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FILMICCA | Streaming reúne quatro décadas de cinema feminista e queer com 10 obras de Su Friedrich

 

Por Victoria Hope

Ao longo de agosto, a FILMICCA celebrou a obra da cineasta, produtora, roteirista e diretora de fotografia norte-americana Su Friedrich, figura central do cinema experimental americano. Ao todo, 10 produções da diretora chegam ao catálogo, reunindo trabalhos realizados entre os anos 1970 e 1990, incluindo os aclamados Os Laços Que Unem (1984), Nade ou Afunde (1990) e Esconde-esconde (1996)

Nascida em New Haven, Connecticut, a cineasta formada em Arte e História da Arte se tornou uma força fundamental do Cinema Queer com suas obras que combinam elementos de narrativa, documentário e estilos experimentais, focando principalmente em histórias de mulheres e de grupos marginalizados. Friedrich radicalizou forma e conteúdo ao incorporar a perspectiva feminista e questões de identidade lésbica, criando uma síntese entre gêneros que se move entre o pessoal e o político, do relato autobiográfico à investigação das noções sociais de identidade sexual.

As obras de Su Friedrich na FILMICCA

Nade ou Afunde (1990), de Su Friedrich

Na próxima sexta-feira (28), chega à plataforma Esconde-esconde (1996), filme vencedor de diferentes prêmios que explora um território selvagem e inexplorado: a adolescência lésbica na década de 1960, que conta a história de Lou, uma garota de 12 anos que vê a infância mudar de rumo quando a melhor amiga começa a se interessar por brincos e rapazes. 

Em diálogo com relatos de mulheres lésbicas adultas e imagens de arquivo, o filme constrói um retrato sensível da juventude e da descoberta. Juntamente, estreia Lésbicas Vingadoras Também Comem Fogo (1993), documentário codirigido com Janet Baus e filmado por integrantes do Lesbian Avengers, que acompanha o primeiro ano do coletivo ativista queer fundado em Nova York.

Entre as obras que já chegaram à plataforma está Nade ou Afunde (1990), seu trabalho mais celebrado e incluído em 2015 no National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Em vinte e seis pequenas histórias, uma menina revisita os episódios da infância que moldaram suas ideias sobre paternidade, família, trabalho e brincadeira. Enquanto a narração constrói o retrato de um pai mais dedicado à carreira do que à vida doméstica, imagens em preto e branco evocam tanto os acontecimentos extraordinários quanto os gestos mais ordinários do cotidiano.

LISTA COMPLETA DE ESTREIAS DE SU FRIEDRICH NA FILMICCA EM AGOSTO:

Esconde-Esconde (1996), de Su Friedrich

Já disponíveis:

Mãos Frias, Coração Quente (1979) 

Cicatriz (1979)

Pelo Rio Abaixo (1981)

Ninguém (1982)

Os Laços Que Unem (1984)

Para Sempre Condenadas (1987)

Nade ou Afunde (1990)

Primeiro Vem o Amor (1991)

Estreia na próxima sexta-feira (28):

Lésbicas Vingadoras Também Comem Fogo (1993), codireção com Janet Baus

Esconde-esconde (1996)

[Review] Acampamento Miasma de Jane Schoenbrun subverte gênero slasher

 

Por Victoria Hope

Há anos, fãs de terror pedem por filmes que subvertam a temática slasher e "Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" entrega absolutamente tudo o que entusiastas do gênero esperavam e vai ainda mais além. Após filmes marcantes como o excelente "Eu Vi o Brilho da TV" e "Vamos Todos à Exposição Mundial", Jane Schoebrun retorna com mais um terror queer que vai marcar toda uma geração.

Na trama, Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora recebe a chance única de revitalizar e produzir um reboot de sua saga slasher favorita dos anos 80, mas tudo muda quando ela descobre que terá oportunidade de passar um fim de semana com Billy Preston (Gillian Anderson), a grande protagonista do filme. 

Inicialmente, o que parecia ser apenas um filme de terror sobre a nostalgia, reboots e remakes, na verdade aos poucos se revela um grande estudo sobre a sexualidade e sobre a liberdade corporal que só pode ser sentida uma vez que as pessoas finalmente entendem seu lugar no mundo.

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" / Foto: MUBI

"É tudo sobre pele e fluidos", basicamente é um resumo do próprio filme, segundo Billy, porque essencialmente, essa é a raiz da história. Enquanto públicos tentam dissecar cada mensagem dos filmes clássicos de terror, às vezes a mensagem é mais simples do que parece ser e nem tudo é uma grande análise sobre comportamentos sociais, mas é claro que isso não quer dizer que não existe política por trás da mensagem, afinal, a emancipação e o prazer feminino, que ainda é tema tabu até mesmo hoje, é uma mensagem tão relevante quanto foi nos anos 80.

Acampamento Miasma acerta em subverter o gênero slasher em diversos aspectos, não apenas pela representatividade explicitamente queer, que (felizmente) não deixa espaço apenas para mensagens subjectivas, como também traz uma nova visão ao vilão, trazendo uma perspectiva diferente sobre o verdadeiro papel.

Little Death, que é um termo que faz alusão ao orgasmo, deixa a mensagem do longa nítida logo no início, mas ainda assim, de forma brilhante, Jane consegue trazer um ar novo ao gênero do terror, trazendo ângulos de camera slowmotion hora ponto de vista das vítimas, hora do ponto de vista do assassino, com técnicas de direção e técnicas de efeitos práticos que fariam qualquer diretor da velha guarda salivar de excitação.

