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[Review] O Sorveteiro de Eli Roth é confuso, mas diverte em alguns momentos

 

Por Matheus Nascimento

O diretor Eli Roth (O Albergue) está de volta com seu novo filme, O Sorveteiro, sonho febril dele que estava tentando trazer do papel há anos. Depois de assistir ao resultado, fica fácil entender por que o projeto enfrentou tantas dificuldades para sair do papel.

Esteticamente, blazer e narrativamente fraco, o longa consegue se entreter pela sua ruindade. Na sinopse oficial, uma cidade ideal para o verão enlouquece quando um sorveteiro carismático serve doces para crianças com resultados brutais.

O cinema de extrema violência vem ganhando mais destaque nos tempos, com franquias como Terrifier, e vem influenciando jovens e nomes de renome da indústria cinematográfica. O sorveteiro embarca neste estilo com mortes assustadoramente bem feitas, um exemplo: uma garotinha que transforma o cérebro do diretor da escola em bola de sorvete; esses são os momentos, talvez o único ponto positivo do filme.

Há um vale da estranheza logo de cara: o visual polido e agradável de algo gênero vai na contramão dos visuais sujos. Isso não funciona, dá sensação na pós-produção. Nem quiseram fazer a correção de cor; as cores desse filme são chapadas, não há textura nem no vermelho do sangue dos personagens mortos.

O Sorveteiro / Foto: Diamond Films

Neste filme somos apresentados ao uso de IA para criação de animação, que, até o restante do uso da ferramenta na criação de cenas, é péssimo; o que já era esteticamente feio piora com essa ferramenta, empobrecendo o filme. 

Narrativamente, o que conecta logicamente são esquetes, mortes e mais mortes sem construir progressão dramática. Com duração de 88 minutos, o filme perde de 20 a 30 só com mortes. Bem, até poderia ser bom se tivéssemos personagens minimamente inteligentes para se importar com algo; nem de longe o roteiro de Noah Belson e Roth consegue.

O núcleo de protagonistas é sofrível. As crianças tentam o melhor, mas suas atuações são fracas. A personagem que mais sofre é Mia (Kiori Mirza Waldman), que tem diálogos terríveis, como: “Eu tenho 12 anos, claro que sei vomitar”. É difícil imaginar uma menina de 12 anos falando algo parecido com isso. O protagonista, Jared (Charlie Zeltzer), fica o tempo todo com a mesma expressão e é difícil analisar que sentimento ele queria passar.

O sorveteiro vai estar em muitas listas de piores filmes de 2026. A intenção de Roth de resgatar esse estilo de filme B vindo direto de DVDs e VHS, mas falha ao juntar essa estética em uma narrativa já franca, sem mínimo desenvolvimento e com atuações fracas. Mesmo com mortes criativas que garantem alguns momentos de diversão, isso não sustenta a obra.

NOTA: 5/10

[Review] Akira em 4K

 

Por Ricardo dos Santos

O longa animado Akira, dirigido e roteirizado por Katsuhiro Otomo, é um dos grandes clássicos do cinema e uma adaptação do mangá de mesmo nome e criador. Lançado no Japão em 1988, a produção chegou ao Brasil em 1991 e, no dia 27 de agosto, voltará a ser exibido no cinema em imagem 4K pela comemoração aos 35 anos de sua chegada ao nosso circuito de cinema.

A história de Akira é sobre o líder de uma gangue de motoqueiros, Kaneda. Ele tenta salvar seu amigo de infância, Tetsuo, que adquire poderes psíquicos devastadores após um acidente misterioso e se torna alvo de experimentos militares secretos.

Uma animação em longa-metragem como Akira merece todas as celebrações possíveis. Essa obra ter uma remasterização no melhor que a tecnologia moderna tem a oferecer é um brinde a toda uma nova geração. Assistir a Akira em uma sala de cinema, com todos os seus recursos audiovisuais, é uma experiência fascinante porque, mesmo não vivendo aquela época, se torna possível compreender quem viveu a magnitude de ver essa história na tela grande.

Akira / Foto: Sato Company

O trabalho de remasterização para a tecnologia em 4K é excelente porque não é apenas uma resolução muito melhor, conservando as cores, a iluminação e as texturas. Um dos elementos que o tornam uma obra-prima passa pela sua estética impressionante, e isso se mostra bem conservado. Ainda é possível perceber que Akira foi feito com frames desenhados à mão.

Outros elementos, como a atuação do elenco de vozes, o roteiro, os efeitos de áudio, a trilha sonora e os movimentos dos personagens, continuam incríveis, tornando a experiência cinematográfica grandiosa.

Mesmo que já tenham se passado 38 anos da sua primeira exibição, é impressionante como Akira ainda é um longa que continua tão atual. Otomo, através de sua obra, nos empurra a refletir sobre política, questões morais, a convivência com a constante iminência da guerra, além da própria violência e do abismo entre ricos e pobres na sociedade.

