Por Victoria Hope
Exibido na Mostra Olhos Livres na 29° Mostra de Cinema de Tiradentes, filme percorre o Agreste pernambucano em uma narrativa sobre família, memória e luto
![]() |
| Ao Sabor das Cinzas / Foto: Embaúma Filmes |
Pop Culture, Fashion and Lifestyle Magazine
Por Victoria Hope
![]() |
| Ao Sabor das Cinzas / Foto: Embaúma Filmes |
Por Victoria Hope
Dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, o documentário "Não Existe Almoço Grátis" chega ao circuito comercial nesta quinta-feira, 3 de setembro. Com distribuição da Descoloniza Filmes e classificação indicativa de 10 anos, a produção contará com sessões em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Penedo, Poços de Caldas, Porto Alegre e Salvador.
Além das sessões tradicionais, “Não Existe Almoço Grátis” ganha uma exibição especial acompanhada de debate no Rio de Janeiro, também no dia 3 de setembro, às 21h, no Cine Estação Claro Rio (Rua Voluntários da Pátria, 35 - Botafogo). Os participantes são Marcos Nepomuceno (diretor), Pedro Charbel (diretor), Socorro Rodrigues (protagonista), Caio Prado (cantor e compositor) e Gizele Martins (jornalista e diretora, que fará a mediação). Os ingressos podem ser comprados online clicando aqui. Uma sessão seguida de debate em Salvador também é planejada, com detalhes a serem divulgados mais adiante.
O filme reflete sobre os profundos danos que durante a gestão da pandemia de Covid-19 foram acompanhados por outro vírus terrível: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar essa situação levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.
Em Brasília, três mulheres negras, Bizza, Jurailde e Socorro, lideram uma dessas Cozinhas Solidárias, localizada na maior favela do país, Sol Nascente, a apenas 30 km do centro da capital. No contexto da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, elas estão encarregadas de cozinhar para as centenas de militantes do movimento que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro.
![]() |
| Documentário premiado pelo Júri Popular no Festival de Brasília / Foto: Reprodução |
As três protagonistas possuem arcos narrativos singulares, apresentados de modo não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir sua casa e abrir seu próprio negócio no lote que conquistou através da luta no MTST. Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à sua ancestralidade indígena e seu passado de trabalho infantil. Socorro, por sua vez, descobre o orgulho de si ao formar sua própria família depois de ter sido abandonada pelo pai na infância.
"Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas. É nesta cidade partida que Socorro, Jurailde e Bizza se conhecem e se tornam coordenadoras de uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, distribuindo almoços grátis diariamente", refletem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Em meio a ameaças de golpe e crescente violência política, "Não Existe Almoço Grátis" acompanha esta saga de preparação logística e culinária massiva no contexto da posse presidencial mais paradigmática desde a redemocratização. Ao mesmo tempo, o filme traz entrevistas profundas com Bizza, Jurailde e Socorro, cujas vidas têm sido cheias de dificuldades, mas de muita resistência.
Por Victoria Hope
Consagrado como o grande vencedor do Festival de Gramado 2025, o suspense “Cinco Tipos de Medo” está oficialmente na disputa para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. Dirigido e roteirizado por Bruno Bini, o longa integra a lista dos 15 títulos divulgada pela Academia Brasileira de Cinema nesta segunda-feira (24).
A próxima etapa do processo será o anúncio da shortlist, previsto para 9 de setembro. O filme escolhido para representar oficialmente o Brasil será revelado no dia 16.
Inspirado em histórias reais, o filme acompanha cinco personagens cujos destinos se cruzam em diferentes cenários de Cuiabá, capital de Mato Grosso. Combinando drama, ação e suspense, a narrativa mostra como decisões individuais, atravessadas pelo medo, pela violência e pelo instinto de sobrevivência, desencadeiam consequências capazes de transformar para sempre a vida de todos ao redor.
O elenco reúne Bella Campos, João Vitor Silva, Xamã, Bárbara Colen, Rui Ricardo Diaz e Rejane Farias. Por sua atuação no longa, Xamã recebeu o Kikito de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado. O filme conquistou ainda os prêmios de Melhor Longa-Metragem Brasileiro, Melhor Roteiro e Melhor Montagem, encerrando a edição de 2025 como o grande vencedor do festival.
A trajetória iniciada em Gramado rapidamente ultrapassou as fronteiras brasileiras. “Cinco Tipos de Medo” passou a circular por festivais e eventos internacionais em cidades como Paris, Barcelona, Chicago e Havana, despertando o interesse de profissionais da indústria e fortalecendo sua presença no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos.
Por Victoria Hope
Viva o Cinema Brasileiro! Celebrado em 19 de junho, o Dia do Cinema Nacional ganha ainda mais relevância em um momento em que as produções brasileiras seguem conquistando espaço e reconhecimento dentro e fora do país. Levar histórias locais para o redor do mundo é um dos objetivos da Buena Vista International, estúdio da The Walt Disney Company!
Após lançar sucessos nos últimos meses como Rio de Sangue, O Diário de Pilar Na Amazônia, Mauricio de Sousa - O Filme, entre os próximos lançamentos da marca estão Se Eu Fosse Você 3, novo capítulo de uma das franquias mais populares do cinema brasileiro; 100 DIAS, dirigido por Carlos Saldanha e inspirado na história de Amyr Klink; Nosso Lar 3, sequência da consagrada franquia baseada na obra de Chico Xavier e No Jardim do Ogro, estrelado por Alice Braga.
SE EU FOSSE VOCÊ 3 | 03 de setembro nos cinemas
![]() |
| Cleo Pires, Gloria Pires, Tony Ramos e Rafael Infante, protagonistas de “Se Eu Fosse Você 3”. Crédito: Eny Miranda |
O longa marca o retorno de Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) após 20 anos que estrelaram o primeiro filme. Agora, a filha do casal, Bia, é vivida por Cleo Pires, que é casada com Aquiles, personagem de Rafa Infante.
