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6 filmes com temática queer para assistir nesta edição do Olhar de Cinema

 

Por Victoria Hope

Até o dia 13 de junho, Curitiba se torna o epicentro do cinema com a 15ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba. Considerado um dos mais importantes festivais dedicados à sétima arte no Brasil, o evento conta com 80 filmes na programação. 

Além de ser o mês do Olhar de Cinema, junho também é o mês do orgulho LGBTQIAP+, uma vez que a data do dia 28 ficou como um marco na luta por direitos, justiça social e políticas públicas para a comunidade. 

A programação do evento, que sempre promoveu incentivar diferentes olhares e abordagens cinematográficas e de direção, conta com vários filmes com a temática queer. 

Um deles é o clássico do cinema lésbico, “Corações Desertos” (“Desert Hearts” | Dir. Donna Deitch | Estados Unidos | 1986 | 91’) , com nova cópia restaurada em comemoração aos 40 anos do lançamento comercial. Esse, que foi o longa-metragem ficcional de estreia que consagrou a cineasta, traz uma reprimida professora de literatura que, enquanto aguarda os papeis do divórcio, é seduzida por uma jovem despreocupada e cheia de vida. 

Destaque também para a estreia mundial de “Olhe Para Mim”, do diretor alagoano Rafhael Barbosa, que faz parte da Mostra Competitiva Brasileira de Longas. Com Rejane Faria (“Marte Um”, “Yellow Cake”), Luciano Pedro Jr. (“Carro Rei”, “Cangaço Novo”) e o estreante Ulisses Arthur no elenco principal, a produção é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. A produção também é a primeira ficção realizada no estado de Alagoas com um edital público a chegar ao circuito, representando um marco para a produção local, que vem se destacando nos últimos anos com curtas-metragens nos principais festivais de cinema do Brasil. 


Confira a seguir seis longa-metragens com temática queer na edição deste ano do Olhar de Cinema.

- “Marimbã está acontecendo” (Dir. Maryn Marynho | Brasil | 2026 | 15’) | Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens

Sinopse: O pensamento de Marimbã percorre diversos sonhos através das águas, tecendo relações de afeto para corpos dissidentes, em um vislumbre de futuro possível. Transparentalidade, rede de apoio, infância, envelhecimento, espiritualidade… como nós, pessoas trans, imaginamos estar daqui 20, 40, 60 anos?Formado em Design (UFC) e Cinema de Animação (Vila das Artes), é percussionista, ilustrador, animador, produtor cultural, designer e tatuador.

Sessões: 10 de junho, às 13h45 - Cinemateca  (Sessão com acessibilidade na tela, libras e legenda descritiva)

 12 de junho, às 19h45 - Cinemateca

 13 de junho, às 13h15 - Cinemateca

- “A Paixão Segundo GHB” (Dir. Gustavo Vinagre, Vinicius Couto | Brasil | 2026 | 82’) | Mostra Novos Olhares

Sinopse: Um encontro casual vira um ménage à trois; o ménage à trois vira uma orgia. Nesta odisseia de realismo mágico em um quarto gay, Matias rememora seus encontros passados e considera seu futuro, enquanto conversa com uma figura fictícia da literatura brasileira. 

Sessões: 11 de junho, às 17h30 - Cinemateca 

12 de junho, às 13h45 - Cine Passeio (Ritz)

- “Corações Desertos” (“Desert Hearts” | Dir. Donna Deitch | Estados Unidos | 1986 | 91’) | Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio

Sinopse: Enquanto aguarda os papéis do divórcio, uma reprimida professora de literatura é inesperadamente seduzida por uma jovem lésbica despreocupada e cheia de vida. 

Sessões: 6 de junho, às 19h45 - Cine Passeio (Luz)

8 de junho, às 16h - Cine Passeio (Ritz)

-“Tornar-se Ciborgue no Interior” (Dir. Louisa Savignon | Brasil | 2026 | 20’) | Mostra Mirada Paranaense Sanepar

Sinopse: Leo e Julia, proprietários de um sítio, querem filhos, mas estão com problemas de fertilidade. Ava e Mia, um casal lésbico, acabaram de se mudar para o sítio vizinho. A vinda das duas mulheres criará tensão com os vizinhos. 

Sessões: 7 de junho, às 14h30 - Cinemateca  (Sessão com acessibilidade na tela, libras e legenda descritiva)

7 de junho, às 16h - Cinemateca

9 de junho, às 16h30 - Cinemateca

- “Barbara Para Sempre” (“Barbara Forever” | Dir. Brydie O’Connor | Estados Unidos | 2026 | 102’) | Mostra Exibições Especiais

Sinopse: Uma exploração orientada por arquivos da vida, obra e legado da icônica e pioneira cineasta lésbica Barbara Hammer. 

Sessões:13 de junho, às 10h30 - Cine Passeio (Ritz)

As sessões deste ano são em espaços culturais importantes da capital paranaense, como o MON - Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto), a Ópera de Arame, o Cine Passeio, a Cinemateca, e o Teatro da Vila.

Os ingressos estão à venda com valores que vão de R$8 (meia-entrada) a R$18, disponíveis pelo site oficial: www.olhardecinema.com.br. O Olhar de Cinema ainda contará com sessões gratuitas no Teatro da Vila, no CIC e algumas sessões no MON.

Mais informações sobre o 15º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba pelo site oficial: www.olhardecinema.com.br, assim como pela rede sociais Instagram - @olhardecinema; Facebook/Olhar de Cinema; Tik Tok: @olhardecinema; X/Twitter: @Olhardecinema_.

[Entrevista] Uma conversa com Salif Cissé e a diretora Fabienne Godet sobre a comédia francesa Voz de Aluguel

 

Por Victoria Hope

Apresentado anteriormente em estreia mundial no Festival de Cinema de Comédia de L'Alpe d'Huez e agora em cartaz no Festival de Cinema Francês no Brasil, "Voz de Aluguel" conta a história de um escritor idoso em busca das sombras e de um jovem imitador em busca da luz.

Na trama dessa comédia deliciosa dirigida por Fabienne Godet, Baptiste (Salif Cissé) gostaria de viver da sua arte, mas na verdade vende seguros por telefone enquanto espera que o sucesso bata à sua porta. Pierre (Denis Podalydès) gostaria de viver da sua arte, mas as muitas exigências que o sobrecarregam tornam esse sonho impossível. 

Um dia, porém, Pierre tem uma ideia: sugere que Baptiste se torne seu dublador. Ele quer entregar seu celular particular para Baptiste para que este possa gerenciar todas as suas ligações, pessoais e profissionais, permitindo que ele se concentre em escrever seu próximo romance sem se distrair com a vida. 

É claro que Baptiste fará mais do que apenas responder e interpretar: ele inventará e reinterpretará as histórias contadas pelo excêntrico escritor e como uma espécie de espírito benevolente, ele tenta, através de sua mentalidade peculiar e perspectiva externa, organizar a vida de Pierre, o que leva a um turbilhão de mal-entendidos, triangulos amorosos e muito mais! Confira abaixo a conversa que nossa equipe teve com Fabienne e Salif em São Paulo: 


Voz de Aluguel / Foto: Festival de Cinema Francês

Amélie Magazine: Como é estar no Brasil pela primeira vez para o lançamento da comédia Voz de Aluguel?

Salif: Estou muito feliz por estar aqui! Desde quando soube que viria ao Brasil, estava muito ansioso e entusiamado porque não conhecia o país! Não sabia da relação dos brasileiros com o cinema francês então está sendo uma grande descoberta!

Fabienne: Também estou muito feliz! Fiquei enstusiasmada em estar aqui! Ainda tenho uma semana para conhecer os brasileiros e para trazer um pedacinho da França para eles! Também quero participar das festas e tomar muitas cairpirinhas (risos) e me divertir no Brasil! 

Amélie Magazine: Nosso protagonista Baptiste não é apenas muito talentoso como também é muito confiante e engraçado! Dito isso, Salif, Você se identifica com o personagem?

