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Mostra de SP 2026 | Deriva de Verão

 

Por Victoria Hope

Reinventar-se pode ser uma experiência verdadeiramente gratificante, especialmente quando finalmente conseguimos ser a pessoa que sempre desejamos ser. No entanto, o processo de transição pode estar repleto de perigos e adrenalina, como na docuficção Deriva de Verão, que teve sua estreia na Mostra de Cinema de SP. 

Essa foi a experiência de Johanna Schopfer, uma mulher trans da vida real que, em certo momento, enfrentou comportamentos violentos e abusivos por parte de outros, simplesmente devido à sua reafirmação de gênero.

Com o tempo, no entanto, ela conseguiu encontrar um novo rumo, o que lhe proporcionou uma sensação de estabilidade em seu trabalho como montadora de relógios em uma empresa sediada em Genebra. Este docudrama, dirigido por Céline Carridroit e Aline Suter, explora sua nova vida após as provações do passado, seu relacionamento com um parceiro amoroso, suas amizades e sua paixão por um hobby de longa data: a mecânica automotiva. 

O filme dá, inclusive, bastante ênfase aos seus esforços para restaurar um Volkswagen Fusca 1970 em estado precário, tanto para servir como meio de transporte quanto para competições amadoras de arrancada, um projeto que funciona como metáfora para sua própria reinvenção.

Vale dizer que o título de docuficção é super válido, visto que se baseia na experiência da própria Johanna, mas incorpora elementos ficcionais ao resultado final e a incerteza de quantos detalhes são reais e quantos são ficcionais, transformam esse projeto em algo ainda mais fascinante, apesar de simples.

NOTA: 7/10 

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