada pela equipe de produção, levando em conta todos os cuidados que tiveram com figurinos, veículos em cena e ambientes, todos minuciosamente detalhados para que os anos 70 fossem representados da forma mais correta possível.

Uma trilha sonora envolvente amarra todas as cenas, trazendo diversas mensagens, hora subliminares hora completamente claras para que o público entendesse o que estava acontecendo naquele momento da história.

A violência não é mostrada de forma aberta, porém, esse é um filme muito forte e que usa da ambientação e dos sons para construir essa atmosfera aterradora, sombria, que faz gelar a espinha só de pensarmos que esse período aconteceu na vida real; período esse que jamais pode ser esquecido e que precisa sim ser revisitado quantas vezes necessário para que não aja revisionismo.


Ainda Estou Aqui / Foto: Sony Pictures

É impossível assistir a esse filme sem tocar em uma história pessoal, pois minha avó, Wilma Veridiana, faleceu esse ano de demência e não apenas foi uma figura de empoderamento na família no passado, bem como sempre contou histórias desse momento obscuro da ditadura no Brasil.

Dito isso, "Ainda Estou Aqui' convida à audiência a não tratar o tema como um tabu, mas sim como uma história que precisa ser revisitada, contada de geração para geração e jamais esquecida. Esse é o tipo de filme que daqui há anos continuará sendo aclamado e que posso apenas torcer para que receba o respeito e aplausos que merece.

Mas não se engane,  pois esse é um filme pesado apesar de não demonstrar violência física; é um tipo de longa metragem que faz as entranhas queimarem, os olhos ficarem marejados e o coração acelerar com a vontade de ver um mundo melhor, para que a gente não esqueça jamais de toda a luta daqueles que nos deixaram, mas que ainda assim, batalharam até o fim em prol de um Brasil melhor para todos. 

Nota: 9.5/10