Salif: Depende muito das situações, mas por conta do teatro, isso me ajudou muito. Isso me proporcionou um certo charme para conseguir mais confiança em mim mesmo e hoje eu acho que domino situações de stress de uma forma melhor, mas é claro que em algumas situações, assim como todo mundo, em que a gente não tem tanta confiança em si.

Amélie Magazine: Qual é o momento mais marcante do filme para vocês e que pretendem levar para o coração a vida toda?

Fabienne: Gosto muito de duas cenas específicas! Uma cena em que o Pierre o Baptiste estão num jantar e Pierre acaba falando algumas coisas pessoais e eles brincam juntos, é nesse momento que a amizade deles começa! E é claro, a música do final, onde o Salif canta com uma voz masculina e feminina e realmente essa canção é interpretada com uma atuação tão boa de Salif, que me emociona toda vez que assisto. Não me canso de ver!

Salif: É engraçado que para mim também são essas duas cenas que eu escolheria (risos). A primeira, principalmente do ponto de vista de ator, é que o Denis (Pierre) é um ator muito talentoso, muito profissional, que oferece um leque de emoções muito grandes, mas não necessariamente entregando uma sensibilidade muito pessoal e eu senti que nessa cena algo muito pessoal que o Denis entregou nos olhos dele, que é uma coisa que a Fabienne procurava e senti que ela estava procurando isso no Denis e esse momento foi muito bonito! 

Essa parte de intimidade que vi nos olhos dele. Além disso, todas as músicas do filme não são apenas performances, são conectadas e muito com a emoção do filme!

Amélie Magazine: O filme fala muito sobre o uso da tecnologia dol telefone celular e das redes sociais. Gostaria de saber de Fabienne, se essa crítica foi inserida de forma intencional na história, como uma "cutucada" nessa obrigação das pessoas estarem online e disponíveis o tempo todo. 

Fabienne: Realmente pensei nisso, inclusive tem um filme que fiz chamado "Um Lugar na Terra", com o Benoît Poelvoorde, um famoso ator belga, que diz que a maior liberdade é não ter que responder ao telefone. Até pensei se colocaria essa frase no filme, mas acabei desistindo. 

Acho que é muito importante a gente estar presente, porque muitas vezes estamos com alguém, mas ao mesmo tempo estamos conectados o tempo todo no celular, proque achamos que temos que responder imediatamente para as outras pessoas o tempo todo, quando na verdade é muito mais importante você se dedicar à pessoa que esta com você presencialmente; é importante estar presente com ela! E na minha idade, tenho ido cada vez mais na direção de estar presente e no tempo presente!

Amélie Magazine: Salif, você é muito talentoso! Quais são suas inspirações que o levaram para a carreira dos palcos e cinemas? Afinal, aqui você não apenas atua, mas também é comediante e canta! Como foi esse processo?

Salif: Muito obrigado! Foi muita sorte na verdade e não algo que calculei ao longo do tempo! Foi algo sempre muito orgânico. Sempre admirei os atores, costumava pesquisar sobre a vida deles pelo wikipedia, acompanhava a trajetória deles também, mas eu mesmo não pensava em ser ator até o momento em que fiz teatro como muita gente faz e acabei percebendo que existia algo natural nisso para mim.

Quando eu deixava de atuar, sentia muita falta, então foi isso que me levou a me dedicar mais. Admirei muitos atores do teatro e tive muito apoio de pessoas que admiro e tenho no coração.


Amélie Magazine:  Se vocês pudessem voltar no tempo e mandar uma mensagem para o seu "eu" ainda criança, qual seria?

Salif: Eu diria para ele não se questionar demais, para ele aproveitar mais, viver mais no presente e diria também para ele ficar tranquilo! Não pense no lado negativo, veja as coisas pelo lado positivo!

Fabienne: Não necessariamente para eu pequenina, porque tive a sorte de ter uma infância muito feliz com pais muito compreensivos que me deixavam sonhar, mas para eu jovem, tive muitos bloqueios sociais principalmente no meio do cinema, mas uma coisa que me ajudou muito foi uma frase marcante, porque eu achava que tinha muitos defeitos e a frase que me inpirou foi "Não tente ser outro, outra coisa do que você já é", porque como eu era tímida, eu admirava muito as pessoas extrovertidas e eu queria ser outra pessoa. Mas minhas amigas diziam que eu tinha algo ótimo, que era saber escutar, então eu parei de querer ser outra pessoa e depois dessa frase até pensei: "Ah, até que tenho minhas qualidades" (risos)

Amélie Magazine: Três palavras que defininem "Voz de Aluguel"

Salif: Amizade, Encontro e Instrospecção

Fabienne: As Artes, Música e a Graça!

Entrevista com Bastien Bouillon sobre o drama vencedor do Festival de Veneza, Mãos A Obra

 

Por Victoria Hope

Em "Mãos a Obra", filme premiado de Valérie Donzelli, Paul Marquet (Bastien Bouillon) era um fotógrafo de sucesso que abandonou tudo para se dedicar à escrita. No entanto, embora seus livros tenham recebido boas críticas, ele não é exatamente um autor de sucesso. 

Após o fracasso de seu terceiro romance, sua editora (Virginie Ledoyen) anunciou que não publicaria seu quarto livro, "Story of an End", uma narrativa sobre o término de seu próprio relacionamento, detalhando seu recente divórcio da esposa (Donzelli), que acaba de se mudar para Montreal com seus dois filhos adolescentes. 

Nesse momento, Paul está com dificuldades financeiras e, apesar da insistência de seu pai (André Marcon), aluga um estúdio de um amigo próximo da família e começa a trabalhar como faz-tudo por um salário ridiculamente baixo em um aplicativo de empregos que conecta prestadores de serviços a clientes na cidade. Essas experiências levam a uma descoberta em sua escrita, inspirando um novo manuscrito que sua editora envia às pressas para a gráfica! 

Durante o Festival de Cinema Francês, mossa equipe teve oportunidade de bater um papo com Bastien sobre esse trabalho e explorar temas como mercado de trabalho, cinema e inspirações e você encontra essa conversa na íntegra abaixo:

Paul, protagonista de Mãos A Obra / Foto: Festival de Veneza

Amélie Magazine: Como é fazer parte de um filme que foi vencedor de Melhor Roteiro em Veneza?

Bastien: Estou muito orgulhoso em fazer parte desse filme que venceu o Prêmio de Melhor Roteiro em Veneza e tenho mais orgulho ainda em atuar com um papel ao qual me identifico tanto do ponto de vista artístico, humano e político.

Amélie Magazine: E qual é o seu momento favorito do filme?

Bastien: O meu momento favorito foi a cena em que tive que ir para a casa de uma moça para construir um armário e quanto cheguei lá enquanto a dona da casa estava festejando. Esse momento mostra o distanciamento entre ele, Paul, que está trabalhando enquanto elas estavam se divertindo.

Amélie Magazine: Assim como Paul, muitas vezes fazemos uma transição de carreira. Você pessoalmente já passou por isso?

Bastien: Na verdade  pessoalmente não como ele fez da fotografia para literatura (risos), mas na realidade eu espero poder continuar fazendo esse meu trabalho como ator e me alimentar da minha própria arte, que é o que mais amo fazer! 

Amélie Magazine: O filme nos confronta como às vezes o caminho em busca do sonho pode ser solitário e nos isola do mundo, como aconteceu com Paul. Poderia falar um pouco sobre isso?

Bastien: Exatamente. Ter sucesso no mundo da arte não é fácil. É difícil ter confiança na gente e isso depende muito do nosso apoio familiar e daqueles que estão ao nosso redor. Me lembro de quando fazia escola de artes e antes de receber todos esses louros, até pensei em me alistar ao serviço militar! (risos). 