Akira / Foto: Sato Company

Acredito que esse é o termo que melhor define esse impacto, porque a sensação, principalmente pela imersão do cinema, é como ser empurrado para esses temas e para as emoções dos personagens, sendo que considero isso muito necessário, porque não existem muitas diferenças entre a Neo-Tokyo de 2019 e a nossa sociedade atualmente.

Ter assistido a Akira em 4K é incrível pelo excelente trabalho de conservação, por sua experiência cinematográfica e pela oportunidade de testemunhar a grandeza desta obra em um formato muito mais imersivo, sendo essa uma celebração muito merecida.

[Review] Insaciável, mais uma pérola do horror indie

 

Por Victoria Hope

Insaciável (Saccharine), novo body horror da diretora e roteirista Natalie Erika James, conhecida por Relíquia Macabra, teve sua estreia oficial durante o Festival Sundance 2026. O longa, que foi destaque no Festival de Sundance, estreia nos cinemas brasileiros em 6 de agosto.

O filme aborda uma temática pesada, porém muito relevante em tempos de procedimentos "milagrosos' em tempos de culto à magreza. A trama acompanha Hana, personagem interpretada por Midori Francis (Grey's Anatomy), uma estudante de medicina com leve sobrepeso que desenvolve uma obsessão pelo emagrecimento. 

Sua vida muda quando uma antiga amiga reaparece completamente transformada e lhe apresenta uma suposta solução milagrosa para perder peso, uma pílula que aparentemente é quase que milagrosa e supostamente ajuda suas consumidoras a perderem peso toda vez que consomem alimento.

Insaciável / Foto: Diamond Films
O longa não poupa detalhes sobre o distúrbio alimentar que Hana sofre, com cenas extremamente gráficas, então vale um aviso de gatilho para pessoas que potencialmente podem sentir sensibilidade ao assunto, mas da mesma forma, em tempos onde polêmicas à cerca da cultura da magreza voltam à tona, como no recente caso da cantora e atriz Ariana Grande, filmes como "Insaciável" se complemostram necessários.

Aqui a excelente Midori Francis entrega uma performance forte e recheada de nuances, trazendo uma Hana que não necessariamente é a melhor pessoa do mundo, mas sim uma personagem extremamente humana, com medos, traumas e desejos.

Ao longo da história, acompanhamos essa jovem que tenta se tornar mais saudável, não apenas por ela mesma, mas também para ficar mais perto de sua mais nova 'crush', uma personal trainer de academia local, mas ao passo em que a história se aprofunda, o público começa a perceber, pouco a pouco, que as motivações da personagem são muito mais obscuras do que a superfície permite mostrar.


Insaciável / Foto: Diamond Films
A diretora consegue mostrar muito bem o sentimento de dor e culpa da personagem e aqui, em nenhum momento a comida é tratada como um conforto, mas sim, associada com momentos de tristeza e auto-ódio da personagem. É como se comer fosse apenas uma punição de Hana e é brilhante em como aos poucos, a trama revela o motivo por traz desse comportamento da garota. 

"Insaciável" acerta no tom do terror, com algumas cenas de sustos que fazem o coração acelerar, mas ao mesmo tempo, é bem-sucedido no drama e na carga emocional, mesmo que derrapando ao tentar passar muitas mensagens que ao mesmo tempo, se contradizem.

Em um ano onde ótimos filmes indie de terror como "Obsessão", "Iron Lung","Backrooms", entre outros estão ganhando cada vez mais holofotes, "Insaciável" é uma das grandes surpresas do ano. Um horror corporal sem grande pretensões, mas que toca em um assunto que tem se tornado cada vez mais relevante. 

Nota: 8/10

Annecy Festival 2026 | We Are Aliens, um filme sobre dores que nunca se apagam

 


Por Victoria Hope

No drama japonês "We Are Aliens", certo verão, quando cursavam a terceira série, um menino reservado chamado Tsubasa conhece Kyotaro — um garoto admirado por todos na turma — e os dois se tornam grandes amigos. Em seu pequeno mundo, eles compartilham momentos insubstituíveis, até que um incidente inesperado acaba por separá-los. Abrangendo mais de trinta anos, esta história delicada e contemplativa convida o público a refletir sobre o sentido da vida por meio dos caminhos que as trajetórias de ambos percorrem.

Essa animação é de longe uma das mais emocionantes e realistas que muitos irão assistir. O filme aborda de forma delicada e ao mesmo tempo caótica, as dores e delícias de viver a infância com um melhor amigo e como a vida pode vir a separar pessoas que antes eram completamente inseparáceis.