Na trama, duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio e Helena vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia, agora adulta e casada. Tudo parece em equilíbrio até que uma situação inesperada abala a dinâmica da família e coloca as relações à prova. Quando o raio parece cair mais uma vez no mesmo lugar, a família toda é levada a encarar um novo desafio: aprender a se colocar no lugar do outro… talvez de um jeito bem literal.
100 DIAS | Estreia 29 de outubro nos cinemas
![]() |
| Filipe Bragança como Amyr Klink. Crédito: Fabio Braga/ Pivô Audiovisual |
Estrelado por Filipe Bragança, o filme 100 DIAS leva aos cinemas a história da travessia de Amyr Klink, que se tornou a primeira pessoa a cruzar sozinha o Oceano Atlântico Sul em um barco a remo.
Com estreia marcada para 29 de outubro de 2026, o longa é inspirado no livro autobiográfico “Cem Dias Entre Céu e o Mar” e acompanha não apenas a jornada do navegador, mas também os desafios emocionais e pessoais vividos ao longo da aventura.
Nessa história, sozinho em um pequeno barco desenhado por ele próprio, Amyr Klink desafia o Atlântico Sul a remo e escreve uma história inédita na navegação mundial. Em ‘100 DIAS’, dirigido por Carlos Saldanha e escrito por Elena Soarez e Thais Tavares, a travessia entre a África e o Brasil se transforma em uma batalha contra o medo, a solidão e os próprios demônios. Enquanto o corpo resiste ao mar, a mente enfrenta memórias, conflitos familiares e escolhas que moldam quem ele é. Mais do que cruzar um oceano, Amyr precisa atravessar a si mesmo.
NOSSO LAR 3 | Estreia em breve nos cinemas
![]() |
| Carol Castro em “Nosso Lar 3”. Crédito: Ique Esteves |
A continuação da franquia espírita também ganha um terceiro capítulo nos cinemas. Estrelado por Carol Castro e Fábio Assunção nos papéis de Zenóbia e Domenico, Nosso Lar 3 - Vida Eterna é inspirado no livro “Obreiros da Vida Eterna”, obra psicografada por Chico Xavier e atribuída ao espírito André Luiz.
“Nosso Lar 3 – Vida Eterna” será baseado no quarto livro da série "A Vida no Mundo Espiritual", intitulado “Obreiros da Vida Eterna”. Escrita por Chico Xavier e psicografada pelo espírito André Luiz, a obra original destaca a missão das protetoras espirituais - versões femininas dos anjos da guarda -, em seus trabalhos de socorro espiritual à Terra e aos umbrais, marcados por amor incondicional dedicado aos vivos e aos mortos.
NO JARDIM DO OGRO | Estreia em breve nos cinemas
![]() |
| Alice Braga como Júlia em “No Jardim do Ogro”. Crédito: Fábio Braga |
Outro destaque entre as produções nacionais é No Jardim do Ogro, novo longa dirigido por Carolina Jabor. O filme teve sua primeira imagem divulgada recentemente, revelando Alice Braga no papel de Júlia, protagonista da história. A atriz divide cena com Julio Andrade, que interpreta Daniel.
A trama acompanha Júlia (Alice Braga), que vive um dilema inquietante. Esposa do médico Daniel (Julio Andrade) e mãe de Nino, ela mantém uma vida familiar aparentemente perfeita enquanto se arrisca em encontros sexuais com estranhos.
Por Victoria Hope
Após circular por diferentes festivais europeus, ‘A Miss’, escrito e dirigido por Daniel Porto, chega aos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro, com distribuição da Olhar Filmes. O longa apresenta ao público uma história inspiradora que questiona ideias de gênero e sexualidade a partir da ótica das relações familiares e concursos de beleza, protagonizada por Helga Nemetik, Maitê Padilha, Pedro David e Alexandre Lino.
Antes de chegar ao Brasil, a obra, que acompanha a trajetória dos irmãos Martha (Maitê Padilha) e Alan (Pedro David) em sua tentativa de dar continuidade ao legado da mãe, Iêda (Helga Nemetik), vencedora de um concurso de beleza na juventude, foi exibida no Actrum International Film Festival (AIFF), na Espanha; no 18º OMOVIES - Festival Internacional de Cinema LGBTQIA+, na Itália; e será projetado no 39º Queergestreift Film Festival Konstanz, na Alemanha.
No centro da história está IÊDA, uma mulher que, ao ser confrontada com a descoberta da sexualidade do filho Alan, vê-se obrigada a passar por um profundo processo de reconstrução pessoal. É a partir desse conflito íntimo e familiar que ‘A MISS‘ desenvolve seu eixo dramático, revelando tensões, afetos e contradições que sustentam a força emocional do longa.
Segundo o diretor Daniel Porto, ‘A Miss’ se define como uma dramédia: uma comédia atravessada por fortes elementos dramáticos ao longo de seus 90 minutos de duração. Para ele, a originalidade do longa está na construção de personagens complexos e contraditórios, onde ninguém é “moeda de um lado só”. Essa dualidade, marcada por acidez e nuances emocionais, é fundamental para criar empatia com o público e envolver o espectador em uma narrativa que foge dos modelos de comédias tradicionais.
Com produção de Alexandre Lino, Daniel Porto, Angélica Coutinho e Paulo Fontenelle, o filme conta em seu elenco com outros nomes como Eduardo Martini, Andrea Veiga, Ava Simões e Francisco Salgado. Participações especiais da apresentadora Gardênia Cavalcanti e da cantora Ellen De Lima.
Sinopse
Iêda (Helga Nemetik), ex-vencedora de concurso de beleza na juventude, sonha que sua filha, Martha (Maitê Padilha), siga a tradição da família e vença um concurso de Miss. No entanto, Martha não tem aptidão nem interesse para isso. Por outro lado, seu filho, Alan (Pedro David), parece ter mais talento para reivindicar a faixa e a coroa. Com a ajuda do "tio Athena" (Alexandre Lino), os irmãos bolam um plano para que Alan realize o sonho da mãe sem que ela saiba.