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" / Foto: MUBI

O grande destaque do filme é sem dúvida Gillian Anderson (Sex Education), que parece uma versão queer da diva Dolly Parton, apresentando um timing cômico impecável em sintonia com a genial Hannah Einbinder (Hacks) e apesar da temática slasher parecer sombria, o longa é tudo menos assustador, na verdade é o completo oposto porque esse é o tipo de filme com o final mais feliz possível.

Schoebrun traz diversas referências à clássicos de terror, mas principalmente Acampamento Sinistro (Sleepaway Camp), um dos filmes de terror mais marcantes justamente pela trama que apesar de ser vista como transfóbica nos dias de hoje, ainda assim apresentava a vilã da história com compaixão e empatia, na medida do possível. 

Não é exagero dizer que Acampamento Miasma, não é apenas um dos melhores filmes de terror do ano, mas sim um dos melhores filmes do ano em geral, consagrando Jane Schoebrun como mais um dos expoentes do cinema contemporâneo! Que venham mais projetos diferentes que tragam reflexões sobre gênero, sexualidade e a destruição do status quo!

NOTA: 9.5/10

[Review] Insaciável, mais uma pérola do horror indie

 

Por Victoria Hope

Insaciável (Saccharine), novo body horror da diretora e roteirista Natalie Erika James, conhecida por Relíquia Macabra, teve sua estreia oficial durante o Festival Sundance 2026. O longa, que foi destaque no Festival de Sundance, estreia nos cinemas brasileiros em 6 de agosto.

O filme aborda uma temática pesada, porém muito relevante em tempos de procedimentos "milagrosos' em tempos de culto à magreza. A trama acompanha Hana, personagem interpretada por Midori Francis (Grey's Anatomy), uma estudante de medicina com leve sobrepeso que desenvolve uma obsessão pelo emagrecimento. 

Sua vida muda quando uma antiga amiga reaparece completamente transformada e lhe apresenta uma suposta solução milagrosa para perder peso, uma pílula que aparentemente é quase que milagrosa e supostamente ajuda suas consumidoras a perderem peso toda vez que consomem alimento.

Insaciável / Foto: Diamond Films
O longa não poupa detalhes sobre o distúrbio alimentar que Hana sofre, com cenas extremamente gráficas, então vale um aviso de gatilho para pessoas que potencialmente podem sentir sensibilidade ao assunto, mas da mesma forma, em tempos onde polêmicas à cerca da cultura da magreza voltam à tona, como no recente caso da cantora e atriz Ariana Grande, filmes como "Insaciável" se complemostram necessários.

Aqui a excelente Midori Francis entrega uma performance forte e recheada de nuances, trazendo uma Hana que não necessariamente é a melhor pessoa do mundo, mas sim uma personagem extremamente humana, com medos, traumas e desejos.

Ao longo da história, acompanhamos essa jovem que tenta se tornar mais saudável, não apenas por ela mesma, mas também para ficar mais perto de sua mais nova 'crush', uma personal trainer de academia local, mas ao passo em que a história se aprofunda, o público começa a perceber, pouco a pouco, que as motivações da personagem são muito mais obscuras do que a superfície permite mostrar.


Insaciável / Foto: Diamond Films
A diretora consegue mostrar muito bem o sentimento de dor e culpa da personagem e aqui, em nenhum momento a comida é tratada como um conforto, mas sim, associada com momentos de tristeza e auto-ódio da personagem. É como se comer fosse apenas uma punição de Hana e é brilhante em como aos poucos, a trama revela o motivo por traz desse comportamento da garota. 

"Insaciável" acerta no tom do terror, com algumas cenas de sustos que fazem o coração acelerar, mas ao mesmo tempo, é bem-sucedido no drama e na carga emocional, mesmo que derrapando ao tentar passar muitas mensagens que ao mesmo tempo, se contradizem.

Em um ano onde ótimos filmes indie de terror como "Obsessão", "Iron Lung","Backrooms", entre outros estão ganhando cada vez mais holofotes, "Insaciável" é uma das grandes surpresas do ano. Um horror corporal sem grande pretensões, mas que toca em um assunto que tem se tornado cada vez mais relevante. 

Nota: 8/10

Enfeitiçadas, Bem Vindos a Hexe | Nova animação da Disney ganha trailer e pôster oficial

 

Por Victoria Hope

Já estão disponíveis o primeiro trailer e pôster de Enfeitiçadas: Bem-Vindos A Hexe, da Disney, uma nova aventura mágica uma nova saga mágica coming-of-age que chega exclusivamente aos cinemas em 26 de novembro.  A animação original é o 65º longa-metragem do Walt Disney Animation Studios.

Ao elenco de vozes em inglês já anunciado, formado por Hailee Steinfeld e Rashida Jones, juntam-se a sete vezes vencedora do Emmy® Tracey Ullman (The Tracy Ullman Show, Tracey Takes On…, Tiros na Broadway, A Louca Louca História de Robin Hood), que dá voz à Sra. Quill, uma pena encantada, e Stephen Fry (The Interrogator, a trilogia O Hobbit, Assassinato em Gosford Park, Jeeves and Wooster, V de Vingança) como Elias Quire, o diário mágico.

O novo trailer apresenta Billie (voz em inglês de Hailee Steinfeld), uma adolescente impulsiva e fora do comum, e sua cautelosa mãe Alice (voz em inglês de Rashida Jones). Billie descobre habilidades mágicas secretas que, uma vez reveladas, a levam a uma aventura cheia de ação e magia para além dos subúrbios, rumo a um vasto reino de bruxas chamado Hexe, onde é recebida por Sra. Quill (voz em inglês de Tracey Ullman) e Elias Quire (voz em inglês de Stephen Fry). Ao longo de sua extraordinária jornada, Billie descobre mistérios familiares que podem mudar para sempre o mundo mágico das bruxas.