Enquanto Tsubasa sempre se enturmou para tentar ser popular, Kyotaro sempre foi uma criança que vivia no mundo da lua; daquelas que acreditam que vieram do espaço e que juram que guardam segredos intergaláticos em sua mente. 

Os dois garotos não poderiam ser mais diferentes um do outro, mas ainda assim, uma bela amizade de infância nasce, com os dois brincando no quintal, fazendo trabalho juntos, passando tempo durante as aulas e intervalos e fazendo todas as atividades do dia a dia juntos.


We Are Aliens | Imagem: Reprodução TMDB

Mas tudo muda, quando Tsubasa começa a sentir a pressão do que é ter um amigo 'diferente', enquanto todos os outros da escola fazem bullying e rejeitam Kyotaro. Há quem diga que o filme traz uma excelente metáfora sobre questões de neurodovergência na infância e como a falta de diagnóstico e tratamento, podem vir a causar muitas questões problemáticas no futuro.

Certo dia, repleto de raiva de Kyotaro, Tsubasa decide atirar o projeto do amigo de uma escada e o projeto acaba sem querer atingindo uma das estudantes. É claro que pra escola, o culpado só poderia ser o "garoto estranhho" Kyotaro e não o "querido por todos" Tsubasa.

Os anos passam e enquanto Tsubasa cresce como uma pessoa 'comum', com amizades (mesmo que problemáticas), Kyotaro não conseguiu ser alguém na juventude, andando por aí como se estivesse excluído e fora da casinha o tempo todo, culpando o amigo por ter destruído sua infância.

Mas a grande questão é que os anos passam e eles não são mais crianças. Por quanto tempo Kyotaro irá guardar essa mágoa sobre erros que aconteceram no passado? Obviamente isso não é algo que pode ser mudado, já que não é possível voltar no tempo.


We Are Aliens | Imagem: Reprodução TMDB

Enquanto Kyotaro acha que a vida de Tsubasa é perfeita porque ele tem "o emprego perfeito" e a "aparência perfeita", na verdade o outro rapaz ainda sofre e remoe pelos erros qque cometeu com o ex-amigo no passado. Mas é sempre tão mais fácil fingir que nada aconteceu, não é mesmo?

As coincidências da vida seguem acontecendo e não importa a passagem do tempo, mesmo passados trinta anos, ainda existem sentimentos ali naqueles dois indivíduos, mesmo que esses sentimentos sejam de culpa e desespero.

O filme não responde se um dia eles irão poder retornar a amizade, mas deixa nítido de que ainda existe uma fagulha de sentimentos bons ali e quem sabe, se eles podem reatar os laços algum dia? Talvez eles não precisem disso, pois só o sentimento de que um dia já fizeram parte da vida um do outro, lhes baste ao final.

NOTA: 9/10

Annecy Festival 2026 | Blaise

 

Por Victoria Hope

Em "Blaise", a família Sauvage anseia desesperadamente por amor. Carole sabe que seus funcionários a detestam e está determinada a conquistá-los a qualquer custo. Jacques nunca trabalhou um dia sequer e não se sente respeitado. Já seu filho Blaise, de 16 anos, introvertido e sem personalidade própria, sempre concorda com tudo e segue a corrente... Tanto que, ao conhecer Josephine, ele embarca, educadamente, em uma cruzada revolucionária, violenta e completamente insana.

Está para nascer uma família mais disfuncional que a de Blaise, pois, enquanto sua mãe está tendo um caso com uma das funcionárias da empresa que trabalha, seu pai é um homem amargo e narcisista que não leva a a vida a sério, mesmo sendo um adulto completamente funcional e nesse meio tempo, Blaise tenta se enturmar com amigos da escola e se distanciar ao máximo dos pais.

Nitidamente, por conta de sua criação, Blaise não sabe bem o que quer ser ou o que quer fazer no futuro e esse combo é a mistura perfeita para um desastre quando ele finalmente encontra uma namorada que não é quem parece ser.


Blaise / Foto: Annecy Festival

Ao passo em que Blaise quer só viver sua vida em paz, a Josephine é uma uma verdadeira revolucionária que deseja criar o caos, tudo isso tentando esconder sua verdadeira origem, que na verdade, é repleta de privilégios. Ela é a completa antítese do tipo de personagem "manic pixie dream girl", já que ela é o verdadeiro pesadelo do garoto e por mais que ele ame ela, ele a acha muito intensa, muito perigosa e mesmo assim, não consegue deixar o relacionamento.

Em meio à diversas críticas sociais ao melhor estilo de vanguarda francesa, o filme mostra como a vida pode ser uma bagunça e que em pequenos momentos, mesmo em meio a famílias disfuncionais, relacionamentos tóxicos e problemas para todo o lado, o mais importante é ter os amigos e a família ao seu lado.

