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[Entrevista] Lovisa Sirén, Diretora do curta premiado Without Kelly, fala sobre o maternidade na juventude, encontros e desencontros

 


Por Victoria Hope

"Without Kelly", um curta-metragem sueco de autoria e direção de Lovisa Sirén, traz uma bela e delicada representação da maternidade jovem, temaque não importa o ano ou a era, ressona com diversas jovens mães ao redor do mundo. 

O curta, que teve sua estreia no Festival de Veneza e esse ano integra a programação do Festival Sundance, narra a história de Esther (Medea Strid), uma mãe jovem que enfrenta a difícil experiência de se separar de sua filha bebê, Kelly (Teodora Sundström Latev), pela primeira vez, ao confiar a criança ao pai da menina, Anton (Truls Carlberg).

Não apenas o longa teve sua estreia em um dos maiores festivais de cinema, como também conquistou o Prêmio Orizzonti de "Melhor Curta-Metragem" no Festival de Veneza e foi nomeado para o Prêmio Guldbagge, a versão sueca do Oscar.  Durante o Sundance, nossa equipe teve a chance de conversar com a brilhante Lovisa Síren sobre maternidade, solidão e todos os temas que permeiam o universo de "Without Kelly" e você pode conferir essa conversa na íntegra abaixo:


Without Kelly/ Foto: Sundance Film Festival

Amélie Magazine: Parabéns pelo sucesso em Veneza! Como é fazer parte da seleção oficial do Sundance 2026? 

Lovisa: É incrível! Estive no Sundance em 2016 para o lançamento de outro curta e foi uma experiência muito especial naquela vila cheia de neve. A atmosfera estava incrível e todos estavam tão felizes! 

Amélie Magazine: E o Festival de Veneza, como foi? 

Lovisa: Foi incrível também! Aquela foi minha primeira vez na Itália e Veneza é um lugar tão lindo.

Amélie Magazine: Without Kelly nos confronta sobre o sentimento de solidão que as vezes jovens pais podem sentir

Lovisa: Não sei quanto do filme mostra o lado da solidão, mas eu acredito que sim ele mostra sim boa parte desse sentimento e isso é algo que você passa quando tem um bebê e ainda é muito jovem. Eu passei por isso pessoalmente, então eu entendo bem esse sentimento, porque você se sente solitário quando tem uma criança e não está perto dela. 

Especialmente, é importante lembrar que você pode se sentir solitário com ou sem a criança. Até mesmo quando está com o bebê ainda em seu ventre, mas não em seus braços, traz um sentimento de espera que pode causar certa angústia e isso também parte da solidão.

Esther sente muita falta da filha e quando ela não está com a bebê, ela sente como se tivessem dividido o corpo dela em dois. Ela não quer estar longe da filha, então para ela, essa separação é muito difícil de lidar. É como se algo nela estivesse faltando, sabe?

Amélie Magazine: O curta também toca no assunto da identidade da mãe sem a criança, no sentidodo de quem é a jovem Esther sem sua filha. Ela sabe quem é ou está em busca de uma resposta? 

Lovisa: Exatamente, eu acredito que ela não sabe quem ela é ou quem ela ainda vai ser. Ela só sabe que é mãe dessa criança e eu acredito que ela vive muito o momento. No filme, ela é confrontada por essa questão existencial de quem é ela para além da maternidade. Porque enquanto ela tem a filha nos braços, ela sabe que é mãe, mas e a outra parte da identidade dela? 

O que vai além? Para onde ela vai ao rolar dos créditos? De alguma forma, essa é uma história Coming Of Age, ou seja, de amadurecimento da personagem.

Without Kelly / Foto: Sundance Film Festival

Amélie Magazine: Por um acaso a peruca rosa de Esther tem a ver com o longa "Lost in Translation" ou é apenas uma peruca rosa mesmo?

Lovisa: É engraçado você mencionar, porque é só uma peruca rosa mesmo *risos*

Amélie Magazine: Como diretora, conseguiria pontuar três diretores que te inspiram?

Lovisa: Eu acredito que mudo muito rápido de opinião *risos*, mas acredito que posso falar de diretores que me inspiraram no começo da carreira até os que me inspiram hoje. Quem me inspirou logo no comecinho foi Cassavetes (John) e logo em seguida, os Irmãos Safdie (John e Benny Safdie) e recentemente, assisti um filme chamado La Chimera de Alice Rohrwacher.

Amélie Magazine: Agora vamos voltar no tempo. Se você pudesse deixar uma mensagem para a jovem Lovisa, qual seria?

Lovisa: Que pergunta interessante! Eu diria, acredite em você mesma, tenha coragem e faça o que deve fazer, porque demorei muitos anos para entender que além de escrever, eu poderia ser uma diretora, sabe? Antes eu não acreditava em mim mesma, mas eu sabia que eu queria trabalhar com cinema, apesar de não ter antes a ambição de ser diretora e dirigir meus próprios filmes. Isso mudou, então eu diria: Apenas faça! *risos*

Amélie Magazine: Quais foram os maiores desafios durante as filmagens de "Without Kelly"?

Lovisa: O bebê *risos*. Levamos muito tempo para filmar, porque nós precisávamos esperar até ela ter seu momento. Porque às vezes ela estava dormindo ou às vezes não queria filmar. A mãe e a bebê dormiram no apaertamento onde filmamos, que aliás, curiosamente é meu apartamento. Então nós organizávamos todo o equipamento logo cedo pela manhã e ela acordava bem quando estávamos começando.

Nossa equipe começava a filmar desde cedo, às 6h da manhã, tentando não fazer nenhum barulho e mesmo assim, quando ligávamos o equipamento, ela acordava e ficava observando *risos* E aí tínhamos que começar novamente. Foi bem desafiador.

Amélie Magazine: E para seus próximos projetos. Existe algum tema que você gostaria de explorar?

Lovisa: Eu realmente não sei, porque estava tão feliz com esse curta! Foi minha primeira colaboração com a minha diretora de fotografia Christine Leuhusen e foi incrível trabalhar com ela, ebntão eu adoraria colaborar mais uma vez com ela se possível.

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