A diretora Fawn Veerasunthorn comentou:Um fenômeno maravilhosamente estranho está acontecendo ao redor de Billie, algo que ela não consegue explicar. Ela é uma pessoa que sente que não se encaixa na própria vida e precisa deixar seu mundo habitual para trás e mergulhar em um mundo oculto de magia incontrolável e indomável para começar a compreender a si mesma”.

Hexe é um lugar onde Billie começa a se sentir vista pela primeira vez na vida”, disse o diretor Jason Hand. “Ela embarca em uma jornada de autodescoberta que revela uma poderosa conexão com a magia e, nesse processo, descobre segredos de família guardados há muito tempo”.

 Enfeitiçadas: Bem-Vindos A Hexe, da Disney, tem direção de Fawn Veerasunthorn e Jason Hand, codireção de Josie Trinidad e produção de Roy Conli e Yvett Merino. O filme estreia exclusivamente nos cinemas em 26 de novembro de 2026.

Veja o trailer e o pôster oficial abaixo:






[Review] Morro dos Ventos Uivantes de Emerald Fennel

 

Por Victoria Hope

Quando a notícia de que uma nova adaptação de "Morro dos Ventos Uivantes" pelas mãos de Emerald Fennel, fãs da obra estavam cautelosos, mas com esperança, pois a diretora já havia entregado obras como "Saltburn" e "Bela Vingança", ambos filmes aclamados pela crítica em anos anteriores. 

Mas infelizmente, o que a diretora entrega é uma adaptação belíssima visualmente, porém completamente esvaziada de propósito e de relevância social, muito diferente da obra atemporal de Emily Brontë.

Na trama, o público é introduzido a Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), dois jovens que se conhecem na infãncia, crescem juntos, se apaixonam, mas o amor deles, por pertencerem a diferentes classes sociais, está fadado à tragédia, já que aos olhos da sociedade, eles nunca poderão ficar juntos. 

Ainda na infância, Heathcliff é "capturado" pelo pai de Catherine e tratado como brinquedo humano, nunca entendendo a origem da crueldade de todos a seu redor. Os anos passam, Catherine cresce cada vez mais mimada e Heathcliff cada vez mais bruto e eventualmente, seus caminhos se separam quando uma nova família bem abastada, comandada por Edgar Linton (Shazad Latif), chega e monta um rancho ao lado de Wuthering Heights. 

Morro dos Ventos Uivantes / Foto: Warner Bros

Enquanto livro, Morro dos Ventos Uivantes é uma obra muito à frente de seu tempo, que critica o sistema patriarcal, as leis de classe, o preconceito racial e a xenofobia, além de sempre carregar uma visão anti autoritária e anti supremacista.

Mas quando esses elementos cruciais são retirados, a obra se torna algo totalmente diferente e é isso o que acontece no novo longa de Fennel. Mesmo que a origem da historia seja ignorada pela adaptação, ainda assim o filme falha em encantar por conta do ritmo  demasiadamente lento.

É um longa que tenta parecer dramático e intenso a todo o momento, mas que na realidade mal consegue segurar a profundidade emocional que a própria adaptação pede. As atuações do elenco, principalmente de Margot Robbie e Jacob Elordi deixam muito a desejar, deixando nas mãos de Hong Chau, no papel de Nelly, o peso maior de carregar a narrativa. 

Apesar de ser um banquete aos olhos, isso não é suficiente para tornar essa adaptação um clássico, o que é uma pena e apenas mostra a superficialidade da visão de mundo da diretora, que prefere se auto-inserir em suas histórias, ao invés de tocar em assuntos realmente culturalmente relevantes. 

NOTA: 7/10

[Entrevista] Lovisa Sirén, Diretora do curta premiado Without Kelly, fala sobre o maternidade na juventude, encontros e desencontros

 


Por Victoria Hope

"Without Kelly", um curta-metragem sueco de autoria e direção de Lovisa Sirén, traz uma bela e delicada representação da maternidade jovem, temaque não importa o ano ou a era, ressona com diversas jovens mães ao redor do mundo. 

O curta, que teve sua estreia no Festival de Veneza e esse ano integra a programação do Festival Sundance, narra a história de Esther (Medea Strid), uma mãe jovem que enfrenta a difícil experiência de se separar de sua filha bebê, Kelly (Teodora Sundström Latev), pela primeira vez, ao confiar a criança ao pai da menina, Anton (Truls Carlberg).

Não apenas o longa teve sua estreia em um dos maiores festivais de cinema, como também conquistou o Prêmio Orizzonti de "Melhor Curta-Metragem" no Festival de Veneza e foi nomeado para o Prêmio Guldbagge, a versão sueca do Oscar.  Durante o Sundance, nossa equipe teve a chance de conversar com a brilhante Lovisa Síren sobre maternidade, solidão e todos os temas que permeiam o universo de "Without Kelly" e você pode conferir essa conversa na íntegra abaixo:


Without Kelly/ Foto: Sundance Film Festival

Amélie Magazine: Parabéns pelo sucesso em Veneza! Como é fazer parte da seleção oficial do Sundance 2026? 

Lovisa: É incrível! Estive no Sundance em 2016 para o lançamento de outro curta e foi uma experiência muito especial naquela vila cheia de neve. A atmosfera estava incrível e todos estavam tão felizes! 

Amélie Magazine: E o Festival de Veneza, como foi? 