O estilo da animação lembra muito as técnicas utilizadas em uma clássica animação dos anos 90 chamada Angela Anaconda, o que foi uma bela surpresa para quem cresceu naquela época e sente falta de mídias que misturam texturas reais com ilustradas dessa forma super irreverente. Em "Blaise", o ritmo da história em alguns momentos se torna arrastado, mas cada detalhe vai fazer muito sentido conforme o andamento do filme progride.

NOTA: 8/10

Annecy Fest 2026 | Chimney Town, Frozen in Time

 

Por Victoria Hope

Na animação dramática "Chimney Town, Frozen em Time", após o desaparecimento de seu amigo Poupelle, Lubicchi entra em um mundo estranho com um relógio de torre parado às 11:59. Ele precisa fazê-lo funcionar novamente e redescobrir a fé para eontrar o caminho de volta para casa.

A história é baseada no livro infantil ilustrado de mesmo nome, de 2016, escrito por Akihiro Nishino e logo no início do longa, quem cresceu assistinto animes como FullMetal Alchemist, irá reconhecer imediatamente a referência de alquemia enquanto o protagonista tenta reviver, sem sucesso, seu melhor amigo. 

Lubicchi é aquela típica criança arteira, mas adorada por todos e que está tentando superar o trauma de perder seu melhor amigo, mas tudo muda quando em um acidente, o garoto vai parar em um mundo que nunca havia visto antes e lá, ele faz novos amigos dos quais jamais irá se esquecer.

O filme conta duas histórias paralelas, a de Lubicchi e sua nova amiga gata, Fluffy, encarregada de levar as almas até um ser milenar e na outra história, acompanhamos o Reojoeiro Gus e sua amada amiga. Simultaneamente acompanhamos a saga do garoto enquanto ele tenta retornar para casa, ao mesmo tempo em que o casal vive em harmonia.

Sem tocar no território de spoilers, o longa é visualmente belíssimo e emocionante, com personagens bem desenvolvidoas e uma trama envolvente, apesar de alguns cortes abruptos aqui e ali em alguns momentos cruciais.

A mensagem de que almas vivem em coisas que são queridas é algo extremamente bonito e mostra uma lição que não apenas crianças, mas todas as gerações deveriam aprender. O tom otimista da história é algo muito bem vindo em tempos onde a apatia reina.

Fãs de animação vão sentir que alguns momentos lembram as produções do estúdio Gibhli, principalmente na caracterização e design dos personagens, mas as semelhanças terminam por aí, dando espaço para uma história completamente original sobre a relação das pessoas com o tempo, o luto e o amor. 

NOTA: 8.5/10

[Review] Dia D, novo sci-fi de Steven Spielberg

 

Por Ricardo dos Santos

Steven Spielberg é um dos maiores nomes da história do cinema e sempre que surge um novo trabalho do cineasta existe a expectativa de uma grande experiência cinematográfica. Sua mais recente produção é Dia D (Disclosure Day) com lançamento para o dia 11 de junho com distribuição da Universal Pictures.

O filme de ficção científica tem como roteirista David Koepp (Jurassic World: Rebirth) tendo seu  elenco formado por Collin Firth, Emily Blunt, Josh O’Connor e Colman Domingo. Além de assumir a cadeira de direção Spielberg é o produtor do longa. 

A trama de Dia D é sobre o colapso mundial que ocorre quando segredos governamentais são expostos e a existência de vida extraterrestre é confirmada, se tornando uma realidade inegável para toda a humanidade.

Acredito ser muito difícil determinar qual é a maior obra de um cineasta consagrado devido ao altíssimo nível de tudo o que criou. Entretanto, se tratando de Spielberg é tão interessante pensar que o seu melhor trabalho sempre soa ser o mais recente, como se houvesse um aprimoramento de sua técnica e Dia D entrega esta percepção. 


Dia D / Foto: Universal Pictures

Dito isso, o trabalho do diretor é excelente revisitando o fascínio pelo desconhecido, um dos temas que marcou a sua carreira, de uma perspectiva mais humana, emocional e temos neste longa uma conexão entre a fé e a ciência que pouquíssimo já foi abordado no cinema. Além disso, ele conduz a narrativa através do suspense e até usando elementos do terror e essa harmonia de tantos elementos vai resultar em uma experiência cinematográfica impressionante.

O roteiro é outro ponto forte deste filme por colocar na mesma história a ficção científica com uma trama que tem elementos políticos, sociais e uma visão sobre a influência das redes sociais na vida moderna. A ênfase do argumento é sobre o impacto de saber da existência alienígena, levantando muitas questões filosóficas e morais dos seus personagens. 

