Por Victoria Hope
Finalmente vampiras lésbicas! Viena transforma-se em um terreno camp recheado de crueldade e desdém aristocrático em uma abordagem de humor ácido sobre a lenda de Báthory com uma Huppert perfeitamente talhada para o papel dessa protagonista.
No drama "A Condessa Sangrenta", Isabelle Huppert interpreta a Condessa Elizabeth Báthory, nobre húngara do século XVI e assassina em série, lendária por ter o sangue de centenas de jovens em suas mãos e de fato, em todo o seu corpo numa tentativa desesperada de alcançar a juventude eterna.
A personagem já foi retratada anteriormente por atrizes como Ingrid Pitt, Delphine Seyrig, Paloma Picasso, Julie Delpy, entre outras; contudo, certamente nenhuma delas estava tão qualificada quanto Huppert, que, vale ressaltar, não altera nem um pouco sua habitual altivez para o papel.
E tem algo ainda mais diferente nessa nova adaptação, pois aqui, a Condessa Báthory é uma vampira que retorna à Viena dos dias atuais, surgindo inicialmente enquanto desliza pelos esgotos como se estivesse em uma barcaça real.
Acompanhada por sua criada vampira, Hermine (Birgit Minichmayr), ela decide reencontrar parentes, incluindo seu sobrinho Rudi (Thomas Schubert), um membro tímido e frouxo do clã dos Báthory, que já pertence aos mortos-vivos e é acompanhado por seu terapeuta, Theobald (Lars Eidinger).
Rudi é um entusiasta das belas-artes que acredita ter encontrado, em uma pintura, indícios de um lendário texto poético, envolto em tanta melancolia que, caso um vampiro derrame lágrimas sobre ele, poderia ser curado da imortalidade.
Mas aqui a Condessa Báthory, naturalmente, não demonstra qualquer interesse nisso e parte em busca de saciar sua sede; logo, a cidade é tomada pelo pânico diante das notícias de um assassino em série à solta. Esse é um filme delicioso de assistir para quem sempre ansiou por protagonistas femininas em longas vampirescos, principalmente onde o homoeroticismo e a elegância tomam conta.
NOTA: 8/10