Por Victoria Hope
A Sessão Vitrine Petrobras acaba de lançar hoje (5) seu aplicativo oficial e convida o público a “começar o ano com o cinema brasileiro na palma da mão”. Gratuito, o app Sessão Vitrine Petrobras estará disponível para download nas lojas da Apple e Android e nasce como uma plataforma de interação e acompanhamento do projeto de incentivo ao cinema brasileiro, reunindo em um único ambiente digital todas as informações essenciais sobre os filmes lançados pela iniciativa ao longo do ano.
No aplicativo, o público pode explorar os títulos em cartaz, consultar a programação completa nos cinemas parceiros em mais de trinta cidades, assistir a trailers, acessar imagens inéditas, conteúdos exclusivos e informações detalhadas sobre cada obra.
Desenvolvido para ampliar o diálogo entre público e obras, o app se integra a uma trajetória de mais de 15 anos dedicada à transformação da forma como o cinema brasileiro é distribuído, promovido e celebrado. Realizada pela Vitrine Filmes, a Sessão Vitrine Petrobras é um projeto pioneiro de distribuição coletiva de filmes nacionais em salas comerciais, com ingressos a preços reduzidos e uma ampla rede de cinemas parceiros.
Além da circulação dos filmes, o projeto também promove sessões com recursos de acessibilidade, debates, atividades de formação, exibições gratuitas e parcerias com coletivos, cineclubes e instituições de ensino públicas e privadas, fortalecendo a formação de público e democratizando o acesso ao audiovisual nacional.
A Sessão Vitrine Petrobras atua ainda no resgate da memória do cinema brasileiro, sendo responsável pelo restauro e relançamento em 4K de obras como Durval Discos, A Hora da Estrela, Saneamentlo Básico - O Filme, além do curta metragem Ilha das Flores, de Jorge Furtado.
“O aplicativo nasce como mais uma ferramenta que tenta aproximar o público dos filmes da Sessão Vitrine, reunindo informações, programação e conteúdos em um único espaço, de forma simples e acessível”, afirma Silvia Cruz, criadora da Sessão Vitrine Petrobras. “É mais uma maneira de somar ao fortalecimento da relação entre os filmes, as salas de cinema e os espectadores”.
====
Com o lançamento do aplicativo, já disponível a partir de 5 janeiro nas lojas da Apple e Android, o projeto amplia sua presença digital e reforça seu compromisso de aproximar o público das salas de cinema e do audiovisual brasileiro.
Por Victoria Hope
Papagaios, suspense nacional de Douglas Soares teve sua estreia no Festival de Gramado e também está em cartaz na 49ª Mostra de Cinema em São Paulo e definitivamente foi um dos meus filmes mais antecipados do evento. Na trama, Tunico (Gero Camilo) é o mais famoso “Papagaio de Pirata” do Rio de Janeiro, uma categoria de pessoas que adoram aparecer ao fundo das reportagens, perseguindo repórteres para todos os lados a fim de terem seus 15 minutos de fama na TV.
Após um grave acidente em um parque de diversões, Beto (Ruan Aguiar), um jovem misterioso que trabalhava em uma das atrações do local, se torna obcecado pela figura de Tunico e logo se torna seu pupilo, a fim de buscar fama a qualquer custo; qualquer custo mesmo.
O longa, repleto de ambiguidades, toca em uma ferida profunda que vem há muitos anos (ou até mesmo séculos) antes da criação dos influencers digitais. O desejo de ser visto, para deixar uma marca seja na sua comunidade ou no mundo é algo fascinante de acompanhar, afinal, como dizia o ditado, "quem não é visto, não é lembrado" e se tem um personagem que tem medo de ser esquecido por todos, esse é Tunico, interpretado de forma brilhante por Gero Camilo, não é a toa que o ator venceu o Kikito de Ouro em Gramado por esse personagem tão envolvente.
![]() |
| Papagaios / Foto: Olhar Filmes |
Toda a artmosfera do longa é muito bem construída, em um slow burn muito bem construido, onde muitos dos diálogos são focados pelo "não dito", onde olhares e gestos dizem mais do que mil palavras e é nesse momento onde Ruan, em seu papel estreante em longa metragem, entrega absolutamente tudo em uma performance devastadora, no melhor sentido da palavra, apresentando esse personagem tão controverso, sedutor e ao mesmo tempo assustador.
Enquanto Tunico parece ser um livro aberto, Beto parece ser um enigma a ser decifrado e qual foi a minha surpresa ao perceber a virada de chave, quanto o público finalmente entende qual dos dois personagens realmente esconde suas verdadeiras intenções.
Uma das cenas mais belas do longa, é embalada por uma trilha envolvente enquanto Tunico e Beto ensaiam suas posições em frente a um espelho, quase como que numa dança que representa a movimentação dos papagaios de pirata em frente as câmeras. É o tipo de cena que marca um dos momentos mais icônicos do cinema brasileiro e diz muito sobre o tutor e seu pupilo.
![]() |
| Papagaios / Foto: Acervo Leo Jaime |
A direção de fotografia é incrível e ajuda a criar a estética típica dos anos 90, quando os celulares estavam começando a chegar, mas a internet que conhecemos hoje ainda não existia, então percebe-se que a única mídia onde os papagaios poderiam aparecer era na TV e no rádio, alías, após o filme, será impossível assistir aos noticiários sem imaginar que as pessoas de fundo são papagaios de pirata até mesmo nos dias de hoje.
Traçando uma comparação ainda mais moderna, é possível comparar os papagaios com aquelas pessoas que surrupiam vídeos de outros criadores de conteúdo, colocam uma tela verde para replicar o vídeo ao fundo e ficam em frente a tela sem dizer nenhuma palavra, apenas acenando com a cabeça e fazendo gestos com as mãos, como se tivessem feito "um grande mousse", quando na verdade estão apenas tentando ganhar seus minutos de fama em cima de um conteúdo que tem bastante alcance, como vídeos virais, por exemplo.