As atuações de destaque em Dia D são de Emily Blunt, Colman Domingo e Collin Firth que estão excelentes desempenhando os papéis dos três personagens que são os pontos chave da história. Também vale ressaltar o trabalho de atuação de Eve Hewson cuja personagem vai simbolizar essa faceta mais humanizada da história. 

Outros elementos técnicos como a fotografia, montagem, direção de arte são excelentes ambientando o espectador da forma adequada para cada cena e entregam o aspecto de grandiosidade do longa. 

Por fim, acredito que Dia D é um dos fortes candidatos ao melhor filme deste ano, um dos maiores trabalhos de Steven Spielberg e uma obra de ficção científica que tem o potencial de futuramente ser vista como uma das maiores obras de sua década

[Review] Backrooms, um estudo sobre as complexidades da mente humana

 

Por Victoria Hope

Um dos filmes mais aguardados do ano por fãs apaixonados por terror e pelas tradicionais creepypastas ("causos" de outras dimensões), finalmente será lançado nessa semana (28). Com direção do jovem prodígio Kane Parsons, que se tornou conhecido por aprofundar a mitologia por trás de Backrooms da aos 16 anos, o filme é uma das grandes apostas da A24 para esse ano.

Estrelado pelo indicado ao Oscar® Chiwetel Ejiofor (Doutor Estranhoe a vencedora do Festival de Cannes Renate Reinsve (Fjord), o longa apresenta um mergulho profundo pelas facetas da mente humana através da exploração de medos, ciclos viciosos e traumas que podem definir a vida das pessoas desde a infância até o fim da vida.

Muitos fãs da creepypasta original e do found footage dirigido por Kane, já aguardavam adaptações da história há anos, logo, não é a toa que as projeções de bilheteria já estão astronômicas até mesmo antes da estreia oficial para o grande público.

Com a chegada também de "Obsessão", mais um filme dirigido por outro jovem youtuber, Curry Barker, a grande mensagem que chega à indústria do cinema é que o público, principalmente a geração Z, está mais do que pronta para abraçar histórias originais de jovens promissores e que a internet pode e deve ser um expoente para novos talentos como Kane Parsons, Irmãos Phillippou, Markplier entre outros.

Backrooms / Foto: Imagem Filmes, A24


Na trama, o público é apresentado à Clark (Ejiofor), um carismático dono de loja de móveis quase já falida, que atualmente está em tratamento com Mary (Reinsve), uma terapeuta que possui um passado conturbado e obscuro.

Num dia como outro qualquer, no auge de sua solidão, já que agora está passando por um divórcio, Clark encontra uma porta estranha aparece no porão de sua loja de móveis e é a partir desse momento, que o protagonista começará a questionar sua sanidade mental ao descobrir um universo que praticamente é impossível de existir.

Backrooms começa com um estudo sobre esse paciente e sua terapeuta; como seus caminhos se cruzaram, quem faz parte da vida de ambos e como foi que o protagonista encontrou aquele local misterioso e infinito. Ali, naquele mar de memórias inacabadas, conhecido como Backrooms, o personagem tenta fazer sentido de sua própria vida, ao mesmo tempo em que cada vez que se aprofunda mais naquele local misterioso, mais ele quer se perder ali.

Backrooms / Foto: Imagem Filmes, A24

Backrooms se torna mais elevado em momentos onde o lado do psicológico dos personagens é mais explorado e paralela com o próprio ambiente. Toda a ambientação impecável do espaço limiar é também o ponto mais alto do longa e as cenas de found-footage são completamente arrepiantes, conseguindo emular o mesmo sentimento que o da produção original de Parsons evoca, mas  infelizmente, tudo que é muito bem construído nos primeiros dois atos, acaba se perdendo próximo ao terceiro ato.

Quem se interessar pelo tema de espaços limiares após o filme com certeza deverá assistir séries como "Ruptura", que inclusive foi inspirada também história original de Backrooms, segundo Dan Erickson. Durante uma de minhas entrevistas realizadas com Andrew Baseman, Diretor de Design de Produção da série, descobrimos que ele também se inspirou na estética de longos e intermináveis corredores da creepy-pasta para criar os cenários da série! 

Vale também se aprofundar ainda mais sobre o tema e conhecer outra série que muito provavelmente foi a grande inspiração para a criação da história original, "Além da Imaginação" (The Twilight Zone), que desde a década de 70, conta histórias misteriosas como essa, incluindo em episódios como "After Hours" e "The Lonely Girl"

Backrooms / Foto: Imagem Filmes, A24

Apesar da popularidade do tema, é possível dizer que Backrooms vai ser bem divisivo entre a crítica e o público, principalmente entre fãs de terror que esperam apenas por cenas de susto em relação aos fãs que conhecem a história original.