Lovisa: Foi incrível também! Aquela foi minha primeira vez na Itália e Veneza é um lugar tão lindo.

Amélie Magazine: Without Kelly nos confronta sobre o sentimento de solidão que as vezes jovens pais podem sentir

Lovisa: Não sei quanto do filme mostra o lado da solidão, mas eu acredito que sim ele mostra sim boa parte desse sentimento e isso é algo que você passa quando tem um bebê e ainda é muito jovem. Eu passei por isso pessoalmente, então eu entendo bem esse sentimento, porque você se sente solitário quando tem uma criança e não está perto dela. 

Especialmente, é importante lembrar que você pode se sentir solitário com ou sem a criança. Até mesmo quando está com o bebê ainda em seu ventre, mas não em seus braços, traz um sentimento de espera que pode causar certa angústia e isso também parte da solidão.

Esther sente muita falta da filha e quando ela não está com a bebê, ela sente como se tivessem dividido o corpo dela em dois. Ela não quer estar longe da filha, então para ela, essa separação é muito difícil de lidar. É como se algo nela estivesse faltando, sabe?

Amélie Magazine: O curta também toca no assunto da identidade da mãe sem a criança, no sentidodo de quem é a jovem Esther sem sua filha. Ela sabe quem é ou está em busca de uma resposta? 

Lovisa: Exatamente, eu acredito que ela não sabe quem ela é ou quem ela ainda vai ser. Ela só sabe que é mãe dessa criança e eu acredito que ela vive muito o momento. No filme, ela é confrontada por essa questão existencial de quem é ela para além da maternidade. Porque enquanto ela tem a filha nos braços, ela sabe que é mãe, mas e a outra parte da identidade dela? 

O que vai além? Para onde ela vai ao rolar dos créditos? De alguma forma, essa é uma história Coming Of Age, ou seja, de amadurecimento da personagem.

Without Kelly / Foto: Sundance Film Festival

Amélie Magazine: Por um acaso a peruca rosa de Esther tem a ver com o longa "Lost in Translation" ou é apenas uma peruca rosa mesmo?

Lovisa: É engraçado você mencionar, porque é só uma peruca rosa mesmo *risos*

Amélie Magazine: Como diretora, conseguiria pontuar três diretores que te inspiram?

Lovisa: Eu acredito que mudo muito rápido de opinião *risos*, mas acredito que posso falar de diretores que me inspiraram no começo da carreira até os que me inspiram hoje. Quem me inspirou logo no comecinho foi Cassavetes (John) e logo em seguida, os Irmãos Safdie (John e Benny Safdie) e recentemente, assisti um filme chamado La Chimera de Alice Rohrwacher.

Amélie Magazine: Agora vamos voltar no tempo. Se você pudesse deixar uma mensagem para a jovem Lovisa, qual seria?

Lovisa: Que pergunta interessante! Eu diria, acredite em você mesma, tenha coragem e faça o que deve fazer, porque demorei muitos anos para entender que além de escrever, eu poderia ser uma diretora, sabe? Antes eu não acreditava em mim mesma, mas eu sabia que eu queria trabalhar com cinema, apesar de não ter antes a ambição de ser diretora e dirigir meus próprios filmes. Isso mudou, então eu diria: Apenas faça! *risos*

Amélie Magazine: Quais foram os maiores desafios durante as filmagens de "Without Kelly"?

Lovisa: O bebê *risos*. Levamos muito tempo para filmar, porque nós precisávamos esperar até ela ter seu momento. Porque às vezes ela estava dormindo ou às vezes não queria filmar. A mãe e a bebê dormiram no apaertamento onde filmamos, que aliás, curiosamente é meu apartamento. Então nós organizávamos todo o equipamento logo cedo pela manhã e ela acordava bem quando estávamos começando.

Nossa equipe começava a filmar desde cedo, às 6h da manhã, tentando não fazer nenhum barulho e mesmo assim, quando ligávamos o equipamento, ela acordava e ficava observando *risos* E aí tínhamos que começar novamente. Foi bem desafiador.

Amélie Magazine: E para seus próximos projetos. Existe algum tema que você gostaria de explorar?

Lovisa: Eu realmente não sei, porque estava tão feliz com esse curta! Foi minha primeira colaboração com a minha diretora de fotografia Christine Leuhusen e foi incrível trabalhar com ela, ebntão eu adoraria colaborar mais uma vez com ela se possível.

[Review] Hamnet de Chloé Zhao é um retrato poético sobre o luto coletivo

 

Por Victoria Hope

Há quem diga que o luto é algo para ser sentido de forma distinta por cada indivíduo, mas em "Hamnet", novo filme da vencedora do Oscar Chloé Zhao estrelado por Jessie Buckley e Paul Mescal, chega para ressignificar essa dor através da adaptação de um dos clássicos de Shakespeare.

A adaptação da obra de Maggie O’Farrell, que inspirou o filme, conta a história de William Shakespeare (Mescal) e a sua esposa, Agnes (Buckley), celebram o nascimento do seu filho, Hamnet, no entanto, quando a tragédia atinge e Hamnet morre ainda jovem, isso inspira Shakespeare a escrever a sua obra-prima intemporal, Hamlet.

Em um filme carregado por performances brilhantes, especialmente de Jessie Buckley, que com certeza será considerada para a próxima temporada de premiações, acompanhamos a dor de uma mulher apaixonada por um homem que muito se preocupa com seus sonhos e ideiais e pouco passa tempo com sua família.