Me lembro que eu estava passando por um processo, tinha meus 23 anos na época e aí me perguntaram o que eu fazia da vida e aí eu falei: "Trabalho com teatro" e a resposta das pessoas era: "Tá, mas o que você realmente vai fazer? Trabalhar apenas com arte vai estragar sua vida". E eu fiquei pensando sobre isso que me disseram e foi exatamente isso que me fez desistir da ideia de me alistar e seguir carreira no teatro.

Amélie Magazine: Se você pudesse voltar para o passado e deixar um recado para o pequeno Bastian, qual seria?

Bastien: Hmm...Respire! 

Amélie Magazine: O livro que inspirou o filme é muito emocionante. Você leu o livro e se sim, qual foi seu momento favorito que você teve a chance de representar aqui?

Bastien: Eu acabei de ler o livro, porque gravei uma versão audiolivro dessa obra e foi muito emocionante! Tem várias passagens que me marcaram e uma delas fala sobre o fato de que escritores ficam muito solitários e acabam tendo que fazer outras coisas quando passam dificuldades! Tem uma passagem do livro que fala sobre isso e tem outras passagens também que me marcaram muito.

Amélie Magazine: Como ator, quais são os três filmes franceses favortos que na sua opinião são essenciais para quem se considera fã de cinema? 

"Bastien: Bem, "Quando Chega o Outono" (Quand Vient L'automne) de François Ozon depois, "A Gangue de Paris" (Le Gang des Bois du Temple)" de Rabah Ameur-Zaïmeche e um que ainda não foi lançado oficialmente, que se chama "The Great Arch" (L'inconnu de la grande arche) de Stéphane Demoustier. 

Amélie Magazine: E voltando ao filme, qual foi a sua parte favorita das filmagens de "Mãos a Obra?"

Bastien: Os momentos que eu tive que usar força física foram meus favoritos! Acho que até bati num muro sem querer (risos), mas eu realmente gostei das cenas que exigiam mais do meu lado físico no longa!


[Entrevista] Valérie Donzelli, diretora do drama francês Mãos a Obra fala sobre carreira, paixões e a uberização do trabalho

 

Por Victoria Hope

Em "Mãos A Obra" drama vencedor do Festival de Veneza na categoria de Melhor Roteiro, Paul era o que podemos chamar de um profissional muito bem-sucedido, pois antes ele era um fotógrafo de renome na França, com dinheiro na conta e uma família bem estruturada, até que um dia decide largar tudo e viver apenas da literatura, mas a escolha infelilizmente traz diversas questões na vida do rapaz, já que seus dois livros fracassaram comercialmente e a partir daí, começa o dilema de sua vida, pois tudo o que poderia dar errado, acontece e sem saída, com um recém-divórcio, sem dinheiro e obras originais recusadas, o protagonista decide tomar uma decisão drástica.

Essa bela adaptação doli vro “À pied d’œuvre”, de Franck Courtès, chega em um momento mais do que oportuno, onde a uberização dos serviços tem se tornado cada vez mais presente na vida dos trabalhadores que se veem sem alternativas em um mundo mais caro e mais hostil a cada badalar do relógio. 

O drama, que teve sua estreia no Festival de Cinema Francês desse ano, traz uma visão sobre a ideia de largar tudo para viver o sonho e como ao mesmo tempo, o mundo em si, faz com que pessoas como Paul tentem desistir da liberdade de ser. Conversamos com Valérie, a diretora desse belíssimo longa durante o festival e exploramos as diversas nuances da história desse personagem que ao mesmo tempo parece distante, é extremamente próximo da realidade de toda uma geração.


Valérie Donzelli no Festival de Veneza / Foto: Venice Film Festival 2025

Amélie Magazine: Parabéns pela vitória de Melhor Roteiro no Festival de Veneza de 2025! Como foi a sensação de vencer esse prêmio?

Valérie: Me senti muito orgulhosa e honrada, mas também feliz, porque vencer um prêmio em um festival traz luz ou um holofote para o seu filme e isso torna mais fácil de pessoas conhecerem seus projetos. porque para fazer existir um filme independente hoje em dia, é algo extremamente difícil. não é sempre fácil. 

Amélie Magazine: E qual é o momento de "Mãos a Obra", que você vai levar para sempre em seu coração?

Valérie: Eu simplesmente adorei tudo! Gostei de escrever o roteiro, gostei de filmar, gostei de editar o filme, da montagem também! Todos os momentos foram muito especiais e prazerosos. Difícil, mas muito prazeroso, mas se eu tivesse que escolher um momento para guardar comigo para sempre, seria o final do longa, quando tudo se resolve e nós entendemos que tudo o que Paul escreveu foi inspirado pela vida dele fazendo esses trabalhos e foi isso que entrou no romance que ele está escrevendo nessa história! Esse ponto no filme, ao final, mostra o reconhecimento dos leitores e sobretudo do filho dele também,!

Amélie Magazine: Assim como Paul, muitos de nós já passamos por várias transições de carreira e até mesmo de vida. Isso é algo que ressoa para você?

Valérie: Isso aconteceu comigo com filmes, porque é claro que às vezes não funciona do jeito que você gostaria de funcionasse. Tem momentos onde o dinheiro não entra e a gente precisa dar um jeito, mas ao contrário de Paul, eu tenho uam certa ética e consigo construir meu equilíbrio econômico de tal maneira que eu não preciso fazer os tipos de trabalho que Paul teve que se submmeter para preservar sua liberdade.

Amélie Magazine: O filme nos confronta sobre o fato de que às vezes existe uma solidão quando tentamos alcançar um sonho e isso acontece com o Paul no filme. Poderia falar um pouco sobre isso?

Valérie: A condição na qual ele se encontra, fez com que aos poucos ele deixasse de fazer o que ele fazia antigamente quando ele tinha um trabalho fixo e uma chegada de dinheiro. Ele passa a a abandonar vários hábitos, incluindo deixar de ir ao cinema, deixar de ir à um restaurante, não pode mais receber amigos na casa dele, então pouco a pouco, o mundo dele vai se restringindo mais e mais! Achei muito interessante mostrar ele se tornando meio que um "monge", que corta todas as relações com o mundo para se concentrar no mundo dele que é escrever esse livro, que é esse processo de se restringir e de ficar na solidão. Foi muito interessante mesmo.

Amélie Magazine: Vamos voltar no tempo. Se você pudesse voltar ao passado e deixar uma mensagem para a pequena Valérie que nem imaginava que se tornaria uma diretora premiada que teve a oportunidade de vir ao Brasil, qual seria esse recado? 

Valérie: Eu diria para ela seguir o que ela sente, siga seu coração, siga suas convicções, porque isso é o que eu sempre fiz. E eu também diria para ela que seria melhor ela também se tornar produtora (risos)!

Amélie Magazine: E qual é o seu momento favorito do livro que você conseguiu adaptar para esse  filme?

Valérie: A cena do animal! Adorei transcrever essa cena!

Amélie Magazine: Uma mensagem para os brasileiros que vão assistir ao filme durante o Festival de Cinema Francês nesse ano?

Valérie: Eu diria aos brasileiros que essa é uma história de certa forma universal, porque esse fenômeno da"uberização" da sociedade é algo que tem acontecido no cenário mundial e todo mundo em algum momento da vida pode ser confrontado com essa situação, então esse sentimento de se identificar com o Paul é totalmente universal, porque pode acontecer a qualquer momento. E é importante ver como as pessoas conseguem lidar com as necessidades financeiras e ao mesmo tempo, lutar para eles conseguirem ser as pessoas que eles projetam ser. 

Querem ter uma família ou querem ficar sozinhos? Querem escolher um trabalho ou outro? Se quisermos seguir um caminho na vida, precisamos combinar essas necessidades financeiras da vida com o que as pessoas pretendem fazer de suas próprias vidas, afinal, são escolhas que só cabem a elas.

