Por Victoria Hope
Em "Blaise", a família Sauvage anseia desesperadamente por amor. Carole sabe que seus funcionários a detestam e está determinada a conquistá-los a qualquer custo. Jacques nunca trabalhou um dia sequer e não se sente respeitado. Já seu filho Blaise, de 16 anos, introvertido e sem personalidade própria, sempre concorda com tudo e segue a corrente... Tanto que, ao conhecer Josephine, ele embarca, educadamente, em uma cruzada revolucionária, violenta e completamente insana.
Está para nascer uma família mais disfuncional que a de Blaise, pois, enquanto sua mãe está tendo um caso com uma das funcionárias da empresa que trabalha, seu pai é um homem amargo e narcisista que não leva a a vida a sério, mesmo sendo um adulto completamente funcional e nesse meio tempo, Blaise tenta se enturmar com amigos da escola e se distanciar ao máximo dos pais.
Nitidamente, por conta de sua criação, Blaise não sabe bem o que quer ser ou o que quer fazer no futuro e esse combo é a mistura perfeita para um desastre quando ele finalmente encontra uma namorada que não é quem parece ser.
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| Blaise / Foto: Annecy Festival |
Ao passo em que Blaise quer só viver sua vida em paz, a Josephine é uma uma verdadeira revolucionária que deseja criar o caos, tudo isso tentando esconder sua verdadeira origem, que na verdade, é repleta de privilégios. Ela é a completa antítese do tipo de personagem "manic pixie dream girl", já que ela é o verdadeiro pesadelo do garoto e por mais que ele ame ela, ele a acha muito intensa, muito perigosa e mesmo assim, não consegue deixar o relacionamento.
Em meio à diversas críticas sociais ao melhor estilo de vanguarda francesa, o filme mostra como a vida pode ser uma bagunça e que em pequenos momentos, mesmo em meio a famílias disfuncionais, relacionamentos tóxicos e problemas para todo o lado, o mais importante é ter os amigos e a família ao seu lado.
O estilo da animação lembra muito as técnicas utilizadas em uma clássica animação dos anos 90 chamada Angela Anaconda, o que foi uma bela surpresa para quem cresceu naquela época e sente falta de mídias que misturam texturas reais com ilustradas dessa forma super irreverente. Em "Blaise", o ritmo da história em alguns momentos se torna arrastado, mas cada detalhe vai fazer muito sentido conforme o andamento do filme progride.
NOTA: 8/10