No seu âmago, Agnes entende a importância do que William está fazendo e entende que aquele ar do campo e toda a violência que seu esposo passava pelas mãos de seu próprio pai, estavam o adoecendo aos poucos. Mesmo com as crianças nascendo uma seguida da outra, seu marido continuava diststante, então ela sabe que não pode fazer nada a não ser deixá-lo ir.


Hamnet / Foto: Focus Features

Apesar do ritmo mais lento do filme, em nenhum momento se sentem as duas horas e cinco minutos de duração, muito pelo contrário, é uma história que parece se desenvolver até rapidamente demais, com a passagem do tempo sendo mostrada de forma dinâmica, mas sempre indo de acordo com o ritmo dos próprios personagens.

Existe um momento em "Hamnet" onde todos nós tanto expectadores quanto o público que rodeia os palcos de Shakespeare podem sentir a dor de Agnes; sentir o luto dela de perto e é nesse momento que as lágrimas escorrem sem parar porque aquilo é cinema! Não apenas a palavra cinema, mas aquele sentimento de quando se está em uma sala lotada de pessoas, todas respirando em uníssimo, passando pelo mesmo luto que aquela mãe ao ver a peça de Hamlet ganhar vida.

Aquele sentimento de que todas nossas vidas estão interconectadas mesmo que por apenas algumas horinhas, junto com a sensação de que podemos esquecer um pouco de nossas próprias histórias para além da grande tela e viver aquele sentimento de compreensão; É como se todos nós estivéssimos tocando a mão do personagem naquele momento, embalados pela belíssima trilha de Max Ritcher. 

A forma como Shakespeare ressignifica a morte de seu filho na peça, nos relembra em como a arte também acalenta perante ao luto e quando lhes faltaram palavras para dizer, William prefiriu mostrar para a esposa de forma corporal e mais humana possível de que eles nunca estariam sozinhos, não enquanto a arte continuasse a celebrar a existência  e a dor da perda de Hamnet. 

NOTA: 9.5

Manas | Com mais de 20 prêmios conquistados desde sua première em Veneza, filme chega aos cinemas nacionais em maio

 

Por Victoria Hope

MANAS contou com o apoio de renomados cineastas internacionais. Walter Salles, que recentemente conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda Estou Aqui”, e os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, vencedores de duas Palmas de Ouro em Cannes, atuaram como produtores associados do filme. Os cineastas apostaram no potencial do projeto desde a fase de roteiro, contribuindo significativamente para a sua realização.

MANAS, de Marianna Brennand, é um primeiro longa-metragem brilhante. A narrativa é ao mesmo tempo sensorial e emocional, os atores são cativantes, e a direção é inspirada, precisa e desprovida de sentimentalismo. Marianna nos oferece a possibilidade de mergulhar em um mundo que ainda não havíamos visto, trazendo luz aos seus demônios internos. Uma grande estreia de uma diretora extremamente talentosa", elogia Salles.

MANAS narra a história de Marcielle/Tielle (Jamilli Correa), uma jovem de 13 anos que vive na Ilha do Marajó (PA) junto ao pai, Marcílio (Rômulo Braga), à mãe, Danielle (Fátima Macedo), e a três irmãos. Ela cultua a imagem de Claudinha, sua irmã mais velha, que teria partido para bem longe após “arrumar um homem bom” nas balsas que passam pela região. Conforme amadurece, Tielle vê ruírem muitas das suas idealizações e se percebe presa entre dois ambientes abusivos. Preocupada com a irmã mais nova e ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres à sua volta.

Luc Dardenne endossa:É um filme que me emocionou profundamente. Sua abordagem da vida de uma jovem e sua família no Norte do Brasil revela a existência de uma comunidade, de uma sociedade onde a longa história de dominação masculina está violentamente inscrita nos corpos das mulheres. Este filme de estreia da diretora Marianna Brennand é, a meu ver, marcado pela intensidade e precisão de sua visão, assim como por sua profunda conexão com seus personagens – qualidades que sinalizam o surgimento de uma cineasta verdadeiramente excepcional.” 

O longa tem sido amplamente elogiado também pela crítica especializada. Vittoria Scarpa, do Cineuropa, destacou que o filme "deixa você atordoado – pela história que conta, pela forma como a conta e pelas atuações penetrantes de seus atores". Já Matthew Joseph Jenner, da International Cinephile Society, descreveu MANAS como "um filme sincero, afetuoso e genuinamente impactante".

SXSW 2025 | Video Barn (Short)

 

Por Victoria Hope

No curta de terror Video Barn de Bianca Poletti, duas garotas excêntricas que trabalham na locadora de vídeo local de uma cidade pequena tentam resolver os mistérios do passado obscuro da cidade quando uma delas desaparece misteriosamente. 

Estrelado por Grace Van Dien e Reina Hardesty, o curta homenageia os filmes surrealistas dos anos 80, misturando humor ácido, com a temática da amizade e a atração pelo desconhecido para criar essa história singularmente assustadora. 

Na trama, Jules e Hannah nitidamente tem uma amizade daquelas especiais onde há cumplicidade. Elas se unem pelo amor que tem por filmes de horror e suspense, o que ajuda a criar ainda mais uma atmosfera sombria para essa história.

O curta lembra em alguns momentos das obras surrealistas  inciais de David Lynch, com uma pitada da de Poltergeist e Twilight Zone. A trama é envolvente do início ao fim e nos faz querer acompanhar mais sobre os mistérios da cidade e sobre os segredos guardados naquela fita cassete

Poletti conasegue em um espaço bem curto de tempo, criar personagens envolventes e que realmente interesssam ao público, o que nos faz pensar que esse seria um excelente filme longa metragem mais para frente, com alguns toques aqui e ali para expandir ainda mais essa história.