Ao mesmo tempo em que o filme não responde quase nada, parece que tenta responder coisas até demais, deixando bem pouco para a imaginação do público, o que definitivamente não irá agradar muita gente, porém, o filme ainda consegue ser bem-sucedido em expandir ainda mais a mitologia por trás de espaços limiares, mesmo com um roteiro que em diversos momentos deixa muito a desejar e não consegue dizer tudo o que precisa dizer.

E mesmo com tantos pontos a serem questionados, é um grande feito que estúdios como a A24, estejam  apostado cada vez mais em histórias novas e promissoras. Esse filme definitivamente irá abrir as portas para muitas adaptações de jogos e histórias assustadoras que vem dos confins da internet. É o tipo de terror que vai definir toda uma nova geração.

NOTA: 8/10

[Review] Eu, Você e a Toscana, novo romance estrelado por Halle Bailey e Rege Jean-Page

 

Por Victoria Hope

Há anos fãs de romance pedem por uma comédia romântica bem ao estilo anos 2000, leve, despretensioso e com muito humor, e "Eu, Você e a Toscana" acaba de chegar para realizar esse desejo! Estrelado por Halle Baile (A Pequena Sereia) e Regé-Jean Page (Bridgerton), com direção de Kat Coiro (Case Comigo), 

Eu, Você e a Toscana, é o tipo de filme que leva o público à tempos mais simples, onde todos os sonhos da protagonista se realizam e ela precisa lidar com o maior dilema entre dois galãs, enquanto ela aprecia a beleza da Itália, sem muitos conflitos complicados e com personagens de apoio que complementam muito bem a protagonista.

Quase todos os anos há uma discussão sobre o renascimento da comédia romântica, um gênero que dominou todas as décadas do cinema até os anos 2010. Desde então, rom-coms estranhamente receberam menos apoio de Hollywood e lutou para encontrar seu espaço, principalmente quando se fala em representatividade negra dentro do gênero, que aliás, é algo bem raro de se ver.

Eu, Você e a Toscana / Foto: Imagem Filmes

Na trama, o público acompanha Anna (Bailey), uma jovem carismática, que não consegue manter um emprego sequer e sonha por uma vida melhor. Ela tem muitos sonhos, mas poucas habilidades e está prestes a ser despejada quando uma noite irá mudar sua vida para sempre.

Sem saber o que fazer da vida, Anna conhece um charmoso italiano chamado Matteo (Lorenzo de Moor) em um bar e ele irá mostrar para a garota que a vida dela pode ser muito melhor se ela sair daquele lugar e seguir seus sonhos.

Antes de sua mãe falecer, Anna havia comprado passagens para ir até a Toscana e conhecer a gastronomia do local, mas após o falecimento da matriarca, nada mais foi a mesma coisa e a garota pareceu perder sua paixão pela vida, mas a chegada do Matteo e a possibilidade de mudar de vida, chegam num passe de mágica e agora ela está prestes a viver um verdadeiro conto de fadas.

Eu, Você e a Toscana / Foto: Imagem Filmes

Na belíssima cidade da Toscana, na Itália, Anna vê seus sonhos se realizarem pouco a pouco, mesmo com um desencontro pra lá de desagradável com o enigmático Michael (Jean-Page), irmão de Matteo, que não parece ser muito fã da garota de início, mas pouco a pouco, uma nova amizade se inicia.

O mais interessante de "Eu, Você e a Toscana" é o fato de que apesar de o filme se passar na Itália, em nenhum momento situações de preconceito racial ou xenofobia acontecem com a personagem que é a turista no local. Por muitos anos, fãs negros tem pedido por filmes mais leves onde temas como o racismo não são a pauta e esse filme atende justamente essa expectativa.

Aqui, a única preocupação da protagonista é viver entre dois amores e perder seu medo de se tornar uma grande chef de cozinha, afinal, todas as protagonistas de romances tem a chance de passar por conflitos simples, que não atacam suas existências e dignidade, então nada mais justo do que Anna passar pelas mesmas situações que todas as centenas e milhares de protagonistas já passaram sem ter que passar por momentos de tensão racial.

Tanto o romance com a comédia funcionam muito bem, nessa história que tem uma ótima trilha sonora, uma direção de fotografia belíssima e tem tudo para se tornar a nova comédia romântica favorita entre fãs do gênero.

NOTA: 8.5/10 




[Review] Hokum, o Pesadelo da Bruxa

 

Por Ricardo dos Santos Jr

Hokum: O Pesadelo da Bruxa é a mais recente produção do diretor Damian McCarthy, conhecido pelo filme Oddity, tendo seu lançamento nacional ocorrendo no próximo dia 30 de abril, com distribuição pela Diamond Films.

Estrelado por Adam Scott, o elenco é formado por Florence Ordesh, David Wilmot, Peter Coonan, Mallory Adams, Michael Patric e Brendan Conroy. O roteiro também foi desenvolvido pelo próprio diretor.