Papagaios traz diversas mensagens relevantes e sai completamente fora da curva de projetos mais recentes do cinema nacional e apesar do ritmo mais lento, com certeza vai fazer fãs de suspense se apaixonarem por essa história e por seu elenco. O final é de cair o queixo e extremamente ambíguo, o que vai fazer com que o público questionar qual é a verdadeira intenção dos protagonistas até o último segundo.
NOTA: 8.5/10
Por Victoria Hope
O longa-metragem “Papagaios”, do cineasta carioca Douglas Soares, faz parte da 49ª da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que ocorre de 16 a 30 de outubro.
O premiado suspense, que levou quatro Kikitos no Festival de Gramado deste ano, sendo de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular, Melhor Ator (Gero Camilo), Melhor Direção de Arte (Elsa Romero) e Melhor Desenho de Som (Bernardo Uzeda, Thiago Sobral e Damião Lopes), integra a Mostra Brasil e tem exibições confirmadas nos dias 18 e 29 de outubro.
“Estamos muito honrados em participar da Mostra de São Paulo, que é um dos mais importantes eventos de cinema do País. Tivemos uma excelente recepção do público e da crítica no Festival de Gramado e essa será uma nova oportunidade de apresentar a produção aos espectadores que ainda não conseguiram conferir o filme”, comenta o cineasta Douglas Soares.
“Papagaios” traz uma sátira social sobre os limites éticos da fama, em um suspense marcado por mistérios e uma pitada de humor, indagando sobre o que o ser humano está disposto a fazer para aparecer na TV, seja em tragédias, velórios de famosos ou nos noticiários.
Sucesso de crítica no Festival de Gramado pela imprensa especializada, o longa-metragem teve uma de suas cenas considerada como uma das mais belas do cinema brasileiro recente. Ela traz os dois personagens principais, Tunico (Gero Camilo) e Beto (Ruan Aguiar), em uma coreografia misteriosa e inusitada, ao som da canção “Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, com interpretação de Nelson Gonçalves.
Por Victoria Hope
Existe um limite quanto fala-se em filmes tediosos, mas "Drácula" de Radu Jude talvez ultrapasse todos esses limites em termos de chatice, mau gosto e vulgaridade. Raramente inicio críticas falando do que não apreciei em um longa, mas isso não quer dizer que o filme não tenha pontos interessantes abordados.
O uso excessivo da IA, mesmo que em crítica, ainda assim não deixa de ser inteligência artificial e não deixa de utilizar litros e litros de recursos naturais para tentar "passar uma mensagem". Apesar disso, O Drácula de Jude apresenta uma ferrenha crítica à indústria cinematográfica, ao consumismo exacerbado e ao próprio uso indiscriminado de inteligência artificial.
Na trama, acompanhamos um autor que utiliza uma IA fictícia chamada Dr. AI Judex, para criar diversos filmes temáticos de Dracula. Enquanto o personagem autor tenta criar um filme com símbolos que supostamente o público gosta, o público é atacado com centenas de cenas repetitivas de sexo, palavras de baixo calão e violência.
O artifício da IA falsa funcionaria muito bem como uma crítica caso a IA verdadeira não tivesse sido utilizada, fora que, o ritmo do filme, que é excessivamente longo, se torna cansativo rapidamente, até mesmo porque há uma repetição da mensagem em cada um dos "capítulos" apresentados.
Criticas ao capitalismo são salpicadas em casa uma das tramas, as vezes funcionando muito bem, como no episódio específico onde Dracula é pintado como um CEO carrasco de uma empresa, mas na maioria das vezes à crítica não vai muito longe.
Em alguns momentos, as cenas de nu frontal principalmente feminino são tão excessivas que cheguei a pensar que estava vendo um filme feito por um adolescente na puberdade e não por um diretor adulto renomado. É um filme incômodo que por mais que tente parecer 'genial", só se torna um produto vazio, tal qual o produto que ol próprio personagem autor tenta criticar. Seria essa uma então? Talvez.
Nota: 4/10
Por Victoria Hope
Depois de um grande sucesso de bilheteria, a clássica comédia brasileira que conquistou milhões de espectadores está de volta. Neste domingo, 03 de agosto, serão iniciadas oficialmente as filmagens de “Se Eu Fosse Você 3”, sequência da adorada franquia estrelada por Tony Ramos e Glória Pires. Os atores voltam a interpretar o icônico casal Cláudio e Helena em meio a novos desafios familiares ainda mais inusitados.
O longa é dirigido por Anita Barbosa (Matches, Amor.com), com supervisão artística de Daniel Filho, responsável pela direção dos dois primeiros filmes da saga, lançados em 2006 e 2009, e roteiro de Leandro Soares. A produção é da Total International, em coprodução com a Star Original Productions e distribuição da Star Distribution - selos da Disney voltados para filmes da América Latina.
A trama se passa duas décadas depois da última troca de corpos entre Cláudio e Helena, que estão vivendo uma nova fase da vida com a filha Bia, agora adulta e casada com Aquiles. Quando o raio cai três vezes na mesma família, um novo desafio mostra que é necessário se colocar no lugar do outro... literalmente.
Confira o teaser:
Por Victoria Hope
O 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba ocorre de 11 a 19 de junho, reunindo mais de 90 filmes, entre longas e curtas-metragens, de todo o mundo, em sessões que ocupam locais emblemáticos da capital paranaense, como a Ópera de Arame, o Museu Oscar Niemeyer, o Cine Passeio, o Cine Guarani, o Teatro da Vila (CIC), e a Cinemateca.
Um dos destaques da programação deste ano é o longa-metragem de animação “Glória & Liberdade”, que é o primeiro a ser selecionado para a Mostra Competitiva Brasileira de Longas na história do festival.