As escolhas de figuros, maquiagem e roteiro também são excelentes e ajudam a criar a atmosfera oitentista, ano auge onde diversas produções com essa temática encantavam e assustavam diversas gerações. Atualmente existem poucas séries de televisão genuinamente de terror, então Video Barn é um sopro de criatividade que a indústria precisa para se renovar. 

NOTA: 9/10

Mostra Mestras do Macabro | Evento celebra as cineastas de horror ao redor do mundo nas telas do CBB SP

 

Por Victoria Hope

'Mestras do Macabro’ celebra as mulheres no universo do horror, um gênero historicamente dominado por homens, mas que tem sido cada vez mais enriquecido pela perspectiva feminina. A curadoria da mostra é feita pela pesquisadora e especialista Beatriz Saldanha, que reuniu obras representativas de diferentes épocas, países, e contextos sociais. A seleção oferece ao público um panorama histórico do gênero, destacando realizadoras de diferentes gerações e diversas nacionalidades.

Além das exibições, a mostra também promove diversas atividades presenciais, incluindo um curso com duração de três dias ministrado pela curadora Beatriz Saldanha, uma mesa de debate também mediada pela curadora com duas convidadas a definir, e uma sessão comentada com a cineasta Gabriela Amaral Almeida.

Em um momento em que diretoras contemporâneas ganham cada vez mais destaque, a mostra oferece não apenas a oportunidade de assistir às obras, mas também a possibilidade de repensar o papel da mulher no cinema de horror e a importância do gênero como meio de reflexão sobre temas sociais.


Candyman (2021) / Foto: Universal Pictures

Sobre a relevância de ‘Mestras do Macabro’, a curadora Beatriz Saldanha relata “Quando se fala em cinema de horror, todos os fãs conhecem na ponta da língua nomes como George Romero, Wes Craven e John Carpenter, mas se perguntássemos ‘e qual a sua diretora favorita de horror?’, muitas pessoas teriam dificuldade em responder. Existe uma história do horror formada por cânones e por muitos anos as mulheres estiveram à margem dela. Um dos principais objetivos dessa mostra é trazer à luz diretoras que fizeram e estão fazendo filmes de horror tão bons quanto os clássicos que todo mundo adora, deixando evidente que mulheres também podem ser consideradas mestras do macabro.”

Durante a Mostra acontecem 32 sessões em São Paulo, exibindo os 28 longas selecionados e contando com 4 reprises. Entre os filmes a serem reprisados estão títulos que serão programados com recursos de acessibilidade de audiodescrição, interpretação em Libras e legenda descritiva. Todas as sessões serão gratuitas, assim como as atividades paralelas. Entre os destaques da programação estão os filmes “O Cemitério Maldito” (1989), um clássico do cinema de gênero dos anos 80, “Psicopata Americano” (2000), marco da virada do milênio, o irreverente e disruptivo “Garota Infernal” (2009), “O Babadook” (2014), explorando os sacrifícios da maternidade e o musical de horror brasileiro “Sinfonia da Necrópole” (2016).

Ao realizar a mostra "Mestras do Macabro – As Cineastas do Horror ao Redor do Mundo", o Centro Cultural Banco do Brasil, oferece ao público a oportunidade de conhecer produções femininas em um campo até então predominantemente masculino. Além de reconhecer e valorizar o talento dessas cineastas, a mostra contribui para a transformação do gênero de horror, enriquecendo-o com novas perspectivas, conscientizando o público sobre a equidade de gênero no cinema e inspirando futuras gerações de mulheres a ingressarem na indústria cinematográfica.


Garota Infernal / Foto: 20th Century Fox

FILMOGRAFIA:

A Fria Luz do Dia (Cold Light of Day). Reino Unido, 1989. Direção: Fhiona Louise. Duração: 79 min. Classificação indicativa: 18 anos.

Um homem solitário atrai rapazes para sua casa e os mata brutalmente. Baseado nos crimes do assassino em série Dennis Nilsen.

A Jaula de Mafu (The Mafu Cage). EUA, 1978. Direção: Karen Arthur. Duração: 101 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma astrônoma de sucesso e sua irmã obcecada por primatas vivem uma relação sombria na casa que herdaram do pai antropólogo.

A Lenda de Candyman (Candyman). EUA, 2021. Direção: Nia DaCosta. Duração: 91 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um pintor em crise criativa é assombrado pela criatura sobrenatural Candyman, um assassino cruel invocado ao ser chamado diante do espelho.

Amores Divididos (Eve’s Bayou). EUA, 1997. Direção: Kasi Lemmons. Duração: 108 min. Classificação indicativa: 16 anos.

A filha de 10 anos de um respeitado médico adentra um mundo de segredos, mentiras e forças místicas ao flagrá-lo com uma amante.

A Sombra do Pai. Brasil, 2019. Direção: Gabriela Amaral Almeida. Duração: 91 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma garotinha solitária tenta ressuscitar a mãe morta para tentar se comunicar com o pai, um operário de comportamento retraído.

Desejo e Obsessão (Trouble Every Day). França, 2001. Direção: Claire Denis. Duração: 97 min. Classificação indicativa: 18 anos.

Um jovem casal de norte-americanos chega a Paris e vivencia um amor tão intenso e obsessivo que literalmente ameaça os devorar.


Estranhos Poderes / Foto: Cannon Films

Estranhos Poderes (The Godsend). Reino Unido, 1980. Direção: Gabrielle Beaumont. Duração: 86 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma moça que foi forçada a criar o bebê de uma desconhecida entra em desespero quando seus próprios filhos começam a ser mortos.

