Navigation Menu

Mostra de SP 2026 | A Terra do Meu Pai


Por Victoria Hope

Diretamente do Festival de Cannes para a 50ª Mostra de Cinema Internacional de SP, chega "A Terra do Meu Pai", uma história se passa no verão de 1949, no auge da Guerra Fria. Na trama, o escritor e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann e sua filha Erika (atriz, escritora e piloto) retornam à Alemanha após 16 anos de exílio nos Estados Unidos.

Eles fazem uma viagem de carro pelas ruínas de um país dividido, partindo de Frankfurt, que agora está sob domínio dos Estados Unidos até Weimar, que está sob controle soviético. Na jornada, o autor precisa encarar os escombros da nação e as feridas profundas em sua própria família, principalmente sua relação tão quebrada com seu filho caçula, Klauss.

Sandra Hüller entrega uma atuação contida e ao mesmo tempo extraordinária nesse retorno de Pawel  Pawlikowski. Essa história poderia muito bem se passar em pleno 2026, pois o contexto cultural e social em que se passa, ainda segue extremamente relevante.

O filme consegue trazer alguns momentos engraçados, apesar da seriedade do assunto, ainda que traga todas as temáticas de forma até superficial em momentos e em alguns outros momentos de forma subjetiva e pontual, por meio de canções, por meio de olhares, por meio de toda a raiva da protagonista estampada no rosto de Hüller.

A Terra do Meu Pai / Foto: MUBI

Mann, interpretado por Hanns Zischler, está acompanhado por sua filha adulta, Erika (Sandra Hüller), que tanto sofreu ao seu lado e a surpresa não é grande quando ele é recebido com um entusiasmo arrebatador na Alemanha e, dada a sua importância, recebe um agente de ligação da CIA. 

Contudo, ele deixa seus anfitriões desconcertados e constrangidos ao manifestar a intenção de aceitar um segundo prêmio em Weimar, cidade onde Goethe viveu, mas que agora se encontra no Leste comunista e, talvez, marcada pela associação com a caótica República de Weimar, que abriu caminho para os nazistas.

É um filme complicado e que necessita de contexto histórico por parte do público, para um entendimento completo das implicações. O filme termina tão rapidamente quanto começa e apesar disso, ainda é uma história extremamente efetiva que vai para além dos aspectos políticos.

"A Terra do Meu Pai" apenas reforça a importância de figuras intelectuais em meio a conflitos políticos e sociais, bem como seus impactos vão para além do campo do intelecto; mas ainda assim, o filme também é sobre ego e como ele pode destruir famílias, não importa o quanto uma das figuras dessa família seja bem sucedida. 

NOTA: 8.5/10

0 comments: