Por Matheus Nascimento
O diretor Eli Roth (O Albergue) está de volta com seu novo filme, O Sorveteiro, sonho febril dele que estava tentando trazer do papel há anos. Depois de assistir ao resultado, fica fácil entender por que o projeto enfrentou tantas dificuldades para sair do papel.
Esteticamente, blazer e narrativamente fraco, o longa consegue se entreter pela sua ruindade. Na sinopse oficial, uma cidade ideal para o verão enlouquece quando um sorveteiro carismático serve doces para crianças com resultados brutais.
O cinema de extrema violência vem ganhando mais destaque nos tempos, com franquias como Terrifier, e vem influenciando jovens e nomes de renome da indústria cinematográfica. O sorveteiro embarca neste estilo com mortes assustadoramente bem feitas, um exemplo: uma garotinha que transforma o cérebro do diretor da escola em bola de sorvete; esses são os momentos, talvez o único ponto positivo do filme.
Há um vale da estranheza logo de cara: o visual polido e agradável de algo gênero vai na contramão dos visuais sujos. Isso não funciona, dá sensação na pós-produção. Nem quiseram fazer a correção de cor; as cores desse filme são chapadas, não há textura nem no vermelho do sangue dos personagens mortos.
![]() |
| O Sorveteiro / Foto: Diamond Films |
Neste filme somos apresentados ao uso de IA para criação de animação, que, até o restante do uso da ferramenta na criação de cenas, é péssimo; o que já era esteticamente feio piora com essa ferramenta, empobrecendo o filme.
Narrativamente, o que conecta logicamente são esquetes, mortes e mais mortes sem construir progressão dramática. Com duração de 88 minutos, o filme perde de 20 a 30 só com mortes. Bem, até poderia ser bom se tivéssemos personagens minimamente inteligentes para se importar com algo; nem de longe o roteiro de Noah Belson e Roth consegue.
O núcleo de protagonistas é sofrível. As crianças tentam o melhor, mas suas atuações são fracas. A personagem que mais sofre é Mia (Kiori Mirza Waldman), que tem diálogos terríveis, como: “Eu tenho 12 anos, claro que sei vomitar”. É difícil imaginar uma menina de 12 anos falando algo parecido com isso. O protagonista, Jared (Charlie Zeltzer), fica o tempo todo com a mesma expressão e é difícil analisar que sentimento ele queria passar.
O sorveteiro vai estar em muitas listas de piores filmes de 2026. A intenção de Roth de resgatar esse estilo de filme B vindo direto de DVDs e VHS, mas falha ao juntar essa estética em uma narrativa já franca, sem mínimo desenvolvimento e com atuações fracas. Mesmo com mortes criativas que garantem alguns momentos de diversão, isso não sustenta a obra.
NOTA: 5/10
























.webp)





