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Sundance 2022 | Huella (Short Film)

 

Por Victoria Hope

Abrindo as estreias de curtas nessa edição do Festival Sundance 2022, em Huella, quando a morte de uma avó libera uma maldição geracional, uma dançarina flamenca se vê obrigada a resignar seu cargo em um escritório ao ser forçada a passar por uma experiência dos cinco estados de luto através de uma visita de suas ancestrais femininas, que querem ajudá-la a quebrar o ciclo.

Quem faz parte de famílias latinas ou do eixo Espanha e Itália, sabem o quão importante é a vida das avós, que geralmente são matriarcas das famílias nessas sociedades e como o trauma geracional é um ciclo que precisa ser quebrado, mas que é algo extremamente difícil principalmente para mulheres, já que essa cultura é tão enraizada e passada de geração em geração.

O uso do terror para abordar justamente a influência do patriarcado na vida das mulheres e como elas carregam fardos da família por gerações, foi extremamente apropriado para abordar a temática, pois entendemos que o espírito da Abuela não queria acuar a jovem protagonista, mas sim, incentivá-la a se defender.

Huella / Foto: Sundance

Acompanhamos então a vida dessa jovem atendente virar de cabeça para baixo quando ela se vê vítima de uma maldição geracional. Ela passa a partir desse momento, a entender, mesmo contra a vontade, a necessidade de enfrentar seus medos e passar por esse período tão difícil.

Para olhos desacostumados, a rigidez da abuela é assustadora, mas novamente, para famílias onde o trauma impera, entende-se que essa forma de lidar com os netos, bisnetos e outros membros da família, é a única forma de mulheres traumatizadas lideram com essas questões familiares.

A dançarina se culpa por não ter conseguido passar os últimos momentos de vida da sua avó, ao lado dela e por não ter sido a pessoa que sua avó esperava que ela fosse. Toda essa expectativa e trauma que a protagonista carrega é quebrada quando ela percebe que nunca estará sozinha, seja na felicidade ou na dor, as mulheres da família sempre estarão ao lado dela.

NOTA: 10/10

[Entrevista] Diretor Tadeusz Lysiak e atriz Anna Dzieduszycka falam sobre The Dress, curta na shortlist do Oscar

 19/01/2022

Por Victoria Hope

Com direção de Tadeusz Lysiak e estrelado pela atriz polonesa Anna Dzieduszycka, 'The Dress', é uma das apostas na shortlist para o Oscar 2022 na categoria de Curta Metragem. Na trama, conhecemos Julia, uma camareira que possui nanismo e que deseja encontrar amor e busca por uma conexão através do toque. 

Ao longo da trama, acompanhamos a luta diária da personagem, que navega por seus dias trabalhando no hotel ao lado de sua melhor amiga Renata, entre risos e lágrimas, em uma história que mostra a conexão entre as mulheres e como mesmo com a vida de sofrimento, juntas podemos fortificar umas as outras.

Em tempos onde buscamos conexões e o verdadeiro significado que que é ser amado e acolhido, o longa de Lysiak toca no dedo da ferida do preconceito, abordando esse tema que é tão pouco explorado nos cinemas e que merece mais destaque. 

Nessa quarta (19), tivemos a oportunidade de entrevistar o diretor e a atriz sobre o filme e desvendar diversos detalhes e curiosidades relacionadas a essa forte produção. Você consegue conferir a nossa crítica completa de 'The Dress' aqui.

CONFIRA A ENTREVISTA

Tadeusz, Anna e o intérprete oficial durante a coletiva 

Amélie: Quais foram os maiores desafios durate as filmagens do curta? 

Tadeusz: Sabe, foram muitos desafios, alguns foram mais práticos e outros foram mais relacionados ao lado emocional. Escrevi esse roteiro super longo de uma página que continha 52 cenas nele e nós só tínhamos seis a sete dias para filmar. Então nós trabalhos provavelmente em 9 cenas por dia, o que foi extremamente difícil para nós.

Já os aspectos mais emocionais foram relacionados à amizade feminina e feminilidade, então tive que mergulhar em mim mesmo para buscar isso, então, eu tive que 'ser' uma mulher enquanto escrevia esse roteiro, tanto na produção quanto pós-produção, tive que buscar essa sensibilidade e também tive que buscar as emoções em Julia através das minhas experiências.