Garota Infernal (Jennifer’s Body). EUA, 2009. Direção: Karyn Kusama. Duração: 107 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma líder de torcida adolescente se torna uma assassina sedenta por sangue e passa a matar de maneira brutal os colegas de classe.

Grave (Grave). França, 2016. Direção: Julia Ducournau. Duração: 98 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Depois de um trote em que é obrigada a comer fígado, uma estudante de veterinária desenvolve um apetite por carne humana.

Medusa. Brasil, 2023. Direção: Anita Rocha da Silveira. Duração: 123 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um grupo de moças religiosas persegue e agride violentamente nas ruas mulheres que elas consideram que levam uma vida pecaminosa.

Mortos de Fome (Ravenous). Reino Unido, República Tcheca, México, EUA, 1999. Direção: Antonia Bird. Duração: 101 min. Classificação indicativa: 18 anos.

Da guerra entre México e Estados Unidos, em 1847, um regimento militar em missão de resgate se depara com um canibal na selva.

O Babadook (The Babadook). Austrália / Canadá, 2014. Direção: Jennifer Kent. Duração: 90 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma mãe viúva precisa enfrentar o medo de seu filho pequeno quando descobre que uma criatura sobrenatural está em sua casa.


Medusa / Foto: Vitrine Filmes

O Cemitério Maldito (Pet Sematary). EUA, 1989. Direção: Mary Lambert. Duração: 102 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Depois que seu filhinho morre atropelado por um caminhão, um pai em desespero descobre um cemitério que ressuscita os mortos.

O Chalé do Lobo (Vlčí Bouda). Tchecoslováquia, 1987. Direção: Vera Chytlová. Duração: 91 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um grupo de adolescentes é convidado para aulas de esqui numa estação nas montanhas e descobre que há um intruso entre eles.

O Doce Vampiro (The Velvet Vampire). EUA, 1971. Direção: Stephanie Rothman. Duração: 80 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um jovem casal recém-casado aceita o convite de uma mulher bela e misteriosa para irem visitá-la em sua mansão isolada no deserto.

O Massacre (The Slumber Party Massacre). EUA, 1982. Direção: Amy Jones. Duração: 76 min. Classificação indicativa: 16 anos.

A festa do pijama de um grupo de jovens amigas se torna uma noite sangrenta quando um psicopata assassino as atormenta.

O Pesadelo de Celia (Celia). Austrália, 1989. Direção: Ann Turner. Duração: 103 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma garotinha imaginativa e um tanto perturbada fantasia com criaturas malignas para fugir da insegurança de viver no campo.

Organ: Sem Limites para o Horror (Organ). Japão, 1996. Direção: Kei Fujiwara. Duração: 104 min. Classificação indicativa: 18 anos.

Dois policiais se infiltram em uma quadrilha de traficantes de órgãos humanos no mercado clandestino, mas seu plano dá errado.


Psicopata Americano / Foto: Lionsgate Films

Psicopata Americano (American Psycho). EUA, 2000. Direção: Mary Harron. Duração: 102 min. Classificação indicativa: 18 anos.

Um rico, bonito e vaidoso investidor de Wall Street mantém uma vida secreta de psicopata, eliminando brutalmente seus desafetos.

Quando Chega a Escuridão (Near Dark). EUA, 1987. Direção: Kathryn Bigelow. Duração: 94 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um jovem filho de fazendeiro relutantemente se junta a um grupo de vampiros nômades e rebeldes que atravessam o deserto.

Santa Maud (Saint Maud). Reino Unido, 2020. Direção: Rose Glass. Duração: 84 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma jovem enfermeira recém-convertida ao catolicismo fica obcecada em salvar a alma pecaminosa de uma paciente terminal.

Segredos Evidentes (Youling Renjian). Hong Kong, 2001. Direção: Ann Hui. Duração: 103 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um rapaz desempregado conhece uma mulher misteriosa e passa a enfrentar coisas estranhas causadas por espíritos ao seu redor.

Sem Seu Sangue. 2020. Direção: Alice Furtado. Duração: 100 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma adolescente desestimulada em sua rotina diária encontra um motivo para viver ao conhecer um jovem recém-chegado em sua turma.

Sinfonia da Necrópole. Brasil, 2016. Direção: Juliana Rojas. Duração: 86 min. Classificação indicativa: 12 anos.

Um aprendiz de coveiro se torna ajudante de uma colega e sua primeira tarefa é localizar sepulturas abandonadas em um cemitério.


Sinfonia da Necrópole / Foto: Vitrine Filmes

Terminal Praia Grande. Brasil, 2019. Direção: Mavi Simão. Duração: 73 min. Classificação indicativa: 14 anos.

Uma moça decide dar uma festa de despedida de casa e reencontra no supermercado um rapaz com quem teve uma relação no passado.

Um Jantar Sangrento (Blood Diner). EUA, 1987. Direção: Jackie Kong. Duração: 88 min. Classificação indicativa: 18 anos.

Dois irmãos são encarregados pelo tio excêntrico para preparar um jantar ritualístico canibal do antigo culto da deusa Sheetar.

Vingança Macabra (The Oracle). EUA, 1985. Direção: Roberta Findlay. Duração: 93 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Um casal se muda para um apartamento e a esposa encontra o artefato que uma médium usava para se comunicar com os mortos.

Zumbis do Mal (Messiah of Evil). EUA, 1974. Direção: Willard Huyck e Gloria Katz. Duração: 90 min. Classificação indicativa: 16 anos.

Uma moça procura pelo pai que desapareceu misteriosamente e vai parar em uma cidadezinha litorânea tomada por zumbis.