Com direção de Letícia Simões, baiana radicada em Pernambuco e roteirista das séries “Cangaço Novo” e “Maria Bonita e o Cangaço”, a produção imagina um Brasil de 2050, reinventado pelas revoltas populares do século XIX - Cabanagem, Balaiada, Praieira e Sabinada - em que os territórios que um dia formaram as regiões Norte e Nordeste se dissolveram após a partida de D. Pedro I, dando origem ao continente Pau-Brasil.
Azul, interpretada por Larissa Góes, é uma jovem documentarista da República da Bahia, que percorre quatro nações independentes com o objetivo de investigar as histórias de cada lugar e os motivos que tornaram impossível manter o antigo país unido.
![]() |
| Glória e Liberdade / Foto: Divulgação |
Combinando ficção científica, narrativa documental e referências à cultura popular brasileira, “Glória & Liberdade” desloca tempo e espaço para provocar sobre o conceito de ‘nação’, se estruturando como uma viagem em quatro capítulos.
Cada passagem conta com uma estética própria, que vai se construindo de acordo com as linguagens, memórias e culturas dos territórios imaginados, contando uma história múltipla e sensível às singularidades que compõem as quatro nações: Taua Sikusaua Kato, nação indígena com mais de 130 etnias do território da Amazônia; a República de Caixas, zona das antigas províncias do Ceará, Maranhão e Piauí; o Reino Unido de Pernambuco, nação formada a partir da província de Pernambuco; e a República da Bahia, onde vive.
“E se as revoltas regenciais tivessem dado certo? O filme é uma fabulação crítica, uma tentativa de imaginar o que poderia ter sido e, quem sabe, o que ainda pode ser”, comenta Letícia Simões, que também assina o roteiro da animação.
Em sua jornada, Azul encontra pajés, hackers, líderes populares e historiadores que a ajudam a costurar memórias e tensões de um passado fragmentado. Mas, a revolução mais profunda da jovem acontece dentro de sua própria casa e ela precisa avaliar, a partir dessa trajetória, o que aprendeu sobre revolução e liberdade. Assista ao trailer!
As sessões de “Glória & Liberdade” no 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba ocorrem nos dias 14 de junho, às 15h30, no Museu Oscar Niemeyer (Sala Claro MON) - seguida por debate com equipe do filme; e 15 de junho, às 15h30, no Cine Passeio (Cine Passeio Luz).
Por Willian Fernando
Os fãs de ‘Quinze Dias’ já podem comemorar: o livro que conquistou mais de 100 mil leitores ao redor do mundo finalmente começou sua trajetória nas telonas! As filmagens da aguardada adaptação cinematográfica do best-seller de Vitor Martins já estão em andamento no Rio de Janeiro e Cataguases, em Minas Gerais, com direção de Daniel Lieff ("Alice & Só" e “Últimas Férias”) e roteiro assinado por Ray Tavares e Vitor Brandt.
No papel principal, Miguel Lallo faz sua estreia no cinema. Ao seu lado, Débora Falabella interpreta Rita, a mãe divertida e parceira de Felipe. Diego Lira dá vida a Caio, o crush que reacende todas as dúvidas e descobertas do protagonista. Também fazem parte do elenco Mariana Santos, Silvio Guindane, Olívia Araújo, Mika Soeiro, Bel Moreira, Fernando Caruso, Augusto Madeira, Márcio Vito, João Gabriel Chaseliov, João Gabriel Marinho e Victor Galisteu.
Com produção da Conspiração e distribuição da Manequim Filmes, o longa mergulha em temas essenciais como aceitação, insegurança, gordofobia, homofobia e bullying, equilibrando sensibilidade e drama na mesma medida. É um filme que fala sobre crescer, amar e se enxergar — mesmo quando o espelho do mundo parece distorcido.
O autor Vitor Martins define o momento como um “sonho que se materializa”. “Escrevi esse livro pensando no adolescente que eu fui, e agora ver esses personagens ganhando voz e corpo é algo transformador”, conta.
Sinopse
Felipe é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries. Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo Felipe mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua.
O filme "Quinze Dias" tem patrocínio master do Nubank e apoio da Prefeitura de Cataguases. #QuinzeDias e #QuinzeDiasOFilme
Por Victoria Hope
“Ainda Estou Aqui”, recebeu os prêmios de Melhor Filme Ibero Americano, Melhor Atriz para Fernanda Torres e Melhor Direção para Walter Salles no Prêmio Platino, uma das maiores premiações do cinema Ibero-Americano, que realizou a cerimônia de premiação de sua 12ª edição neste domingo, 27, no Palácio Municipal IFEMA Madrid, localizado na capital espanhola. O produtor Rodrigo Teixeira e a atriz Valentina Herszage representaram o filme na premiação. Walter Salles e Fernanda Torres não puderam estar presentes e enviaram textos de agradecimento que foram lidos no palco.
“É uma honra receber esse prêmio em uma categoria onde tenho tanta admiração pelos diretores indicados. Obrigado ao Prêmio Platino por nos lembrar que o cinema latino-americano é a nossa casa”, declarou Walter Salles em nota de agradecimento ao prêmio lida por Rodrigo Teixeira. Walter estendeu os agradecimentos a um dos maiores nomes do audiovisual brasileiro.
“Gostaria de dedicar esse prêmio a um Mestre que nos deixou há pouco, Carlos Diegues, diretor de filmes fundamentais como ‘Bye Bye Brasil’, um dos fundadores do Cinema Novo e um dos cineastas que pensou o cinema de forma mais democrática e inclusiva. Carlos era um admirador do cinema latino-americano, e foi fundamental para que filmes como o nosso pudessem estar aqui hoje. Em um momento de fragilização da democracia no mundo, em um tempo em que se tenta borrar a nossa memória coletiva, pensadores como Carlos Diegues nos lembram o quanto o cinema é fundamental para combater o esquecimento. Muito obrigado.”
Fernanda Torres também comentou a premiação: "Eu gostaria muito de poder estar presente nesta noite, mas, infelizmente, isso não foi possível, devido a compromissos de trabalho. Quero dizer que é uma honra imensa receber este prêmio. Sou fruto da cultura Ibero-americana, a Península Ibérica é minha segunda casa e esse reconhecimento reforça, em mim, o orgulho de fazer parte de uma força cultural que, no cinema, pariu artistas da dimensão de Luiz Buñuel e Pedro Almodóvar; Alejandro Inharitù e Alfonso Cuarón, de Ricardo Darín; Norma Aleandro, Penélope Cruz, Javier Bardem e Marisa Paredes, de Glauber Rocha e Fernanda Montenegro.
Esse é um filme sobre uma família, feito por uma família de artistas e fico feliz de recebê-lo pelas mãos de Valentina Herszage, minha filha na ficção, que representa não só a mim, aqui, nesta noite, mas também ao Selton (Mello), à Luiza (Kosovski), à Bárbara (Luz), ao Guilherme (Silveira) e à Cora (Mora). Sem eles minha Eunice jamais existiria.
Eu agradeço profundamente a Walter Salles, meu irmão, meu amigo e parceiro de tantas décadas, a honra de ter habitado a pele desta mulher. Walter é o coração deste filme raro, tão humano e delicado, sobre a brutalidade da Ditadura Militar do Brasil, uma das tantas que se espalharam pelas Américas, durante o período da Guerra Fria.
Através de Eunice Paiva, revisitei o horror da Ditadura que conheci em criança. Esta grande brasileira, advogada e defensora da democracia e dos direitos humanos nos ensina, no momento presente, a resistir com alegria e civilidade, sem nos dobrarmos ao autoritarismo. Em nome da família Paiva, de Marcelo Paiva, e de todos aqueles que defenderam e defendem a arte e a democracia eu repito: Ditadura nunca mais! Muito obrigada!!"
![]() |
| O produtor Rodrigo Teixeira e a atriz Valentina Herszage representaram o filme na premiação na Espanha. / Foto: Divulgação |
Por Victoria Hope
Premiado na Berlinale 2025, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, é selecionado para novos festivais ao redor do mundo, e consolida carreira internacional
Após vencer o Urso de Prata, filme protagonizado por Denise Weinberg, com Rodrigo Santoro, Adanilo e Miriam Socarrás no elenco, tem exibições confirmadas em grandes eventos na América Latina, Europa, Ásia e América do Norte
“O Último Azul”, de Gabriel Mascaro (“Boi Neon” e “Divino Amor”), segue consolidando sua carreira internacional e marcando presença entre os principais festivais de cinema do mundo. Após vencer o Urso de Prata, do Grande Prêmio do Júri, na 75ª edição do Festival de Berlim, o filme protagonizado por Denise Weinberg, com Rodrigo Santoro, Adanilo e Miriam Socarrás no elenco, fez sua estreia latino-americana no Festival de Cartagena de Las Índias, que aconteceu de 1 a 6 de abril na cidade colombiana. Somente neste mês,
O longa chega em outros dois grandes eventos: o Festival de Buenos Aires (BAFICI), realizado entre os dias 1 e 13, e o Festival de Cinema de Istambul (IKSV), que ocorre de 11 a 22 de abril, na Turquia.
O longa de Mascaro também foi anunciado ontem, (8) como parte da seleção, fora de competição, do IndieLisboa — um dos principais festivais de Portugal —, onde integra a mostra Rizoma, que tem como objetivo jogar luz sobre questões relevantes para a sociedade
Em junho, é a vez da Austrália receber “O Último Azul” durante o Sydney Film Festival, na Australia. Até o momento, a produção está prevista para passar por 13 festivais pelo mundo (Argentina, Austrália, China, Colômbia, República Tcheca, Islândia, México, Polônia, Portugal, Taiwan, Turquia, Reino Unido e Uruguai).
A estreia no circuito comercial brasileiro acontece no segundo semestre, com distribuição da Vitrine Filmes.
Por Victoria Hope
O seis episódios de Maria e o Cangaço no Disney+, nova série nacional inspirada no livro de Adriana Negreiros,já estão disponíveis e contam a história Maria de Déa, uma jovem destemida que ousa ter voz num grupo de foras-da-lei. Ela é mais conhecida como a companheira de Lampião, mas sua trajetória vai além disso e a produção traz essa nova perspectiva, de Maria Bonita como mãe e mulher.
Para Isis Valverde, atriz que dá vida a primeira mulher cangaceira do Brasil, comenta sobre essa nova visão sobre a icônica figura brasileira. “Foram meses de preparação e estudo. O mais interessante do projeto é olhá-lo desta perspectiva feminina uma vez que histórias sobre o Cangaço sempre foram escritas e contadas por homens. A ideia foi trazer essa ótica e reforçar como essas mulheres viveram naquela época, porém sem romantizar os acontecimentos. Foi um período muito complexo marcado por diversas violências causadas a essas mulheres, onde Maria por sua vez, e como uma mulher transgressora, se destacava.”
O diretor Sérgio Machado reforça que a série ao mesmo tempo que fala do passado, aborda temas contemporâneos: “temas como feminicídio, o dilema das mulheres que têm que optar entre a família e a vida no trabalho, a sobrecarga feminina, as violências que as mulheres sofrem no dia a dia, são questões que estão retratadas naquela época, mas que permanecem absolutamente contemporâneas. É uma série, de alguma maneira, tão atual quanto as séries que falam de temas hiper contemporâneos”.
Na série, numa vida de fugas e conflitos armados, Maria (Isis Valverde) é surpreendida por uma gravidez e submetida à mais dura lei do cangaço: entregar o bebê para ser criado por outra pessoa. Ela passa, então, a viver dividida entre a vida cangaceira e o desejo impossível de criar a filha.
“Conseguimos filmar a série inteira no nordeste, o fato de termos preparado os atores lá, tudo isso deu uma estrutura muito importante para a produção. Tivemos uma equipe predominantemente nordestina, além do elenco que é, importante ressaltar, mais de 90% nordestino”, finaliza a também diretora Thalita Rubio.