Quando eu era mais novo, no ginásio ou até mesmo mais novo, eu era muito magro, mas de uma forma nada saudável se me entende, nem me lembro quanto eu pesava, mas foi horrível, fui rejeitado pelas pessoas ao meu redor, eles zombavam de mim, então acessei justamente essas memórias para me identificar mais com Julia.  Então essa foi uma jornada emocional para todos nós, na verdade. Nós falamos muito sobre nossas experiências, eu e a Anna, até encontrarmos o que havia de comum em nossas histórias e nas histórias de todos a nossa volta.

Amélie: Além da sua performance, você conseguiu ver muito de você na personagem? 

Anna: Consegui me identificar com Julia porque também sou uma pessoa com baixa estatura e também enfrento esses problemas diários, como por exemplo, não consigo alcançar algumas coisas, fora que as pessoas ficam olhando porque tenho essa característica específica. 

Me identifiquei também pelo lado das emoções e da amizade feminina, justamente pela amizade entre Renata e Julia. Também me identifico com a primeira vez dela com um homem, mas acho que para muitos, a primeira vez pode ser 'insana', difícil e ou talvez possa ter sido até mesmo boa e feliz para nós, então, eu me identifico sim com a personagem, mas só até um determinado ponto, porque sou uma pessoa diferente dela. 

Sou uma pessoa que gosta de zoar e sair por aqui, acredito que sou bem 'soltinha', sempre com um amor, sempre socializando e conhecendo pessoas novas.

Amélie: O que o inspirou a escrever essa história nesse momento?

Tadeusz:  Eu estava procurando um assunto apropriado para o filme, porque essa é a minha formação,  acadêmica, então eu sempre começo com a pergunta: 'Qual é a história que eu quero contar? 'Quais são as emoções universais que eu quero abordar?' Eu queria fazer um filme sobre solidão, amor ou a falta dele, desejo, rejeição e todos esses sentimentos universais. 

Aí na internet, achei um artigo sobre pessoas com nanismo e quando eu li, isso abriu meus olhos, porque eu não sabia quais desafios eles enfrentavam diariamente, então me aprofundei ainda mais, li blogs e artigos sobre o assunto e fiquei chocado em saber que não existem tantos filmes sobre pessoas com nanismo com foco nelas. Existem alguns atores por exemplo, como Peter Dinklage, mas não tanto, então eu pensei, 'vamos nos aprofundar ainda mais nisso'.

Conheci então Anna e ela foi minha maior inspiração para esse filme, porque a encontrei quando eu já havia finalizado o roteiro, mas ele não estava bom, então quando me aproximei dela, ela me deu vários toques sobre o roteiro e como mudar o personagem para fazê-la mais real e autêntica, além de torná-la mais poderosa, porque quando vi o tão poderosa e forte Anna é por dentro e tão maravilhosa, seu senso de humor, o quão direta ela é.

Eu peguei tudo isso e acrescentei à Julia. Eu ia colocar Julia ouvindo músicas tristes, mas Anna me disse 'Não, vamos colocá-la ouvindo algo mais pesado', como death metal. 

Dorota Pomykała / Foto: Divulgação

Amélie: Como foi trabalhar com a maravilhosa Dorota? Ela foi completamente hilária. 

Anna: Dorata é simplesmente maravilhosa como pessoa, ela é tudo e é uma atriz de prestígio muito conhecida na Polônia, que tem muita experiência, mas ao mesmo tempo ela muito calorosa e muito aberta como pessoa e eu acho que a escalação dela para esse filme foi perfeita, porque quando a conheci pela primeira vez, nossa química durante a leitura do roteiro foi instantânea. Nos conectamos imediatamente e eu adorei ela. 

Amélie: O que significaria pra você vencer o Oscar desse ano na categoria de Melhor Curta? 

Tadeusz:  Meu Deus (risos), eu vejo esse filme como um ponto de ignição e isso significaria muito para mim, não porque apenas quero ganhar esse troféu lindo para ter em casa, claro que seria legal, mas o que eu realmente quero é que esse filme seja reconhecido e que ele seja visto pelas pessoas, mudar o mundo um pouco, para melhor, é claro. 

Por exemplo, vamos pegar o cinema, sejamos mais inclusivos, vamos trazer mais diversidade aos filmes, vamos falar sobre pessoas com nanismo, mas não apenas delas, vamos falar sobre pessoas com outras características únicas também, vamos falar sobre esse assunto que é muito importante para mim (inclusão). 