[Review] Babygirl

 

Por Victoria Hope

O exercício de poder é um dos principais temas abordados em "Babygirl", novo filme da A24 estrelado por Nicole Kidman, que inclusive venceu o Leão de Prata de Veneza na categoria de Melhor Atriz por esse filme e desde então, tem feito burburinho entre a crítica estrangeira. Chegará aos cinemas brasileiros no dia 9 de janeiro de 2025.

Na trama, acompanhamos uma poderosa CEO que coloca sua carreira e família em risco quando inicia um caso amoroso baseado em fetiche com um novo estagiário de sua empresa. Desde o início vemos que Romy (Kidman), sempre teve desejos reprimidos em ser tratada como uma baby girl, categoria submissa dentro do BDSM, porém, seu esposo 'vanilla', não parece satisfazer esse desejo que ela tem bem reprimido no fundo de sua mente.

Apesar de ser tudo o que sempre quis, que foi uma carreira estável, um marido amoroso e filhas que são suas maiores companheiras, Romy busca pela sensação de perigo iminente, pelo desafio e pela selvageria e encontra tudo isso num misterioso estagiário que parece saber exatamente os desejos mais sombrios de sua chefe.


Babygirl / Foto: A24 & Diamond Films

O longa mostra que os 'fetiches' da CEO vão para além da questão sexual, pois aqui em jogo entra também a temática de assédio sexual no trabalho, mesmo com relacionamento consentido, mas também outras questões como desequilíbrio de poder, que é um dos conceitos básicos dentro dessa cena de fetiche praticada pelos personagens.

Apesar do tema ser muito interessante e a atuação de Nicole ser um destaque, Babygirl não tem muito a dizer, ou melhor dizendo, não tem nada a se aprofundar sobre a questão psicológica por trás das escolhas da personagem, o que seria muito mais interessante de explorar do que as poucas cenas de 'brincadeiras' feitas pelos personagens em questão. 

Muito se explora sobre o desejo reprimido, mas pouco se explora sobre as nuances da escolha da personagem, mas isso não atrapalha o filme como um todo, apenas deixa um gostinho de que tudo poderia ter sido bem melhor explorado. 


Babygirl / Foto: A24 & Diamond Films

Já a direção de Halina Reijn é um trunfo a parte, pois ela consegue extrair reações viscerais de seu elenco, com câmeras muito próximas ao rosto em alguns momentos, que fazem parecer que os personagens estão muito perto, quase respirando nos rostos da audiência.

É muito interessante ver como a direção feminina voltada a temas como fetiche, BSDM e desejo vão por outro lado, pois por mais que Kidman tenha diversas cenas sexuais, em nenhum momento ela é vista como objeto sexual; muito pelo contrário, explorasse a visão que Romy tem sobre si mesma naquele cenário.

Em um momento específico, o jovem estagiário chega a explicar para o marido de Romy, Jacob (Antonio Banderas), que sua visão sobre o de sua mulher fetiche está equivocada e aquele é um momento muito interessante, onde o personagem poderia realmente ter explicado essa dinâmica que apenas confirmara o que Reijn tenta mostras na história. Para quem já leu muitas fanfics e livros eróticos, o tema não é novidade, mas definitivamente é abordado de uma forma diferente de tudo o que já foi apresentado no cinema com a mesma temática. 

Nota: 8/10

Mostra de SP 2024 | Clube das Mulheres De Negócios

 

Por Victoria Hope

Inicio essa crítica dizendo que "O Clube das Mulheres de Negócios" acaba de entrar no meu ranking de filmes favoritos da Mostra de Cinema Internacional de 2024. O novo filme de Anna Muylaerte retrata a crise do patriarcado, ambientado em um mundo imaginário onde os estereótipos de gênero estão invertidos, ou seja, as mulheres ocupam as posições de poder enquanto os homens são criados para serem socialmente submissos. 

Questões emergentes também são abordadas, não apenas do machismo, mas o racismo, do classismo e da corrupção, enraizados na cultura patriarcal do Brasil e do mundo. Estrelado por grandes nomes da TV e da comédia brasileira, o longa aborda temas extremamente relevantes como patriarcado, corrupção, a influência de bancadas religiosas na política e assédios.

"O Clube das Mulheres de Negócios", escancara o absurdo que muitas mulheres sofrem diariamente, só que aqui é ao contrário, já que as mulheres dominam o mundo, desde a política à todas as outras esferas de poder de decisão na vida de todos os brasileiros.

O Clube das Mulheres de Negócios / Foto: Vitrine Filmes

De forma brilhante, o filme escancara as disparidades de gênero e como diversas atitudes retrógradas por parte da comunidade masculina, são normalizadas e não deveriam ser. Hora em momentos de comédia, hora em momentos que vão fazer seu sangue ferver de ódio, o filme questiona o porquê da sociedade aceitar certos comportamentos.

A quem interessa manter o status quo? Essa é uma das principais perguntas lançadas pelo filme e ao passo em que a história se desenvolve, fica cada vez mais nítida a verdadeira mensagem que o filme quer passar e apesar do ritmo se perder um pouco na metade do segundo ato para o terceiro, aos poucos o filme ganha fôlego novamente, principalmente quanto as 'vilãs' da história começam a sofrer as consequências de seus atos.

Com atuações hilárias e poderosas do elenco, essa distopia não tão distante da nossa realidade, mostra como enquanto sociedade, não podemos deixar que o patriarcado persista em espalhar seus tentáculos em toda nossa história. É um filme que irá lavar a alma de muitos.

NOTA: 9/10