A trama de Hokum é sobre o escritor introvertido Ohm Bauman, que viaja até a Irlanda para realizar o último desejo de seus pais: espalhar suas cinzas na árvore favorita do casal. Hospedado no mesmo hotel em que estiveram, Ohm é apresentado às lendas locais, entre elas a presença de uma bruxa no local.

Em meio a um surpreendente desaparecimento e pesadelos perturbadores, o escritor irá enfrentar uma força maligna que irá não apenas colocá-lo em risco, mas também confrontar o seu passado.

Acredito que Hokum é um excelente filme porque consegue conectar o elemento sobrenatural com outras temáticas, nos fazendo questionar durante sua uma hora e quarenta minutos de exibição se tudo que estamos testemunhando foi real ou um delírio.


Hokum/ Foto: Diamond Films

A direção é muito competente em plantar essa semente de dúvida, nos conduzindo pelo desenrolar dos fatos com personagens que não são confiáveis e alternando entre o suspense e o próprio sobrenatural. Além disso, o filme tem ótimas cenas nessa camada mais paranormal e mesmo os jumpscares frequentes têm uma função importante para a narrativa.

A questão sonora me pegou de surpresa porque é muito fácil recorrer ao silêncio ou a barulhos muito altos para causar um bom susto. Entretanto, em Hokum existe uma mescla que acho muito interessante, usando os sons como a iminência do perigo, mas também o silêncio se torna esse sinal, e tudo isso é inserido no filme com uma ótima precisão.

Em atuação, o maior destaque é Adam Scott, que explora muito bem as questões emocionais de seu personagem, sua confusão ao se deparar com situações que não conseguem ser compreendidas e a resiliência em tentar desvendar o que realmente aconteceu na história.

Elementos técnicos, como a direção de arte e ambientação, me agradam porque acrescentam uma atmosfera de tensão e mistério, e isso resulta em uma ótima imersão que vai te prender aos acontecimentos.

Hokum / Foto: Diamond Films

Ver um terror sobrenatural girar em torno de um mistério e isso se conectar com o peso das questões individuais do protagonista não é uma das maiores invenções da história do gênero. Entretanto, me agradou muito essa experiência por combinar esses elementos de forma tão coesa.

Outro ingrediente do gênero, muito usado e muito bem aplicado em Hokum, é o protagonista descrente. O fato de Ohm ser um escritor se encaixa bem para a trama, pois qualquer coisa fora do que ele consiga encontrar uma explicação racional ou usar do escárnio fará com que o vejamos sendo incentivado a expandir seus horizontes através da sua relação com Jerry e Fiona.

Esse contraste traz uma boa base para outros pontos-chave da trama, como o desaparecimento, que será uma das grandes questões a serem respondidas. Neste ponto, me deixou muito satisfeito que, apesar do desfecho entregar fatos, ainda é aberto para interpretações a respeito de como eles ocorrem.

Hokum: O Pesadelo da Bruxa é um filme que me pegou positivamente de surpresa por saber conectar, de forma muito coesa, suas ideias, entregar tensão, imersão e uma história que vai ser interessante e pode garantir uns bons sustos para o espectador.

[Review] Michael releva o mito por trás do homem

 

Por Victoria Hope

Quem é o homem por trás do mito? Essa é uma pergunta não é respondida em "Michael", mais nova cinebiografia do Rei do Pop, mas nem por isso, o filme deixa de ser eletrizante. É sempre uma questão complicada quando grandes cinebiografias buscam ao retratar figuras inalcançáveis como Michael Jackson, porque quando as famílias e amigos estão envolvidos, a verdade muitas vezes é polida e sanitizada.

Antoine Fuqua, diretor que já havia recebido críticas por Bohemian Rhapsody, aqui demonstra saber trabalhar com momentos de tensão e momentos dramáticos muito bem, mas fica nítido que o roteiro des certa forma "amarrou" algumas das decisões dele e é por isso que apesar de dançante, o longa deixa um sabor de superficialidade na boca.

Estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do Michael, o filme conta a história da ascenção da carrewira de Michael desde os seus 10 anos, ao lado se seus irmãos no Jackson 5, até o momentro em que consegue alcançar sua carreira solo gigante até a era "Bad".

O público é apresentado à vida dura do astro desde sua infância, com os abusos que sofreu na mão de Joseph Jackson (Colman Domingo) e como Michael teve uma infância muito diferente das outras crianças, já que ao invés de poder brincas como todas as outras, ele tinha que trabalhar, ensaiar exaustivamente até o corpo pedir por socorro.


Michael / Foto: Universal Pictures

O que se destaca verdadeiramente em Michael, acabam sendo as performances maravilhosas de Juliano Valdi, que interpreta o astro durante a infância com um carisma sem igual, Jaafar Jackson, que entrega uma performane corporal impecável, chegando a acertar até mesmo o tom de voz falado de seu tio, além de Colman Domingo no papel do pai e empresário do Rei do Pop.