Levar esse prêmio seria uma grande honra e seria importante porque traria atenção para esse filme e mais pessoas assistiriam, porque esse é o nosso principal objetivo. Nós já alcançamos muito, mesmo com a finalização desse curta e com todas essas indicações, mas na verdade, somos mais felizes quando recebemos mensagens, emails e as pessoas nos buscam e nos agradecem pelo filme.

Quando ouvimos que alguém com lágrimas nos olhos,  nos agradecendo pelo curta, essa é nossa maior recompensa. As lágrimas são nossos Oscars (risos). 

Amélie: Para concluir nosso papo, esse filme é pesado, mas também nos traz uma importante mensagem sobre inclusão. Qual recado você gostaria de deixar para outras atrizes com nanismo que gostariam de entrar para a indústria?  

Anna: Minha mensagem seria: Não tenha medo de viver sua vida, não tenha medo de acreditar em você mesma. Se você sente algo em suas entranhas, vá em frente com seus objetivos. Julia mostrou isso para todos nós no filme, ela queria se tornar uma mulher (no sentido carnal e ela se tornou. 

Claro que não aconteceu da forma que ela gostaria que acontecesse, então quanto a isso eu só digo, não tenha medo de seguir seus sonhos e mais importante que tudo, trate as pessoas da mesma forma que gostaria de ser tratado. Então é isso, não tenha medo de viver em sociedade, não tenha medo de viver sua vida. 

[Review] The House (Netflix)

 16/01/2022

Por Victoria Hope

A mais nova animação stop-motion original da Netflix, 'The House' é um respiro para o gênero e se faz necessária, principalmente em tempos de isolamento. Na antologia, conhecemos três distintas histórias, dirigidas por três dos maiores animadores stop motion contemporâneos, Emma de Swaef & Marc James Roels, Niki Lindroth von Bahr e Paloma Baeza.

Nessas três histórias, os visionários diretores contam a história da relação de três personagens diferentes em uma mesma casa, ao longo das eras, passando desde o passado na era Vitoriana ao possível futuro, que pode ser mesmo durante ou após 2022. 

Com a proposta de horror, mas erroneamente divulgado como humor dark, a antologia propõe uma nova visão ao universo stop motion, provando que o gênero, unido ao terror e drama em uma trama voltada para adultos, funciona tão bem quanto em animações mais divertidas voltadas ao público infantil. 

Capítulo 1 / Foto: Netflix

No capítulo 1 dirigido pelo casal Emma de Swaef e Marc James Roels, acompanhamos a vida de uma família humilde da era vitoriana, em 1800, que apesar do pouco que tem, vivem uma vida de harmonia, até a mãe de Raymond, que é nosso protagonista, chegar e humilhar o filho, dizendo que ele é tão pior quanto seu pai, já que segundo sua mãe, o mais velho tinha problemas com bebida.

Isso é o suficiente para que o  Raymond estremeça e caia na bebedeira noite a fio, até que misteriosamente, ao andar sem rumo pela floresta, ele encontra uma misteriosa carruagem e a partir daí, sua vida e a vida de sua família mudam para sempre. 

Simplesmente adorei a metáfora de materialismo dessa primeira parte da antologia e a metáfora do materialismo e como rapidamente, por pura ganância, os pais desistiram de sua antiga casa para se encantarem por essa nova. Nota-se que Raymond tomou todas as decisões sem consultar a família, tudo o que ele fez foi por si mesmo e até a nova casa demonstra, com as cores azuis da parede e mesa distante, o quanto os pais foram se afastando das filhas e ficando cada vez mais gananciosos.

A metáfora da riqueza e luxo são pontuais, afinal, existem muitas marcas hoje que pessoas abastadas consomem apenas por status e foi este mesmo status que causou a ruína dessa família. Antes eles tinham um lar, mesmo que humilde, agora eles só tem uma casa e nada mais. 

Capítulo 2 / Foto: Netflix

[TW: Dissociação, depressão, insetos e despersonalização] O Capítulo 2, foi talvez um dos mais fortes e surreais da antologia, com direção de Niki Lindroth von Bahr. Na trama, acompanhamos a vida de um rato que é desenvolvedor e está tentando vender uma mansão, por meio de fraude imobiliária. 

Foi genial a forma em como mostraram a deterioração da saúde mental do protagonista nessa segunda parte e eu particularmente vi a infestação de insetos na casa como uma metáfora própria saúde mental dele piorando cada vez mais. 