Com direção geral de Sérgio Machado e direção de Thalita Rubio e Adrian Teijido - que também é o diretor de fotografia da série e indicado ao Oscar® pelo longa Ainda Estou Aqui (2023), a produção da Cinefilm ainda conta no elenco com nomes como Rômulo Braga, Mohana Uchôa, Clebia Sousa, Thainá Duarte, Geyson Luiz, Dan Ferreira, Jorge Paz, Chandelly Braz, entre outros talentos.
Por Victoria Hope
MANAS contou com o apoio de renomados cineastas internacionais. Walter Salles, que recentemente conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda Estou Aqui”, e os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, vencedores de duas Palmas de Ouro em Cannes, atuaram como produtores associados do filme. Os cineastas apostaram no potencial do projeto desde a fase de roteiro, contribuindo significativamente para a sua realização.
“MANAS, de Marianna Brennand, é um primeiro longa-metragem brilhante. A narrativa é ao mesmo tempo sensorial e emocional, os atores são cativantes, e a direção é inspirada, precisa e desprovida de sentimentalismo. Marianna nos oferece a possibilidade de mergulhar em um mundo que ainda não havíamos visto, trazendo luz aos seus demônios internos. Uma grande estreia de uma diretora extremamente talentosa", elogia Salles.
MANAS narra a história de Marcielle/Tielle (Jamilli Correa), uma jovem de 13 anos que vive na Ilha do Marajó (PA) junto ao pai, Marcílio (Rômulo Braga), à mãe, Danielle (Fátima Macedo), e a três irmãos. Ela cultua a imagem de Claudinha, sua irmã mais velha, que teria partido para bem longe após “arrumar um homem bom” nas balsas que passam pela região. Conforme amadurece, Tielle vê ruírem muitas das suas idealizações e se percebe presa entre dois ambientes abusivos. Preocupada com a irmã mais nova e ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres à sua volta.
Luc Dardenne endossa: “É um filme que me emocionou profundamente. Sua abordagem da vida de uma jovem e sua família no Norte do Brasil revela a existência de uma comunidade, de uma sociedade onde a longa história de dominação masculina está violentamente inscrita nos corpos das mulheres. Este filme de estreia da diretora Marianna Brennand é, a meu ver, marcado pela intensidade e precisão de sua visão, assim como por sua profunda conexão com seus personagens – qualidades que sinalizam o surgimento de uma cineasta verdadeiramente excepcional.”
O longa tem sido amplamente elogiado também pela crítica especializada. Vittoria Scarpa, do Cineuropa, destacou que o filme "deixa você atordoado – pela história que conta, pela forma como a conta e pelas atuações penetrantes de seus atores". Já Matthew Joseph Jenner, da International Cinephile Society, descreveu MANAS como "um filme sincero, afetuoso e genuinamente impactante".
Por Victoria Hope
Uma vingança que se transforma em obra-prima! Para os amantes de arte e de ação, vem novidade por aí com muito suspense e drama. O novo filme nacional, "A Arte do Roubo", já está em produção, contando com grande elenco liderado por Débora Nascimento, Carla Diaz e Reynaldo Gianecchini.
Dirigido por Marcos Jorge, conhecido por "Estômago" e "O Duelo", "A Arte do Roubo" acompanha a história de Alice (Débora Nascimento) e Lia (Carla Diaz), duas artistas de circo idealistas, que são envolvidas por Wagner (Reynaldo Gianecchini), um ‘marchand’ inescrupuloso, num plano para roubar colecionadores de arte.
Traídas, Lia acaba presa e Alice precisa fugir do país. Cinco anos depois, elas voltam para se vingar, roubando o museu administrado pelo traidor do passado, com uma estratégia que fará desse roubo uma verdadeira obra de arte.
O longa é uma coprodução da INTRO Pictures, Zencrane Filmes e Star Original Productions, com distribuição da Star Distribution, e tem previsão para estrear exclusivamente nos cinemas em 2026.
Elenco de peso e participações especiais
Além de Débora Nascimento ("Avenida Brasil", "Olhar Indiscreto") como Alice, Reynaldo Gianecchini ("Bom Dia, Verônica", "Verdades Secretas") como Wagner e Carla Diaz ("A Menina que Matou os Pais", "Espelho da Vida") como Lia, O elenco ainda conta com Bukassa Kabengele, Otávio Linhares, Anderson Lau e Fábio Silvestre, com participação especial do criador de conteúdo Felca.
Direção de quem entende de narrativa cinematográfica
Marcos Jorge possui grandes obras em seu currículo. Seu primeiro longa de ficção, "Estômago", conquistou 39 prêmios, sendo 16 internacionais, consolidando-o como um dos diretores mais importantes da nova geração do cinema brasileiro. Entre seus outros trabalhos estão "O Duelo", baseado em Jorge Amado, e "Dr. Monstro", que está em fase de finalização.
Por Victoria Hope
"Ainda Estou Aqui" é um dos filmes mais emocionantes do ano. Começo essa crítica de forma rara, já consagrando esse como um dos longas metragens mais importantes na história do cinema brasileiro, tanto pela questão histórica e política quanto pelo trabalho impecável do elenco, incluindo Fernanda Torres, em uma performance que merece indicação ao Oscar ao lado do igualmente excelente Selton Mello e grande elenco.
Na trama adaptada do livro de mesmo nome escrito por Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Paiva e Eunice Paiva, que são os protagonistas dessa história, acompanhamos a vida do ex-deputado com sua esposa e seus vários filhos durante a chegada da ditadura no Brasil.
O filme toca numa ferida recente na história do país e vem no momento mais oportuno para nos lembrarmos de um passado que muitos tentam apagar ou fingem que nunca existiu. "Ainda Estou Aqui", é uma carta de amor à mulheres fortes como Eunice, que mesmo não tendo escolha a não ser ter força por si mesma e por seus filhos, nunca perdeu as esperanças em encontrar seu marido, que foi sequestrado e consequentemente teve sua vida tirada.