[Entrevista] Victor Rodenbach fala sobre Os Bastidores do Amor

 

Por Victoria Hope

Na dramédia romântica "Os Bastidores do Amor", durante anos, Henri e Nora compartilharam tudo: eles se amam e ela dirige as peças em que ele atua. Quando Henri consegue seu primeiro papel no cinema, a produção do novo espetáculo deles fica ameaçada e o relacionamento explode. Eles começam a se perguntar: é possível amar um ao outro sem pertencer um ao outro?

Sob o brilho das relações amorosas, alegrias, tristezas e dúvidas entre criador e ator, Vimala Pons e William Lebghil conferem a esta obra uma atmosfera leve e peculiar, mesmo que as personagens apresentem nuances que vão da raiva à doçura juvenil. Tudo é sério, mas também beira a futilidade, assim como são as relações amorosas modernas.

Durante o Festival de Cinema Francês, tivemos a oportunidade de conversar com diversos elencos e realizadores, incluindo o brilhante diretor de "Os Bastidores do Amor", Victor Rodenbech sobre amor, carreira e relacionamentos líquidos na era moderna.


Le Beau Rolê / Foto: Festival de Cinema Francês


Amélie Magazine: Como é fazer parte do Festival de Cinema Francês?

Victor Rodebach: Me sinto honrato em ter meu filme sendo assinado pelo Festival! E vir para o Brasil sempre foi um sonho de infância meu, então é muito emocionante estar aqui com meu primeiro filme!

Amélie Magazine: "Os Bastidores do Amor" fala sobre a melancolia por trás do amor. O filme  pode ser engraçado em alguns momentos, mas tem uma profunda tristeza relacionada ao amor e relacionamentos passados. Qual foi sua inspiração para abordar esse tema na história?

Victor Rodebach: Para meu primeiro filme, eu tinha essa vontade de falar sobre algo que eu conheço e não apenas sou fã de cinema, como também fã de teatro, conheço muito bem e também minha namorada é diretora de teatro.

Amélie Magazine: Então você diria que essa história é bem pessoal? Você se identifica com muitos pontos dos persoangens?

Victor Rodebach: *risos* Sim, esse é um projeto bastante pessoal! Agora falando sobre a melancolia, eu quis fazer desde o começo uma comédia romântica, mas ao invés de começar por um encontro, como na maioria das comédias românticas, quis começar aqui pelo rompimento, pelo fato deles estarem terminando, pois acho que esse lado traz a melancolia que você sentiu ao assistir.

Preferi começar com essa ideia de "recasamento", com um relacionamento sendo quebrado no início para ao longo do filme ser reconstruído, então é melancólico no começo, mas se firma pelo caminho da luz, onde ambos ficam bem.

Amélie Magazine: E qual foi o momento mais engraçado no set de filmagens?

Victor Rodebach: O momento mais engraçado foi aquele onde filmamos a peça de teatro! Foi baseado em histórias que eu vivenciei presencialmente e coisas que conheço. Me diverti muito ao mostrar o lado ao mesmo tempo um pouco ridículo, porque a paixão dessa mulher se tornou uma obsessão e daí nasce um certo ridículo, mas ao mesmo tempo, é tudo feito com muita ternura, então eu nunca quis deixar o sentimento de acalento com esse desastre da peça, que foram os momentos divertidos de filmar.

Amélie Magazine: Como é dirigir atores que estão fazendo papel de atores?

Victor Rodebach: Me inspirei muito com esses atores e com a diretora, que na vida real também é diretora de teatro! (risos) Então de uma certa forma, ela se apoiou na experiência dela e os atores se inspiraram também em sua experiência como atores, mas teve uma segunda etapa, que como eles são atores e diretores dentro do filme, onde essa competência dos atores alimentou a maneira com que eles revisitaram esses papéis! Então um alimenta o outro e foi realmente super interessante de ver!

Amélie Magazine: Quais foram suas maiores inspirações em termos de direção para "Os Bastidores do Amor?"

Victor Rodebach: Recentemente essas comédias de recasamento me inspiraram muito! Para voltar mais no tempo, me inspirei bastante nas comédias românticas americanas dos anos 40 e 50 e depois, no Woody Allen também, por exemplo em "Annie Hall", que me inspirou bastante.

Amélie Magazine: Se você pudesse dirigir uma adaptação de uma de suas peças teatrais favoritas, qual seria?

Victor Rodebach: Talvez uma peça de Anton Tchékhov, como acontece no filme. Uma peça que fale sobre a vida!

Mostra de SP 2025 | Jay Kelly

 

Por Victoria Hope

Do que é feito um ator? De suas escolhas pessoais? De sua carreira ou do legado que deixa para trás? Essas são algumas das perguntas respondidas por Jay Kelly, nova dramédia estrelada por George Clooney e Adam Sandler para a Netlflix.

Com sua estreia programada para o encerramento da Mostra de SP 2025, o longa conta a história de Jay Kelly (Clooney), um ator em seus quase sessenta anos, prestes a receber um prêmio pelo corpo de se trabalho, mas que atualmente passa por uma crise ao perceber que deixou a família de lado para focar em sua carreira e agora talvez seja taarde demais para tentar criar laço com aqueles que sempre estiveram ao seu redor.

Com ajuda de seu agente, Ron (Adam Sandler), o ator embarca em uma viagem para Europa que irá mudar a vida de ambos para sempre, nessa jornada de autodescoberta onde tanto o ator quanto o agente e sua equipe colocarão em perspectiva tudo o que fizeram em seus tempos de parceria e se ao final, realmente valeu a pena sacrificarem tanto em prol do trabalho e tão pouco à suas famílias.

Em atuações belíssimas de Clooney e Adam Sandler, que mais uma vez mostra ter um talento enorme para o drama, o público é introduzido à história dos bastidores do cinema pelo ponto de vista de uma estrela que apesar da idade, ainda está no auge de sua carreira, principalmente por ser um homem privilegiado em hollywood.

Sem grandes pretenções, o filme leva a audiência a questionar os caminhos que as estrelas trilham até chegar à carreira de seus sonhos e quando sonhos de amigos e familiares essas estrelas precisaram destruir para serem considerados os melhores. Quantos aniversários, quantas datas especiais eles perderam porque tinham algum filme para gravar? E os agentes? O quanto de suas vidas dedicam às carreiras de seus talentos, deixando suas próprias famílias de lado?

O filme traz aquele sentimento melancôlico de que nem todos podem ou vão se perdoar e que está tudo bem seguir em frente. Uma das cenas, que celebra as carreira do ator, se cruza à carreira do próprio George Clooney em uma montagem cinematográfica de emocionate. 

Nota: 8/10

Mostra de SP 2025 | Papagaios

 

Por Victoria Hope

Papagaios, suspense nacional de Douglas Soares teve sua estreia no Festival de Gramado e também está em cartaz na 49ª Mostra de Cinema em São Paulo e definitivamente foi um dos meus filmes mais antecipados do evento. Na trama, Tunico (Gero Camilo) é o mais famoso “Papagaio de Pirata” do Rio de Janeiro, uma categoria de pessoas que adoram aparecer ao fundo das reportagens, perseguindo repórteres para todos os lados a fim de terem seus 15 minutos de fama na TV. 

Após um grave acidente em um parque de diversões, Beto (Ruan Aguiar), um jovem misterioso que trabalhava em uma das atrações do local, se torna obcecado pela figura de Tunico e logo se torna seu pupilo, a fim de buscar fama a qualquer custo; qualquer custo mesmo.

O longa, repleto de ambiguidades, toca em uma ferida profunda que vem há muitos anos (ou até mesmo séculos) antes da criação dos influencers digitais. O desejo de ser visto, para deixar uma marca seja na sua comunidade ou no mundo é algo fascinante de acompanhar, afinal, como dizia o ditado, "quem não é visto, não é lembrado" e se tem um personagem que tem medo de ser esquecido por todos, esse é Tunico, interpretado de forma brilhante por Gero Camilo, não é a toa que o ator venceu o Kikito de Ouro em Gramado por esse personagem tão envolvente. 


Papagaios / Foto: Olhar Filmes

Toda a artmosfera do longa é muito bem construída, em um slow burn muito bem construido, onde muitos dos diálogos são focados pelo "não dito", onde olhares e gestos dizem mais do que mil palavras e é nesse momento onde Ruan, em seu papel estreante em longa metragem, entrega absolutamente tudo em uma performance devastadora, no melhor sentido da palavra, apresentando esse personagem tão controverso, sedutor e ao mesmo tempo assustador.

Enquanto Tunico parece ser um livro aberto, Beto parece ser um enigma a ser decifrado e qual foi a minha surpresa ao perceber a virada de chave, quanto o público finalmente entende qual dos dois personagens realmente esconde suas verdadeiras intenções. 

Uma das cenas mais belas do longa, é embalada por uma trilha envolvente enquanto Tunico e Beto ensaiam suas posições em frente a um espelho, quase como que numa dança que representa a movimentação dos papagaios de pirata em frente as câmeras. É o tipo de cena que marca um dos momentos mais icônicos do cinema brasileiro e diz muito sobre o tutor e seu pupilo.


Papagaios / Foto: Acervo Leo Jaime

A direção de fotografia é incrível e ajuda a criar a estética típica dos anos 90, quando os celulares estavam começando a chegar, mas a internet que conhecemos hoje ainda não existia, então percebe-se que a única mídia onde os papagaios poderiam aparecer era na TV e no rádio, alías, após o filme, será impossível assistir aos noticiários sem imaginar que as pessoas de fundo são papagaios de pirata até mesmo nos dias de hoje.

Traçando uma comparação ainda mais moderna, é possível comparar os papagaios com aquelas pessoas que surrupiam vídeos de outros criadores de conteúdo, colocam uma tela verde para replicar o vídeo ao fundo e ficam em frente a tela sem dizer nenhuma palavra, apenas acenando com a cabeça e fazendo gestos com as mãos, como se tivessem feito "um grande mousse", quando na verdade estão apenas tentando ganhar seus minutos de fama em cima de um conteúdo que tem bastante alcance, como vídeos virais, por exemplo. 

Papagaios traz diversas mensagens relevantes e sai completamente fora da curva de projetos mais recentes do cinema nacional e apesar do ritmo mais lento, com certeza vai fazer fãs de suspense se apaixonarem por essa história e por seu elenco. O final é de cair o queixo e extremamente ambíguo, o que vai fazer com que o público questionar qual é a verdadeira intenção dos protagonistas até o último segundo.

NOTA: 8.5/10 

Mostra de SP 2025 | A Sombra do Meu Pai

 

Por Victoria Hope

"A Sombra de Meu Pai", que fez história ao ser lo primeiro filme nigeriano a competir em Cannes, é um conto semi autobiográfico do estreante Akinola Davies Jr, ambientado em um único dia na metrópole nigeriana de Lagos, durante a crise eleitoral de 1993. 

A história acompanha um pai, afastado dos dois filhos pequenos, durante uma jornada por essa enorme cidade enquanto a agitação política ameaça sua volta para casa e o filme recebeu a menção honrosa do júri da Caméra d’Or no Festival de Cannes.

Enquanto acompanhamos dois gêmeos,  Aki (Godwin Egbo) e Olaremi (Chibuike Marvellous Egbo) que vivem seus dias entre brincadeiras e estudos, percebemos que há ausência de alguém na cena até sermos introduzidos a Folarin, pai dos garotos, interpretado de forma brilhante por Sope Dirisu (His House). 

As crianças reclamam da ausência do pai no dia a dia, enquanto o adulto tenta justificar dizendo que precisa trabalhar em outra cidade todos os dias para manter o bem-estar dos garotos, mas e quantas pessoas cresceram com pais que trabalhavam o dia inteiro e mal podiam ver seus filhos? Essa não é uma história tão incomum, alíás, é tão usual e verdadeira que é quase impossível o público, principalmente das gerações millenal e Z, não se identificarem com a trama.

Nesse meio tempo, em alguns dos raros dias onde a mãe dos meninos está fora de casa, Folarin precisa ir para Lagos trabalhar e decide levar os filhos para trabalharem um dia com ele e aí se inicia uma jornada eletrizante (e ao mesmo tempo perigosa), enquanto a Nigéria passa por um de seus momentos mais complicados da história, em meioo a ascenção do fascismo e a destruição da democracia no ano de 1993.

A Sombra de Meu Pai, é uma belíssima carta de amor à ausência paterna, inclusive, em muitos momentos, o realismo mágico toma conta da trama, afinal, não sabemos se o que eastá acontecendo é real ou se a imaginação fértil das crianças está criando aqueles momentos especiais com o pai que talvez nunca esteve ali.

Repleto de poesia, uma das melhores direções de fotografia do ano e momentos que vão arrancar lágrimas, o longa é sem dúvida um dos projetos mais belos da temporada e que merece ser reconhecido nas premiações do próximo ano, incluindo com indicações de Melhor Ator para Sope Dirisu, Melhor Direção para Akinola Davies Jr Melhor Filme em Lingua Estrangeira. Estaremos aqui na torcida.

Nota: 9.5/10

Mostra de SP 2025 | Frankenstein de Guillermo Del Toro

 

Por Victoria Hope

O anúncio de que Guillermo Del Toro adaptaria "Frankenstein" uma das obras mais aclamadas e queridas da literatura gótica, encheu os fãs do gênero de esperanças, porém com o anúncio veio a melancolia pelo fato de que o filme não seria lançado nos cinemas e sim diretamente para o streaming, porém felizmente, muitas pessoas vão poder assistir o longa em diversas sala de cinema do país antes da estreia oficial no dia 7 de novembro na Netflix.

Frankenstein de Mary Shelley pessoalmente é uma das minhas obras favoritas da literatura, logo, as expectativas estavam altas, porém, apesar de visualmente o filme ser impecável, o roteiro deixa a desejar, principalmente na subversão de vários temas que são essenciais para a obra e que foram trocados pela liberdade criativa de Del Toro, hora bem vinda, hora causando estranhamento.

Na trama, dividida em duas partes, o público é introduzido ao Doutor Victor Frankenstein (Oscar Isaac), um brilhante, porém excêntrico cientista que sonha em criar vida após a mostre. Acompanhamos sua história desde sua infância conturbada, com um pai quase sempre ausente e uma mãe amável à sua vida adulta, quando após anos de estudo, decide colocar suas teorias em prática e trazer a vida uma criatura perfeita.

Enquanto acompanhamos o jovem doutor em missões perigosas em busca das partes de corpo perfeita para sua criatura, também somos introduzidos à cunhada de Victor, Elizabeth (Mia Goth), que estranhamente é muito parecida com a mãe do cientista. 

Frankenstein / Foto: Netflix

As duas horas e meia do filme são bem sentidas, afinal, o primeiro ato se arrasta demasiadamente, carregado por uma atuação extremamente caricata de Oscar Isaac, que a todo momento parece ler o roteiro ao invés de interpretar como alguém da época e infelizmente o mesmo acontece com quase todo o elenco, incluindo Mia Goth, extremamente mal aproveitada e com pouquíssimas falas, apesar de interpretar 2 (quase 3) personagens no longa. 

Quem realmente surpreende é Jacob Elordi como a Criatura, que entrega uma das melhores atuações do ano e que com certeza deveria ser valorizado na temporada de premiações. Tudo o que ele entrega em cena, desde a inocência e curiosidade da Criatura, até mesmo sua performance corporal de tirar o fôlego, ajudam a dar vida a essa criatura tão amada por fãs de terror, trazendo toda a poesia por trás das falas do personagem, o que com certeza deixaria Mary Shelley muito orgulhosa, afinal, sabemos que Del Toro, como nenhum outro diretor, tem um respeito máximo pelas criaturas e monstros das histórias e é aqui onde o roteiro brilha. 

Mas é claro que outro aspecto extremamente positivo do filme é o visual, incluindo os figurinos belíssimos e intricados que parecem ter saído diretamente da época que representam. A única pena é o CGI horroroso de animais que aparecem ao longo do filme e estragam completamente a imersão, principalmente durante o segundo arco da história. Esse é um filme que vai dividir opiniões, talvez pela expectativa que fãs tem sobre o nome de Del Toro e por conta do elenco recheado de estrelas, mas essa talvez seja uma das adaptações mais fiéis de Frankestein que tivemos até hoje. 

NOTA: 8.5/10

Mostra de SP 2025 | Sirât

 

Por Victoria Hope

Existem filmes que deixam a audiência boquiaberta comk sua conclusão e "Sirât", é um desses títulos que marca quem assiste para sempre. Na trama, o público acompanha a  busca desesperada de um pai e seu filho por uma jovem desaparecida que aparentemente sumiu em uma rave no deserto.

O que se segue, é uma jornada assustadora e sufocante enquanto essa família tenta encontrar a garota, ao mesmo tempo em que conhecem um grupo de pessoas que vivem a vida de raves e pouco se importam com o amanhã; pelo menos à primeira vista, é o que parece ser, mas logo, o protagonista e seu filho vão perceber que aqueles desconhecidos oferecem muito mais do que uma 'vida sem regras'.

Inicialmente, a rave parece ser o ápice da liberação, mas aos poucos, começa a revelar um lado muito sombrio e assustador das festas que acontecem em meio ao deserto, principalmente desertos do oriente médio onde conflitos seguem sem freio. 

Sirât / Foto: Mostra Internacional de Cinema de SP 

O título do filme evoca a Ponte As-Sirât, um dos elementos centrais do imaginário islâmico, que diz que no Dia da Ressurreição, as almas devem passar por uma passagem mais fina que um fio de cabelo, correndo o risco de cair em um submundo repleto de chamas e a alegoria não poderia ser mais verdadeira quando se fala no filme, que de sua maneira, reflete essa mesma passagem.

Tanto o lado emocional dos protagonistas quando o espiritual é posto à prova conforme eles avançam com seus carros ao som de techno, enquanto o sentimento da morte e desespero segue todos os seus rastros, culminando em momentos chocantes.

Não há mais o que falar sobre a trama sem que spoilers sejam contados, mas a catarse de toda a história faz Sirât valer a pena. É um filme forte, pesado, porém com umja mensagem extremamente relevante, principalmente com o cenário socio-político atual.

NOTA: 8.5/10 

Mostra de SP 2025 | Papagaios, suspense vencedor de 4 kikitos no Festival de Gramado, integra programação oficial

 

Por Victoria Hope

O longa-metragem “Papagaios”, do cineasta carioca Douglas Soares, faz parte da 49ª da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que ocorre de 16 a 30 de outubro. 

O premiado suspense, que levou quatro Kikitos no Festival de Gramado deste ano, sendo de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular, Melhor Ator (Gero Camilo), Melhor Direção de Arte (Elsa Romero) e Melhor Desenho de Som (Bernardo Uzeda, Thiago Sobral e Damião Lopes), integra a Mostra Brasil e tem exibições confirmadas nos dias 18 e 29 de outubro. 

Estamos muito honrados em participar da Mostra de São Paulo, que é um dos mais importantes eventos de cinema do País. Tivemos uma excelente recepção do público e da crítica no Festival de Gramado e essa será uma nova oportunidade de apresentar a produção aos espectadores que ainda não conseguiram conferir o filme”, comenta o cineasta Douglas Soares. 

Papagaios” traz uma sátira social sobre os limites éticos da fama, em um suspense marcado por mistérios e uma pitada de humor, indagando sobre o que o ser humano está disposto a fazer para aparecer na TV, seja em tragédias, velórios de famosos ou nos noticiários.

Sucesso de crítica no Festival de Gramado pela imprensa especializada, o longa-metragem teve uma de suas cenas considerada como uma das mais belas do cinema brasileiro recente. Ela traz os dois personagens principais, Tunico (Gero Camilo) e Beto (Ruan Aguiar), em uma coreografia misteriosa e inusitada, ao som da canção “Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, com interpretação de Nelson Gonçalves. 


Mostra de SP 2025 | Drácula de Radu Jude

 

Por Victoria Hope

Existe um limite quanto fala-se em filmes tediosos, mas "Drácula" de Radu Jude talvez ultrapasse todos esses limites em termos de chatice, mau gosto e vulgaridade. Raramente inicio críticas falando do que não apreciei em um longa, mas isso não quer dizer que o filme não tenha pontos interessantes abordados.

O uso excessivo da IA, mesmo que em crítica, ainda assim não deixa de ser inteligência artificial e não deixa de utilizar litros e litros de recursos naturais para tentar "passar uma mensagem". Apesar disso, O Drácula de Jude apresenta uma ferrenha crítica à indústria cinematográfica, ao consumismo exacerbado e ao próprio uso indiscriminado de inteligência artificial.

Na trama, acompanhamos um autor que utiliza uma IA fictícia chamada Dr. AI Judex, para criar diversos filmes temáticos de Dracula. Enquanto o personagem autor tenta criar um filme com símbolos que supostamente o público gosta, o público é atacado com centenas de cenas repetitivas de sexo, palavras de baixo calão e violência. 

O artifício da IA falsa funcionaria muito bem como uma crítica caso a IA verdadeira não tivesse sido utilizada, fora que, o ritmo do filme, que é excessivamente longo, se torna cansativo rapidamente, até mesmo porque há uma repetição da mensagem em cada um dos "capítulos" apresentados.

Criticas ao capitalismo são salpicadas em casa uma das tramas, as vezes funcionando muito bem, como no episódio específico onde Dracula é pintado como um CEO carrasco de uma empresa, mas na maioria das vezes à crítica não vai muito longe. 

Em alguns momentos, as cenas de nu frontal principalmente feminino são tão excessivas que cheguei a pensar que estava vendo um filme feito por um adolescente na puberdade e não por um diretor adulto renomado. É um filme incômodo que por mais que tente parecer 'genial", só se torna um produto vazio, tal qual o produto que ol próprio personagem autor tenta criticar. Seria essa uma então? Talvez.

Nota: 4/10

Mostra de SP 2025 | Bugonia

Por Victoria Hope

Bugonia, de Yorgos Lanthimos, definitivamente será um dos filmes mais divisivos do diretor grego, que novamente firma sua parceria com Emma Stone nesse remake que satiriza a estupidez humana e nos relembra do momento socio-político atual no mundo inteiro.

Na trama, somos introduzidos à Teddy (Jesse Plemmons), um rapaz viciado em teorias da conspiração, que acredita que alienígenas do planeta Andrômeda invadiram a Terra em busca da destruição total do planeta e cabe a ele, um simples humano comum, parar essa ameaça, nem que para isso ele precise da ajuda de seu primo mais novo, Dom (Aidan Delbis)

O alvo da dupla atrapalhada é ninguém mais que Michelle (Emma Stone), uma poderosa CEO da indústria farmacéituca, que segundo Teddy, é uma alienígena. Nenhum dos dois rapazes tem provas, porém por um golpe de sortem, conseguem sequestrar a empresária e a partir dai, começam um jogo de torturas físicas e psicológicas com a mulher, afim de arrancarem uma suposta confissão.

Olhos mais atentos com certeza poderão até mesmo notar alfinetadas modernas sobre casos como o de Luigi Mangione, acusado do assassinato do CEO da United Healthcare, Brian Thompson. Não que Bugonia seja o primeiro filme a falar sobre a revolta da classe trabalhadora contra o capital, mas muitos com certeza vão assimilar semelhanças com o caso mais recente na mídia. 


Bugonia / Foto: Universal Pictures


Com um tom de Misery, do Stephen King, o filme é repleto de mensagens extremamente relevantes, desde a crítica ao capitalismo à indústria farmacêutica à um estudo sobre teorias conspiratórias e como a internet, pelo bem ou pelo mal, pode influenciar pessoas a acreditarem em tudo o que leem, por mais caóticas e conspiratórias que sejam as teorias.