Ele inventa essa vida fictícia pra ele, que não real não passa de uma fraude imobiliária, ele inventa na cabeça que tem uma relação amorosa, quando na verdade está importunando o próprio dentista, chamando ele por apelidos carinhosos. Tudo isso é uma ilusão e não sabemos se na verdade, tudo aquilo é real, ou se o personagem está se dissociando. 

Acredito que a invasão de ratos-inseto na casa dele, mostra apenas o agravamento da questão de saúde mental do protagonista e gosto de imaginar que ele acabou indo pro hospital por conta de um surto psicótico ou de um ataque de pânico. 

Ao final, vemos os insetos (a saúde mental deteriorada dele), o dando boas vindas calorosas e também vemos ele passando por uma despersonalização mais uma vez, esquecendo completamente de quem ele é. Ou será que ele sempre foi aquilo que vemos no final? Seria aquele o verdadeiro 'eu'? 

Capítulo 3 / Foto: Netflix

Já o capítulo 3, que encerra a antologia, foi um dos que mais me pegou. Com direção de Paloma Baeza e vozes de Helena Bonham Carter, Mia Goth e Cillian Murphy, acompanhamos a vida de uma caseira que aluga a mansão para pessoas de fora, mas a mansão atualmente está coberta por água e sumindo cada vez mais. 

Esse aqui me pegou, eu literalmente chore no final da história porque me identifiquei demais com a protagonista, Rosa. Acho que as metáforas nesse são bem mais óbvias: A protagonista não queria deixar seu passado, ela estava presa à casa e não queria seguir em frente. 

Acredito que o objeto 'A Casa' é uma extensão da mente dos protagonistas, ou seja, se a casa representa o estado mental dela, Rosa estava quebrada por dentro, precisava mudar, mas ela tinha muito medo. Mesmo com ela tentando esconder as falhas com o papel de parede bonito, nada funcionava, mas ela queria muito focar na tal reforma, porque ela se sentia segura assim, já que pensar na reforma a fazia 'esquecer' que a casa estava sendo inundada. 

Ela precisou de três diferentes pessoas ( que talvez nem estejam mais vivas), pra seguir em frente e mesmo assim, quando ela triunfa, ela leva a casa junto com ela, porque percebe que ela não precisa se desprender totalmente de seu passado, ao invés disso, ela pode levar uma parte dele pra se lembrar de quem é, esse vai ser um fardo que vai seguir ela, mas não é por isso que ela precisa criar raízes e não sair do lugar. Levar a vida com leveza e ter um pouco mais de fé, são as lições que a protagonista aprende ao longo da história, pois mesmo com medo, ela vai rumo ao desconhecido. 

O Homem do Norte, novo longa de Robert Eggers, ganha primeiro trailer da Universal

 

Por Victoria Hope

O longa dirigido pelo aclamado Robert Eggers e tem estreia prevista para 21 de abril


A Universal Pictures divulga o primeiro trailer de O Homem do Norte, que tem estreia prevista para 21 de abril de 2022 nos cinemas brasileiros. Do aclamado diretor Robert Eggers (A Bruxa, O Farol) o filme é estrelado por Alexander Skarsgard, Anya Taylor-Joy, Nicole Kidman, Ethan Hawke, Willem Dafoe e Björk.

O Homem do Norte é um épico thriller de vingança que explora como um príncipe Viking irá buscar justiça pelo assassinato do seu pai. No trailer, é possível ver Alexander Skarskard dando vida a Amleth, além de cenas emocionantes que mostram uma prévia do longa baseado em uma lenda medieval escandinava que inspirou William Shakespeare a escrever Hamlet.

Conhecido por mergulhar a fundo em obras históricas fiéis as épocas retratadas, Robert Eggers o é aclamado diretor de obras como 'A Bruxa' e 'O Farol', longas de sucesso que marcaram o universo do terror contemporâneo nos últimos anos. 

Assista o trailer:


Nova temporada de Raised by Wolves da HBO Max ganha trailer oficial

 

Por Victoria Hope

A HBO Max apresenta o trailer de Raised by Wolves, a série original de ficção científica da plataforma, que vai estrear a segunda temporada em 3 de fevereiro.