![]() |
| Ainda Estou Aqui / Foto: Sony Pictures |
A ambientação e a escolha da trilha sonora também são dois pontos altos do filme; é nítida a pesquisa muito bem trabalhada pela equipe de produção, levando em conta todos os cuidados que tiveram com figurinos, veículos em cena e ambientes, todos minuciosamente detalhados para que os anos 70 fossem representados da forma mais correta possível.
Uma trilha sonora envolvente amarra todas as cenas, trazendo diversas mensagens, hora subliminares hora completamente claras para que o público entendesse o que estava acontecendo naquele momento da história.
A violência não é mostrada de forma aberta, porém, esse é um filme muito forte e que usa da ambientação e dos sons para construir essa atmosfera aterradora, sombria, que faz gelar a espinha só de pensarmos que esse período aconteceu na vida real; período esse que jamais pode ser esquecido e que precisa sim ser revisitado quantas vezes necessário para que não aja revisionismo.
![]() |
| Ainda Estou Aqui / Foto: Sony Pictures |
É impossível assistir a esse filme sem tocar em uma história pessoal, pois minha avó, Wilma Veridiana, faleceu esse ano de demência e não apenas foi uma figura de empoderamento na família no passado, bem como sempre contou histórias desse momento obscuro da ditadura no Brasil.
Dito isso, "Ainda Estou Aqui' convida à audiência a não tratar o tema como um tabu, mas sim como uma história que precisa ser revisitada, contada de geração para geração e jamais esquecida. Esse é o tipo de filme que daqui há anos continuará sendo aclamado e que posso apenas torcer para que receba o respeito e aplausos que merece.
Mas não se engane, pois esse é um filme pesado apesar de não demonstrar violência física; é um tipo de longa metragem que faz as entranhas queimarem, os olhos ficarem marejados e o coração acelerar com a vontade de ver um mundo melhor, para que a gente não esqueça jamais de toda a luta daqueles que nos deixaram, mas que ainda assim, batalharam até o fim em prol de um Brasil melhor para todos.
Nota: 9.5/10
Por Victoria Hope
Premiada diretora dos curtas Represa (2016) e Au Revoir (2013), a pernambucana Milena Times lança seu primeiro longa Ainda não é amanhã na Première Brasil do Festival do Rio, que acontece entre 03 e 13 de outubro. O filme será exibido na mostra competitiva de longas da seção Novos Rumos, e é produzido por Dora Amorim, Júlia Machado e Thaís Vidal. A produção é da Espreita Filmes, Ponte Produtoras e Ventana Filmes, com distribuição da Embaúba Filmes.
O longa acompanha a trajetória de amadurecimento de Janaína (Mayara Santos), uma garota negra de 18 anos que foi criada pela mãe (Clau Barros) e pela avó (Cláudia Conceição). Três gerações de mulheres que dividem afetos, ambições, embates e espaço em um pequeno apartamento da periferia do Recife. Janaína é bolsista em uma faculdade de Direito e se vê diante da oportunidade de ser a primeira pessoa da sua família a obter um diploma universitário. Quando descobre que está grávida, ela começa a colocar em perspectiva os seus planos, a trajetória da sua família e suas próprias escolhas.
Milena conta que o filme nasceu do desejo de falar sobre famílias formadas por mulheres, sobre as dinâmicas particulares que se estabelecem no convívio entre elas, investigando o que há de semelhanças e diferenças, de reproduções e transcendências.
O tema da maternidade sempre esteve presente, mas havia também o desejo de abordá-lo não como algo mandatório na vida de uma mulher, e sim uma escolha. “Mulheres optam pela interrupção voluntária da gravidez em qualquer lugar do mundo, por inúmeras razões, independente de ser permitido. As restrições sociais e legais só contribuem para que seja uma prática insegura e desassistida, especialmente para a parcela de mulheres com menos instrução e poder aquisitivo. Boa parte dos efeitos individuais e sociais mais danosos são resultado da própria criminalização, do silêncio, da falta de informação.”
Por Victoria Hope
O curta-metragem O Céu Não Sabe seu Nome, dirigido por Carol AÓ, integra a mostra competitiva Première Brasil - Novos Rumos no Festival do Rio. O filme, que faz sua estreia mundial no festival, mergulha nos laços entre gerações, acompanhando uma neta que ressignifica a morte de sua avó através das memórias antes não ditas. A obra explora de forma delicada a fusão entre passado e presente, permitindo uma reflexão sobre legado, memória e sonhos.
A Mostra Novos Rumos do Festival do Rio celebra os novos talentos e experimentações do cinema brasileiro. O Festival, conhecido por exibir obras premiadas em Cannes, Veneza e outros festivais de renome, tem como compromisso ser a maior vitrine da produção audiovisual brasileira.
O filme conta com a sensível atuação de Inês Mendes, pela primeira vez trabalhando como atriz, uma mulher negra cuja história de vida tem paralelos muito fortes com a personagem que interpreta. Sua neta, Jamile Cazumbá, atuou ao seu lado como coprotagonista, tornando a experiência ainda mais especial e emocionante para todos os envolvidos.
![]() |
| O Céu Não Sabe seu Nome / Foto: Arruda Filmes |
Sinopse:
Em um dia qualquer, Preta falece enquanto regava o seu jardim no quintal. No outro canto da cidade sua neta se desloca ao seu encontro para tomar um café. Presente e passado se fundem na memória de ambas nos permitindo conhecer cada pedaço de história da matriarca que acabou de fazer sua passagem, abrindo caminho para quem ficou ressignificar e seguir mais forte no agora.
O Festival do Rio 2024 acontece de 3 a 13 de outubro e a programação diária será anunciada em breve.
----
Carol AÓ, soteropolitana e cofundadora da ARRUDA FILMES, constrói uma narrativa sensível e poética que reflete sua experiência de mais de uma década na produção audiovisual. Desde 2009, Carol atua como continuísta, diretora, roteirista e produtora criativa, participando de produções para plataformas como Netflix, Amazon, HBO e outras, além de projetos independentes.