Tem momentos no filme onde o personagem Teddy chega a requintes de crueldade contra Michelle e é nesse instante que a audiência começa a se questionar se todo esse ódio de Teddy é pelos supostos alienígenas invasores ou se ele odeia a mulher em si pelo fato dela ser essa CEO que supostamente está ligada à uma tragédia que aconteceu com a mãe do rapaz ou por ela também supostamente ser uma das empresárias que está acabando com a população de abelhas e consequentemente, destruindo o planeta.

Em Bugonia, Emma Stone está mais contida, porém se diverte no papel da inabalável magnata Michelle, sabendo dosar o drama e bom humor com maestria ao lado de Jesse Plemmons, que aqui apresenta um dos melhores trabalhos de sua carreira, mas vale também o destaque para Aidan Delbis, que apesar de novato, faz um excelente trabalho e ainda adiciona uma importante representatividade neurodiversa muito bem vinda às telas. 

Além da brilhante direção de fotografia e uma ótima trilha sonora, o filme faz pensar, mas por trazer tantos plot-twists e caos em tela, pode ser mais um título divisivo para o público geral. É um filme mais simples do que Pobres Criaturas do mesmo diretor, por exemplo, mas não isso não quer dizer que o projeto não tenha seus trunfos.

NOTA: 9/10

KOFF 2025 | 3ª edição do festival chega a São Paulo trazendo filmes com Hyun Bin e mais

 

Por Ricardo Junior

O Festival de Cinema Coreano (KOFF) 2025 acontece de 2 a 8 de outubro em São Paulo, no Reserva Cultural. O evento exibe longas e curtas da cinematografia sul-coreana, incluindo uma homenagem ao cineasta Lee Chang-dong e uma mostra comemorativa dos 50 anos do KOFA (Arquivo de Filmes Coreanos). 

Destaques da programação:

Homenagem a Lee Chang-dong:

O festival presta uma homenagem a um dos maiores nomes do cinema coreano, com exibição de obras como Pettermint Candy, Oasis e Poetry e a programação tambémm conta com filmes estrelados por atores como Hyun Bin e Kang Ha-neul, e a entrada é gratuita. 

50 Anos do KOFA:

Como parte da comemoração do KOFA, serão exibidos sete filmes clássicos da década de 1950, restaurados em 4K! O KOFA - Arquivo de Filmes Coreanos, é uma organização sem fins lucrativos que organiza e preserva a obra cinematográfica do país!

Vale lembrar que São Paulo recebe dois títulos dos sete: The Flower in Hell (1958), de Shin Sang-ok, e Piagol (1955), de Lee Kang-cheon.

SERVIÇO:

Local: Reserva Cultural, São Paulo (SP) 

Datas: 2 a 8 de outubro de 2025 

Para conferir a programação completa e mais detalhes, acesse o site oficial: koffko.com.br.

Siga as redes sociais do KOFF para atualizações e novidades. 

A Lenda de Ochi | Nova fantasia da A24 ganha novos cartazes

 

Por Victoria Hope

A Paris Filmes acaba de lançar dois novos cartazes de “A Lenda de Ochi” (The Legend of Ochi), fantasia dramática da A24 que chega aos cinemas brasileiros em 29 de maio. O elenco principal conta com Willem Dafoe, Helena Zengel, Finn Wolfhard e Emily Watson. Baixe os cartazes aqui e aqui e assista ao trailer neste link.

Em uma vila remota na ilha de Carpathia, uma tímida garota de fazenda chamada Yuri foi criada para temer uma espécie animal conhecida como Ochi. Mas, quando ela descobre que um bebê Ochi ferido foi abandonado, ela parte em uma aventura para levá-lo para casa. “A Lenda de Ochi” estreou no Festival de Sundance de 2025.

A distribuição nacional é da Paris Filmes e a produção é da A24, Neighborhood Watch e AGBO, com direção e roteiro de Isaiah Saxon.

Os Filmes Que Eu Não Vi | Festival exibe e premia filmes independentes brasileiros

Por Victoria Hope

De 15 a 19 de janeiro de 2025, a Sala Walter da Silveira, em Salvador, será a casa da primeira edição do Festival Os Filmes Que Eu Não Vi, idealizado por Sol Moraes e que tem produção da Água Doce Produções. O evento busca dar visibilidade a filmes brasileiros independentes que enfrentam desafios na distribuição, permanecendo desconhecidos do grande público.

Durante os cinco dias de programação, o festival exibirá e premiará produções de todas as regiões do Brasil, oferecendo um panorama diversificado do cinema nacional. Além das sessões de filmes, o público poderá participar de mesas de debate que abordarão questões fundamentais como produção, distribuição e exibição cinematográfica no Brasil. 

A proposta central do evento é criar pontes entre criadores e espectadores, promovendo uma conexão mais profunda com a cultura brasileira e explorando formas de aproximar essas obras do público e é possível conferir a programação completa no site oficial do festival.

Revitalização das Salas de Cinema - A primeira edição do Festival Os Filmes Que Eu Não Vi marca um momento significativo para a cena cultural de Salvador. O evento é parte do projeto Os Filmes Que Eu Não Vi, financiado pela Lei Paulo Gustavo por meio de edital da SECULT/FUNCEB/DIMAS, e representa um esforço coletivo para ampliar o acesso ao cinema brasileiro independente.

Sol Moraes, idealizadora do festival / Foto: Juliana Buos


Como parte das iniciativas do projeto, foram revitalizados dois importantes espaços de exibição da capital baiana: a Sala Walter da Silveira e a Sala Alexandre Robatto. As melhorias incluem a aquisição de novos equipamentos de projeção e som, além da instalação de piso tátil, garantindo acessibilidade e modernização para melhor atender ao público.

A reabertura da Sala Walter da Silveira simboliza o início de um novo ciclo, transformando o espaço em um polo cultural que abrigará não apenas exibições, mas também cursos, seminários e palestras. A partir de fevereiro de 2025, a Sala Alexandre Robatto sediará o cineclube Cine GeraSol, com exibições mensais seguidas de debates, enriquecendo o diálogo sobre o cinema nacional.

O projeto também consolida uma parceria com a plataforma digital CINEBRASILJÁ, que funciona como uma cinemateca virtual, permitindo acesso contínuo a filmes brasileiros fora do circuito comercial. Essa integração entre espaços físicos e digitais fortalece a disseminação da produção cinematográfica nacional.

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Serviço:

O quê: Festival Os Filmes Que Eu Não Vi

Quando: 15 a 19 de janeiro de 2025

Onde: Sala Walter da Silveira, Salvador

Realização: Água Doce Produções

Para mais detalhes sobre o festival, siga o perfil oficial no Instagram: @osfilmesqueeunaovi


Confira a programação completa do Festival de Cinema Italiano no Brasil

 

Por Victoria Allen Hope

O FESTIVAL DE CINEMA ITALIANO NO BRASIL começa nesta quinta-feira, dia 7 de novembro, e segue até o dia 8 de dezembro, chegando à sua 19ª edição e contando com programação diversificada e gratuita para a cidade de São Paulo.

O festival traz filmes inéditos e também uma retrospectiva sobre o humor do cinema italiano, abrangendo mais de 70 cidades brasileiras, além de disponibilizar as obras pelo streaming. Em São Paulo, o público poderá ver os filmes de forma gratuita e presencial no Cinema Reag Belas Artes e no Centro Cultural Banco do Brasil. 

Entre os destaques do Festival estão os filmes Adeus, Garoto, com direção de Edgar Pistone e selecionado para o Festival de Cinema de Roma 2024, o clássico O Ouro de Nápoles dirigido por Vittorio De Sica e que integra a retrospectiva do festival, o filme Eu, Capitão, de Matteo Garrone, indicado ao Oscar®️ de Melhor Filme Internacional, O Pequeno Diabo, dirigido e protagonizado por Roberto Benigni que traz à tona o humor italiano, e Toquinho: Encontros e um Violão dirigido por Erica Bernardini e escolhido pela Embaixada da Itália para celebrar os 150 anos da Imigração Italiana no Brasil.