Após a primeira temporada, as diferenças ideológicas dividiram ainda mais o planeta, deixando a raça humana à beira da extinção e com a incerteza do que o futuro trará para o planeta Kepler-22b. Durante os 10 episódios da primeira temporada, o andróide Pai e a ginoide Mãe pousaram no planeta Kepler-22b, um lugar deserto e cheio de ameaças, com a missão de cuidar de um grupo de crianças humanas e protegê-las de qualquer perigo.

Na segunda temporada, os companheiros androides Mãe e Pai terão que superar intermináveis ​​conflitos e problemas, depois que eles, junto com o grupo de seis crianças humanas, se unem à recém-formada colônia ateísta, localizada na misteriosa zona tropical do planeta. Fazer parte desta estranha nova sociedade é apenas o começo de seus problemas, pois o "filho natural" de Mãe ameaça levar o pouco que resta da raça humana à extinção.

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Assista o trailer:

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Raised by Wolves é produzida pela Scott Free Productions do mestre contador de histórias e cineasta Ridley Scott e é estrelada por Amanda Collin, Abubakar Salim, Winta McGrath, Niamh Algar, Jordan Loughran, Matias Varela, Felix Jamieson, Ethan Hazzard, Aasiya Shah, Ivy Wong, Peter Christoffersen, Selina Jones, Morgan Santo, James Harkness, Kim Engelbrecht, Jennifer Saayeng e Travis Fimmel.

[Review] The Dress

 

Por Victoria Hope

Solidão, desejo amor e esperança são temas do short 'The Dress', de Tadeusz Lysiak, que está na shortlist do Oscar de 2022. O curta, conta a história de uma faxineira que trabalha em um motel numa área rural da Polônia e que busca por intimidade, mas será que as as visitas repetidas de um caminhoneiro intrigante serão suficientes para tirá-la da solidão? 

Julia, nossa protagonista, rapidamente faz amizade com o caminhoneiro Bogdan. Inicialmente, ela acredita que o rapaz está tentando tirar vantagem dela por conta de seu nanismo, mas o rapaz garante que não se importa com a altura da moça. 

Logo os amigos de Julia percebem a mudança nela, já que ela raramente sorri, mas após sua primeira interação com o caminhoneiro, algo muda dentro dela e percebe-se que há uma pontada de esperança no coração dela.

The Dress / Foto: Tadeusz Lysiak

O filme é um ensaio sobre a vida amorosa de uma mulher que busca não apenas encontrar sua alma gêmea, como também se encontrar e redescobrir e como o toque faz falta, seja de qualquer forma. Enquanto navega por suas próprias descobertas, Julia tenta entender seu papel e como o mundo a vê.

Ao longo da trama, a protagonista se depara com preconceitos e desafios diários que muitas pessoas com nanismo encontram no dia a dia, como por exemplo, encontrar uma roupa adequada e ser tratados como todos os outros clientes, ao invés de ouvir comentários desagradáveis. 

Além desse lado, testemunhamos o próprio preconceito pessoal que Julia tem consigo mesma, não aceitando esse aspecto de sua vida. Ela teme ser vista como um objeto, como algo que ela não é e teme o julgamento dos outros, mas isso é algo que ela trabalha aos poucos no filme.

The Dress / Foto: Tadeusz Lysiak

É impossível não se emocionar com a performance de Anna Dzieduszycka e toda a carga emocional que ela traz para a personagem, de forma visceral, principalmente nos momentos de desabafo de sua personagem sobre como a sociedade e ela mesma, se veem nesse universo de 'The Dress', além da bela relação de amizade entre Julia e Renata (Dorota Pomykała), que entrega uma atuação igualmente emocionante à trama.

Com mensagens de auto amor e respeito estampadas no espelho, Julia consegue encontrar o tão esperado vestido que recebe de sua amiga, para sair com o caminhoneiro e durante o encontro, tudo parece que vai bem, até ela descobrir a verdade sobre aquele rapaz desconhecido, que na verdade, era um monstro disfarçado de 'alma bondosa'. 

O filme termina com um gosto amargo, de que muitas pessoas, principalmente minorias, são vistas apenas como objeto ou fetiche. Essa é a triste realidade a qual Julia terá que confrontar, mas o final aberto, nos faz pensar. Será que Julia irá buscar o amor no fim das contas algum dia? Será que ela está questionando sua sexualidade? São muitas perguntas que com certeza serão preenchidas de acordo com o ponto de vista de cada telespectador.

NOTA: 10/10