Não fossem as performances do elenco, o filme poderia muito bem ser considerado um compilado de "greatest hits" do Michael Jackson, com direito a reprodução dos bastidores de diversos videoclipes que consagraram sua carreira. 

Fãs vão adorar, mas apesar disso, Michael peca ao não mostrar o humano por trás do mito. O filme apresenta essa figura como se ela fosse "santificada". Absolutamente todos os conflitos são resolvidos de forma quase mágica e o público não tem a oportunidade de ver como Michael enquanto pessoa, se sentia verdadeiramente sobre tudo o que passou. 

Michael / Foto: Universal Pictures

Um dos maiores acertos da cinebiografia definitivamente fica por conta da música. A obra de Michael Jackson já fala por si só, apresentando os maiores hits da carreira do astro, algo que muitos fãs aguardavam ansiosos para ver. É muito interessante ver como alguns dos momentos mais icônicos do mundo da música aconteceram, incluindo o fato de Michael Jackson ter sido o primeiro artista negro a aparecer na MTV, bem como a forma de criar seus mini filmes e clipes musicais mudou a indústria da música e do cinema para sempre.

É claro que a mídia, como sempre, desde a infância do astro especulando sua vida, esperava que o filme mostrasse as polêmicas a cerca de Michael, mas a grande questão é que o filme, por ser dividido em duas partes, mostra a carreira do astro apenas até 88, anos antes que qualquer polêmica real acerca de sua vida começasse a tomar forma, então é claro que elas não seriam abordadas nessa primeira parte, mas provavelmente serão abordadas na sequênncia que já está programada para o próximo ano.

Michael não é um filme perfeito, mas entrega tudo o que prometeu, que era um vislumbre sobre o mito Michael Jackson, fazendo o público dançar e se emocionar com essa figura que é tão icônica para a indústria, que mesmo após 17 anos de sua morte, continua sendo o assunto central e com certeza continuará assim por muitas décadas, afinal, estamos falando do Rei do Pop

NOTA: 8/10

[Review] Super Mario Galaxy

Por Daniel Lima

Super Mario Galaxy finalmente está entre nós e o filme está incrível. O longa adapta um dos maiores (e melhores, opinião pessoal rs) jogos da franquia de Mário de uma maneira totalmente orgânica, com maestria e o carinho que merece. O longa é mais rico em detalhes, carisma e beleza que o anterior, se consolidando como uma das melhores adaptações já feitas.

A premissa, é a mesma do game, a dupla Mário e Luigi, juntamente com Peach, Toad e Yoshi passam por diversos planetas e reinos, para resgatar Rosalina, uma princesa conhecida como a Mãe das Estrelas. Agora, a forma de contar essa história, é totalmente original e sem dúvidas, mostra que eles sabem exatamente o que estão fazendo.

O longa começa com uma pequena apresentação ao reino da Rosalina e ao grande vilão do longa, Bowser Jr, cortando diretamente para a sequência da cena pós-créditos do primeiro, apresentando o Yoshi à trama. Yoshi, por sua vez, rouba a cena, sendo um grande apoio e alívio cômico para a dupla, e mostrando que funciona infinitamente bem com o Luigi. 

Bowser, por sua vez, que ainda está encolhido pelo resultado da luta no primeiro filme, continua sendo o maior destaque do longa.


Princesa Rosalina / Foto: Universal Pictures

O filme explora mais do passado de Peach, revelando sua origem ao público, enquanto ela e Toad, passam de galáxia a galáxia, tentando chegar na Rosalina, que fora capturada. Há uma galáxia central geral que nos apresenta inúmeros easter eggs e personagens icônicos da franquia de Mário e da própria Nintendo, com destaques a Birdo e ao rei Wart. A grande adição e destaque vai para Fox McCloud, da franquia Star Fox. 

O grande “defeito” (se é que podemos chamar de defeito), é o excesso de personagens. Talvez, a gente tenha visto referência e personagens demais, e assim, alguns como a própria Rosalina, ficaram com pouco destaque na trama. 

A dublagem é um show a parte. O trio Raphael Rossatto, Carina Eiras e Manolo Reis retornam aos papéis de Mario, Peach e Luigi, e nomes como Charles Emmanuel como Bowser Jr agregam o elenco de forma estupenda. 

Como de praxe, o filme conta com duas cenas pós-créditos, sendo uma delas, diretamente conectada com um possível terceiro filme (assim como foi a cena do Yoshi no anterior).

Super Mario Galaxy estreia nos cinemas em 01/04 e com certeza vale a passagem pelo cinema.

Nota: 9/10