Programação completa

Eravamo Bambini / Foto

07/11

20h40 - ERAVAMO BAMBINI (ÉRAMOS CRIANÇAS)

08/11

16h00 - MISERIA E NOBILTÀ (CONFUSÕES À ITALIANA)

20h40 - ROMEO È GIULIETTA (ROMEU É JULIETA)

09/11

16h00   - UN MONDO A PARTE (UM MUNDO À PARTE)

20h40 - IL PICCOLO DIAVOLO (O PEQUENO DIABO) 

10/11

16h00   - L’ORO DI NAPOLI (O OURO DE NÁPOLES) 

20h40 - TOQUINHO, ENCONTROS E UM VIOLÃO

11/11

16h00 - CARACAS

20h40 - TOTÒ A COLORI 

12/12

16h00   - GUARDIE E LADRI (GUARDAS E LADRÕES) 

20h40 - NATA PER TE (NASCIDA PARA VOCÊ)

13/11

16h00   - L'ANIMA IN PACE (A ALMA EM PAZ)

20h40 - ALTRIMENTI CI ARRABBIAMO (A DUPLA EXPLOSIVA) 

14/11

16h00 - LO SCEICCO BIANCO (ABISMO DE UM SONHO)

20h40 - CIAO BAMBINO (ADEUS, GAROTO)

15/11

16h00 - 47 MORTO CHE PARLA (O HOMEM DA CAIXINHA)

20h40 - UN ALTRO FERRAGOSTO (MAIS UM VERÃO EM FAMÍLIA)

16/11

16h00   - E SE MIO PADRE (E SE O MEU PAI)

20h40 - I SOLITI IGNOTI (OS ETERNOS DESCONHECIDOS)

17/11  

16h00   - UN AMERICANO A ROMA (UM AMERICANO EM ROMA)

20h40 - PARE PARECCHIO PARIGI (PARECE BASTANTE PARIS)


Palazzina Laf / Foito: Festival de Cinema Italiano

18/11  

16h00 - IL VIAGGIO DI CAPITAN FRACASSA (A VIAGEM DE CAPITÃO TORNADO)

20h40 - PALAZZINA LAF (LAF)

19/11 

16h00   - IL COMUNE SENSO DEL PUDORE (O VALOR DO PUDOR)

20h40 - THE PENITENT

20/11

16h00 - DOVE VAI IN VACANZA (ONDE PASSAREMOS AS FÉRIAS?)

20h40 - MIA

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL - SP

07/11

17h30 - L'ORO Dl NAPOLI (O OURO DE NÁPOLES)

08/11

19h -  47 MORTO CHE PARLA (O HOMEM DA CAIXINHA)

09/11

13h - UN MONDO A PARTE (UM MUNDO À PARTE)

17h - ROMEO È GIULIETTA (ROMEU É JULIETA)

10/11

15h - TOQUINHO: ENCONTROS E UM VIOLÃO

17h - L'ANIMA IN PACE (A ALMA EM PAZ)

14/11

17h - IL VIAGGIO DI CAPITAN FRACASSA (A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO)

15/11

15h - THE PENITENT (O PENITENTE)

16/11

13h30 - LO SCEICCO BIANCO (ABISMO DE UM SONHO)

17h30 - NATA PER TE (NASCIDA PARA VOCÊ)

Mia / Foto: Festival de Cinema Italiano

17/11

14h - MIA

16h30 - E SE MIO PADRE (E SE O MEU PAI)

21/11

18h - DOVE VAI IN VACANZA? (ONDE PASSAREMOS AS FÉRIAS?)

22/11

18h30 - GUARDIE E LADRI (GUARDAS E LADRÕES)

23/11

13h - ERAVAMO BAMBINI (ÉRAMOS CRIANÇAS)

18h - CIAO BAMBINO (ADEUS, GAROTO)

24/11

14h15 - CARACAS

16h30 - PALAZZINA LAF (LAF)

28/11

18h30 - NAPOLI MILIONARIA (NÁPOLES MILIONÁRIA)

29/11

18h30 - TOTÒ A COLORI

30/11

17h30 - IO CAPITANO (EU, CAPITÃO)

01/12

14h - PARE PARECCHIO PARIGI (PARECE BASTANTE PARIS)

16h - IL VIAGGIO DI CAPITAN FRACASSA (A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO)

05/12

18h - MISERIA E NOBILTÀ (CONFUSÕES À ITALIANA)

06/12

16h - IL COMUNE SENSO DEL PUDORE (O COMUM SENTIDO DO PUDOR)

18h - UN ALTRO FERRAGOSTO (MAIS UM VERÃO EM FAMÍLIA)

07/12

14h30 - ... ALTRIMENTI CI ARRABBIAMO! (A DUPLA EXPLOSIVA)

17h - IL PICCOLO DIAVOLO (O PEQUENO DIABO)

08/12

14h30 - TOQUINHO: ENCONTROS E UM VIOLÃO

16h30 - CIAO BAMBINO (ADEUS, GAROTO)

2ª edição do Korean Film Festival movimenta São Paulo de 3 a 9 de outubro no Reserva Cultural

 

Por Victoria Hope

A 2ª edição do Koff - Korean Film Festival movimenta São Paulo de 3 a 9 de outubro de 2024, no Reserva Cultural  (Av. Paulista, 900 - Bela Vista, São Paulo, SP), onde conta com conta com duas excelentes salas de cinema exclusivas  durante a realização do festival, equipadas com sistema de projeção digital (DCP) e áudio Dolby Digital.

O evento tem a curadoria de Rubens Rewald e co-curadoria de Márcia Kling, diretora e idealizadora do evento! Serão mais de 60 filmes exibidos durante o KOFF. Entre eles, produções com passagens nos mais importantes festivais internacionais de cinema. Na Mostra Não-Competitiva estão 20 filmes, como os sucessos Past Lives, Mimang, Exhuma, Road to Boston, Sleep, Spring in Seoul, Soulmate, Ditto, Concrete Utopia e Dog Days.

O curta-metragem Night Fishing, inédito no Brasil, será exibido na abertura de cada dia do KOFF - thriller inovador produzido pela Hyundai,  faz fusão de arte e tecnologia! Entrada gratuita em todas as sessões. 


Exhuma, um dos filmes de maior bilheteria da Coréia nesse ano / Foto: MUBI

Os vencedores são escolhidos por voto popular e a premiação especial de R$ 5 mil para estudantes de cinema criarem curtas-metragens de 3 a 5 minutos sobre a Coreia do Sul. 

Prêmios entre R$ 3 mil e R$ 10 mil na Mostra Competitiva. Foram 325 inscritos da Coreia do Sul e Brasil. A programação reúne longas e curtas metragens de todos os gêneros e exalta a cultura da Coreia do Sul.

O festival é composto por duas mostras, a Mostra Não Competitiva exibe 12 longas e 13 curtas, além da Mostra Competitiva exibe mais 10 longas e 27 curtas, e premia tanto filmes produzidos na Coreia do Sul quanto no Brasil.

Entre os destaques está Exhuma, o filme de maior bilheteria na Coreia do Sul em 2024. Com arrecadação local de cerca de US$ 84 milhões (fonte: Variety), o longa dirigido  por Kim Yong-hwa, mistura suspense, mitologia e drama familiar, e já foi exibido em festivais internacionai, como o Berlin International Film Festival e o Hong Kong International  Film Festival.

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Serviço

KOFF – 2º Korean Film Festival

Data: 03 a 09 de outubro de 2024

Local: Reserva Cultural (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, SP)

Entrada gratuita

Ingressos: retirar on-line em www.koffko.com.br ou na bilheteria do Reserva Cultural (Av. Paulista, 900, Bela Vista)

Mais informações: https://www.instagram.com/koffko_